<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://mufasa.spaceblog.com.br</title>		<id>http://spaceblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://mufasa.spaceblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Mufasa]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://mufasa.spaceblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2008-12-23T02:51:30+01:00</updated>		<entry>			<title>As imagens da terra na formação da sociedade brasileira</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>
<span>
</span></p>
<p>
<span>
O imaginário da terra na formação da
sociedade brasileira</span></p>
<p><em><span>
Por: Ana Cecília dos
Santos</span></em></p>
<p>
<span>
Resumo</span></p>
<p>
<span>
Mal iniciava a colonização e o padre Manuel
da Nóbrega já reclamava do desprezo pela cidade, pela coisa
pública: Não querem bem a terra. (Teatro dos Vícios,
p.51) De acordo com Sergio Buarque de Holanda, no início da
colonização portuguesa não havia o objetivo de estabelecer um local
de moradia e permanência. A intenção do colonizador português era
extrair riqueza, explorar a terra e ir em busca de terras mais
férteis. Ele utiliza a categoria tipo ideal de Weber para falar do
tipo trabalhador e o tipo aventureiro. O trabalhador enxerga
a dificuldade a vencer, não o triunfo a alcançar. O
aventureiro: Seu ideal será colher o fruto sem plantar a
árvore e acrescenta que o aventureiro tem as seguintes
qualidades audácia, imprevidência, irresponsabilidade,
vagabundagem.(Raízes do Brasil, p´.44) Sérgio Buarque
atribui ao português o tipo aventureiro e expõe que a colonização
se deu através da ânsia de prosperidade sem trabalho, de riquezas
fáceis e com desleixo pela terra. Já Gilberto Feyre em Casa Grande
e Senzala diz que o Brasil formou-se, despreocupados os seus
colonizadores da unidade ou pureza de raça.
(p.55).</span></p>
<p>
<span>
Assim como o desleixo pela terra se deu
também o desprezo pelo os filhos da terra. A missigenação aconteceu
desde o início da entrada dos portugueses no Brasil, resultando
numa mistura de raças e de filhos bastardos, pois
muitos eram frutos de relações advindas de estupros ou a mulher não
era considerada a esposa. Como<span></span> expõe Gilberto Freyre: diga o
ditado: branca para casar, mulata para f..., negra para
trabalhar. (p.38).</span></p>
<p>
<span>De 1500 a 1530 com a chegada
dos portugueses ao Brasil não houve colonização, pois não se
fixaram a terra, somente com as invasões de holandeses, franceses e
ingleses o rei de portugal se viu obrigado a enviar em 1530 uma
primeira expedição visando colonizar o Brasil e tinha como objetivo
expulsar os invasores e iniciar o cultivo da
cana-de-açucar.</span></p>
<p>
<span>A
colonização do Brasil iniciou a base da exploração do trabalho
escravo dos negros vindos da África, principalmente após a
monocultura de cana-de-açúcar. Cultivavam a terra a fim de enviar a
cana-de-açúcar para portugal, como diz Gilberto Freyre
(p.59)<span></span> privando a
população colonial de um bom regime alimentar.</span><span>Os negros,
trazidos do continente africanos para trabalhar nas lavouras eram
transportados dentro dos porões dos navios negreiros. Devido
péssimas condições deste meio de transporte, muitos deles morriam
durante a viagem. Após o desembarque eles eram comprados por
fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e
desumana</span></p>
<p>
<span>A história econômico-social
brasileira ocorreu com uma grande diferenciação desde o nascedouro.
No topo da sociedade estava o senhor de engenho, abaixo
trabalhadores livres e funcionários públicos e na base da sociedade
o trabalho escravo de negros. Os índios apesar de serem forçados a
trabalhar não se adaptaram ao trabalho escravo nas lavouras e eram
protgidos pelos jesuítas. Ficou <span></span>o negro a principal força de
trabalho. A mulher exercia os cuidados da casa e dos filhos. Era
uma sociedade partriarcal em que o homem, senhor de engenho,
mandava na terra e estabelecia o seu domínio sobre os
corpos.Existia a figura dos bandeirantes exploradores territoriais
que eram enviados por senhores de engenho donos de minas e
comerciantes e foram os responsáveis por desbravar boa parte do
território brasileiro capturando indios,<span></span> pedras e metais
preciosos.<span></span></span></p>
<p>
<span>.</span>
<span>Em treze de maio de 1888, com
a Lei Áurea<span></span> foi dada
a libertação da escravatura para os negros. A revolução indústrial
na Inglaterra repercutiu no Brasil, as usinas substituíram os
primitivos engenhos e como conseqüência diminuiu o número de
escravos nas lavouras. Também surgiram o desejos de surgimento de
industrias nas cidades e com isso o governo brasileiro fazendo a
vontade da Inglaterra, foi aos poucos libertando os escravos e
oferecendo oportunidade de imigrantes europeus virem trabalhar nas
lavouras de café e o resultado foi que deixou os negros sem apoio e
sem trabalho.</span></p>
<p>
<span>A imigração oficial começou
no início do século XIX, os principais colonos eram italianos, viam
para o Brasil com a esperança de melhores condições de vida, pois a
situação política e econômica na Itália não estavam boa e eles viam
para o Brasil com esperança de ter um pedaço de terra. A
legalização da posse de terra e seu registro era obrigatório, porém
a Lei da Terra dificultava a compra, pois os preços eram elevados,
deixando para o imigrante a solução de trabalhar nas fazendas de
café.</span></p>
<p>
<span><span></span>Os primeiros imigrantes
estabeleciam um contrato de parceria com o dono da terra, cuidavam
dos cafezais e dividiam o lucro e os prejuízos com o fazendeiro,
recebiam um pequeno terreno para servir de plantação de
subsistência. Eram proibidos de sair das fazendas e geralmente
faziam compra no armazém da propriedade endividando-se cada vez
mais. O colono pouco a pouco se via como escravo e aquele sonho de
encontrar no Brasil uma esperança de possuir um pedaço de terra
escorria pela mão como areia. Na época não havia nenhuma autoridade
que os apoiasse. Como expõe Calligaris (p.
28,29)</span></p>
<p>
<span>A
trajédia é a descoberta que a autoridade que assinou, por
intermédio, o contrato é a marionete inconsciente do colonizador
que pede corpos para explorar. Tanto mais que o contrato, por ser
contrato e engajar o colono, já antecipava seu sonho de
reconhecimento de cidadania</span><span>.</span></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<span>Dessa forma aconteceram as
relações sociais que fundaram a sociedade brasileira, semelhante a
forma que cultivaram a terra: sem identificação, sem sentido no
cultivo e amor ao pedaço de chão. Brancos e negros foram expostos a
uma exploração desumana e sem nenhum tipo de controle ou supervisão
por parte dos governantes. O processo histórico que se deu desde a
chegada dos portugueses a esta terra ocasionou numa falta de
compromisso e identificação com o trabalho na nova terra
conquistada. Isso aconteceu pela omissão ao apoio que os imigrantes
vieram buscar e não encontraram. As leis e a autoridade não
protegiam o camponês e muito menos aos negros que foram libertados
e ficaram sem rumo.<span></span>
Foi somente na primeira metade do século XX que as primeiras leis
trabalhistas foram criadas.</span></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<strong><em><span>
Pátria pai<span></span></span></em></strong></p>
<p>
<span>Durante a história do Brasil
aconteceram muitas lutas do povo brasileiro que buscaram
reinvindicar dignidade, mas as principais decisões nos destinos do
país foram tomadas sem a participação efetiva do povo, até a
independência do Brasil foi motivada por minorias, a massa do povo
ficou até mesmo indiferente. Como um povo pode ter dignidade em ser
brasileiro e ter amor a terra e a pátria se não existe uma
identificação com a terra e não participa das causas importantes
que mudariam o país? Segundo observa Sérgio
Buarque:</span></p>
<p>
<span>
É crioso notar-se que os movimentos
aparentemente reformadores, no Brasil, partiram quase sempres de
cima para baixo: foram de inspiração intelectual, se assim se pode
dizer, tanto quanto sentimental. Nossa independência, as conquistas
liberais que fizemos durante o decurso de nossa evolução política
vieram quase sempre de surpresa: a grande massa do povo recebeu-as
com displicência, ou hostilidade. (Holanda,1996,160)<span></span></span></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<span>Pátria do latim
patris representa terra paterna, a terra natal ou
adotiva de um ser humano, que se sente ligado por vínculos
afetivos, culturais, valores e história. Comparo a pátria com um
pai, isto é, uma figura que simboliza proteção e apoio que fornece
um nome e uma filiação, uma identificação, um sentido, uma força
para atuar no mundo. O colono veio em busca de uma pátria (pai) que
os acolhessem, os negros foram arrancados de suas raízes, de sua
terra que lhes davam identificação e força e ambos conheceram a
escravidão. Esse pai foi omisso e cruel e não deu força ao filho.
<span></span>Como explica Contardo
Calligaris (p.29):</span></p>
<p>
<span>Esta
tragédia, inscrita para sempre na memória do colono brasileiro, é
um outro jeito de dizer o que já apontei: que a herança do
colonizador para o colono, que pede um novo nome ao novo pai, é um
significante nacional que implica uma decepção definitiva: queres
um nome? Eis o pau-brasil, dejeto da mesma exploração que prometo
ao teu corpo. Queres um significante nacional que te afilie? Eis o
Brasil e serás brasileiro, o que, pelo menos até o século XIX, como
se sabe, não designa filiação nenhuma, mas é o nome comum de quem
trabalha, explorado, na exploração do pau-brasil.<span></span></span> <span><span></span></span></p>
<p>
<span>Podemos observar que
(comentarum pouco a parte de cima e introduzir a questão do pai)
.Para ilustrar melhor a relação da sociedade brasileira com a terra
vejo a necessidade de lembrar algumas passagens contidas em relatos
mitologicos, como também em aspectos da psicologia <em>Junguiana</em> com o intuito de
enteder também o arquetipo (idéias elementares que poderiam ser
chamadas idéias de base) que representa a
terra.</span></p>
<p>
<span>Na lenda do rei Artur, os
cavaleiros participavam junto com o rei das decisões e as
reuniões aconteciam em volta de uma távola redonda
simbolizando a partcipação de todos no poder. Essa lenda projeta
para quem a lê um ideário de justiça e sabedoria. <span></span>Viviam uma sociedade <span></span>integrada, pois o círculo
representado pela távola redonda passa uma idéia de integração e
volta para o self da organização social do reinado, buscavam no rei
a autoridade, não uma autoridade que destruía, mas que integrava e
pelo o rei eles eram capazes de oferecer a própria vida. Esse mito
é revelador para entender o sentido das ações e que forma o
processo de integração na fonte do amor pela pátria, sensação de
integração na sociedade. A autoridade do rei é legitima e
necessária, pois o seu reinado começou a partir de um grande mérito
que foi retirar a excalibur, a espada mágica, encravada na pedra.
Só o legitimo rei<span></span>
conseguiria tal proeza, somente o filho do rei Uther poderia fazer
isso. Uther foi morto por seus inimigos e antes de morrer encravou
a espada mágica, excalibur, na pedra e disse que somente o legitimo
rei poderia retirar.</span></p>
<p>
<span>No Brasil, durante sua
histórica o processo de integração foi bem diferente. Como foi dito
a independência do Brasil aconteceu sem a efetiva participação do
povo e o novo imperador do Brasil foi D. Pedro I. que além de
<span></span>não ter nascido no
Brasil não terminou seu reinado aqui, abdicou de sua coroa e se viu
forçado a partir para o estrangeiro para lutar pelo trono da filha
mais velha, usurpado por seu irmão, o infante dom Miguel em
Portugal.</span></p>
<p>
<span>Diferente do mito Arturiano
o povo brasileiro não encontrava no rei identificação alguma, não
havia uma legitimação heróica. Os governantes,
claramente dependentes das decisões de outros reinos como Portugal
e Inglaterra<span></span> não
estavam muito ligados a história e a vida cotidiana no Brasil.
Os brasileiros ficaram
despatriados.</span></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<strong><em>MÃE
TERRA</em></strong></p>
<p>
Para falar do arquétipo da terra escolhi um mito
grego que representa o feminino na psique humana, a partir dessa
idéia busco entender como esse aspecto permite criar um sentido de
amor pela terra e como a partir da colonização os portugueses, os
negros, os imigrantes não se envolveram com o cuidado na nova terra
por ela ter representado apenas uma mercadoria ou fonte de
exploração do trabalho. Entender como o catolicismo que trazia o
medo do demônio enfraquecia a visão de que a terra tinha um
significado maior para os indígenas. Para eles a terra como toda a
natureza estava investida de um significado transcendente e
religioso além de ser fonte de sua vida cotidiana.
</p>
<p><span><span><strong>A</strong></span></span>
<span>
princípio, de Gaia nasceu Urano ou o Céu, que
uniu-se a ela gerando os gigantes, feios, violentos e poderosos
Titãs, os Titânides, incluindo Cronos, o Devorador Pai do Tempo.
Urano não tolerava os filhos e logo que nasciam, os empurrava de
volta para dentro do útero, para o fundo da Terra Mãe, onde
estagnavam pela ausência de luz, atividade e liberdade. Finalmente
um deles, Cronos, foi secretamente removido do próprio útero da Mãe
Gaia e quando o Pai Urano desceu para cobrir Gaia, esse filho
titânico rebelde e irado castrou-o. Depois libertou seus irmãos e
irmãs e, com isso deu início à era dos Titãs.
(www.rosanevolpatto.trd.br/deusagaia)</span></p>
<p>
<span>
</span></p>
<p>
<span>
Este é o mito fundador grego, gaia a mãe terra é o aspecto feminino
passivo, receptivo que envolve os mistérios da vida e da morte,
seus filhos nascem de gaia e a gaia retornam. É a mãe geradora de
tudo, é o local de onde tudo vem e tudo volta.</span> <span>
Gaia a mãe terra foi considerada a profetiza
do centro de adivinhação da Grécia antiga, o Oráculo de Delfos, foi
considerado o umbigo da terra e fonte de sabedoria da e da
humanidade. Gaia era considerada ser de onde todas as criaturas
brotavam, mas sua adoração foi substituída pala adoração a outros
deuses. </span></p>
<p>
<span>
Dionísio representa o aspecto feminino, o deus da terra, da
fertilidade da terra e da mulher, da vegetação, é também conhecido
como o deus do caos, do inconsciente, da transformação, da loucura
e do êxtase. Não era considerado um deus político nem voltado para
proteção da polis, a representação desse deus põe em questionamento
valores, devido ao seu caráter de irracionalidade ele vai contra a
ordem política social e religiosa. Os rituais dionisíacos eram
realizados principalmente pelas as bacantes, mulheres.<span></span> A rainha aparecia mascarada, o
uso da máscara simbolizava a transfiguração do interior, ela era
considerada a esposa de Dionísio, representado por um sacerdote,
também usando máscara e os dois iam para a residência real realizar
o casamento nupcial, a fecundação. Através do vinho e das danças os
bacantes tentavam chegar ao êxtase, isto é, sair de si buscando a
união total com o deus, se livrando das repressões e recalques,
buscando a dissolução da personalidade. Como observa Junito Brandão
(p.140): Dionísio retrataria as forças da dissolução da
personalidade: a regressão as forças caóticas e primordiais da
vida, provocada pela orgia e a submersão da consciência no magma do
inconsciente.</span> <span>
O arquétipo da terra está inevitavelmente
ligado a esse mito de Dionísio, assim como a mulher e as forças do
inconsciente.<span><span></span> <span></span></span></span></p>
<p>
<span>
<span></span><span></span>O arquétipo da terra também está
ligada ao arquétipo do céu e um complementa o outro. A terra é
pesada, escura, feminina e passiva. O céu é leve, claro, masculino,
ativo. Com o decorrer do processo histórico, durante a idade média
e com o catolicismo, as imagens da terra eram negativas, assim como
a imagem da mulher. A parte inferior da alma pertencia a terra,
eram lá que estavam os demônios. Muitas mulheres nessa época eram
queimadas na fogueira como bruxas, bastavam não seguir as imagens
que representavam a mulher como a virgem Maria, uma figura sem
sexualidade. A mulher representava os instintos, sedução e pecado.
O deus, homem estava no céu e era lá que estava à salvação e com
isso a própria natureza humana era considerada ruim. A depreciação
e a hostilidade com a terra era também uma forma de repulsa a si
mesmo. A colonização do Brasil foi feita pelo catolicismo, de
acordo com Gilberto Freyre: o catolicismo foi realmente o cimento
da nossa unidade. (p.56) e apesar do povo reinventar seu cotidiano
burlando as regras impostas pelo colonizador europeu, a inquisição
enchia de medo e terror vendo o diabo em todas as partes do Brasil.
Como expõe Hoornaert (p. 140)</span></p>
<p>
<span>
</span></p>
<p>
<span>
Os jesuítas e sua concepção
européia altamente demonizada fizeram com que a idéia do mal se
tornasse insuportável. Para eles, a alteridade da cultura indígena
era demoníaca a terra em que evoluíram as hostes dos servidores de
satanás. Em conseqüência, sempre consideraram as religiões de
indígenas e africanas como aberrações
satânicas.</span></p>
<p>
<span>
<span></span> Os índios filhos dessa
terra eram catequizados pelos os jesuítas e se enchiam de medo com
a figura do diabo, além de serem depreciados e tidos, pelo menos no
início da colonização, como aberrações satânicas. A religiões
africanas eram praticada as escondidas ou sofria alterações para
ser aceita, pois era considerada praticas
demoniacas.</span></p>
<p>
<span>
<span></span>Os negros escravos que tratavam a
terra não enxergavam nela fonte de força e raiz da suas vidas, pois
o produto da terra servia aos brancos e a terra para eles era local
de exploração, por isso as divindades africanas invocadas não
estavam ligadas a agricultura e sim a justiça e a guerra. De acordo
com Hoorneart (p.94)</span></p>
<p>
<span>
Para pedir fecundidade às
mulheres se, na terra do cativeiro, elas geravam bebês escravos?
Como solicitar boas colheitas numa agricultura que beneficiava os
brancos, que se voltava para o comércio externo e não para a
subsistência? Mais valia pedir-lhes a seca, as epidemias
destruidoras de plantações, pois colheitas abundantes acabariam se
traduzindo em mais trabalho para o escravo, mais fadiga, mais
miséria. A primeira seleção operada no seio da religião africana
colocaria de lado as divindades protetoras da agricultura,
valorizando, em contrapartida, as da guerra  Ogum ,
da justiça  Xangô -, da vingança 
Exu.</span></p>
<p>
<span>
</span></p>
<p>
<span>
Como foi dito acima a figura da mulher era
vista como demoníaca e na história do Brasil homens e mulheres
foram levados para inquisição e punidos por práticas que não
condiziam com as leis da igreja católica. As mulheres e a terra
eram exploradas e violentadas no corpo e na alma. Os portugueses
lançaram-se ao mar como aventureiros para conquistar, guerrear e
explorar a terra e os corpos. O colonizador senhor de engenho
desbravava a terra, praticava a monocultura e quando a terra não
servia mais simplesmente a abandonavam, sem amor ao
cultivo.</span></p>
<p>
<span>
A colonização do Brasil foi feita por homens
que tinha a necessidade apenas de mais poder. Os filhos desses
homens eram criados por duas mães, a mãe biológica e a mãe de
leite, negra, que tinha o seu corpo permitido para ser explorado e
os filhos dessas negras muitas vezes servia de
brinquedo para os filhos desse senhor de Engenho. A
mãe, mulher do senhor se resignava ao seu papel de
senhora e também exploradora do trabalho escravo, mas vivia
profundamente amargurada por ser apenas mais um corpo
explorado.<span></span></span></p>
<p>
<span>
De acordo com Jung todos temos um aspecto
feminino na psique, ele chama de anima que provém do latim e
significa alma. Anima é a nossa parte representada pela mãe e no
crescimento da criança a mãe tem a função de fazer voltar para si,
isto é, voltar para as forças do inconsciente é o que vai fazer com
que aprendamos a lhe dar com nosso lado inconsciente e irracional.
Anima é a busca pela <em>alma</em> humana, para o self, para
o âmago do ser, para o inconsciente assim como a terra que gera a
vida e recebe de volta. Como diz Jung (p.73): a mãe é a protetora
contra os perigos que o ameaçam do fundo obscuro da <em>alma</em>. A projeção da anima é
passada pela figura feminina mais próxima a criança normalmente a
mãe e a partir daí determinará a forma que a criança passará
enxergar a figura da mulher. Como o filho do senhor de engenho
tinha duas mães a mãe biologia e a mãe de leite escrava, então a
imagem da mulher poderia sr projetada também pela negra escrava,
isto é, um corpo que lhe era oferecido em casa para ser explorado.
Por outro lado o filho da escrava negra via a mãe sendo explorada
pelo senhorzinho e dessa fora reproduzia uma situação de servidão.
De acordo com Caligaris (p.38): Se o colonizador oferece para a sua
criança o fantasma de um corpo escravo licencioso que é metonímia
do corpo da terra, ele transmite o mesmo fantasma para a
descendência dos corpos que ele explora. <span></span><span></span></span></p>
<p>
<span>
A <em>alma</em> do povo brasileiro está
marcada pelo o desprezo com a terra, o aspecto feminino, assim como
a terra é geradora de toda a vida e local para onde a vida retorna,
assim é a mulher e ambas não foram cuidadas e sim exploradas
durante a formação da sociedade brasileira. O Resultado foi uma
falta de identificação com o sentido de ser brasileiro filho dessa
terra. Mãe terra e pai pátria, opostos e complementares, seriam
importantes para a construção da alma brasileira simplesmente foram
omissos com os filhos. </span></p>
<p>
<strong><em><span>
</span></em></strong></p>
<p>
<strong><em><span>
OS CAMPONESES E SUA RELAÇÃO COM A
TERRA</span></em></strong></p>
<p>
<strong><em><span>
</span></em></strong></p>
<p>
<span>
Quando o vós se
transforma em coisa, você já não sabe de que relação
se trata. A relação do índio com os animais difere da nossa relação
com eles, na medida em que vemos os animais como forma inferior de
vida. Na Bíblia, somos informados de que somos os senhores da
terra. Para os povos caçadores o animal é superior, em mais de um
sentido.<span></span> (Campbell,
p. 82)</span></p>
<p>
<span>
</span></p>
<p>
<span>
O camponês que vive da terra estabelece uma
relação de identificação com a natureza e seus ciclos assim como os
índios e enxergam algo místico nos elementos da natureza. Para
algumas tribos indígenas antes de caçar, pescar ou plantar eles
reverenciam as forças da natureza, através de rituais pedem
permissão para a entidade que representa aquele animal ou planta,
mostrando um profundo respeito.</span></p>
<p>
<span>
A identidade camponesa é revelada pelo seu modo de vida, pela
cultura, pela sua religiosidade, afinidade com as pessoas, danças,
comidas, costumes e modo de se relacionar com a natureza, pelo o
jeito de produzir e cuidar da terra e pela forma que se relacionam
com os frutos da terra que lhes são sagrados. Não diferenciam o
trabalho da vida, a rotina tem uma profunda ligação com o cultivo
das plantações e em algumas famílias camponesas todos trabalham na
agricultura. A terra se torna um lugar de produzir e cuidar da vida
e isso fornece um sentido maior a sua existência. Sua identidade
está no jeito de viver e de estar em sintonia com a natureza, com a
terra, com a terra brasileira. Observe esta poesia do Patativa do
Assaré,</span> <span>
Poesia sobre a Terra
Brasil:</span></p>
<p>
<span>
Eu sou de uma terra que o povo
padece. Mas não esmorece e procura vencer. Da terra querida, que a
linda cabocla. De riso na boca zomba de sofrer. Não nego meu
sangue, não nego meu nome. Olho para a fome, pergunto o que há? Eu
sou brasileiro, filho do nordeste. Sou cabra da peste, sou do
Ceará.</span></p>
<p>
<span>
</span></p>
<p>
<span>
Patativa do Assaré poeta, camponês tem
orgulho de pertencer a esta terra a apesar do sofrimento causado
pela falta de chuva e dificuldades na vida do campo, ele ainda
sente orgulho de ser brasileiro. Tem uma profunda ligação de amor a
terra natal, assim como Luiz Gonzaga em Asa Branca que teve que
sair do sertão por causa da seca, mas promete retornar e ambos
identificam a terra com uma figura feminina.</span></p>
<p><span>
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
"Intonce" eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Para eu vortar pro meu sertão

Quando o verde dos teus oios
Se espanhar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração</span> <span>
<span></span></span></p>
<p>
<span>
</span></p>
<p>
<span>
</span></p>
<p>
<span>
A guerra de Canudos liderado por Antônio
Conselheiro de 1896 a 1897 na Bahia é um exemplo no Brasil de
camponeses lutando contra o latifúndio e pela a esperança coletiva
de construir um mundo novo, um mundo que fizesse sentido e para
isso não poderiam concordar com a ordem vigente, onde a terra não
era valoriza e dessa forma o sertanejo não ficou passivo diante de
uma vida de infortúnios e adversidades, mas através de sua luta
pela terra reivindicou o que queria para si, isto é, uma vida digna
e não explorada. A religião católica estava presente em Canudos,
mas de forma ressignificada pelos camponeses. Assim como a luta de
Canudos, muitas lutas foram travadas pelo o povo
brasileiro.</span></p>
<p>
<span>
Infelizmente a mágoa de termos vivido num
país onde as relações se dão pelo o personalismo onde apenas alguns
sejam privilegiados e as leis não são feitas para funcionar
deixando a maioria da população ainda numa situação de exploração e
desamparo tenha causado uma vergonha e um constrangimento em ser
brasileiro.<span></span></span></p>
<p><span>
Quando acontece um fato de repercussão abrangente através da mídia
como violência, corrupção, incompetência, falta de estrutura nas
instituições escuto vez por outra nas ruas comentários
depreciativos em relação a ser brasileiro. Como exemplo, cito
algumas frases escutadas por mim no dia-a-dia: só podia ser
brasileiro mesmo; você não sabe que o Brasil é assim; é Brasil meu
filho; ô paisinho miserável. Recentemente no dia 17 de outubro de
2008 ocorreu um seqüestro com o desfecho trágico resultando na
morte de uma refém, a garota de quinze anos Eloá.
U</span><span>m
brasileiro, Marcos do Val que dá aulas há nove anos para um grupo
de elite da polícia americana preparada para enfrentar situações de
emergência, a SWAT em Dallas, Estados Unidos, comentou o caso
apontando vários erros da polícia brasileira em seguida solta a
seguinte frase: Foi um erro gravíssimo e eu sinto vergonha
de ser brasileiro e saber que a polícia brasileira fez isso.
</span><span>http://fantastico.globo.com</span>
<span>
.</span></p>
<p><span>
Esse desprezo em ser brasileiro tem origem na
formação da sociedade brasileira, é também um desprezo por si
mesmo, por não se sentir protegido e amado como filho da terra
Brasil.</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://mufasa.spaceblog.com.br/244945/As-imagens-da-terra-na-formacao-da-sociedade-brasileira/</id>			<link href="http://mufasa.spaceblog.com.br/244945/As-imagens-da-terra-na-formacao-da-sociedade-brasileira/" />			<author>				<name>mufasa</name>				<uri>http://mufasa.spaceblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-11-22T00:39:49+01:00</updated>		</entry></feed>