<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[spaceblog.com.br] fefapuci : <![CDATA[Ferzinha]]></title>		<link>http://fefapuci.spaceblog.com.br</link>		<description><![CDATA[Ferzinha]]></description>		<language>br</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Mon, 05 Nov 2007 04:45:14 +0200</pubDate>		<item>			<title><![CDATA[Saudade]]></title>			<description><![CDATA[<h3 class="post-title">Texto de Miguel Falabella publicado no
jornal O Globo</h3>
<div class="post-body">Trancar o dedo numa porta dói.

Bater com o queixo no chão dói.

Torcer o tornozelo dói.

Um tapa, um soco, um pontapé, doem.

Dói bater com a cabeça na quina da mesa, dói
morder a língua,
dói cólica,cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.

Saudade de uma cachoeira da infância.

Saudade de um filho que estuda fora.

Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra
mais.

Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca
existiu.

Saudade de uma cidade.

Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.

Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se
ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.

Saudade da presença, e até da ausência
consentida.

Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas
sabiam-se lá.

Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas
sabiam-se onde.

Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem
vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,

Ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor
siga,

Ao outro sobra uma saudade

que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber.

Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais
frio.

Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa
daquela alergia.

Não saber se ela ainda usa aquela saia.

Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como
prometeu.

Não saber se ela tem comido bem por causa daquela
mania

de estar sempre ocupada;

se ele tem assistido às aulas de inglês,

se aprendeu a entrar na Internet

e encontrar a página do Diário Oficial;

se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;

se ele continua preferindo Malzebier;

se ela continua preferindo suco;

se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;

se ela continua dançando daquele jeitinho
enlouquecedor;

se ele continua cantando tão bem;

se ela continua detestando o MC Donald's;

se ele continua amando;

se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais
compridos;

não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o
pensamento;

não saber como frear as lágrimas diante de uma
música;

não saber como vencer a dor de um silêncio que nada
preenche.

Saudade é não querer saber se ela está com
outro, e ao mesmo tempo querer.

É não saber se ele está feliz, e ao mesmo
tempo perguntar a todos os amigos por isso...

É não querer saber se ele está mais magro, se
ela está mais bela.

Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim
doer;

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que
você,

provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de
ler...


(Miguel Falabella)</div>
]]></description>			<link>http://fefapuci.spaceblog.com.br/65193/Saudade/</link>			<comments>http://fefapuci.spaceblog.com.br/Saudade-05112007-004647-lp-65193.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://fefapuci.spaceblog.com.br/65193/Saudade/</guid>			<pubDate>Mon, 05 Nov 2007 00:46:47 +0200</pubDate>		</item>	</channel></rss>