<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[musicblog.com.br] rogerioratner : <![CDATA[Rogério Ratner]]></title>		<link>http://rogerioratner.musicblog.com.br</link>		<description><![CDATA[Rogério Ratner]]></description>		<language>br</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 21:29:18 +0200</pubDate>		<image>			<title>rogerioratner.musicblog.com.br</title>			<link>http://rogerioratner.musicblog.com.br</link>			<url>http://static.blogstorage.hi-pi.com/musicblog.com.br/r/ro/rogerioratner/images/mn/1193405063_regular.jpg</url>		</image>		<item>			<title><![CDATA[Os Almôndegas no Paralelo 30]]></title>			<description><![CDATA[<p><span class="article-title-main"><a title=
"Os Almôndegas no Paralelo 30" href=
"/232390/Os-Almondegas-no-Paralelo-30/">Os Almôndegas no Paralelo
30</a> </span></p>
<div class="article-content article-content-">
<div class="text">
<p></p>
<p>No programa Paralelo 30 desta
semana, produzido pelo cantor/compositor/escritor gaúcho Rogério
Ratner, na <a rel="nofollow" href=
"http://www.radiobuzina.com.br">http://www.radiobuzina.com.br</a>,
vai ao ar um programa especial em homenagem aos Almôndegas, o
legendário grupo gaúcho dos anos 30 que contou com Kleiton e
Kledir, e também Pery Souza, Gilnei Silveira, Quico Castro Neves,
Fernando Pesão, Zé Flávio e João Batista. O programa pode ser
ouvido a qualquer hora, basta clicar em cima do ícone do Paralelo
30.</p>
</div>
</div>
]]></description>			<link>http://rogerioratner.musicblog.com.br/232391/Os-Alm-ndegas-no-Paralelo-30/</link>			<comments>http://rogerioratner.musicblog.com.br/Os-Almondegas-no-Paralelo-30-27012010-212918-lp-232391.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://rogerioratner.musicblog.com.br/232391/Os-Alm-ndegas-no-Paralelo-30/</guid>			<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 21:29:18 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Meus clipes, vídeos, entrevistas no Youtube]]></title>			<description><![CDATA[<p> </p>
<p></p>
<p>Graças à querida Milena, já
estão no ar algumas das minhas entrevistas nas TVs
gaúchas, quando do lançamento dos meus CDs. Tem entrevistas no
Jornal do Almoço (RBS TV), no Geração.Com (programa que a Nara
Sarmento apresentava na TVCOM), no Radar (TVE), Estúdio 36 (com o
Lauro Quadros, no Palavra de Mulher (TV 2 Guaíba, da Marlei
Soares, apresentado pela Cris), no programa da Vera Armando (TV
Pampa), no Zoom (programa do Fernando Vieira na TV 2
Guaíba), no TV Foca (Unitv), no programa a Bela e a Fera
(apresentado na TV Unisinos pelo Fabrício Carpinejar e a
Márcia Tiburi), dentre muitos outros programas em que já fui,
infelizmente nem todas entrevistas foram gravadas... O meu
clipe passando na MTV, na TVCOM, etc. Também alguns trechos de
um show que fiz no Teatro Renascença, na época em que cantava
clássicos do Jazz, de Gershwin, Irving Berlin, Jerome Kern, com
participação do Ballet Phoenix, e com a banda formada pelo Michel
Dorfman, o Ricardo Arenhaldt e o Clóvis Boca Freire. São
gravações analógicas e mono, mas valem pela
lembrança.</p>
]]></description>			<link>http://rogerioratner.musicblog.com.br/231473/Meus-clipes-v-deos-entrevistas-no-Youtube/</link>			<comments>http://rogerioratner.musicblog.com.br/Meus-clipes--videos--entrevistas-no-Youtube-23012010-215439-lp-231473.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://rogerioratner.musicblog.com.br/231473/Meus-clipes-v-deos-entrevistas-no-Youtube/</guid>			<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 21:54:39 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Os bancos de Gramado]]></title>			<description><![CDATA[<p>Fizeram em Gramado uma coisa
das mais importantes. Botaram bancos na frente de todas as lojas da
avenida principal. É o maridródomo. Certamente sensibilizados com a
agonia dos maridos que têm que acompanhar as mulheres nestes
divertidíssimos passeios à avenida mais charmosa da serra
gaúcha, as quais não se aguentam sem entrar
em todas as portinhas que vêem abertas, os lojistas,
ou políticos, ou sei lá quem, tiveram esta prodigiosa idéia.
Deveria ser lei de âmbito nacional, aprovada pelo Congresso,
pelo menos seria algo útil feito pelos nossos representantes
máximos de Brasília. Aliás, ia ser a lei mais importante aprovada
nos últimos anos, com certeza. </p>
<p>É interessante que em Gramado
as mulheres adoram entrar em lojas de rua, coisa que elas detestam
fazer em Porto Alegre. O ambiente aqui, sem dúvida, é mais
"selecionado", não tem trombadinha, mendigo, sujeira,
povaréu, mas não deixa de ser uma certa contradição. Coisa
semelhante acontece com um amigo meu que foi pra Paris. Ele achou o
máximo ir no supermercado, comprar presunto, queijo e alface, e
fazer um sanduíche pra comer na grama do campo de Marte, junto à
Torre Eiffel. Mas quando eu sugeri que ele fosse no Nacional da
praça da Encol, perto de onde ele mora, e fizesse o mesmo, pra
curtir um alegre piquinique naquela grama verde, ele achou uma
baita chinelagem, que ia pegar mal para alguém de sua condição
social. As pessoas geralmente são assim, algumas coisas feitas
num certo lugar são muito chiques, mas feitas em outro são muito
fuleiras.</p>
<p>Eu gosto da chinelagem. Sei
lá,  acho que tem uma certa "verdade" (os politicamente
corretos diriam "dignidade") no esculhambado, no desarrumado, a
frescura me deixa meio irritado. Deve ser algum complexo, cujo
nome não sei, de rebeldia contra o certinho, o bem sucedido, sei
lá, uma síndrome do vira-lata. Provavelmente seja uma das muitas
espécies de baixa auto-estima, de masoquismo, mas o que que eu vou
fazer? Eu gosto é de ir passear no centro de Porto Alegre (mas pode
ser no centrão velho de São Paulo, do Rio, ou de qualquer grande
cidade), de tomar caldo de cana, mate, chopp, comer pastel de
vento,  bolinho de batata ou de bacalhau em buteco. Não é que
eu seja idiota e burro, e não valorize as coisas boas e finas, um
bom restaurante, bons produtos. Mas eu também gosto de camelódromo,
de comércio popular de rua, de ver mãe puxando criança chorando,
com o nariz saindo aquele ranhão verde, de 1,99 (que,
sacanamente, quase não tem mais coisas de
R$ 1,99)... E viva a chinelagem!!!</p>
]]></description>			<link>http://rogerioratner.musicblog.com.br/231461/Os-bancos-de-Gramado/</link>			<comments>http://rogerioratner.musicblog.com.br/Os-bancos-de-Gramado-23012010-211757-lp-231461.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://rogerioratner.musicblog.com.br/231461/Os-bancos-de-Gramado/</guid>			<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 21:17:57 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[O rock gaúcho dos anos 90 e 2000]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoHeader" style=
"margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;"> </p>
<p class="MsoHeader" style=
"margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;"><span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
Podemos dizer que nos anos 90 o rock gaúcho continuou a trilha
ascendente verificada nos anos 80. Embora mercadologicamente
falando, como sabemos, o rock tenha sofrido um certo encolhimento
no início dos anos 90 em nível nacional, não se pode dizer que a
produção roqueira em si tenha sofrido um efetivo abalo. De fato, em
que pese o acesso ao <em>mainstream</em> tenha ficado cada vez mais
restrito e difícil, dentro de uma estratégia das grandes gravadoras
de concentrar seus investimentos em artistas/bandas do gênero que
garantissem retorno garantido, havendo uma diminuição significativa
na aposta em novos trabalhos, o certo é que isto não refreou o
surgimento de uma infinidade de novas formações, em diversos
estilos e trazendo inúmeras referências: houve a aproximação com o
hip hop, com o funk, com o soul e a música negra em geral, com a
MPB e com diversos regionalismos, com o som mais pesado (inclusive
com a segmentação da própria cena do metal em diversas
subdivisões), com o reggae, etc. Algumas destas tendências, é bem
verdade, já pontificavam nos anos 80, mas foram, sem dúvida,
aprofundadas nos anos 90, inclusive com a consolidação de nichos
próprios.</span></p>
<p class="MsoHeader" style=
"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;">
<span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
O
surgimento de selos independentes foi fundamental para a vazão de
boa parte da produção roqueira daquele período, muito embora muitos
projetos de gravadoras <em>indies</em> não tenham tido a necessária
continuidade. Além disso, a democratização gradual da tecnologia
digital permitiu que um sem-número de bandas e artistas que, na
chamada &ldquo;era do vinil&rdquo; - em que as gravadoras eram
praticamente a única possibilidade de registro e lançamento de um
trabalho musical &ndash;, não tinham muita opção, passassem também
a lançar os seus trabalhos de forma independente. Neste sentido,
deram continuidade ao caminho aberto especialmente no final dos
anos 80 pelo chamado &ldquo;mercado independente&rdquo; de LPs;
mas, sem dúvida, os custos com a gravação e a prensagem, embora não
fossem nada desprezíveis já com o advento da tecnologia digital,
aos poucos foram diminuindo, ao menos em relação ao que ocorria
antes, o que permitiu que se chegasse ao crescimento exponencial do
número de gravações e lançamentos que se verifica hoje. É bom
lembrar, neste ponto, que, na realidade, no início dos anos 90, o
lançamento de LPs ainda era expressivo. Basta lembrar, por exemplo,
que o primeiro disco da banda gaúcha Papas da Língua, lançado em
1995 pela Sony Music, teve versão ainda em LP, concomitantemente
com o lançamento em CD. Mas, sem dúvida, até o final da década a
&ldquo;vitória&rdquo; da mídia digital frente aos velhos
&ldquo;bolachões&rdquo; foi esmagadora, e estes, atualmente,
sobrevivem apenas como relíquias de colecionadores e aficcionados,
tendo ressuscitado muito mais como objeto &ldquo;cult&rdquo;, em
nova versão mais &ldquo;robusta&rdquo;. Mas ainda é difícil avaliar
as possibilidades deste mercado para além do nível da curiosidade,
ainda mais que o próprio CD, enquanto mídia, já rareia, suplantado
que está, por sua vez, pelos arquivos virtuais em mp3. Mas
retomando-se o nosso foco, assim é que as possibilidades trazidas
pela mídia digital permitiram que um sem-número de bandas e
artistas começassem a divulgar seus trabalhos de uma forma mais
qualificada do que geralmente ocorria anteriormente, em que o
início da<span style="mso-spacerun: yes;"> </span> divulgação
normalmente ocorria mediante shows, e, em alguns casos, com o
auxílio de fitas demo ou compactos, para apenas em um momento
posterior, de maior consolidação de um trabalho, fossem feitos os
registros fonográficos em álbuns propriamente ditos. Hoje em dia,
como sabemos, este processo radicalizou-se de forma extraordinária:
é bastante comum que uma banda totalmente desconhecida já seja
lançada contando com CD, DVD, site na internet, vídeos no Youtube,
etc., etc. Toda esta revolução digital, em conclusão, permitiu um
enorme crescimento no número de trabalhos divulgados, estimulando,
por sua vez, também, a própria consolidação e surgimento de bandas
e artistas novos, em que pese isto não tenha sido efetivamente
acompanhado por uma abertura de espaços na mídia convencional, de
maneira a dar vazão a toda esta
produção.</span></p>
<p class="MsoHeader" style=
"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;">
<span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
Um
fator muito importante decorrente da consagração do CD, para o rock
gaúcho nos anos 90, foi que isto permitiu uma espécie de
renascimento para diversas formações que fizeram muito sucesso nos
anos 80, e que, em face do refluxo mercadológico a que nos
referimos verificado no início da década, ou por outras razões
específicas de cada banda/artista, estavam inativas ou em menor
evidência. Assim, o lançamento em CD de coletâneas como a
&ldquo;Hot 20&rdquo;, do selo Plug, da BMG, contendo gravações
clássicas de bandas como os Garotos da Rua, TNT, De Falla e
Replicantes, propiciaram a que uma nova geração de fãs do rock
gaúcho tivesse contato com tais trabalhos, lançados originalmente
em LPs, e provocaram uma reativação de tais formações. Ao mesmo
tempo, muitos artistas originados de bandas clássicas do rock
gaúcho dos anos 80, articularam suas carreiras-solo, ou fundaram
novas bandas: é o caso de Júpiter Apple, Flu, Nei Van Sória, Márcio
Petracco &ndash; atualmente à frente dos Locomotores -, Júlio Reny,
Frank Jorge &ndash; cuja Graforréia Xilarmônica também foi
reativada &ndash; (estes três últimos se articularam nos Cowboys
Espirituais), Wander Wildner, Bebeco Garcia, Marcelo Birck, Plato
Divorak, Egisto dal Santo (da Colarinhos Caóticos, e que integrou
também a Benedict e A Cretinice me Atray, e, ao lado de Júlio Reny,
a &ldquo;Histórias do Rock Gaúcho&rdquo;, dentre várias outras
formações), Jimi Joe (integrante de A Cretinice me Atray, Sandina),
etc.</span></p>
<p class="MsoHeader" style=
"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;">
<span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
Um
grande diferencial para o rock gaúcho dos anos 90 foi o fato de que
se articulou uma &ldquo;indústria&rdquo; até um certo ponto
autônoma em relação ao restante do país, com a consolidação do selo
Antídoto, da gravadora ACIT. Esta gravadora, originária de Caxias
do Sul, que assumiu os estúdios da antiga ISAEC em Porto Alegre (a
qual pode ser apontada como a primeira experiência de uma gravadora
gaúcha com pretensões de se firmar como um selo com penetração
nacional, ainda nos anos 70, mas cujo projeto terminou
&ldquo;ficando pelo caminho&rdquo;), tinha e tem como seu
carro-chefe a música nativista e os conjuntos de baile, chegando a
lançar, contudo, ainda nos anos 80, alguns discos do pop e do rock
gaúchos, naturalmente em vinil (Nei Lisboa, Taranatiriça, Duca
Leindecker, Rock Garagem, etc.). Mas foi com a consolidação do selo
Antídoto, tendo como figura de frente o produtor Raul Albornoz, que
a ACIT sacramentou o seu enfoque sobre a cena roqueira gaúcha.
Articulando-se com as principais estações de rádio da capital
gaúcha (Atlântida FM, Pop Rock FM &ndash; antiga Felusp, da Ulbra
&ndash; e Ipanema FM), o selo Antídoto colocou em grande evidência
os seus contratados: Maria do Relento, Júpiter Apple, Solon
Fishbone, Papas da Língua, Ultramen, Comunidade Nin-Jitsu, Tequila
Baby, Armandinho, Bidê ou Balde, Cidadão Quem, Nenhum de Nós,
Acústicos e Valvulados, dentre outros. A gravadora também realizou
lançamentos de artistas/bandas da cena underground, como a Foo Wang
Foo (do pioneiro do rock gaúcho, Edinho Espíndola, do Liverpool e
Bixo da Seda), dentre outros. O sucesso da Antídoto levou a própria
RBS a articular posteriormente o selo Orbeat, em muitos casos
contratando artistas que estavam naquele selo (e, por fim, chegou a
haver, ainda posteriormente, uma associação dos dois, que findou
com a extinção da Orbeat &ndash; atualmente os lançamentos da
Antídoto não têm tido tanta projeção). A Orbeat lançou também CDs
de bandas tais como Hard Working Band, Foxy Lady, Diretoria, etc. A
consolidação de tais gravadoras, com foco nas bandas locais e
alcançando grande sucesso junto ao público em virtude da ampla
veiculação nas principais rádios, ocasionou, de uma certa forma,
uma mudança de paradigmas na música pop gaúcha: até então, era
praticamente imprescindível que um artista obtivesse reconhecimento
fora do RS, mediante a<span style=
"mso-spacerun: yes;"> </span> contratação por uma gravadora
<em>major</em> instalada no centro do país, para depois ser mais
amplamente conhecido pelo público gaúcho em geral. Agora, o
conhecimento e o sucesso de alguns artistas gaúchos veiculados
mediante este esquema junto ao público local é que passou a atrair
a atenção das grandes gravadoras pela sua contratação. Pode-se
dizer, assim, mesmo que de forma genérica, que o sucesso em grande
escala passou a se articular no vértice &ldquo;daqui para
lá&rdquo;, ao invés do &ldquo;de lá para cá&rdquo;, como era antes.
É claro que este tipo de afirmação é esquemática, e não ignoramos
que a própria consolidação deste mercado local em tornos destas
bandas/artistas deu-se também porque, em vários casos, os mesmos já
haviam obtido reconhecimento, em alguma medida, no centro do país,
seja via contratação anterior por gravadoras <em>majors</em> ou
independentes, prestígio na imprensa e mídia, etc., e tampouco que,
mesmo no &ldquo;esquema anterior&rdquo;, as bandas que conseguiram
ser contratadas por <em>majors</em> já contavam com algum prestígio
junto ao público e algumas rádios locais. De fato, podemos
encontrar alguns exemplos de bandas gaúchas contratadas por
<em>majors</em> no período de &ldquo;refluxo&rdquo; do rock dos
anos 80, nos anos 90, mas a realidade é que a grande maioria não
conseguiu se consolidar a partir do mercado nacional, tendo que
centrar maior foco no mercado regional, e<span style=
"mso-spacerun: yes;"> </span> a partir do fortalecimento
conseguido<span style="mso-spacerun: yes;"> </span> neste
processo, posteriormente poder alçar vôos mais consistentes no
mercado nacional. O maior exemplo disto é a já citada Papas da
Língua.</span></p>
<p class="MsoHeader" style=
"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;">
<span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
Nos
anos 2000, o rock gaúcho também experimentou uma crescente
ebulição, com a consolidação de diversas bandas e artistas surgidos
nas décadas anteriores. Pelo menos duas bandas podem ser destacadas
como tendo alcançado grande evidência no cenário nacional: Cachorro
Grande e Fresno.</span></p>
<p class="MsoHeader" style=
"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;">
<span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
Além
destas bandas e artistas, podemos apontar muitos outros que
marcaram/marcam a cena nos períodos destacados: Harmadilha,
Doidivanas, Aquaplay, Doce Veneno (de Santa Maria), Mama Bujii,
Ismália, Rosa Tatooada, Horácios, Texugos e Bêbados, Os Náufragos,
Irmãos Rocha, Pata de Elefante, Frank Solari, Fuga, Gallaxy Trio,
Gaspo e Oly Jr., Gordini Fuçado, Ópera Bufa, Saltinmantra, Lecco
Ferrara e os Coiotes, Cinza e azul noite, Zé do Bêlo, Sindicato do
Blues, Os Puta Merda, Sweet Beetle Juice, Nada Público, Identidade,
Jardineiros, Jogo Sujo, Sangue Sujo, Justine, K 30, Laranja Freak,
Les Responsables, Locomotores, Lory Finocchiaro, Loch Ness, Ecos do
Mississipi, Ligação Anônima, Gisele Gutter & Hard Company,
Richard Powell, Space Queras, Solon Fishbone, Galãs da Menopausa,
Os Chihuahuas, The Pio, Devas, Satanic Death, Os Ovni's,
André Coelho, Pulse, Cabala,<span style=
"mso-spacerun: yes;"> </span> Black Maria, Kuria, Vortex,
Viscerália, Montanha Azul, Superphones, Os Daltons, Groove James,
Tom Bloch, Hoochie Coochie Band, Arnaldos, Cuidado Menina, Tarcísio
Meira's Band, os Ronyfons, Floricultura, Dead Fingers, Os
Mucrília, Free Jack, Trouble Makers, Gabardines, Apanhador Só, A
Elétrika Tribo, Aristhoteles de Ananias Jr., Astronauta Pinguim,
Automóvel Verde, Bataclã FC, Beto Nickorn e os caras, Beselhos,
Beladona, Los Vatos, Lovecraft, Luciano Albo, Marcelo Birck, Motel
Flamingo, Obsolethos, Os Dissonantes, Os Efervescentes,
Locomotores, Suco Elétrico, Off the wall, Olívia Palito, Os
Atonais, Os Funérios, Os Hipnóticos, Pére Lachaise, Os Thompsons,
Os Totais, Osmarmotta, Os Vilsos, Os Viralatas, Planondas, Pedrada
A Fú, Pupilas Dilatadas, Razão Social, Rebeldes, Renato Velho,
Subtropicais, Sombrero Luminoso, Stereo Box, Satyananda, Estado de
Espírito, Stratopumas, Damn Laser Vampires, Deus e o Diabo, Desvio
Padrão, Diego Medina, Doidivanas, Eu, o Zé e os Cara, Fasshion
Guru, Drive, Sex Machine, Grosseria, Superguidis, Pública, Vídeo
Hits, Viana Moog, Walverdes, Wonkavision, X Galinha, Vera Loca,
Volúpia, dentre muitos outros.<span style=
"mso-spacerun: yes;"> </span> <span style=
"mso-spacerun: yes;">             </span></span></p>
<p class="MsoHeader" style=
"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;">
<span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
Muito
importantes para a divulgação do rock gaúcho neste período
foram/são os diversos bares e casas noturnas que abrem espaço para
o gênero.Podemos destacar algumas casas pela sua grande
importância: Ocidente, Opinião, Garagem Hermética, Dr. Jekyll, Cult
Bar, Zelig, Art & Bar, Long Play, Teatro de Elis, 8 e 1/2 Bar,
Porão do Beco, Manara, Abbey Road, Joe's Bar, John Bull Pub,
etc.</span></p>
<p class="MsoHeader" style=
"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;">
<span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
Fundamentais
também, na divulgação desta cena, as emissoras de rádio. Além das
já mencionadas Atlântida, Pop Rock e Ipanema, temos a Unisinos FM,
numa linha mais alternativa e a FM Cultura, etc. Também foram/são
importantíssimos os programas Radar, veiculado na TVE,
Palco/Estúdio 36/Papo Clip (TV Com), Folharada Ipanema na TV
(Band),<span style="mso-spacerun: yes;"> </span> Patrola (RBS
TV), &ldquo;Rock Gaúcho na TV&rdquo; e &ldquo;No.cabo&rdquo;, na
POA TV, dentre outros. As rádios web também vêm sendo uma boa
opção, especialmente para a divulgação do underground: temos
a<span style="mso-spacerun: yes;"> </span> Buzina do Gasômetro
(na qual faço o programa Paralelo 30),<span style=
"mso-spacerun: yes;"> </span> Putzgrila, Marquise 51, Rádio
Fam (da Famecos da PUC), Radioweb da Gente, Lágrima Psicodélica,
etc. Na rádio da UFRGS AM vai ao ar nas quartas-feiras à noite o
clássico programa Sonoridades (ex- Histórias Musicais). E inúmeras
páginas da internet (sites e blogs) também têm tido um papel
relevante na divulgação da cena: Volume (clic rbs), Portal do Rock
Gaúcho, Bandas Gaúchas, Lágrima Psicodélica, Frekium, Durango 95,
Dissonância, etc. Nos dois primeiros podemos escutar as músicas nas
páginas das bandas, o que também é possível fazer visitando o My
Space, o Trama Virtual, etc.<span style=
"mso-spacerun: yes;"> </span> No blog <a rel="nofollow"
href=
"http://bandasdorockgauchoforever.musicblog.com.br/">http://bandasdorockgauchoforever.musicblog.com.br</a>,
que editamos, podemos encontrar, no &ldquo;Listão das bandas
gaúchas&rdquo;, diversos outros nomes da cena atual e de todos os
tempos. Mas realmente são milhares de artistas e grupos, dos mais
diversos estilos, a demonstrar a grande amplitude, diversidade e
criatividade da cena roqueira gaúcha.<span style=
"mso-spacerun: yes;"> </span> Neste sentido, as perspectivas
para a segunda década deste século 21 são bastante positivas, pois
o rock gaúcho vem se renovando e revigorando continuamente,
revelando grande vitalidade.</span></p>
<p class="MsoHeader" style=
"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 35.4pt;">
<span style=
"font-family: "Arial", "sans-serif"; font-size: 12pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">
 </span></p>
]]></description>			<link>http://rogerioratner.musicblog.com.br/227738/O-rock-ga-cho-dos-anos-90-e-2000/</link>			<comments>http://rogerioratner.musicblog.com.br/O-rock-ga-cho-dos-anos-90-e-2000-07012010-202152-lp-227738.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://rogerioratner.musicblog.com.br/227738/O-rock-ga-cho-dos-anos-90-e-2000/</guid>			<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 20:21:52 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[A música regionalista gaúcha]]></title>			<description><![CDATA[<p>A exemplo do que ocorre em outros estados
brasileiros, o Rio Grande do Sul conta com uma música tradicional
típica, que atua como um das principais  formas de expressão
de sua cultura artística. Em torno da música, que funciona como
suporte, articula-se também a dança, outra expressão cultural das
mais importantes dentro da tradição regionalista gaúcha. Sem
dúvida, estas duas formas de arte auxiliaram sobremaneira a própria
consolidação da imagem do gaúcho enquanto um tipo distinto e
inconfundível, dentro do universo mais amplo do povo brasileiro. E,
se a música e a dança ajudam a articular a construção do
&ldquo;tipo gaúcho&rdquo; no imaginário nacional, também
desempenham um forte papel nos processos de reprodução, atualização
e reinvenção deste mesmo personagem, de contornos inclusive
mitológicos, nos próprios limites do RS.</p>
<p align="justify">A bem da verdade,
é  necessário dizer que as matrizes culturais nas quais se
encontram as raízes da música dita típica gaúcha feita atualmente
no RS foram se articulando pouco a pouco, &ldquo;cozidas&rdquo; em
&ldquo;fogo lento&rdquo; no amplo &ldquo;caldeirão&rdquo; de
influências étnicas e culturais em que se assenta a região, e que
constantemente foram acrescidas por novas informações trazidas
pelos imigrantes e migrantes que  se assomaram em seu espaço
geográfico ao longo do tempo, e por visitantes nacionais e
estrangeiros. Assim é que a música gaúcha dita tradicional que se
apresenta hoje está calcada em alguns elementos de base que,
curiosamente, e ao contrário do que a princípio se poderia
imaginar, não necessariamente estão aqui &ldquo;desde todo o
sempre&rdquo;, mas foram se acrescendo e fundindo lentamente ao
&ldquo;caldo cultural&rdquo; local, de forma a chegar em um grau
identificável de consolidação, em um contínuo processo informal de
mescla de vertentes das mais variadas.</p>
<p align="justify">Se tentarmos buscar
estes elementos que corresponderiam às matrizes centrais mais
evidentes em torno das quais se estrutura esta produção musical,
devemos, naturalmente, evidenciar o elemento ibérico. Em que pese a
origem preponderante da população gaúcha seja portuguesa, há, não
apenas em face da proximidade geográfica, mas também em torno da
própria história da consolidação da fronteira sul do país, um longo
processo de mútuos intercâmbios com uruguaios e argentinos,
populações que correspondem a dois países dos mais importantes da
América espanhola. Neste ponto, é relevante destacar que, em que
pese a nossa historiografia geralmente acentue os portugueses e os
espanhóis como duas nacionalidades díspares,  deve-se ter em
mente que Portugal, embora já conte com séculos de independência
como entidade estatal autônoma, de um modo geral sempre esteve
muito intimamente vinculada à vizinha Espanha, ecoando, em
significativa medida, o período em que constava como apenas uma de
suas regiões. De fato, há inúmeros pontos de identidade entre as
culturas portuguesa e hispânica, mesmo porque a história da
ocupação da região ibérica, de origens visigóticas, romanas,
cristãs, árabes, judaicas, ciganas, etc., é comum, o que,
naturalmente, reflete em certo parentesco entre as formas musicais
advindas destes países; vale dizer, as formas musicais advindas de
Portugal têm muitos pontos de contato com as espanholas - as quais
deram substrato à música típica da região do Prata -, sem embargo
das suas especificidades. Neste aspecto, cumpre destacar o elemento
&ldquo;oriental&rdquo; que perpassa a produção musical daquela
região européia, advindo especialmente das influências árabes,
judaicas, góticas, ciganas, etc., o que representa realmente um
diferencial significativo da música produzida naquela península
européia em relação a outras formas musicais  que se
consolidaram no &ldquo;Velho Mundo&rdquo;. A própria figura mítica
do &ldquo;gaúcho&rdquo; brasileiro, enquanto o elemento que,
montado a cavalo, explora a atividade pastoril/pecuária, foi muito
influenciada, na sua configuração regional, pelas práticas e
costumes dos seus equivalentes uruguaios e argentinos, o que vem
refletir também, naturalmente, na música feita no RS, que tem
grande influência da produção musical daquela região. Contudo, é
importante ressaltar que, em seu perfil cultural, o gaúcho
brasileiro  têm inúmeros elos comuns com os
tropeiros/boiadeiros/peões/cavaleiros/vaqueiros/sertanejos/carreteiros
do resto do país, mesmo porque o Estado, economicamente falando,
sempre esteve muito mais articulado com o centro do país do que
propriamente com os países do Prata. Com efeito, correspondia a sua
região ao ponto mais meridional da chamada &ldquo;Rota dos
Tropeiros&rdquo;, que levavam daqui especialmente mulas, cavalos,
gado e carne seca ao centro do país, retornando com produtos de lá
para uso das populações locais. De fato, os chamados
&ldquo;tropeiros&rdquo; foram de fundamental importância para a
povoação e ocupação do solo gaúcho, estando na origem da criação de
inúmeros povoados, lugarejos, aldeias e cidades. Culturalmente,
exerceram o papel de realizar um grande intercâmbio com as
populações do centro do país (sendo de assinalar que diversos
&ldquo;gaúchos&rdquo; primevos, em realidade, eram provenientes de
outras regiões do país). Desta forma, há na cultura gaúcha
tradicional não apenas elementos ancestrais comuns aos países do
Prata, mas talvez ainda mais significativamente  diversas
características que são compartilhadas com os patrícios de outras
regiões do país, especialmente em relação ao restante do sul e do
sudeste brasileiro, e que são de origem lusitana. Realmente, são
inúmeros os elos comuns entre as populações sertanejas/interioranas
do Brasil, sendo pouco a pouco sedimentadas as diferenças
regionais, a partir da própria fixação da população em cada região,
com a consolidação de seus hábitos locais. Isto naturalmente
refletiu-se na música, não sendo à toa, por isso, que em muitos
discos antigos de música gaúcha as canções fossem denominadas como
&ldquo;sertanejas&rdquo;, além de que houvesse a utilização de
ritmos comuns a outras regiões como a &ldquo;rancheira&rdquo;, a
&ldquo;toada&rdquo;, o &ldquo;chote&rdquo;, o
&ldquo;rasqueado&rdquo;, etc. Aliás, em face destas confluências,
não é aleatório também que Luiz Gonzaga, o &ldquo;rei do
baião&rdquo;, por exemplo, tenha se inspirado no catarinense Pedro
Raimundo, este um apaixonado pela música típica gaúcha, para
assumir-se como um personagem tipicamente nordestino, paramentado
enquanto tal. Pedro Raimundo, aliás, pode ser apontado como o
primeiro grande responsável pela divulgação da canção típica gaúcha
em nível nacional, apresentando com muito sucesso o seu clássico
&ldquo;Adeus Mariana&rdquo; na Rádio Nacional do Rio de Janeiro
(que hoje, guardadas as proporções, corresponderia, em importância,
como veículo de comunicação, à Rede Globo). Além das influências
ibéricas, impõe-se ressaltar também a enorme influência advinda da
música feita nas demais regiões da  Europa (ocidental, central
e oriental) na música brasileira e gaúcha. Esta influência, é bom
dizer, não fez sentir seus efeitos apenas na música brasileira
interiorana, mas também muito flagrantemente na música urbana,
estando nas raízes de muitos ritmos que hoje consideramos
&ldquo;ancentrais&rdquo;, como o &ldquo;choro&rdquo;, a valsa, a
&ldquo;modinha&rdquo;, etc. De fato, ritmos como o schottish, a
mazurka, a polka, a valsa, etc., deram substrato a muitos ritmos
brasileiros. A habanera, ritmo vindo de Cuba, e o tango, de origem
portenha, também exerceram um importante papel no cabedal das
influências estéticas que resultaram na música popular brasileira,
especialmente do final do século XIX e até a metade do século XX.
Assim, a música gaúcha, pode-se dizer, em linhas gerais, tem como
vértices a forte influência européia e a de demais regiões da
América Latina, e também elementos advindos das etnias indígena e
negra.</p>
<p align="justify">Na raiz da
reapropriação e ressignificação moderna e contemporânea da figura
do gaúcho, como elemento primitivo, fundador e mítico do RS, está o
Movimento Tradicionalista Gaúcho &ndash; MTG. As origens do
movimento estão fincadas em torno de duas figuras centrais: Paixão
Côrtes (que serviu de modelo à estátua do Laçador, postada na
entrada da capital do Estado, e é facilmente visível para quem
chega de carro pela BR 116 ou desce no aeroporto Salgado Filho) e
Barbosa Lessa &ndash; naturalmente que o movimento, de grandes
proporções, abarcou e foi agregando, ao longo do tempo, inúmeros
outros entusiastas que também deram suas importantes contribuições
-. Ambos eram estudantes do Colégio Estadual Júlio de Castilhos,
berço de inúmeras figuras da maior relevância nos campos da
política, intelectualidade e empreendedorismo em geral do Estado
especialmente durante boa parte do século XX, e engendraram o
movimento como uma forma de resistência à uniformidade cultural
padronizadora de tendência nacionalista que Getúlio Vargas decidiu
impor, em certo momento do Estado Novo, numa tentativa de amainar
as especificidades das diversas regiões do país, de forma a
fortalecer a sua figura como líder central e absoluto da nação; e
também, como instrumento de reação à crescente e fulminante
americanização da cultura brasileira, advinda no bojo da maior
aproximação com os EUA, quando finalmente o nosso Presidente
decidiu-se por apoiar os Aliados na Segunda Guerra Mundial, após o
afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães (embora a
grande simpatia que nutria, até então, pelos governos
nazi-fascistas). Assim, o MTG emergiu como uma espécie de anteparo
contra duas tendências vistas como padronizadoras, em termos
culturais, radicalizadas a partir da conjuntura política brasileira
do final dos anos 30 e nos anos 40. Este movimento, a princípio,
até em face das características pessoais de seus mentores, teve um
forte viés intelectual, antropológico e sociológico, e
concentrou-se em grande medida em pesquisas do folclore, das
tradições culturais, das festas, dos hábitos alimentares, das
danças, da linguagem oral, das cantorias, das vestimentas da
população rural do RS, entre outros aspectos. Mas sendo tanto
Paixão Cortes como Barbosa Lessa figuras de raro carisma, visão e
inteligência, souberam de forma brilhante tornar esta busca,
pesquisa e reinterpretação dos elementos culturais próprios e
primitivos das terras gaúchas não apenas uma empreitada para fins
acadêmicos, mas também uma articulação prática e efetiva que
objetivava o próprio renascimento e revalorização destas tradições.
Desta forma, conseguiram agregar, neste verdadeiro processo de
reconstrução - e inclusive de resgate da auto-estima - das origens
culturais dos gaúchos, elementos vindos de camadas sociais as mais
variadas, desde os mais humildes às elites regionais, em um
movimento que culminou na articulação de grandes proporções que se
verifica atualmente, em que tal matriz cultural está espraiada não
apenas por diversos outros estados brasileiros, mas inclusive em
vários países mundo afora.</p>
<p align="justify">Há, sem dúvida, nas
raízes do MTG, fortes ressonâncias tanto do movimento 
romântico, quanto da vertente regionalista do modernismo
brasileiro. Muito embora o Rio Grande do Sul, especialmente em suas
cidades, da mesma forma como muitos outros estados brasileiros,
tenha sofrido fortíssimas influências européias no campo cultural,
muito especialmente até a metade do século XX (ibéricas,
naturalmente, mas também particularmente francesas, italianas e
alemãs), manifestou-se, principalmente em sua literatura, um forte
impulso no sentido de estabelecer um colorido e uma marca regional.
Embora esta vertente não possa ser reconhecida como nitidamente
majoritária dentro do panorama literário e cultural gaúcho em
geral, consolidou-se, sem dúvida, como um de seus mais importantes
elementos. Assim, ao lado de uma literatura mais universal,
sofisticada, contemporânea e urbana, consolidou-se um nicho em que
a temática rural, articulada em torno da estrutura social das
estâncias e fazendas, da história,  da tradição e dos tipos a
ela relacionados, era o foco central. Em relação à música, muito
especialmente a partir do modernismo, engendrado no final dos anos
20 do século XX, este elemento <em>naive</em> regional foi
encontrar ressonância, em alguma medida, inclusive na produção
erudita. Entre outros procedimentos, conforme já dissemos, Paixão
Côrtes e Barbosa Lessa realizaram inúmeras pesquisas no interior do
Estado, especialmente junto aos segmentos sociais populares, na
busca dos resquícios e das origens de práticas culturais
ancestrais, em torno de manifestações tais como folias de reis,
procissões religiosas e outros rituais de fé, festas, bailes e
fandangos, celebrações populares... Estes intelectuais realizaram
um verdadeiro trabalho arqueológico, tentando &ldquo;escutar os
ecos&rdquo; do passado e &ldquo;juntar as peças do
quebra-cabeça&rdquo; da cultura gaúcha de antanho. No entanto,
pensamos não ser correta a interpretação que alguns fazem
hodiernamente, de que os precursores do MTG tenham inventado uma
tradição ou criado aleatoriamente uma mitologia. Na medida em que o
objetivo do movimento não era apenas o de pesquisar as origens
históricas e as práticas ancestrais, mas também de revitalizar a
cultura regional de forma efetiva, com a mobilização da sociedade
em torno da modernização e adaptação de algumas destas tradições
para o uso concreto contemporâneo, e considerando-se que a
informação do povo gaúcho em relação a esta mesma cultura estava em
parte &ldquo;soterrada&rdquo;, especialmente nas áreas urbanas,
algumas lacunas tiveram que ser preenchidas, como, por exemplo, em
relação à fixação de alguns dos trajes típicos a serem utilizados
no âmbito dos CTG's, etc. Mas isto não quer dizer  que
tenham sido utilizados elementos aleatórios e arbitrários, sem
fundamento em origens históricas. Tanto é assim que muito do que
foi estabelecido como vestimenta típica do gaúcho, por exemplo,
também é utilizado pelos &ldquo;gaúchos&rdquo; dos países do Prata.
Nesta medida, entendemos que se deve ter cuidado ao afirmar que as
práticas culturais que terminaram se consagrando no âmbito do MTG
foram inventadas: melhor seria dizer que a cultura ancestral, a
partir dos elementos que foi possível a aqueles pioneiros mapear,
recebeu uma reinterpretação e  foi adaptada à realidade do
público contemporâneo. Mas, retomando-se o nosso foco em relação à
música propriamente dita, as pesquisas realizadas pelos mentores do
MTG tiveram o grande mérito de mapear não apenas várias das
influências ancestrais advindas de raízes portuguesas e espanholas,
mas inclusive aquelas decorrentes dos ritmos europeus surgidos a
partir do século XVIII, e muito especialmente no século XIX. Assim
é que foram identificados, nas raízes da música gaúcha, ritmos e
estilos musicais, muitas vezes amalgamados com as danças
respectivas, e que estavam relacionados à cultura dos
&ldquo;fandangos&rdquo;, ou festas dançantes. É interessante notar
que os fandangos, originalmente, eram animados por violeiros e,
eventualmente, por rabequistas que a eles se juntavam. E
apresentavam, em muitos casos, uma estrutura peculiar: havia
momentos em que os casais executavam os passos de dança, enquanto
os músicos tocavam e cantavam, sendo que, de quando em vez, cessava
a dança, para que os músicos entoassem as cantilenas ou cantigas.
Assim, o bailado sofria algumas descontinuidades, em que eram
entoadas as cantilenas, recomeçando na sequência as danças. Podemos
apontar, então, como melodias vinculadas intimamente com as danças,
o tatu, o pezinho, a rancheira, a toada, a zamba, o rasqueado, a
chula, a cana-verde, a serrana, o chamamê, o siriri, a roseira, o
caranguejo, o maçanico, o candombe, o bugio, o terol, o sarrabalho,
o chirimindé, o graxaim, a mariquita, etc. E como cantilenas,
podemos apontar o cará, o amor-feliz, o benzinho-amor, o
joão-fernandes, o chico, a queromana, o pagará, o pega-fogo, a
retorcida, o feliz-meu-bem, etc. Cabe salientar que, especialmente
com a contribuição advinda da imigração italiana, o acordeon passou
a ocupar um papel central na estética do fandango, relegando, em
certa medida, a viola, sendo que a música utilizada para a dança
passou a ser, em grande parte, instrumental. Mas também foram
identificados, neste processo de pesquisa levado a efeito pelos
pioneiros do MTG, outros ritmos europeus que aqui, aos poucos,
foram tomando feições regionais, como de resto ocorreu em outros
estados brasileiros, nos quais estes estilos igualmente deixaram
sua influência. Neste sentido, podemos indicar o chote (schottish),
a polca (polka), a mazurca (mazurka), a valsa, etc. E igualmente
foi ressaltada a influência de ritmos latino-americanos, como a
vanera (habanera), a milonga (que dá suporte ao tango), a zamba, a
chacarera, etc.   O aristepe, por sua vez, é originado do
one-step norte-americano. Assim, a partir destes elementos, e no
longo processo de fusões e de novas apropriações que continuamente
foram ocorrendo, engendrou-se boa parte dos ritmos/estilos que hoje
são tão comuns na chamada música tradicional gaúcha: chote/xote,
vanera/vanerão, rancheira, trova, bugio, chimarrita, milonga,
valsa, limpa-banco (polca), chamamê,
etc.         </p>
<p align="justify">Fundamental também,
para a posição alcançada pela canção gaúcha no momento atual, foram
os cantores/compositores ditos &ldquo;populares&rdquo;, que,
valendo-se de uma temática cotidiana, e abordando os dramas
pessoais e emocionais do povo simples, mediante a utilização de uma
linguagem mais direta e acessível, receberam grande acolhida
especialmente junto à população mais humilde. Destes, sem dúvida, a
figura mais querida e ainda extremamente popular é a de
Teixeirinha, responsável também, aliás, em grande medida, pela
divulgação da canção típica gaúcha para o restante do país. Nesta
trilha, cabe indicar também artistas como Mery Terezinha (parceira
de Teixeirinha), Gildo de Freitas, Tio Bilia, José Mendes,
etc.</p>
<p align="justify">É importante
ressaltar que a chamada música urbana e a música rural gaúcha nem
sempre estiveram &ldquo;apartadas&rdquo; em segmentos tão bem
delineados, tal como hoje se desenha. De fato, inúmeros
compositores, cantores e instrumentistas, até as raias do período
que se delineia melhor no início dos anos 70 do século XX, a
partir  da criação da Califórnia da Canção, ao lado de sua
produção urbana (que incluía sambas, samba-canção, choros, etc.)
produziam canções utilizando-se de ritmos e temáticas considerados
regionais. Aliás, em que pese existissem antes de tal marco
artistas que se identificavam muito fortemente com a música
regionalista, incrustados em um nicho específico, pode-se dizer
que, de um modo geral, não havia uma tão forte estratificação
artística, ao menos não na forma que foi se consolidando
especialmente a partir dos anos 70. Um ótimo exemplo que se pode
dar, para ressaltar o modo como as coisas costumavam correr, é o do
Conjunto Farroupilha. Este grupo vocal  foi formado por
cantores que atuavam no âmbito da Rádio Farroupilha de Porto
Alegre, e hoje em dia é reconhecido como um dos principais
porta-vozes da música gaúcha tradicional, muito especialmente
porque gravou inúmeras canções de Barbosa Lessa e Paixão Côrtes, ou
por eles adaptadas do folclore, dentre outros compositores ligados
de alguma forma ao MTG. O grupo tinha um vastíssimo cabedal de
referências musicais, e  já atuava nos programas da rádio
homônima executando arranjos vocais de MPB e de música
internacional, inclusive americana. Um dos grandes sucessos
discográficos do grupo, em nível nacional, foi  a gravação que
fez da canção norte-americana &ldquo;Mr. Lee&rdquo;. O grupo
dedicou-se também à então nascente bossa nova (algumas das
primeiras gravações de canções de compositores fundamentais do novo
estilo foram realizadas pelo conjunto), dentre inúmeras outras
gravações que não se inscrevem no modelo tradicional gaúcho. Com
efeito, era um grupo que transitava naturalmente entre a música
internacional, a música brasileira urbana e a música
tradicionalista gaúcha. Aliás, uma das capas de disco do grupo
retrata de forma bem humorada, irônica e inteligente, a suposta
&ldquo;contradição&rdquo; entre ser &ldquo;regional&rdquo; e
&ldquo;universal&rdquo;: numa montagem, há uma fotografia do grupo
&ldquo;pilchado&rdquo;, à esquerda da foto, olhando
desafiadoramente para o mesmo grupo, que desdenhosamente dos
&ldquo;grossos&rdquo;, traja elegantes smokings e longos no lado
direito do quadro. De fato, não havia, pelo menos até o advento da
Califórnia da Canção de Uruguaiana, em linhas gerais, uma
&ldquo;separação&rdquo; mais radicalizada entre os campos
&ldquo;regional&rdquo; e o &ldquo;universal&rdquo;, que se tornou
mais evidente em épocas posteriores. Somente para acentuar, e dar
alguns exemplos a mais, dentre tantos outros: Lupicínio Rodrigues é
o autor do clássico do cancioneiro gaúcho &ldquo;Amargo&rdquo;;
Túlio Piva também dedicou-se a compor temas regionais, assim como
outros compositores muito ligados aos estilos urbanos, como Ovídio
Chaves, Arthur Elsner, Ney Messias, Piratini, Caco Velho,
Demósthenes Gonzalez, etc. Este bom trânsito verificava-se 
não apenas na obra dos compositores/cantores/instrumentistas, mas
na própria convivência entre os artistas definidos de forma mais
peremptória como regionais ou urbanos, nos corredores das rádios,
televisões, etc. É bem verdade que inúmeros
artistas/compositores/cantores continuaram a transitar fluentemente
entre as duas vertentes, &ldquo;urbana&rdquo; e
&ldquo;regional&rdquo;, mesmo no período de maior radicalização a
que aludimos. Mas, como é consabido, eventuais críticas de alguns
defensores mais radicalizados de cada &ldquo;tendência&rdquo;
também se fizeram ouvir. A Califórnia da Canção (festival musical
criado em Uruguaiana em 1971), é bom que se diga, aliás, decorreu
justamente do fato de haver um radicalismo por parte de alguns
elementos que, de forma equivocada, avocaram-se o papel de defender
o &ldquo;bom gosto&rdquo; da música &ldquo;urbana&rdquo; contra o
&ldquo;mau gosto&rdquo; da música regional, barrando a participação
de Colmar Duarte em um festival de música popular brasileira.
Colmar, então, indignado, reuniu-se com companheiros para organizar
um festival em que a música regional gaúcha pudesse ser apresentada
livremente, sem ser barrada em seu próprio território de origem. É
importante ressaltar que não havia na Califórnia, de início, uma
postura mais extremada, tanto que, em sua primeira edição
participaram diversos nomes normalmente relacionados com a música
urbana, inclusive trajando roupas &ldquo;normais&rdquo; (smokings e
longos), quanto mais não seja o próprio Lupicínio Rodrigues. Os
organizadores da Califórnia, justamente tentando elaborar e
administrar o conflito que foi se estabelecendo a partir da questão
de definir o que seria uma manifestação musical tipicamente gaúcha,
em seu âmbito, criaram as clássicas três linhas de premiação. Mas,
sem dúvida, foi em alguma medida a partir desta mesma discussão que
aos poucos os &ldquo;campos&rdquo; foram se consolidando, gerando
um radicalismo que engendrou alguns episódios lamentáveis na
história daquele certame, como a &ldquo;chuva&rdquo; de latas que o
compositor Jerônimo Jardim recebeu do público, por ter vencido uma
das suas edições com a canção &ldquo;Astro Aragano&rdquo;, de
harmonia dissonante e de feições modernas. De fato, a partir da
Califórnia, que serviu como foco irradiador de um poderosíssimo
movimento cultural, é que foram surgindo inúmeros outros festivais
de música nativista pelo RS afora. Refletindo justamente a
discussão subjacente que foi se travando acerca do que seria uma
manifestação musical tipicamente gaúcha, vários destes festivais
foram se mostrando mais radicais e restritivos quanto aos estilos
que poderiam ser apresentados - que deveriam  ser genuinamente
gaúchos, conceito que, naturalmente, variava de acordo com os
critérios e os pontos de vista dos examinadores das canções
inscritas em cada certame -; outros também surgiram, contudo, que
eram menos fechados à chamada &ldquo;música urbana&rdquo;. Assim,
num extremo, digamos, mais &ldquo;ortodoxo&rdquo;, podemos citar
festivais como os da Coxilha Nativista, Seara da Canção, Reponte,
Sinuelo, Gauderiada, Comparsa, Vigília, Recoluta, etc., Em outro
extremo, mais &ldquo;aberto&rdquo;, podemos indicar concursos como
a Guarita da Canção, a Moenda da Canção, o Musicanto, a Ciranda
Teuto-Riograndense, etc.  Desta forma, observa-se que diversos
festivais se tornaram um veículo importante para a irradiação e a
delimitação de uma certa &ldquo;ortodoxia&rdquo;, ao mesmo tempo em
que alguns outros funcionaram como espaço de convivência e trocas
entre a música rural e urbana. Foi  partir destes festivais
também que,  de uma certa forma, passou a ocorrer uma certa
distinção entre o conceito da música tradicionalista propriamente
dita e a música nativista. A música tradicionalista, dentro desta
conceituação, aludiria às pesquisas folclóricas e as ritmos
ancestrais apurados via MTG. Já a música nativista, seria composta
de um repertório de canções elaboradas mais hodiernamente,
especialmente visando justamente à participação em festivais da
canção, calcadas, em muitos casos, em pesquisas de elementos
folclóricos, e na alusão e evidenciação de fatos históricos do RS.
Independentemente desta questão terminológica, o fato é que podemos
identificar várias tendências dentro da produção musical gaúcha
&ldquo;típica&rdquo;. E o mesmo processo parece haver engendrado
também a expressão &ldquo;música gauchesca&rdquo; para designar o
segmento mais &ldquo;popular&rdquo;, a produção menos refinada e
elaborada, mais &ldquo;bruta&rdquo; e &ldquo;espontânea&rdquo;,
especialmente vinculada à dança e à diversão. Entretanto, vale
ressalvar que não se deve pensar que as &ldquo;categorias&rdquo;
diversas que podem ser identificadas  na música nativa gaúcha
sejam estanques, uma vez que é não é incomum que participem de
festivais nativistas, por exemplo, conjuntos ou músicos mais
comumente relacionados ou vindos do &ldquo;ramo dançante&rdquo;, e
compositores de festivais que também compõem canções para serem
interpretadas por conjuntos diversos e destinadas a animar bailes,
e assim por diante. De fato, há um contínuo diálogo e influências
variadas nestes &ldquo;ramos&rdquo; da música regional, a
desaconselhar uma conceituação rígida em &ldquo;categorias&rdquo;
específicas.</p>
<p align="justify">Isto posto, podemos
apontar alguns nomes que se dedicaram/dedicam especialmente a fazer
músicas mais voltadas à mera fruição auditiva, vários dos
quais  consagraram-se por sua atuação em festivais, tais como
os de Telmo de Lima Freitas (pai do baterista Kiko Freitas, que
atualmente acompanha João Bosco), Noel Guarany, Cenair Maicá, Mano
Lima, Luiz Coronel, Marco Aurélio Vasconcelos, Luiz Marenco, Pedro
Ortaça, Leopoldo Rassier, Dante Ramon Ledesma, João Chagas Leite,
Elton Saldanha, Eraci Rocha, Marlene Pastro, José Cláudio Machado,
César Passarinho, Leonardo, Rui Biriva, João de Almeida Neto, etc.,
etc.</p>
<p align="justify">Sem dúvida, um dos
mais profícuos &ldquo;ramos&rdquo; da música gaúcha é o da música
especialmente voltada à dança, composta para ser executada nos
bailes e fandangos, e que é em grande parte responsável pela
vitalidade comercial do mercado da chamada música
&ldquo;gaudéria&rdquo;. Como vimos, a música gaúcha
tradicionalmente esteve muito vinculada à dança, mas é importante
notar que ao longo do tempo - o que foi de algum modo também
aprofundado nos últimos anos em face dos festivais -, passou a
haver alguma segmentação entre a música de mera fruição auditiva
daquela destinada especificamente para aquele fim. Sem embargo,
manteve-se sempre muito forte a produção de música &ldquo;para
dançar&rdquo;, especialmente a produzida por inúmeros conjuntos e
grupos que incessantemente percorrem o interior do Estado (e também
alguns pontos da Capital) para animar eventos em salões de dança,
galpões, clubes, casas noturnas, etc. Estes conjuntos, compostos
quase que invariavelmente por membros que se apresentam devidamente
pilchados, podem comumente ser avistados pelas estradas gaúchas,
circulando em seus ônibus próprios com o nome devidamente pintado
na carroceria, e são grandes responsáveis pela difusão da música
regional, não apenas nos limites do RS, mas em também no sul, no
sudeste e no centro-oeste do país (pelo menos). Podemos indicar,
dentre os conjuntos tradicionais que animaram/animam os bailes pelo
Estado, Os Garotos de Ouro, Os Três Xirús, Os Filhos do Rio Grande,
os Serranos, Garotos do Fandango, Som Campeiro, Gaitaço,
Quero-quero, Rodeio, Eco do Minuano e Bonitinho, Os Tiranos, Só
Fandango, Raízes, Os Farrapos, Os Nativos, Os Monarcas, Reis do
Fandango, Os Guapos, etc. Em verdade, são milhares de grupos, e
seria impossível listar todos, o que, é bom que se diga, vale
também para as demais &ldquo;categorias&rdquo; a que estamos nos
referindo.</p>
<p align="justify">Numa
versão &ldquo;modernizada&rdquo;, alguns conjuntos engendraram
mais recentemente a chamada &ldquo;tchê music&rdquo;, que
corresponde a uma apropriação de elementos estéticos ditos
universais, num processo semelhante ao que vem ocorrendo em relação
a outros ritmos tradicionais regionais pelo país afora. Nestes
conjuntos menos tradicionalistas, os próprios trajes típicos de
gaúcho não são  mais indispensáveis, e a instrumentação
costuma ser mais eletrificada, em contraste com o formato clássico
de violão + gaita (acordeon) + percussão (ou bateria),
eventualmente o baixo. Estas formações costumam agregar teclados,
guitarras, etc. Musicalmente, também há uma certa diluição daqueles
estilos que se consagraram como mais &ldquo;clássicos&rdquo; dos
conjuntos &ldquo;gaudérios&rdquo; de baile, numa direção que
aproxima bastante tal produção do pop,  da chamada música
brega, da música &ldquo;popular&rdquo;, do forró, do sertanejo,
etc. Exemplos destes conjuntos gaúchos &ldquo;modernos&rdquo; são o
Tchê Barbaridade, o Tchê Guri e o Tchê Garotos, dentre muitos
outros.</p>
<p align="justify">Há também que
chamar a atenção para os &ldquo;regionalismos&rdquo; existentes
dentre o próprio regionalismo gaúcho, ou seja, as características
que se afiguram em face das regiões do Estado de que provêm os
músicos. Muito forte, por exemplo, é a tradição dos compositores
&ldquo;missioneiros&rdquo;, ou seja, vindos da região fronteiriça
com o Uruguai, nas proximidades das antigas missões jesuíticas. É
forte também a tradição da música serrana e do planalto, dentre
outras. </p>
<p align="justify">Também é 
bastante popular na música gaucha a linhagem de
&ldquo;gaiteiros&rdquo;, podendo ser apontados aqui os nomes do
Gaúcho da Fronteira, Gilberto Monteiro, Luiz Carlos Borges, Albino
Manique, Porca Veia, Irmãos Bertussi, dentre milhares de
acordeonistas/gaiteiros.</p>
<p align="justify">Deve-se apontar aqui
também os nomes de cantores/compositores/instrumentistas que, num
viés mais abrangente, incorporaram elementos trazidos da MPB, da
música pop, do jazz, do funk, rock, da MPB, etc., tais como os de
Neto e Paulinho Fagundes, Mário Barbará, Renato Borghetti, Sérgio
Rojas, Pirisca Grecco, Grupo Tempero, Tambo do Bando, etc.,
etc.</p>
<p align="justify">Ainda, cumpre
assinalar outros nomes relacionados à chamada MPG (a MPB
gaúcha, de viés mais urbano), que também mantiveram/mantêm fortes
laços com elementos tradicionais gaúchos dentro de seus trabalhos,
como é o caso de Almôndegas, Kleiton e Kledir, Cordas e Rimas,
Rebenque, Saracura, Pery Souza, Glória Oliveira, Canto Livre,
Bebeto Alves, Raul Ellwanger, Sérgio Napp, Zé Caradípia, Jerônimo
Jardim, etc.</p>
<p align="justify">Também é 
bastante expressivo e importante o trabalho desenvolvido por
artistas e conjuntos que, dando continuidade à trilha aberta
pelos pioneiros do MTG, interpretaram as canções tradicionais
resgatadas, ou aprofundaram ainda mais as pesquisas quanto às
raízes folclóricas, como é o caso dos grupos/artistas Quintandinha
Serenaders, Os Minuanos, Os Tropeiros, Os Araganos, Os Sinuelos, Os
Gaudérios, Caverá, Os Tapes, Airton Pimentel, Grupo Caverá,
etc.</p>
<p align="justify">Merecem ser
ressaltados também os artistas que destacam em sua obra as
tradições da região litorânea do estado, e os que, de um modo
geral, resgatam a herança negra vinculada à tradição gaúcha,
ressaltando, por exemplo, ritmos como o maçambique: Cantadores do
Litoral, Loma, Kako Xavier, Grupo Cantoria, Grupo Status, Giba
Giba, etc., etc.</p>
<p align="justify">Outros artistas
também populares neste segmento regional, curiosamente, começaram
sua carreira influenciados pela jovem guarda, como é o caso de
Berenice Azambuja (que integrou o grupo de rock As Brasas, nos anos
60), Maria Luiza Benitez, e Luis Eugênio, dentre outros.</p>
<p align="justify">É importantíssimo
assinalar também o papel de inúmeros programas de rádio e televisão
que, ao longo do tempo, têm centrado foco na divulgação desta
riquíssima herança cultural gaúcha. Só para citar alguns exemplos
de programas &ldquo;clássicos&rdquo;, podemos indicar o
&ldquo;Grande Rodeio Coringa&rdquo;, &ldquo;Galpão Nativo&rdquo;,
&ldquo;Galpão Crioulo&rdquo;, &ldquo;Querência&rdquo;, &ldquo;Fogo
de Chão&rdquo;, etc., etc.</p>
<p align="justify">Reputamos ser válido
chamar a atenção, neste ponto, sobre a circunstância de que a
mudança de paradigmas, em termos mais gerais, nos campos político e
social, ocorrida especialmente a partir da última década do século
XX, e a consolidação do multiculturalismo, a desusar o maniqueísmo
tão próprio daquele século, parecem ter permitido que se lance um
novo olhar sobre a questão acerca da convivência entre os diversos
ramos da música popular em nosso Estado. Apesar de ainda
despontarem alguns radicalismos em ambos os &ldquo;campos&rdquo;, e
mesmo em suas respectivas &ldquo;subdivisões&rdquo;, pensamos que
atualmente a convivência entre os diversos estilos musicais que
vicejam no âmbito do RS está bem mais saudável, tal como, de resto,
costumava ser praxe no início desta &ldquo;história&rdquo;,
conforme ressaltamos anteriormente. Assim, longe dos maniqueísmos
que eram tão correntes tempos atrás, divisa-se atualmente na cena
musical gaúcha uma mais salutar e harmoniosa convivência entre os
campos da música nativista e urbana gaúcha, seja para perceber-se
que ambas devem ter as suas especificidades e espaços próprios
preservados e respeitados, seja para o  estabelecimento de
&ldquo;pontes&rdquo;, influências e &ldquo;trocas&rdquo; para os
que assim o desejam. De fato, é possível intuir que ao menos a
maioria dos artistas e produtores envolvidos com tal problemática
anuíram ser mais construtivo, ao invés de ficar tentando obter uma
unanimidade, mais construtivo talvez seja tolerar o fato de
existirem espaços mais restritivos, e outros menos, sem que
necessariamente a discussão tenha que ser elevada a um nível de
incompatibilidade, num eterno esforço de convencimento sobre o rumo
certo que deve tomar a música gaúcha. Não estamos, com tal
afirmação, repise-se, tentando esconder o fato de que eventualmente
surjam disputas, discussões, rusgas e desacertos em torno desta
questão, com a manifestação de posições mais ou menos
&ldquo;puristas&rdquo; de lado a lado. Apenas apontamos para a
circunstância de que, a nosso ver, aos poucos, a própria
compreensão acerca dos diversos posicionamentos parece menos
tensionada, num efetivo processo de alteridade, o que, sem dúvida,
está trazendo um efeito positivo em termos de maior intercâmbio
entre os artistas e produtores culturais. Mas o que parece mais
significativo, dentro deste contexto, é o arejamento maior que se
verifica junto  ao próprio público, que hoje parece
permitir-se gostar de &ldquo;isto e mais aquilo&rdquo;, não se
restringindo apenas a um tipo específico de música, o que se
afigura um bom augúrio. Dito de outra forma, parecem agora ao menos
abrandadas as dicotomias e incompatibilidades que permeavam o campo
da música gaúcha em décadas passadas (que fizeram surgir as
&ldquo;clássicas&rdquo; oposições entre música urbana X rural,
tradicional X universal, de &ldquo;raiz&rdquo; X estrangeirada,
etc.), num processo de maior intercâmbio, e  que,
indiscutivelmente, auxilia no sentido do desenvolvimento de nosso
meio musical. Seja como for, o certo é que a música gaúcha, seja
denominada como típica, nativista, tradicional, gauchesca, etc.,
vem, em sua trajetória sempre ascendente, mostrando grande pujança
e poder de mobilização, dentro de um processo muito rico, tanto no
sentido de resgate das tradições mais ancestrais, como no de
mesclar as tradições com os diversos elementos que vão se agregando
à vida cultural dos gaúchos. </p>
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