<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br</title>		<id>http://musicblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[VINÍCIUS DE AQUINO.MUSICBLOG]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2009-07-02T20:34:57+02:00</updated>		<entry>			<title>A Voz de Wilde Aquino</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Em Homenagem ao aniversário de 75 anos de poeta Wilde Aquino,
uma linda composição desse grande poeta, intitulada A ÚLTIMA
SERESTA.</p>
				</div>			</content>			<id>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168971/A-Voz-de-Wilde-Aquino/</id>			<link href="http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168971/A-Voz-de-Wilde-Aquino/" />			<author>				<name>viniciusdeaquino</name>				<uri>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-07-02T20:34:43+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Os 75 anos de Wilde G. Aquino</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Hoje, há de se lembrar que Wilde Gonçalves
Aquino faria 75 anos de vida. Infelizmente, como filho não poderei
tê-lo para o abraço que a cada aniversário, nos dávamos como o
principal presente de aniversário, mas certamente está comemorando
junto de Agenor Barrigudo, Antônio de Paula, Jorginho Habickouk e
tantos outros apressados, quiça ao lado do poetinha Vinícius de
Moraes ao qual sempre foi fã. O mais importante, é que sempre
lembraremos desta data 02/07 e anualmente, comemoraremos em
família, em espírito e graça o nascimento de um dos mais
importantes HOMENS nascidos em Conselheiro Pena.: Wilde Gonçalves
Aquino. E para os amigos, um de seus contos, denominado:
Zelão, O Matador.</p>
<h1>ZELÃO, O
MATADOR</h1>
<p>
</p>
<p>
A História, a
seguir, chegou ao meu conhecimento muito tempo depois do ocorrido.
Para ser mais ou menos exato, segundo os comentários de
conterrâneos e de gente da época, o fato teria se dado nos anos
40.</p>
<p>
O palco, onde
a história se desenrolou, é hoje o Distrito de Bueno, quando então
a sede era apenas um arraial em formação.</p>
<p>
Vivia ali,
naquelas redondezas, um rapaz franzino de nome Juzélio Porfírio.
Matuto completo, nascido do próprio mato, desprovido da mínima
migalha de aculturamento. Quase  pobrezinho  um
verdadeiro irracional.</p>
<p>
Por volta de
seus 16 anos de idade, levado por questões de somenos importância,
cometeu seu primeiro homicídio.</p>
<p>
Eis o que
contam: reunidos e, uma pequena vendinha de beira de trilhas, que
serviam a região como estradas, estavam três rapazes
entre 16 e 20 anos de idade, mais um velho, de nome Acácio, assim
como o vendeiro Cantídio Rezende. Todos, menos o dono da vendinha,
fumavam calmamente seus cigarros de palha, fazendo rescender no
ambiente um forte cheiro de fumo de rolo.</p>
<p>
Enquanto o
velho Acácio ouvia desinteressado, os três rapazes comentavam o que
acontecera na noite do último Sábado, no paiol da fazenda de
Tibúrcio das Neves, proprietário de fazenda de café nas
proximidades. Dizer que os rapazes conversavam sobre a festa, seria
incluir os três. Na verdade, um deles se limitava a apenas ouvir o
que estava sendo dito, narrado: Juzélio.</p>
<p>
Gonçalo, o
rapaz de 20 anos, o mais velho dos três jovens, comentava, gabola,
haver, durante as danças ao som da sanfona do Ernesto  preto
que fizera fama com sua sanfona nos bailes da região - conquistando
a bela Ofélia, mulata de 15 anos, de cabelos negros como a graúna e
que representava para Zelão  o Juzélio, a total realização
dos sonhos do matuto, sonhos, aliás, absurdos.</p>
<p>
Zelão, do seu
canto, cabisbaixo e calado, ouvia os arroubos de Gonçalo, sentindo
crescer dentro de si, no âmago de sua alma ignorante e bruta, um
indomável ódio ao narrador.</p>
<p>
O certo,
segundo ainda o que contam, é que Ofélia, a mulata Ofélia, jamais
sequer dirigira um olhar ao pobre Zelão. Tal fato, entretanto, não
alterava o inexplicável, mas forte sentimento que habitava o
coração do negro apaixonado.</p>
<p>
Zelão
continuou ouvindo os comentários de Gonçalo. E o ódio crescia. A
essa altura, nosso jovem Zelão, magoado e machucado, já sentia que
era inevitável acabar de vez com o vaidoso conquistador.</p>
<p>
A noite
começou a trazer sua escuridão. Somente algumas luzes iluminavam
aquelas paragens: eram os milhões de estrelas no céu, mais os
milhares de piscadelas dos vagalumes que já começavam a vagar pelo
começo da noite.</p>
<p>
Zelão foi o
primeiro do grupo a deixar o velho e modesto botequim. Bebeu sua
última dose de cachaça, chegou à porta, cuspiu pra fora e, sem se
despedir, partiu numa direção qualquer, firme no propósito de pôr
fim à vida de Gonçalo, já então, seu mais terrível
inimigo.</p>
<p>
Zelão fingiu,
de princípio, seguir para as bandas da Cachoeira da Prata, região
onde ficava seu paupérrimo casebre. N o entanto, pouco à frente,
tomou um caminho diferente. Foi par aos lados por onde
inevitavelmente passaria o pobre Gonçalo, quando se dirigisse à sua
casa, outro casebre do lugar.</p>
<p>
Nosso jovem,
corroído pelo ódio, procurou o local próprio para sua empreitada.
Ao lado da trilha por onde passaria a futura vítima, Zelão escolheu
uma velha tora, já carcomida pelo tempo, atrás da qual de acocorou
como uma serpente traiçoeira e mortífera. Na cintura, envolta
apenas num sujo papel de embrulho, à guisa de bainha, levava sua
faca, velha companheira, arma muito comum na cintura de todos os
rapazes.</p>
<p>
Calmamente
enrolou outro cigarro de palha. Tragou algumas vezes e procurou
apagar o pito, para evitar ser denunciado pela cintilação da
centelha do cigarro.</p>
<p>
Embora a
aparente calma que emanava do jovem tocaiado, dentro dele ardiam as
chamas terríveis do mais terrível e mortal de todos os
ódios.</p>
<p>
Não demorou
muito e um fino assovio cortou o silêncio da noite, que ainda era
menina, enchendo as trilhas, entre o mato rasteiro. Era o Gonçalo
que se aproximava, ainda deliciando-se da conquista feita na noite
do baile, quando, é bem verdade, apenas dançara algumas vezes com
Ofélia. Nem mesmo conversaram, porque a emoção causada pela
proximidade da moça, o fizera covarde e calado. Mas, acreditando
haver chegado a tanto, vinha alegre, assoviando.</p>
<p>
Ao passar
pelo tronco caído, atrás do qual se ocultara Zelão, viu saltar
diante dele o jovem matador, de faca em punho. O susto de Gonçalo
não demorou mais que três segundos. A lâmina, certeiramente
manejada, atingira-lhe o assustado coração, matando-o
instantaneamente.</p>
<p>
Zelão esperou
um pouco, sem voltar a golpear o corpo caído. Quis apenas,
confirmar a morte de seu desafeto, de seu desprezível rival. Limpou
a lâmina ensangüentada na perna a calça surrada e retomou o
caminho, agora de volta ao seu casebre.</p>
<p>
Em casa,
estendido sobre seu humilde catre, pensou um pouco. Precisava
resolver como sair daquela enrrascada. Lembrou-se então, no seu
delírio de assassino, da figura do Coronel Raimundo Camargo. O
velho coronel, há tempos, vinha insistindo em ter Zelão como
empregado de sua fazenda. Embora franzino, Zelão era um bom
trabalhador, habituado e familiarizado com as coisas do mato,
manejador hábil de uma enxada, acostumado à lavoura, especialmente
a cafeeira.</p>
<p>
Resolveu
procurar o Coronel Raimundo Camargo, o Mundico, conhecido como
líder de cafeicultores da região e chefe de homens audazes que
cumpriam com religiosidade as suas ordens, desde a mais simples até
o crime de morte.</p>
<p>
Zelão chegou
ao pato da fazenda na volta das dez horas da noite. Chamou pelo
coronel, tendo esperado algum tempo, até que o fazendeiro tivesse
se dado conta de total segurança. Finalmente foi
atendido.</p>
<p>
Zelão,
convidado a subir os degraus da varanda da casa, chegou<span></span> lá em cima, sentando-se, à ordem
do coronel, num dos bancos ali existentes.</p>
<p>
O coronel
Mundico, acomodando-se em sua grande cadeira, começou a raciocinar
com rapidez sobre as causas que teriam levado o negro Zelão a sua
procura em tão adiantada hora da noite.</p>
<p>
No céu as
estrelas brilhavam, belas e arrogantes.</p>
<p>
Afinal, Zelão. Disse o coronel, você
decidiu enfim trabalhar com a gente? Se é assim, rapaz, poderia ter
esperado até amanhã. Já é bem tarde.</p>
<p>
Sabe,
seu coronel Mundico  respondeu o negro -, na verdade eu não
estou aqui só pra isso não. Aconteceu um caso sério comigo. Tive
que matar um homem. O desgraçado me ofendeu. Mexeu comigo de um
jeito que eu não podia perdoar. Quero trabalhar pro senhor, sim.
Quero ganhar sua benção de padrinho, quero sua proteção. Não quero
ser preso. Não posso ser preso.</p>
<p>
Muito
bem, negrinho. Você matou um homem. Não quero saber quem ele é.
Amanhã todo mundo vai falar disso neste maldito lugar. Deixa pra
lá. Vou mandar Gago te levar até o alojamento dos empregados. Você
vai dormir e o resto a gente arranja. Não precisa perder o sono por
causa disso. Vai, vai dormir.</p>
<p>
Contam que
tal acontecimento foi apenas o primeiro elo de uma cadeia de
matanças feitas pelo negro Zelão. Tornado o matador oficial da
fazendo, cumpria, já com fatídico prazer, o ofício de matar, sempre
envolto na mais completa indiferença, o que explicava pela sua
total impunidade.</p>
<p>
Mas, naquela
região, naqueles tempos, haviam rixas freqüentes entre os
fazendeiros, inimizades às vezes ferozes entre os poderosos, sempre
originadas na avidez de mais e mais poderes.</p>
<p>
Naquele clima
belicoso entre os fazendeiros, geralmente os mais fortes, os mais
poderosos, veio assim, à tona, algum tempo depois, a inimizade
entre Mundico e seu quase vizinho, o também poderoso cafeicultor,
coronel Francisco da Mata. Mundico sentiu a necessidade
incontrolável de livrar-se de seu inimigo.</p>
<p>
Uma reunião,
realizada na capelinha do arraial, serviu como estopim aceso do
ódio de Mundico. Desentendendo-se quanto à forma de comerciarem
suas produções de café, em cujo bojo de negociações envolviam-se
manobras bancárias, transportes e compradores, a situação havia
atingido seu clímax: não poderiam, os dois poderosos
produtores,coexistirem numa mesma área, com os mesmos objetivos.
Chico da Mata teria que ceder seu lugar.</p>
<p>
Regressando à
fazenda, após a tumultuada reunião, Mundico sentou-se em sua
cadeira de varanda e mandou chamar o negro Zelão, agora, já um
matador consumado que, sentindo imensa leveza, carregava nos ombros
de sua alma um pesado fardo de homicídios, todos insolúveis, todos
impunes.</p>
<p>
Mundico,
tendo à sua frente seu fiel matador, lhe disse:</p>
<p>
Zelão,
desta vez tenho um trabalho sério pra você. Não se trata de acabar
com simples peão ou correr daqui alguma família incômoda. Hoje,
temos coisa importante pra fazer e faz caber a você, como sempre,
me ajudar. Só que desta vez você vais ter maiores vantagens. Não
farei como das outras vezes, mantendo-o apenas livre da cadeia. Não
meu preto. Desta vez, além de todo apoio que eu tenho dado, como
seu patrão e seu padrinho, vou lhe dar mais. Aquele cavalo que você
sempre desejou, vai ser seu. Vou lhe dar também uma sela nova
bastante enfeitada.</p>
<p>
O negro ouvia
atento, intimamente alegre, mas, extremamente demonstrando incrível
indiferença, uma gélida postura emocional. Nenhum músculo de seu
rosto se alterava. Seus crimes já não lhe traziam qualquer reação:
não se preocupava porque já sabia, de antemão, de sua completa
impunidade. O padrinho era realmente poderoso.</p>
<p>
Bem,
Zelão  Contiunuou o fazendeiro, você vai dar sumiço no
idiota do Chico da Mata. Quero aquele velho morto. Bem morto. Você
nunca falhou; não será desta vez que falhará. Diga-me, afilhado;
qual<span></span> a arma que você
possui? Ainda aquela garrucha, que você descreve com sua amiga
Laporte? Seu punhal, já enferrujado, de tanto sangue coagulado?
Não. Essas armas já não servem mais. Não desta vez. Vou dar a você
um bom 38. Um revólver Taurus, novinho em folha que comprei de um
viajante que passou por Conselheiro Pena. É com esse revólver que
você vai dar cabo do Chico. E, vou lhe dizer: não quero tiros dados
à distância. Você vai ter que chegar bem à frente dele. Acertar-lhe
a cabeça, para que a morte chegue nele imediatamente, O desgraçado
do velho não deve dar nem seu último suspiro. Tá me ouvindo bem,
negro?</p>
<p>
Estou,
padrinho. Já sei do jeito que eu acabo com ele. Amanhã ele será um
homem morto. Busco ele no povoado, ou no inferno, seja perto de
qualquer um. Nem vou me importar se alguém assistir. Mato ele, pego
meu cavalo e sigo em frente pelo mundo afora, desaparecendo por uns
tempos.<span></span> Mais tarde o
padrinho me chama e eu volto.</p>
<p>
Pois
bem, meu fiel Zelão. Já sei do seu costume de só beber depois do
serviço feito, depois de confirmar o fim de suas vítimas. Vou lhe
dar uma garrafa de cachaça, das boas, que você levará em seu
alforge. Você deve se esconder na gruta que fica nas proximidades
do Córrego Frio. Lá você fica até a hora certa. Inclusive, quero
que você vá pra lá mais cedo. Fique lá, entocado. Almoce aqui na
fazenda, antes de sair. Vou mandar que lhe dêem também um bom
sanduíche, para você comer enquanto espera. Agora, vá lá no paiol e
escolha uma sela, mais bonita. Ela é sua. Durma um pouco. Amanha
cedo, bem cedo, volte aqui, pra conversarmos..</p>
<p>
Na manha
seguinte o negro voltou à sede da fazenda. Seu padrinho já o
esperava, como de costume, em sua grande cadeira de
varanda.</p>
<p>
Zelão
 começou o velho, abra essa caixa que está ai em cima dessa
mesinha. Vamos! Abra e veja o que está lá
dentro..</p>
<p>
Zelão abriu a
caixa. Dentro, alguns maços de notas cuidadosamente amarrados,
importância que parecer a Zelão bastante para muito tempo de vida
boa.</p>
<p>
Esse
dinheiro  disse o fazendeiro, meu fiel Zelão, será seu,
depois que você despachar o velho Chico. Só depois. Acabe o serviço
primeiro. O dinheiro será seu para o que você quiser. Gaste-o como
quiser: com mulheres, bebidas, roupas novas. Não me interessa como
você o gastará. Agora  continuou o coronel, tome o caminho
da gruta. Fique lá esperando a hora. Vá mais
cedo.</p>
<p>
Zelão
apressou-se. O Corisco, o cavalo que seria dele, já estava pronto.
Montou, já sentindo a agradável sensação de matar mis um. Desta vez
 Pensou  vai mesmo valer a pena. Tenho um bom cavalo
e terei muito dinheiro. Quem sabe, até a danada da Ofélia agora me
queira? Ta solteirinha ainda...</p>
<p>
Tendo
recebido do coronel Mundico o revólver Taurus, quinze balas
reluzentes, um alforge novo, dentro do qual estava a garrafa de
cachaça, um pequeno copo de vidro, de fundo grosso, comprado em
Conselheiro, pôs o pé na estrada. Dirigiu-se resoluto para as
proximidades do Córrego Frio, onde se localizava a gruta, local em
que esperaria pela última hora do velho Chico da Mata.</p>
<p>
Chegou ao
local da espera. Preparou, com arbustos colhidos ao redor, um lugar
para sentar-se e ficou relaxando.</p>
<p>
As horas
passavam. Enquanto Corisco pastava, uma monotonia indescritível
povoava a gruta e as imediações. A espera, cheia de ansiedade do
negro Zelão, foi lhe trazendo cansaço, quase um estado de desespero
por espera tão cansativa.</p>
<p>
Abriu o
alforge. Lá dentro, sua garrafa de cachaça, seu sanduíche
embrulhado, seu copo de vidro. Tirou da cintura o revólver,
revisou-o. Acariciou as balas, reluzentes, mortais. Quase um torpor
o tomava.</p>
<p>
Uma ansiedade
absurda abalava, pela primeira vez em tantas aventuras, o matador
Zelão.</p>
<p>
Realmente,
Zelão nunca bebera antes de um trabalho concluído. Mas, daquela vez
a coisa era diferente. O homem a ser despachado era um coronel das
terras do café. Um homem merecedor da atenção dos grandes
compradores sediados em Resplendor, em Figueira, em Caratinga. O
homem, pelo dinheiro que movimentava, era alvo da atenção de
gerentes de bancos, de prefeitos regionais, até mesmo dos padres
que por ali andavam, tal a maneira como distribuía<span></span> contribuções para as coisas da
igreja.</p>
<p>
Voltou a
abrir o alforge. Tirou de dentro a garrafa. Não mexeu no sanduíche.
Resolveu experimentar a bebida dada pelo padrinho. Não que
precisasse de estímulo ou coragem nova para fazer o que estava
prestes. Pegou o pequeno copo de vidro. Derramou nele uma generosa
dose e,<span></span> de uma só
vez, tomou abebida. Desceu rápido o líquido, afogueando-lhe a
garganta. Renovou de imediato a dose. Pensou: Não ficarei
bêbado com uma segunda dose!  Tomou outro gole
generoso e encostou-se à parede de pedra da gruta. Nem fechou a
garrafa. A rolha ficara do lado. Esticou-se. Alguns instantes
apenas se passaram desde a segunda dose. Por dentro, como
conseqüência de uma infernal labareda, suas entranhas começaram a
arder. Os olhos turvaram-se. Suas pernas fraquejaram, mesmo
deitado, como estava. Já não conseguiria ficar de pé, caso
tentasse. Estava em lastimável estado. Sua ignorância, sua
matutice, impediam que ele se desse conta da verdade. Pr fim,
lembrou-se de um caso idêntico ao seu: há tempos vira morrerum
indivíduo num quarto da única pensão do povoado. O mesmo estava
acontecendo com ele, Zelão. Era o mesmo o que havia ocorrido com o
outro.</p>
<p>
To
envenenado! A pinga tinha veneno!</p>
<p>
Realmente,
dada a importância da tarefa dada a Zelão, o escorregadio coronel
Mundico mandara misturar veneno em sua bebida.</p>
<p>
Planejara
Mundico: Morto o homem que me incomoda, esse miserável Chico
da Mata, o Zelão pode desaparecer. Melhor que ele não viva. Assim,
não confessará a verdade, ante a possível pressão policial. Que
morra o matador, depois do velho Chico!</p>
<p>
Zelão morreu
assim, numa gruta de pedra, qual serpente venenosa.</p>
<p>
Com ele,
morria a última esperança de possuir Ofélia. O dinheiro que resumia
para Zelão tal esperança, jamais chegou às suas mãos.</p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168876/Os-75-anos-de-Wilde-G-Aquino/</id>			<link href="http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168876/Os-75-anos-de-Wilde-G-Aquino/" />			<author>				<name>viniciusdeaquino</name>				<uri>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-07-02T18:03:53+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>A Família Vicentina</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Uma das grandes mulheres que fez parte dos Vicentinos foi
Dona
Dolores e hoje temos a nossa querida Terezinha, que hoje
dirige
com maestria o Lar Vicentino. E para não esquecer de nossa
bela
história, uma entrevista feita com Dona Dolores em 1986 para
o
Jornal SEM NOME.
 Dona Dolores, nasceu em Santo Antonio do
Monte e foi criada pelasua mãe,
que
faleceu aqui.
Sem Nome - Quando a sra. Veio para
Conselheiro Pena?
D. Dolores - A primeira vez que estive
aqui, meu marido estava num hospital de Aimorés. Eu vim acolhida
pelo Sebastião
Rabelo, Fonseca e o seu Lostinho. Aí depois, Dr. Sebastião
Anastácio de Paula, médico e que cuidava dos internos da Vila
disse que estava precisando de alguém para auxiliar nos trabalhos e
o Sebastião Rabelo disse que lá havia uma casinha
pequenina
Era uma casinha pequenina e quandolá cheguei já haviam
tres
pessoas. O Tadeu, o João Delfino e a Dona Maria de Sá. Aí eu
cheguei e comecei vendo aquele velho jogado e eu lavando
as roupas dos outros. Vendo a perna do Tadeu toda machucada, cheia
de bicho. Arrumei uma bacia e com muita dificuldade
arranjei água e sentei o Tadeu com muita dificuldade na
bacia, demorou porque a sujeira era demais. Depois peguei na
vizinha umas folhas de laranjeira e dei um banho nele. Tinha aqui
um cabo chamado Quirino, era vicentino também. O
Tadeu já tinha melhorado um pouquinho. Numa dessas, o Tadeu pega um
pedaço de pau e sai correndo atras de mim e em seguida, foi na
delegacia e disse que eu havia dado banho nele. O cabo Quirino veio
chegando, eu tava cansada, pois acabava de vir do mato buscando
lenha, aí ele me disse: ô Dolores, ocê deu banho num velho
ontem?
__Dei sim senhor.
__Pois é, o delegado quer ver a senhor. Quer saber o que a senhora
tem na mente. Porque se fosse pra polícia dar banho naquele velho,
conforme deu, ia levar ele lá dentro do Rio Doce. Disse que a
senhora lavou ele dentro de uma bacia. O cabo
disse que o delegado queria era me conhecer pela minha coragem e
não era nada de mais. Quando teve com o delegado, disse a ele que
no tal banho, ia raspando a bicharada, tirei mais de dois litros de
bicho. Ia raspando e jogando numa latinha.
Tenho como testemunha o sr. Jarbas Cândido, que parou pra ver eu
tirar os bichos. Aí o delegado falou: __ A senhora tem mais coragem
que eu. Apareço pra ver onde a senhora mora qualquer dia desses. Aí
morria um de cá, morria outro de lá e as pessoas me pediam ajuda e
eu ia. Media o defunto e saia pra pedir esmolas pra enterrar o
defunto. O importante era as portas ficarem abertas, porque quando
morre alguém sem documento a gente precisa encontrar as portas
sempre abertas.
Sem Nome - E a senhora encontrou muita
dificuldade para desenvolver este trabalho?
D. Dolores - Encontrei pessoas que
falavam que eu tava pedindo pra comer. As vezes eu tava pedindo pra
enterrar um defunto que tava até despido em cima da cama. Eu
mandava fazer o caixão, ia buscar o caixão nas costas, as vezes uns
olhavam pra mim e ria. Tinha um outro velho aqui, o João Delfino,
que era tuberculoso e bebia cachaça. As vezes ele ia pro porão da
casa do Jarbas Cândido e o Jarbas vinha aqui pra eu poder ir buscar
ele. Ele tinha aqui um quartinho que o Dr. Bastos construiu pra ele
e quando eu chegava aqui com ele, eu tava mais suja de cocô do que
ele. Eu não tinha roupa sobrando, quando morria uma mulher, aí sim
eu ganhava um vestido novo pra vestir. Era desse jeito.
Sem Nome - Quando começou a aparecer
ajuda de verdade?
D. Dolores - Aí apareceu o irmão
Gilberto, que hoje em dia é padre, ele teve aqui e na época ele
chegava e me pedia pra ajudar algum necessitado, mas o
Sebastião Rabelo me dizia: _ olha Dolores, a Vicentina já não pode
ficar ajudando assim
pois não temos verbas. A Conferência só tem voce e já tem trabalho
demais. Mas eu pegava e alojava escondido mais um... Outro que
sempre me ajudou foi o padre Francisco, já morreu, mas continuo
gostando dele.
Sem Nome - A senhora disse que fez uma
rocinha aí nos fundos. Como a senhora conseguiu?
D. Dolores - Eu ia todo ano na
prefeitura atrás do Sebastião Rabelo e pedia pra deixar plantar
naquele terreno que era da prefeitura. Quando foi um dia ele chegou
e disse: quer saber de uma coisa, voce pode fazer lá o que quiser,
voce tá mandan-
do mais que a gente. Aí eu falei: não me padrinho, eu só quero é
plantar. Aí meu filho, eu saí da prefeitura pulando de alegria. O
Maninho me vendeu tres rolos de arame, pra eu pagar quinhentos réis
por mes. Fui na Vale do Rio Doce e eles me deram uns dormentes e
com meu marido que tinha saido do hospital e alguns amigos,
cercamos tudo. Nesse ano deu muito milho, tanta abóbora, tanto
quiabo... Sebastião Rabelo chegou aqui e falou: É, vou te falar,
quem pode com você é só Deus.
Sem Nome - A senhora disse que ainda
hoje as pessoas caçoam da senhora?
D. Dolores - Agora é que existe meu
filho. Voce me pergunta se tenho nomes dessas pessoas mas não, não
tenho. Certas pessoas me desprezam, mas sabe o que me conforta?
Cristo que é Cristo foi judiado, foi cuspido, foi apanhado, por
quê?
Então o povo acha que eu não tô precisando de nada aqui? Eu estou
com sessenta e uma pessoas aqui.
Sem Nome - O que a senhora gostaria de
falar da Vila Vicentina?
D. Dolores - O que eu gostaria de dizer é que as
pessoas olhassem com mais amor para o próximo e gostaria de desejar
um feliz natal a todos e dizer que não se esqueçam que precisamos
uns dos outros. Que sejam humanos e filhos de Deus e
que ajude mais seu semelhante.
Obs: A
entrevista com Dona Dolores foi reduzida, pois ocupava uma página
inteira do Jornal Sem Nome e apenas queríamos deixar registrado o
grande trabalho dessa mulher e para que hoje, possam ver as
dificuldades mesmo com o progresso que
a atual administradora, Terezinha ainda encontra. Portanto, seja
mais um a olhar com bons olhos esse importante trabalho da Vila
Vicentina e da SSVP de Conselheiro Pena.</p>
<p>Entrevista realizada por Odelírio de
Souza, Carlos Magno e Marcus
Vinicius como editor e proprietário do Jornal SEM NOME.</p>
				</div>			</content>			<id>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168683/A-Fam-lia-Vicentina/</id>			<link href="http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168683/A-Fam-lia-Vicentina/" />			<author>				<name>viniciusdeaquino</name>				<uri>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-07-02T13:08:23+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Confrades e Consócias que viveram no  AMOR NA SSVP</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>João Nader
José Maria Lopes
Vantuil dos Reis
Olivio Camargo
Ilda Eulália Pereira
Pedro Paula Freitas
Jasminor Garcia
Senhor Aristóteles
Durval dos Reis
Luiiz Raggi
Joaquim Campos do Amaral
Alberto de Paula
Domingos de Almeida
Wilson Menezes
Padre Carlos
Agripino Inácio de Freitas
José de Oliveira Fonseca
João Albino
Norge Ferreira da Silva
Maria Concebida Machado
Abrahão de Souza Lima</p>
				</div>			</content>			<id>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168559/Confrades-e-Cons-cias-que-viveram-no-AMOR-NA-SSVP/</id>			<link href="http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168559/Confrades-e-Cons-cias-que-viveram-no-AMOR-NA-SSVP/" />			<author>				<name>viniciusdeaquino</name>				<uri>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-07-01T19:51:55+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Ah Garoto!</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Para comemorar os 80 anos da SSVP em nossa cidade, nada mais
justo que colocar a foto de uma galera que sempre esteve presente
nas atividades da mesma e durante esta semana publicaremos as fotos
daqueles que ainda estão aqui e fotos dos que já partiram. E pra
começar, a foto da juventude dos anos 80, destaque para Ednei e
Adriano.</p>
				</div>			</content>			<id>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168115/Ah-Garoto/</id>			<link href="http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br/168115/Ah-Garoto/" />			<author>				<name>viniciusdeaquino</name>				<uri>http://viniciusdeaquino.musicblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-30T20:25:09+02:00</updated>		</entry></feed>