<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[spaceblog.com.br] alessandroengroff : <![CDATA[Alessandro Engroff]]></title>		<link>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br</link>		<description><![CDATA[Alessandro Engroff]]></description>		<language>br</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 14:17:45 +0200</pubDate>		<image>			<title>alessandroengroff.spaceblog.com.br</title>			<link>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br</link>			<url>http://staticblog.hi-pi.com//images/avatar.gif</url>		</image>		<item>			<title><![CDATA[1.155 X 1.152: memórias de um dia inesquecível]]></title>			<description><![CDATA[<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Grandes conquistas
merecem ser relembradas para sempre. Por isso, depois de três meses
sem postar neste espaço, volto para recordar uma data que, com
certeza, não foi um dia qualquer. 5 de outubro de 2008 entrou para
a história de, no mínimo, 2.472 pessoas de tal maneira que torna
impossível não relembrar esta data hoje. Exatamente há um ano,
eleitores de todo o país iam às urnas para exercer o mais soberano
de todos os direitos: o voto democrático. Em algumas cidades, o
pleito já pode ter caído no esquecimento, mas não na querência onde
uma eleição define destinos: Pirapó, minha terra natal.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Cheguei lá no sábado
à tarde, às vésperas das eleições. Os dias que antecederam aquele
período foi movimentado. Quem visita este espaço com alguma
frequência deve ter percebido, através de relatos e de meus textos,
um pouco do ritmo frenético que transcorria lá. Pois bem. Cheguei
preparado para ouvir alguns desaforos - havia recebido tantos aqui
no blog, e imaginei que ao vivo seria pior. Mas não. (In)Felizmente
me enganei - o "reconhecimento" foi dado pessoalmente apenas no
Carnaval, o que não vem ao caso agora.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
O sábado foi longo.
Fiquei até 3h da madrugada conversando com meus amigos sobre o
pleito que seria dali a poucas horas. Me inteirei em detalhes sobre
tudo o que havia ocorrido nas últimas semanas. Diante de tantos
absurdos de que fui informado, a certeza de que a vitória seria
nossa surgiu de uma maneira sobrenatural. Ao ficar sabendo dos
truques demoníacos usados por uns e outros, percebi que, se
existisse realmente uma força divina superior a tudo, não havia o
que temermos.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
E então chegou o
domingo. Seis e meia da manhã estava eu em pé, de banho tomado e
vestido com minha melhor roupa, como se fosse a uma festa! Aquele
dia foi o mais esperado por mim e tantas outras pessoas desde o
trágico 3 de outubro de 2004. Foi um dia agitado, tenso, tal como
se previa. Não poderia ser diferente. Estava cada vez mais próximo
que definiria o rumo de vidas por, pelo menos, mais quatro
anos.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Olhares de
provocação entre adversários por todos os lados, piadas soltas no
ar durante todo o dia. E flashes. Muitos flashes! Um evento que foi
documentado à altura de sua importância. Os palpites também corriam
a mil. Ora companheiros garantiam vitória para nós para mais de 100
votos, ora outros davam derrota por mais de 300. E, em meio a isso
tudo, as unhas já estavam todas comidas e o coração apenas batendo
para cumprir uma necessidade vital. Era realmente cruel. As voltas
do ponteiros do relógio tornavam-se mais dolorosas a cada minuto
que passava.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
17h. Coração
querendo saltar do peito. Não havia nada mais para ser feito. O
resultado seria conhecido dentro de minutos, e muitos destinos
viriam traçados juntos aos extratos das urnas. Confesso que me
faltam palavras para narrar os momentos que se seguiram. Primeiro
foi o resultado das urnas do centro da cidade. Os metidos a
sabidões diziam que se desse "x" votos de diferença, ganharíamos.
E, seguindo essa lógica, saímos em vantagem! Já nessa hora, muitos
davam como certa nossa vitória. Vieram mais alguns resultados das
urnas do interior, até que fomos informados de que em uma
comunidade na qual sempre levávamos vantagem larga, desta vez havia
diminuído drasticamente. Isso foi o suficiente para correr o boato
de que a eleição estava perdida. Foi aquele desânimo.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
A emoção sentida
naqueles instantes é difícil expressar em palavras. Nem sei direito
quanto tempo durou. Começamos a ouvir gritos vindos de algum lugar
que ficava aos fundos da casa onde estávamos, e já achamos que eram
nossos adversários comemorando a vitória. Uma sensação das piores.
Imaginava meus desafetos comemorando aquela vitória que eu tinha
certeza que seria nossa e que eu tanto esperara. Aqueles gritos me
remeteram aos que eu tinha ouvido há quatro anos atrás e que me
traumatizaram sobremaneira. Me valendo do lugar-comum, posso dizer
que queria que o chão se abrisse sob meus pés.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Não sei se foi
depois de segundos ou minutos, mas logo surgiu um amigo correndo
ali onde estávamos. "Ganhamos, três votos! Três votos! Três!",
repetia ele, mostrando com os dedos a vantagem mínima que ainda nos
deixava em dúvida. Posso até estar exagerando, mas neste momento
acho que não estava com todos os meus sentidos funcionando. As
pernas moles, as mãos trêmulas, geladas, o corpo arrepiado do dedo
mínimo ao último fio de cabelo. Uma explosão de sentimentos. De
dentro, emergia aquela vontade única de gritar, chorar... Nós!
Éramos NÓS que havíamos ganhado a eleição mais disputada e difícil
da história de Pirapó!</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Corri até a casa de
minha tia, com aquele número ecoando na minha cabeça. Ia repetindo
baixinho, contando nos dedos, coçando a cabeça... Acho que quem
reparasse pensaria que eu estava sofrendo um ataque de
esquizofrenia. Da casa onde eu estava até a de minha tia dava pouco
mais de uma quadra, e já podia vê-los comemorando. Lá estava minha
família e, claro, ela, a minha mãe. Quando estava chegando ao
local, meu pai veio me encontrar, enquanto no céu já estouravam os
primeiros fogos, anunciando a grande vitória. "Três votos, Ale!
Três votos, Ale"... Era só isso que ele conseguia repetir. Em
frente à casa, as pessoas pareciam não acreditar no resultado que
haviam descoberto há minutos.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Pelo meio da
multidão, já encontrei minha mãe, que, além do êxito na chapa
majoritária, comemorava os votos que tinha feito nas urnas da
cidade para vereadora e com os quais também já estava eleita. Eu,
que até então não havia chorado, desabei ao abraçá-la. "Valeu a
pena, mãe, ganhamos! GANHAMOS!"... Eu e ela, desta vez,
derramávamos lágrimas de alegria, e não de dor e tristeza como
havíamos chorado há quatro anos. Sabe aquela sensação de plenitude,
de que vale mesmo a pena ir atrás do que a gente sonha? Aquela
certeza de que há sempre alguém lá de cima olhando por quem é do
bem... O rosto molhado de contentamento das pessoas que estavam
naquele pátio foi um dos espetáculos mais lindos que já vi em toda
a minha breve vida.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Ali, vi as mais
diversas formas de comemoração. Pessoas se abraçavam, se
beijavam... Aquela mistura de alívio, alegria, felicidade... Enfim,
toda a emoção de uma vitória histórica e que traduzia um brado de
liberdade. Lembro de uma companheira nossa, que se deitou nas
gramas feito uma criança e batia os pés no chão, chorando e gemendo
desesperadamente, o que, juro a vocês, lembrava alguém sofrendo uma
epilepsia. A filha dela, que devia ter uns seis ou sete anos,
chorava ao lado da mãe, certamente assustada com aquela comemoração
extravagante. "Nós ganhamos, filha... Nós ganhamos, filha!",
consolava a mulher. Foi engraçado. Acho que foi a comemoração mais
original que vi. Um descarrego um tanto escandaloso de aflição e
sofrimento, mas que simbolizava a comoção e o conforto que todos
nós sentíamos naquela ocasião. Jamais vou esquecer daquela cena,
como tantas outras daquele dia.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Fomos em silêncio
para o salão, onde seria a festa. Andamos em silêncio, respeitando
a lei que proibia comemorações na rua. Chegando lá, assistimos ali
perto nossos adversários desolados, se retirando do comitê; alguns
balançando a cabeça, obviamente incrédulos com o resultado recém
recebido. Mas também não vou entrar em detalhes agora. Não escrevo
este relato para provocar ninguém: apenas quero relembrar a emoção
de nós, os "comparsas" que mostraram "quem é que podia cantar de
galo naquele terreiro"...</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Depois de quase uma
hora no salão, finalmente instalaram a aparelhagem de som. Nem que
eu viva mais que a Dercy Gonçalves vou esquecer da música que abriu
oficialmente nossa festa. "Abre a janela, meu amor, abre a
janela"... Os versos do grupo Tradição deram a largada à folia
comemorativa que se estendeu madrugada a dentro, que teve (claro!)
a célebre "Sola da Bota" como <em>hit</em> absoluto.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Minutos depois,
chegamos ao auge da festa. Nossos candidatos adentraram o salão e
foram recebidos como salvadores de um povo há anos sedento por
aquele triunfo. Quando subiram ao palco, gritos de aclamação
tomaram conta de todo o espaço. Eu, igual a tantos outros ali
presentes, chorava feito criança. Lágrimas que lavavam a alma e
anunciavam um futuro de paz. Imaginava nossos adversários escutando
calados aquela vibração, o cantar de nossos "ganizés", que ecoava
pela cidade inteira. Não que sermos vingativos seja algo positivo,
mas que dar o troco numa moeda três vezes mais dolorida nos deixava
extasiados... Ah, isso deixava!... E como deixava!</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
E ainda deixa.
Daquele dia em diante, alguns fatos podem até ter provocado
polêmicas, intrigas, desentendimentos normais inerentes à política
de uma cidade pequena. Porém, o saldo continua muito mais positivo
do que negativo, e é isso que importa. Não vou repetir aqui o que
já escrevi em outros textos, nos quais já fiz todos os
desdobramentos que esta história poderia render.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Aquela vitória
significou o desejo de um povo que clamava por respeito, por
humildade, por um trabalho honesto e igualitário. Ainda estamos
muito no começo do caminho, as dificuldades aparecem e resolvê-las
nem sempre é tarefa fácil. Contudo, contamos com mais de três anos
pela frente e tenho certeza que o possível será feito com primazia,
sempre. Críticas racionais sempre serão aceitáveis, ao contrário do
desejo de manipular resultados e tentar anular o irrevogável,
atitudes que, enquanto existir um mínimo de retidão no mundo, já
foi provado e comprovado que não servirão mais do que motivo de
piada.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
Já diz o ditado que
"enquanto os cães ladram, a caravana passa". E, neste caso, a
caravana passa de trenzinho, cujos tripulantes servem como um aceno
de esperança e paz numa cidade que já sofreu com os horrores de um
neo-coronelismo sanguinário que, sem saber valer sua chance, foi
abatido por um "bando de comparsas". Um bando que deu a prova de
que é, sim, a "ralé" quem verdadeiramente sabe como é que a banda
deve tocar... E aos que tiveram que, à contragosto, se reacostumar
a este ritmo, meus amigos... eu só lamento!</p>
]]></description>			<link>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/547930/1-155-X-1-152-mem-rias-de-um-dia-inesquec-vel/</link>			<comments>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/1-155-X-1-152--mem-rias-de-um-dia-inesquecivel-06102009-021314-lp-547930.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/547930/1-155-X-1-152-mem-rias-de-um-dia-inesquec-vel/</guid>			<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 02:13:14 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Estamos vivos!]]></title>			<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Amigos, leitores e amigos
leitores!</p>
<p style="text-align: justify;">Não esqueci do blog. Apesar de um
mês e meio longe deste espaço, sempre lembro que tem quem sempre
passa por aqui espiar minhas "divagações virtuais".</p>
<p style="text-align: justify;">Correria foi grande nas férias de
julho, concluí um projeto que estava tentando terminar há mais de
quatro anos. Enfim, nunca produzi tanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Prometo que volto postar neste
espaço o quanto antes. Tem vários assuntos que quero compartilhar
aqui. Só questão de tempo mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Valeu.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
]]></description>			<link>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/491002/Estamos-vivos/</link>			<comments>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/Estamos-vivos--22082009-044111-lp-491002.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/491002/Estamos-vivos/</guid>			<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 04:41:11 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Centro Espírita Caminho de Luz: um farol de esperança em meio à periferia]]></title>			<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"> </p>

<p style="text-align: right;"><strong>Alessandro
Engroff</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>"Lembro que foi em 1996.
Uma menina que recém havia entrado na adolescência apareceu aqui
desesperada. Estava grávida, mas não queria ter o filho. Era muito
pobre, viciada em drogas e morava na favela. Veio nos pedir ajuda,
e nós a ajudamos. Durante a gravidez, ela freqüentava nossos
encontros e aceitou a situação. Mas nós sabíamos que ela não havia
largado os tóxicos. Ela teve o filho, o que a deixou muito feliz.
Porém, certa noite, quando o bebê tinha seis meses, ela saiu de
casa para buscar drogas e deixou a criança mamando no berço. Quando
ela voltou, o bebê estava morto. Morreu sufocado com o leite da
mamadeira.&rdquo;</strong></p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">Apesar de raras,
histórias como esta, contadas por Elza da Silva Brito, de 65 anos,
são marcantes na vida dela e de Custódia Demétrio da Silveira, de
60. O trabalho que realizam junto ao Centro Espírita Caminho de
Luz, que fica no bairro Procasa, na periferia de São José, na
Grande Florianópolis, é reconhecido mais pelas histórias de final
feliz do que pelas tristes. Porém, os voluntários da organização
não- governamental (ONG), que presta assistência aos moradores de
favelas da região há quase 20 anos, precisam conviver com as
mazelas latentes numa grande periferia - como drogas, violência e
más condições de saneamento-, para trazer a alguns de seus
moradores a esperança de que a vida pode, sim, ser melhor e mais
feliz.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">Fundada em 1989, a
entidade filantrópica sobrevive apenas de doações dos
freqüentadores do local e de pessoas da comunidade. &ldquo;A ONG se
mantém com as mensalidades, que variam de R$ 3 a R$ 10, dos
freqüentadores do Centro, que são em torno de 50. Há também as
doações de pessoas 'de fora', que ajudam apenas por bondade&rdquo;,
conta Elza. Além da função espiritual, o Caminho de Luz realiza
atividades semanais de orientação à gestantes e distribui roupas e
cestas básicas provenientes de doações para famílias pobres da
comunidade. Aulas de informática, cursos de evangelização, de
artesanato e de artes aplicadas também fazem parte da programação
do Centro.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">Elza e Custódia recordam
com orgulho da evolução da ONG. Fundada por uma equipe liderada
pelo advogado Aílton Fermino Cardoso, atual presidente da
organização, a criação do Centro se deu com uma pequena doação da
Federação Espírita Catarinense (FEC) e com o dinheiro arrecadado
com almoços e cafés coloniais beneficentes. De uma pequena casa, o
Caminho de Luz transformou-se numa sede de nove cômodos, divididos
em salas de artesanato, laboratório de informática, sala de
recreação e evangelização para crianças, biblioteca, refeitório,
sala de reuniões e espaços para as rezas.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">A dedicação dos 35
voluntários do Caminho de Luz em praticar a caridade reflete na
esperança com que as gestantes beneficiadas pelo trabalho da ONG
encaram o desafio que vem pela frente. Antes de assumirem a
responsabilidade de colocar uma nova vida no mundo, as futuras
genitoras descobrem uma estrada pela qual podem caminhar com mais
segurança e preparo. Oito meninas, todas muito jovens, participam
atualmente das atividades do Centro e trazem no rosto ainda
assustado a expectativa da nova fase que está prestes a
iniciar.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"><strong>Crochetando a
esperança: o apoio às gestantes</strong></p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">Elza é vice-diretora do
Centro e trabalha no local como voluntária desde a fundação. Ela
conta que o amparo dado às gestantes é uma das principais ações da
ONG e que, embora perceba que as mulheres estejam mais esclarecidas
hoje do que duas décadas atrás, as dificuldades em realizar um
trabalho assistencialista em uma comunidade pobre ainda são um
constante desafio. &ldquo;Há meninas grávidas de 12, 13 anos, que
chegam aqui sem saber nem o que está acontecendo direito&rdquo;,
relata.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">Chaiene Jacinto, de 18
anos, chegou há cinco meses ao Centro sem muita instrução de como
agir no período de preparação para a chegada do bebê. &ldquo;Não
sabia nem como pegar a agulha para fazer crochê e costurar as
roupinhas para o enxoval do meu filho&rdquo;, lembra ela, que está
com nove meses de gestação e aguarda a chegada da criança para os
próximos dias. Desempregada, Chaiene foi incentivada pelo marido e
pela família a freqüentar os encontros no Caminho de Luz.
&ldquo;Este período foi muito bom para mim. Posso não ter
conseguido fazer muitas peças de crochê, mas aprendi bastante e
melhorei como pessoa&rdquo;, conta, aos risos, confessando que nem
todas as dificuldades com o artesanato foram superadas.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">Custódia é voluntária no
local há 12 anos e hoje é a dirigente do departamento de
assistência às gestantes. Segundo ela, ao chegar ao Centro, as
mulheres grávidas fazem um cadastro e, a partir de então,
participam das aulas de orientação sobre o período pré-natal.
Durante este tempo, as gestantes também assistem às doutrinações.
&ldquo;Em nossos encontros, temos aulas de artesanato, em que elas
próprias confeccionam o enxoval de seus bebês&rdquo;, conta,
ressaltando que, depois de darem a luz, muitas meninas acabam
encontrando na técnica um nova fonte de renda. &ldquo;Elas
freqüentam os encontros até o nascimento da criança, mas continuam
recebendo doações de cesta básica e de leite por mais seis
meses&rdquo;, revela.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">O número de cestas
distribuídas por mês varia bastante, dependendo das doações.
Segundo Custódia, hoje o Centro atende 12 famílias, além das
famílias das oito gestantes. A equipe de apoio às grávidas é
composta por seis voluntários. Não há profissionais especializados,
como psicólogos ou médicos. De acordo com Elza, os colaboradores do
Centro não encaram isso como um trabalho, até porque a doutrina
espírita não permite. &ldquo;Nossos voluntários estão aqui pelo
prazer de ajudar, pelo amor que têm ao semelhante e porque sabem
que somos todos irmãos perante Deus&rdquo;, garante.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">A história de vida de
Ivonete Lima, de 50 anos, se confunde com a do Centro. Há 18 anos,
ela chegou grávida ao Caminho de Luz buscando apoio e, desde então,
não parou de freqüentar o local. Depois de tornar-se mãe, virou
voluntária, e, hoje, ensina as meninas gestantes a fazer o enxoval
dos bebês. &ldquo;O que aprendi lá na década de 90 posso agora
repassar às futuras mamães. Isto é muito gratificante. É tão boa
essa sensação de ajudar que não saí daqui nunca&rdquo;, afirma,
emocionada.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"><strong>A solidariedade
que ilumina a estrada</strong></p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">Além do caráter
filantrópico, a ONG também disponibiliza quatro doutrinárias por
semana &ndash; reuniões em que se debatem temas presentes no
dia-a-dia, como a solidariedade e o amor ao próximo. Nas sessões,
segundo Elza, não é somente ensinada a doutrina espírita. &ldquo;O
que repassamos nestes encontros são os ensinamentos de Jesus, os
ensinamentos do amor... E é essa a razão do sucesso do nosso
trabalho&rdquo;, acredita. Ela também conta que, embora o Centro
atenda a pessoas carentes de bairros como Chico Mendes, Monte
Cristo e Barreiros, a ONG não rejeita nenhuma pessoa que for até o
local pedir ajuda. &ldquo;Claro que a maioria de nossos assistidos
são pessoas que não tem estrutura familiar nem financeira de agir
corretamente no período da gravidez, mas todos que confiarem em
nossas ações vão receber atenção e carinho. Estamos aqui para fazer
o bem sem olhar a quem&rdquo;, assevera.</p>
<p class="western" style=
"margin-bottom: 0cm; text-align: justify;">Segundo a Secretaria de
Ação Social de São José, o Caminho de Luz é o único projeto nestes
moldes de auxílio do Procasa. As jovens gestantes que freqüentam o
local são mulheres que reorganizam suas vidas através de um projeto
social, para, somente depois, trazer à realidade um novo ser.
Realidade que para quem vive numa periferia, para a qual são
direcionadas poucas ações assistencialistas, pode ser mais difícil
de se viver do que o mundo ideal, livre da penúria e da violência,
que uma mãe sonha em proporcionar ao seu filho. Porém, o amor com
que pessoas como Elza, Custódia e Ivonete e todos os outros
voluntários do Caminho de Luz se destinam a colaborar com a
transformação, por mais tímida que seja, deste sonho em realidade,
acalenta as futuras mamães. Mulheres que, em breve, terão nos
braços pequenos seres, aos quais vão ensinar por que caminhos eles
devem seguir.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: right;">
* Reportagem produzida na disciplina de Redação III,
com o tema "Pauta livre na periferia".</p>
]]></description>			<link>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/432212/Centro-Esp-rita-Caminho-de-Luz-um-farol-de-esperan-a-em-meio-periferia/</link>			<comments>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/Centro-Espirita-Caminho-de-Luz--um-farol-de-esperanca-em-meio-a-periferia-06072009-221705-lp-432212.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/432212/Centro-Esp-rita-Caminho-de-Luz-um-farol-de-esperan-a-em-meio-periferia/</guid>			<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 22:17:05 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Pelo respeito ao jornalista e à qualidade da informação!]]></title>			<description><![CDATA[<p>Flyer criado pela Agência Junior de Publicidade da Estácio.</p>
<p> </p>
]]></description>			<link>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/421374/Pelo-respeito-ao-jornalista-e-qualidade-da-informa-o/</link>			<comments>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/Pelo-respeito-ao-jornalista-e-a-qualidade-da-informac-o--27062009-010447-lp-421374.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/421374/Pelo-respeito-ao-jornalista-e-qualidade-da-informa-o/</guid>			<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 01:04:47 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[E quando o mundo "chora" a morte de Michael Jackson...]]></title>			<description><![CDATA[<p>Do <a href="http://bloglog.globo.com/aguinaldosilva/" target=
"_blank">blog</a> do autor de novelas Aguinaldo Silva, sempre
genial:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>"Começou o processo de
canonização, como sempre comandado pelos hipócritas.
Michael Jackson, o negrinho metido a branquelo, o pedófilo, o
malucão de todas as manias, agora é reconhecido, pelos mesmos que o
crucificaram em vida, como o artista importante que foi - um dos
maiores do século XX. O que mais se vê na mídia é gente chorando
lágrimas de crocodilo. Mas Michael, na morte como na vida, está
muitos quilômetros acima dessas miseráveis
carpideiras."</strong></p>
]]></description>			<link>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/421353/E-quando-o-mundo-chora-a-morte-de-Michael-Jackson/</link>			<comments>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/E-quando-o-mundo--chora--a-morte-de-Michael-Jackson----27062009-002146-lp-421353.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://alessandroengroff.spaceblog.com.br/421353/E-quando-o-mundo-chora-a-morte-de-Michael-Jackson/</guid>			<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 00:21:46 +0200</pubDate>		</item>	</channel></rss>