<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[musicblog.com.br] diariodorock : <![CDATA[DIÁRIO DO ROCK]]></title>		<link>http://diariodorock.musicblog.com.br</link>		<description><![CDATA[DIÁRIO DO ROCK]]></description>		<language>br</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Fri, 01 Feb 2008 05:30:03 +0200</pubDate>		<item>			<title><![CDATA[NIRVANA]]></title>			<description><![CDATA[<p>BIOGRAFIA NIRVANA ORIGINAL</p>
<p> </p>
<p>O Nirvana foi uma das bandas mais importantes que surgiu nesse
final de século e milênio. Sobre seus méritos
musicais e líricos, isto deve ser avaliado usando-se
critérios pessoais e subjetivos, ficando a cargo de cada um
decidir e formar sua opinião (ficar indiferente é
difícil). Mas sua importância para o mundo do
rock'n'roll, e sua participação no cenário
artístico dessa era que se acaba, isto sim é
inquestionável, podendo-se até dizer, sem medo de
errar, que a banda marcou indelevelmente a história da
música.</p>
<p>O grupo acabou sendo escolhido como o símbolo da
geração grunge, e, da mesma maneira que este
movimento, o seu sucesso foi muito rápido. Mas isso
não significa que a banda tenha tido pouca
repercussão. Muito pelo contrário: foi super
explorada e exposta durante esse período, sendo que dessa
maneira, sua história se confunde com a do próprio
grunge, dadas as semelhança entre suas trajetórias
(vida curta, super exposição na mídia,
descaracterização dos propósitos iniciais,
etc). O final prematuro de ambos é derivado de vários
fatores, sendo que isso dá margem para muita
discussão, discussão esta que fica bem caracterizada
por acontecer entre dois grupos bem distintos: aqueles que acham
que o grunge (e o Nirvana) foi apenas uma moda passageira e
descartável, que teve sorte por ter sido escolhido pela MTV
para ser a "bola da vez"; e os que não vêem dessa
forma, e consideram o movimento como algo válido e com
atitude, e que teve o azar de cair nas malhas do comercialismo
exacerbado que toma conta do cenário musical de hoje em dia
(ainda que, no começo, o movimento tenha sido algo
tipicamente underground).</p>
<p>Kurt Donald Cobain nasceu em 20 de fevereiro de 1967, em
Aberdeen (à aproximadamente 220 quilômetros ao sul de
Seattle), no estado americano de Washington. Devido aos constantes
problemas entre seus pais (um mecânico e uma
secretária, que vieram a se separar definitivamente quando
ele tinha 7 anos), ele morou em vários lugares diferentes, e
desde cedo mostrou-se um garoto muito irriquieto, e com problemas
de saúde que lhe obrigavam a tomar sedativos e outros
remédios (como o Ritalin) para acalmar sua hiperatividade e
fazê-lo concentrar-se na escola. Mas os esforços
quanto aos seus estudos foram em vão, e logo ele se desligou
da vida escolar. Passava grande parte de seu tempo sozinho, ouvindo
música e pintando, na maioria das vezes, na casa de outros
parentes que aceitavam cuidar do garoto-problema. Sua conturbada
infância seria refletida anos mais tarde em várias
músicas que ele compôs para o Nirvana. Assim, ainda
cedo, ele teve contato e se apaixonou pelo rock'n'roll, e ouvia
bandas como Beatles, Monkees, Clash, Kiss, Black Sabbath, Sex
Pistols e Led Zeppelin. Aos 14 anos ganhou uma guitarra de
aniversário, e ficava cada vez mais claro que a vida do
garoto seria sobre algo voltado à música, mais
especificamente, ao rock'n'roll.</p>
<p>Kurt foi crescendo e em sua adolescência acabou
envolvendo-se com a cenário musical underground da
região, onde conheceu e trabalhou com algumas bandas. Entre
elas, o Melvins, um dos mais importantes nomes da região e
que serviu de inspiração para grande parte das bandas
que mais tarde fariam parte do grunge, entre elas, o próprio
Nirvana. O som feito pelo grupo era mais ou menos aquilo que
veríamos mais tarde virar referência em Seattle: algo
entre o punk e o heavy metal. Kurt chegou a formar uma banda
(chamada Fecal Matter) com o baixista do Melvins, Dale Crover, mas
foi o vocalista, Buzz Osbourne, quem lhe apresentou em 1985 o seu
futuro melhor amigo, Krist Novoselic. Foi também Buzz quem
lhe apresentou outras bandas que seriam mais tarde a
influência punk do Nirvana, como Stooges, Black Flag e
Flipper. Meses depois, Kurt e Krist (que também possuia
interesse pelo punk rock) mudam-se para Olympia, atraídos
pelo cenário musical dessa cidade. Lá se tornam
figurinhas fáceis nos shows e bares de rock underground.
Formam sua primeira banda em 1986, chamada Stiff Woodies. Cobain
ficou com a bateria e Krist com o baixo, e os outros instrumentos
ficavam com vários amigos diferentes, que entravam da banda
para logo depois sair. Da mesma maneira que mudavam as
formações, mudava o nome da banda: passaram
também por Skid Row e Sellouts. Durante essas
mudanças, as posições entre os membros
também eram trocadas, e no final de 1986, a banda estava com
Cobain cantando e tocando guitarra, Krist ainda no baixo e Aaron
Burkhart na bateria. Com a saída de Aaron, Chad Channing
assume as baquetas, e a banda troca o nome definitivamente para
Nirvana (título tirado de um dos conceitos chaves da
religião budista ).</p>
<p>O ano de 1986 também foi importante por causa da
criação do selo alternativo Sub Pop, pelos amigos
Jonathan Poneman e Bruce Pavitt, sendo que este último viera
para Seattle ao lado de Kim Thayil, que mais tarde formaria o
Soundgarden. O objetivo do selo era ajudar bandas independentes em
início de carreira, que pipocavam aos montes nesta
região. Seria o responsável por mostrar o Nirvana ao
mundo, pouco tempo depois.</p>
<p>Assim, podemos dizer que o ano de 1987 marca o início da
meteórica carreira do Nirvana. Este início é o
mesmo de todas as bandas saídas do underground: shows e
pequenas apresentações em bares, festas e
universidades locais. Mas já era notável que o trio
tinha algo mais do que as tantas outras bandas que buscavam seu
lugar ao sol. O som produzido por eles já se caracterizava
por ser uma mistura contagiante da agressividade e rebeldia do punk
rock com o peso e energia do metal/hard rock. A banda ainda
não construía as cativantes melodias que mais tarde
viriam a se tornar um dos fatores responsáveis pela
popularização do conjunto ao redor do mundo, mas
já se percebia a facilidade e a criatividade de Kurt em
criar músicas e refrões simples, "pegajosos" e
empolgantes.</p>
<p>O som também era ainda bastante sujo, em
comparação com o que viria depois. Por fim, Kurt se
destacava por seu carisma e letras simples e honestas que escrevia,
com as quais o público jovem que passou a admirá-lo
se identificou imediatamente. Desta maneira, a banda ganhou
notoriedade no underground americano em pouco tempo, ganhando um
público fiel e que iria se tornar mais tarde a
essência dos personagens da cultura grunge, assim como Kurt
Cobain seria eleito o porta-voz dessa geração.</p>
<p>Foi através dessa relativa fama que o produtor Jack
Endino tomou conhecimento da banda. Depois de encontrá-los e
ficarem amigos, ele ajudou-os a produzir algumas fitas demo com as
quais convenceu seu amigo Jonathan Poneman, da Sub Pop, a firmar um
contrato com eles. O primeiro fruto desse contrato foi um single
lançado em dezembro de 1988 com as música "Love Buzz"
(cover de uma banda holandesa chamada Socking Blues) e "Big
Chesse". O lançamento final desse single foi marcado por
alguns problemas (era originalmente para ter sido lançado em
junho) devido às dificuldades financeiras da gravadora.
Apesar de fazer um excepcional trabalho de divulgação
de várias excelentes bandas que não encontravam apoio
nas grandes gravadoras (que sempre vêem com maus olhos
pequenas bandas que podem roubar o lucro certo que elas possuem ao
investir nos grandes nomes mundiais), a Sub Pop continuava a ser um
pequeno selo alternativo e underground, e os problemas financeiros
freqüentemente atrapalhavam os dignos propósitos de
seus fundadores. E acabou não sendo diferente com o Nirvana,
que não só viu o atraso do lançamento de "Love
Buzz", como também teve que aceitar um aumento no
preço final do material, para tentar evitar uma
possível perda de dinheiro investido pela gravadora.
Felizmente, não foi o que aconteceu: o single vendeu bem,
principalmente devido ao fato de o Nirvana já possuir um
público fiel, formado nas famosas e incendiárias
apresentações da banda em Olympia e Seattle.
Empolgada com o sucesso, a Sub Pop resolve arriscar e investir em
um álbum para o trio, além de promover um grande
esquema de divulgação para eles. Por fim, vale
destacar que o single de "Love Buzz" ficou também conhecido
por ter sido o primeiro a fazer parte de uma promoção
especial da Sub Pop, chamada "The Singles Club", que distribuia
singles das bandas de seu cast em formato vinil para os clientes
que assinaram esse serviço e pagavam por isso uma pequena
quantia mensal. Com o dinheiro arrecadado nesse original e
triunfante esquema comercial, a Sub Pop pagou a estadia em Seattle
de um famoso editor inglês da revista "New Music Express". O
objetivo era fazê-lo conhecer a fervilhante cena underground
da região, de maneira que ele a divulga-se lá fora.
Não deu outra: o influente editor, chamado Everett True,
ficou impressionado com bandas como Mudhoney, Nirvana e
Soundgarden, e as fez virar notícia na Europa também.
A partir desse momento, o grunge também passou a receber
atenção por parte da indústria musical e dos
amantes do rock'n'roll que não necessariamente moravam em
Seattle ou arredores. Ainda não era a histeria que viria a
ser na primeira metade da década seguinte, mas o
embrião do sucesso do grunge começou a se desenvolver
aí. As bandas de Seattle passaram a fazer turnês
maiores e começaram a ver seus nomes escritos e reconhecidos
em várias revistas e publicações dos EUA e da
Europa. E o Nirvana desde o começo aparecia como o expoente
desse movimento, a despeito de haverem bandas mais experintes, como
o Soundgarden, Mother Love Bone e o Mudhoney, que já algum
tempo batalhavam no underground em busca do merecido reconhecimento
(e que não demoraria a chegar).</p>
<p>Assim, enquanto o Nirvana continuava em um ritmo alucinante de
shows e apresentações, o grupo começa a pensar
também na gravação de seu primeiro disco,
oferecido pela Sub Pop. A banda também teve apoio financeiro
de Jason Everman (que mais tarde teria uma rápida passagem
como baixista do Soundgarden), que acabou tendo, como agradecimento
por parte da banda, seu nome citado no encarte do álbum como
guitarrista. Na verdade, ele só tocou com o grupo em uma
ocasião: na gravação de um cover do Kiss, a
música "Do You Love Me?", que entrou em um disco tributo aos
caras-pintadas lançado pouco antes da gravação
do primeiro álbum do Nirvana. Este começa
então a ser produzido em 1988, sendo que sua
produção demorou aproximadamente dois meses, à
um custo final de exatos 606,17 dólares. Finalmente, o
álbum intitulado "Bleach" foi lançado em junho de
1989 (a Sub Pop ainda possuia os velhos problemas financeiros que
atrasaram a sua chegada às lojas, apesar de a
situação estar melhorando sensivelmente).
Curiosamente, no encarte, a grafia do primeiro nome de Cobain
aparece como Kurdt. O disco vende cerca de 35.000 cópias e
dá um bom retorno à Sub Pop, confirmando que a cena
local (que logo à seguir convencionaria-se chamar de grunge)
e bandas como o Nirvana estavam chamando cada vez mais
atenção, inclusive das grandes gravadoras.</p>
<p>"Bleach" é um pequeno clássico. Estão
lá as melodias grudentas (ainda que não tão
grudentas), os riffs simples e criativos, a energia punk e os
vocais ensandecidos de Cobain. Tudo ainda bastante tosco e primal.
Vários são os destaques do disco, entre eles, "About
a Girl", "Downer", "Negative Creep", "School" e "Floyd the
Barber".</p>
<p>Durante a turnê de divulgação do
álbum, o fantasma das mudanças no line-up voltam a
assombrar a banda. Chad Channing sai em maio de 1990 alegando
diferenças musicais com os outros dois integrantes, e para
seu lugar inicialmente é chamado Dale Crover do Melvins,
antigo amigo de Kurt. Mas este também não fica muito
tempo, e logo depois quem assume as baquetas é Dan Peters,
do Mudhoney. Na verdade, esses bateristas estavam apenas quabrando
um galho para o Nirvana, enquanto estes não achavam um
baterista definitivo, até por que os dois já tinham
suas bandas para levar adiante. É com Peters na bateria que
o Nirvana grava, ainda em 1990, seu segundo single, chamado
"Sliver", e que além da música-título possuia
também a música "Dive". Gravam também,
juntamente com o produtor Butch Vig (que hoje em dia é o
baterista da banda Garbage e produziu outros clássicos do
rock alternativo, como o disco "Siamese Dream" do Smashing Pumpkins
e "Dirty" do Sonic Youth), um EP chamado "Blew". Este mini-disco
possui seis músicas, entre elas, a primeira versão de
"Smells Like Teen Spirit", que mais tarde se tornaria a
canção de maior sucesso do conjunto (e que teve seu
riff principal copiado de uma música do grupo Boston).
"Blew" saiu em uma edição limitada, o que faz dele
uma raridade hoje em dia. E, em outubro de 1990, eles finalmente
acham um baterista definitivo: é Dave Grohl, que veio da
banda de hardcore Scream.</p>
<p>O Nirvana continuava a sair do anonimato cada vez mais
rapidamente, e depois de finalmente resolver negociar com as
várias grandes gravadoras que assediavam a banda, eles
são aconselhados pelos amigos do Sonic Youth e resolvem
assinar contrato com a DGC (uma divisão da Geffen Records)
em abril de 1991. A Sub Pop também ganhou com a
mudança, afinal, o pequeno selo arrecadou um bom dinheiro
pela rescisão de contrato com o Nirvana, devidamente pago
pela DGC.</p>
<p>De casa nova, a banda entra em estúdio ainda em 1991 para
gravar seu segundo álbum. Novamente com a
produção de Butch Vig, o resultado é
lançado em 24 de setembro do mesmo ano, e é chamado
"Nevermind". O disco conta com uma ótima
produção, que destaca bem as excelentes melodias
criadas por Cobain, além de limpar bastante o som produzido
pelo conjunto, que no final das contas acaba soando mais comercial
e acessível do que em "Bleach". Mas isso tudo sem perder as
virtudes que caracterizaram o Nirvana desde o início: o
disco é recheado de riffs inesquecíveis, belas
letras, músicas agressivas (mostrando que a veia punk da
banda continuava latente), outras pesadas e mais voltadas ao
hardcore, sempre com bases e arranjos simples mas extremamente bem
sacados e criativos, além de mostrar também uma outra
faceta de Cobain: a de compor belíssimas baladas. Enfim,
é uma obra-prima do início ao fim, onde todas as
músicas se destacam. Apontar destaques é
difícil, da mesma maneira que é dificil não se
emocionar com músicas como "Smells Like Teen Spirit"(que
virou o hino do grunge), "In Bloom", "Drain You", "On a Plain" e
"Lounge Act". "Come as You Are" e "Lithiun" viraram hits
radiofônicos de imediato, além, claro, de "Smells Like
Teen Spirit". A citada veia punk fica evidente em "Territorial
Pissings" e "Stay Away". E o lado mais delicado e emotivo de Cobain
nos dá duas pérolas chamadas "Polly" e "Something in
the Way". No final do ano, muitas revistas e a imprensa em geral
não hesitam em eleger "Nevermind" como um dos melhores
discos de rock já lançados.</p>
<p>"Nevermind" acaba sendo um evento quase que único na
história da indústria fonográfica e da
música em geral: o disco, que de acordo com as
previsões iniciais da DGC iria vender aproximadamente
100.000 cópias, atinge hoje o impressionante número
de 10.000.000 de cópias vendidas, e continua a vender
regularmente mesmo depois de quase uma década de seu
lançamento.</p>
<p>Mesmo sem contar com divulgação pela MTV ou
rádio, o disco virou um fenômeno de vendas logo de
início, e ficou durante muito tempo nas paradas de sucesso
(tendo atingido a primeira posição nas paradas
americanas em fevereiro do ano seguinte). O Nirvana tem seu nome
levado à posição de grande
sensação do rock mundial, assim como toda
geração de bandas de Seattle tem seus nomes
reconhecidos e expostos. O grunge vira a moda do momento, e
começa a ser impiedosamente explorado pela mídia,
assim como todas as bandas que faziam parte desse cenário.
Seattle, que antes disso havia dado "apenas" Jimi Hendrix ao mundo,
passa a ser o grande centro das atenções. Kurt Cobain
vê sua vida invadida e seus valores completamente deturpados,
em nome do comercialismo selvagem. Vira um típico (e talvez,
o maior de todos) ícone pop, e seu rosto é estampado
em camisetas, revistas, posters e tudo mais que a indústria
do lucro conseguia inventar. Isso tudo, sem levar em
consideração se o público entendia ou
não a mensagem e o conteúdo, não só do
Nirvana, como também de toda a estética grunge. O
importante era aproveitar o momento e explorar o movimento, uma vez
que uma geração de jovens inteira se identificou de
imediato com a proposta das bandas vindas de Seattle, e, em
especial, do Nirvana.</p>
<p>Aí começam os problemas. Kurt mostra imediatamente
ser incapaz de suportar e ser aquilo em que ele se transformou.
Esse tipo de sucesso o incomodava, e o seus antigos problemas com
as drogas voltam a atrapalhar sua carreira e o seu relacionamento
com as pessoas próximas. Assim como começa a ficar
evidente também a sua tendência a ser depressivo (fato
já facilmente percebido através do conteúdo
lírico do Nirvana), a ponto de ser diagnosticado como
maníaco-depressivo, com fortes tendências suicidas.
Contribui com essa última conclusão o fato de Cobain
possuir uma coleção de armas em casa, e adorar posar
para fotografias com elas, geralmente apontado-as para sua
própria cabeça (sem contar o clip de "Come as You
Are", que fala por si só). Ainda assim, nada atrapalhou a
incrível ascensão do Nirvana, e por volta de 1992,
eles possuiam prestígio e sucesso poucas vezes vistos antes
na história do show-business.</p>
<p>Para muitos, isso não fazia diferença: o Nirvana e
o grunge como um todo eram apenas uma moda passageira e
descartável criada pela MTV, que consegue catapultar quem
quiser para o sucesso. Para esses, a atitude e o conteúdo
lírico do movimento eram algo inexistente, descritos como
"niilismo de boutique". A tal geração X era
simplesmente um monte de pré-adolescentes que
esboçavam uma rebeldia sem causa, apenas para provarem aos
adultos que não eram os jovens mimados, alienados e
fúteis que pareciam ser. Mas para outros, o grunge
significou muito mais do que isso: foi a retomada de valores na
música que estavam esquecidos e ignorados pela mídia
fazia um bom tempo. Música essa que, no início da
década de 90, caracterizava pela quase completa
desvencilhação entre a qualidade lírica e a
qualidade musical propriamente dita. Resumindo: bandas com muita
pose e poucas idéias. Na verdade, conjuntos bons e
inteligentes existiam e sempre vão existir, mas estavam
presos ao underground (aquele mesmo que foi o pano de fundo do
início do Nirvana), e não obtinham apoio o suficiente
para terem seus trabalhos bem divulgados; ou então faziam
parte de uma corrente musical específica com público
específico, como o bom e velho heavy metal. E o que se via e
ouvia era justamente o lixo mais comercial e despretenscioso de
idéias e atitude possível. E aí entra Seattle
e o seu underground, que, talvez em um lance de sorte, ou talvez
por competência e qualidade de seus personagens, acabou indo
além e fez a mídia se arrepender rapidamente dessa
incredulidade com relação a sua validade. Essa
mídia, ao sentir o cheiro de dólares, corre
atrás e consegue se recuperar, e aí estavam Pearl
Jam, Soundgarden, Alice in Chains, Screaming Trees e o
próprio Nirvana ajudando à encher os cofres de todas
as partes envolvidas. Os fatos e bandas estavam aí, cabendo
a cada um decidir sobre os méritos e os deméritos do
grunge enquanto movimento e estilo musical. O seu fim prematuro
serviu para os detratores de Seattle jogar na cara dos apreciadores
o quão vazio e superficial era a idéia toda, afinal,
se não o fosse, não perderia o gás tão
cedo; estes, por sua vez, rebatem - não desprovidos de
razão - dizendo que daqui por diante, em um mundo onde a TV
e os meios de comunicação em massa são os
grandes formadores de opinião, vai ser sempre assim,
ídolos e estilos serão levados do anonimato ao
sucesso em um dia (e vice-versa), à bem entender da vontade
desses grandes tubarões, e independente da qualidade e dos
méritos de seus "produtos". Bom, essa questão pode
ser discutida eternamente, e não é o propósito
desse texto estender isto ainda mais adiante...</p>
<p>A rotina alucinante do Nirvana continuava: shows lotados,
entrevistas, matérias em revistas, em jornais e em programas
de televisão eram o dia-a-dia do trio. A banda não
tinha tempo para descansar e botar as idéias no lugar, uma
vez que tudo aconteceu muito rápido. Muitas vezes faziam
shows em grandes lugares (no Hollywood Rock de 1993 eles tocaram
para 35.000 pessoas), mesmo insatisfeitos com isso, pois preferiam
os pequenos shows e concertos que faziam em início de
carreira. "Em um pequeno ginásio, nossa energia flui melhor"
comentou Dave Grohl, na ocasião do Hollywood Rock. Kurt
mostrava-se com medo de perder aqueles "verdadeiros" e antigos
fãs do início de carreira da banda, nos tempos de
shows em bares e pequenos locais. Algumas
apresentações na televisão americana ficaram
famosas, como a no "Saturday Night Live", onde Cobain e Novoselic
se beijam após a performance da banda. Aparecem
também no "Headbanger's Ball" (um programa da MTV) e
também em um programa da BBC chamado "Top of the Pops", onde
eles dublam "Smells Like Teen Spirit" da maneira mais desleixada (e
hilária) possível. E ainda com relação
aos shows, a banda insiste em não mudar sua imagem, sempre
usando as roupas rasgadas e velhas além de protagonizar as
já costumeiras seções de quebra-quebra de
intrumentos (que também acontecem sem cerimônia nos
programas de TV), herança de um passado não muito
distante como banda underground. No Hollywood Rock de 1993, Kurt
continua a protagonizar atitudes nada convencionais, e choca a
todos ao masturbar-se diante das câmeras. Ele começa a
mostrar-se cada vez mais desequilibrado, não só
mentalmente como também fisicamente.</p>
<p>Fora da música, seu romance com a vocalista do conjunto
Hole, Courtney Love, rendia fofocas e matérias para os
inúmeros tablóides sensacionalistas (e mesmo para
respeitadas revistas e jornais), que não cansavam de
noticiar (e inventar) brigas e quaisquer outros acontecimentos
relacionados à dupla. Eles se casaram em uma cerimônia
realizada no Hawaii em fevereiro de 1992, e anunciaram que estavam
esperando uma filha para agosto. Na imprensa, surgiram boatos de
que Love e Cobain continuavam a consumir heroína e outras
drogas regularmente, mesmo estando ela grávida. Eles negavam
tudo veementemente, apesar dos problemas de saúde de Cobain
ficarem cada vez mais claros, chegando inclusive a obrigar o
Nirvana a cancelar alguns shows.</p>
<p>Isso fez com que algumas instituições de
proteção à criança entrassem com um
processo na justiça de Los Angeles, tentando tirar a futura
guarda da criança do casal, mas sem obter sucesso. Frances
Bean Cobain nasceu com saúde em 18 de agosto de 1992. Um
pouco antes disso, em junho, Kurt confirmara que estava sofrendo de
problemas crônicos no estômago (certamente, causados
pelo constante uso de drogas, desde a infância), tendo sido
inclusive levado à um hospital em Belfast depois de um show
na Europa, pouco tempo atrás.</p>
<p>Com uma família para cuidar, Kurt pareceu acalmar um
pouco, tentando suavizar a rotina de rock-star (ainda que
contrariado). O Nirvana passou a escolher melhor os shows em que se
apresentaria, e passada a euforia inicial, eles tentaram virar um
grupo de rock normal. Devido a impossibilidade de lançar
material inédito ainda em 1992, decidem lançar uma
coletânea de antigas gravações da banda, com
músicas que só saíram em singles, raridades,
demos e lados B, para saciar a grande legião de fãs,
ávida por novidades do grupo. "Incesticide" é um bom
álbum, que mostra um Nirvana mais seco e sujo do que em
"Nevermind", afinal, a maioria das faixas que lá
estão foram produzidas e gravadas no período em que a
banda ainda não estava em uma grande gravadora e não
gozava das facilidades que esta proporciona. Várias
são as faixas que se destacam, entre elas, as contagiantes
"Son of a Gun", "Been a Son" e "Molly's Lips", as diferentes
versões das já conhecidas "Downer", "Sliver", "Dive"
e "Polly" (essa última tocada em ritmo de punk rock, bem
diferente da versão que ficou conhecida no disco
"Nevermind"), além da clássica "Aneurysm", que sempre
foi um dos pontos altos nos shows da banda. Destaque final para a
capa do disco, que é um desenho feito por Kurt quando este
costumava pintar.</p>
<p>Em 1993, a banda volta finalmente aos estúdios para a
gravação de um novo disco. O produtor escolhido foi
Steve Albini e o novo trabalho foi concluído em duas
semanas, durante a primavera americana. Ao mesmo tempo, ficavam
fortes os rumores de que Cobain estava tendo uma nova
recaída, e seus problemas pessoais voltavam a perturbar a
banda. Pouco tempo depois, esses rumores, infelizmente,
começaram a se mostrar verdadeiros: Kurt teve uma overdose
de heroína no dia 2 de maio e só se salvou devido ao
rápido atendimento médico, fato que foi escondido da
imprensa durante um longo tempo; em junho, Courtney Love chamou a
polícia na casa do casal, pois Kurt supostamente estaria
trancado no banheiro com uma de suas armas dizendo que iria se
suicidar; ainda em junho, no final do mês, ele é
vítima de uma nova overdose, em um hotel de New York, antes
de uma apresentação da banda no Roseland Ballroom.
Depois de superar esses acontecimentos, ele aceita se internar em
um centro de recuperação, para ver se consegue se
livrar definitivamente das drogas. Mas Kurt não aguenta
muito tempo e sai desse centro antes de terminar o programa.</p>
<p>A despeito de todos esses problemas, "In Utero" é
lançado em 23 de setembro de 1993. É mais um
excelente disco de Cobain e cia: letras interessantes e pessoais,
riffs e melodias carregados de emoção, belas baladas,
canções transpirando angústia e
indignação, e muita inspiração e
criatividade. O disco tem alguns momentos bem mais raivosos do que
em "Nevermind", como nas extremas "Tourette's", "Milk It",
"Scentless Apprentice" e na mais contida e inspirada "Very Ape".
Possui também seus momentos acessíves e feitos sob
medida para virar hit de rádio, como em "Heart Shaped Box" e
"Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle". "Rape Me"
é endereçada à repórter Lynn
Hirschberg, da revista "Vanity Fair", que foi a primeira a
questionar se Kurt e Courtney seriam bons pais para a pequena
Frances Bean. "Dumb" e "Radio Friendly Unit Shifter" são
músicas com letras bem pessoais, com destaque para a
última que explode em um segundo refrão emocionante e
que poderia muito bem responder sozinho por Kurt Cobain ("Hate your
enemies, save your friends, find a place, speak the truth", grita
ele). "Serve the Servants" está para "In Utero" assim como
"Smells Like Teen Spirit" está para "Nevermind": é a
canção que fala sob a ótica da tão
difamada geração X. "Pennyroal Tea" é uma das
mais belas músicas compostas por Kurt (e que ficaria muito
mais bonita e emocionante na versão acústica tocada
pela banda meses depois). Por fim, "All Apologies" fecha de maneira
enigmática esse excelente disco, onde Kurt se desculpa pelas
coisas não terem acontecido de maneira diferente. Mais duas
considerações sobre "In Utero": vê-se
claramente que o disco está mais sujo e com
produção mais displiscente em certos aspectos do que
em "Nevermind". Na verdade, os instrumentos estão mais altos
e evidentes, e a qualidade da gravação deles
está melhor. Mas a produção como um todo, a
harmonia das músicas, está mais suja e descuidada,
dando a nítida impressão de que foi este mesmo o
objetivo da banda e de Albini: tentar fazer o Nirvana soar como em
início de carreita, talvez como uma resposta para aqueles
que insistiam em dizer que o grupo tinha se vendido ao mainstream e
ao mundo pop. Em várias músicas ouvimos guitarras
distorcidas (isso chega ao limite em "Milk It") e até
barulhos de microfonias e coisas do tipo, resultantes do fato de a
banda ter tocado as canções como se fosse ao vivo,
sem overdubs. Isso é, sem dúvida alguma, um dos
destaques do álbum, apesar da técnica dos
músicos (que nunca foi o grande mérito do grupo,
até pelo contrário) ter sido assim completamente
ignorada aqui: ficou mais valorizada a emoção que o
Nirvana sempre passou em suas composições. Inclusive,
muitos boatos surgiram na época dando conta que a DGC
não tinha ficado nem um pouco satisfeita com isso tudo.
Ainda sim, devido ao prestígio do grupo na gravadora, eles
conseguiram manter essa idéia inicial, cedendo apenas em
remasterizar o disco com o produtor Scott Lit (que já
trabalhou com o REM). Ele deu uma suave limpada no disco, mas no
final das contas, não mudou muita coisa. A
consideração final é acerca das letras que
Kurt escreveu para esse disco, que realmente estão
excelentes, mais maduras e, por vezes, intimistas. Em faixas como
"Serve the Servantes", "Radio Friendly Unit Shifter", "All
Apologies" e "Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle" fica
evidente que não podemos acusar Cobain de toda aquela falta
de conteúdo que assombrava o rock na época em que o
grunge surgiu.</p>
<p>"In Utero" também foi aclamado pela crítica e pelo
público. Obviamente não fez o mesmo sucesso que
"Nevermind", mas de qualquer maneira o Nirvana voltara a ficar em
evidência. A banda parte para mais uma exaustiva turnê
em outubro, contando com a ajuda do guitarrista Pat Smear
(ex-Germs). Eles ainda acham um tempo para gravar um show
acústico para a MTV, em novembro. Esse show foi certamente o
último grande momento da carreira do Nirvana, e, sem
dúvida alguma, um dos melhores: Cobain parece estar no auge
da inspiração para cantar e interpretar, e a banda
toda (juntamente com todos os outros músicos de apoio)
está muito bem.</p>
<p>Esse não foi o primeiro show acústico promovido
pela MTV, mas certamente foi o que popularizou esse tipo de
apresentação, além de ter sido um dos mais
emocionantes. A banda não tocou seus maiores sucessos, mas
soube escolher muito bem as músicas que fariam parte do
repertório, e que acabaram se encaixando perfeitamente no
contexto e nesse tipo de show.</p>
<p>No total foram 6 covers: "The Man Who Sold the World" de David
Bowie, "Jesus Doesn't Want me for a Sunbeam" do Vaselines, "Where
Did You Sleep Last Night" do Leadbelly e "Plateau", "Oh, Me" e
"Lake of Fire" do Meat Puppets. Essa última banda, uma das
que Cobain mais gostava quando jovem, subiu ao palco como
convidada, para tocar suas três músicas. Todas essas
seis canções ficaram excelentes, com
atuações magistrais de Cobain, com destaque para
"Jesus Doesn't Want me for a Sunbeam" e "Plateau", que ficarem
realmente emocionantes. A banda tocou ainda algumas músicas
de seu repertório, como "Come as You Are", "About a Girl",
"Polly" e "Pennyroyal Tea". Essa última pode ser apontada
como o destaque final do disco, uma atuação
belíssima de Kurt, muito emotiva e inspirada. A
música foi toda interpretada por ele, uma vez que ela
precisou apenas de voz e violão. Kurt calou a boca de uma
vez por todas daqueles que falavam que ele não sabia cantar
. Ainda pela MTV, a banda grava um especial de final de ano. O
final de ano que seria o último vivido por Kurt Cobain.</p>
<p>Continuando na estrada, a banda faz seu último show nos
EUA no dia 8 de janeiro de 1994, no Center Arena de Seattle. Depois
de um pequeno descanso, no dia 2 de fevereiro eles partem para uma
turnê européia, que pretendia cobrir vários
países desse continente, entre eles, França,
Portugal, Iugoslávia, Alemanha e Itália. Mas depois
de um show em Roma, na Itália, a banda decide dar um tempo
para mais um descanso, uma vez que Kurt não estava
aguentando a dura rotina de shows e apresentações.
Juntamente com Courtney, ele decide tirar mais umas férias
na própria Itália, para descansar um pouco.</p>
<p>Ele parecia estar cada vez mais fragilizado e doente, e o seu
problema com as drogas o impedia definitivamente de levar uma vida
normal. No dia 4 de março, Courtney Love achou Kurt Cobain
inconsciente em seu quarto, no hotel Rome's Excelsior. Ele acabara
de ter uma overdose de um tranquilizante chamado Rohypnol,
misturado com champagne. A partir daí, a
situação não teria mais volta. A banda tentou
divulgar que esse acontecimento foi apenas um acidente, mas logo
descobriu-se a existência de uma carta de despedida escrita
por Kurt, provando assim que sua vontade era mesmo suicidar-se.
Amigos, empresários, banda, parentes e fãs
mobilizam-se, pois viram que a situação dessa vez era
muito grave. Depois de permanecer em coma por 20 horas, Kurt acorda
e é convencido à voltar para Seattle e ingressar
novamente em um centro de recuperação. Era evidente
que ele precisava de muito repouso e tempo para se recuperar.</p>
<p>Em Seattle, antes ainda de Kurt ingressar no referido centro,
uma outra ocorrência deixa todo mundo ao seu redor alarmado
novamente: no dia 18 de março, ele trancou-se em seu quarto
em sua mansão, novamente com uma arma tirada de sua
coleção e ameaçando matar-se. Mais uma vez o
problema é contornado e finalmente no dia 30 do mesmo
mês ele dá entrada no Exodus Recovery Center, em Los
Angeles, para iniciar um tratamento intensivo visando sua
recuperação. Os médicos desde cedo alertaram
que não seria uma tarefa fácil, tendo em vista que
sua dependência estava muito violenta e seus problemas no
estômago também ajudavam a manter seu organismo muito
fraco e desequilibrado. Mas a situação volta a ficar
complicada mais rápido do que todos esperavam, e dessa vez,
irremediavelmente: aproveitando uma falha imperdoável de
segurança do Exodus Recovery Center, Kurt escapa no dia
seguinte à sua entrada e a partir daí não mais
foi visto. Diz-se que ele passou de 3 a 4 dias perambulando pelas
ruas da cidade tentando achar drogas para consumir, como se fora um
mendigo.</p>
<p>No dia 8 de abril de 1994, um eletricista contratado por
Courtney Love foi na mansão dos Cobains para instalar um
sistema de alarme. Andando pelo subsolo da casa, ele tropeça
em algo, perto de uma mesa. Ao acender a luz, ele percebe que havia
esbarrado em um corpo estirado ao chão, com a cabeça
esfacelada devido provavelmente à um tiro disparado pela
arma que estava caída ao seu lado. Em cima da mesa, uma
carta. De acordo com a perícia médica que logo foi
chamada ao local, Kurt Cobain se suicidara 4 dias antes,
aproximadamente, no dia 4 de abril, mesmo dia em que sua mãe
foi a delegacia declarar seu filho como desaparecido. Em seu
organismo, havia heroína o suficiente para matá-lo
sem que ele necessitasse de um tiro de uma arma de calibre 38 na
cabeça: era apenas uma questão de minutos. De uma vez
por todas, estavam confirmadas todos os diagnósticos que lhe
taxavam como um maníaco-suicida em potencial.</p>
<p>Sua morte abalou o mundo do rock. Centenas de programas
especiais em rádios e televisões prestavam suas
homenagens ao jovem talentoso que não soube levar sua vida e
controlar seus problemas pessoais, de maneira a aproveitar os lados
bons da fama e do sucesso. Muitos o acusaram de egoísmo
(realmente, em um mundo materialista como o nosso, é
difícil entender como alguém que pode ter tudo que
quer na vida seja tão depressivo como Kurt o fora), mas
poucos perceberam que a droga era em seu caso, antes de tudo, uma
doença e uma fraqueza. Isso, misturado à notoriedade
e ao dinheiro (de alguém que nunca quis tê-los),
escreveu o atestado de óbito de Cobain. Muitas pessoas ficam
iradas quando lêem esse tipo de defesa à Kurt Cobain e
a frase que mais usam é algo do tipo: "Ninguém
é obrigado a ficar famoso e aparecer na televisão".
Será? O que matou Kurt foi justamente isso, sua incapacidade
de controlar sua ambição e seu objetivo, não
só causada pelo fato de ele ser dependente químico e
sofrer de depressões mortais e outros desequilíbrios
expostos freqüentemente ao longo desse texto. Também
ajudaram a terminar de maneira trágica a carreira do Nirvana
o fato de tudo ter acontecido muito rápido na
trajetória da banda, e o fato de terem sido escolhidos pela
mídia para serem os porta-vozes de uma
geração. Dificilmente alguém doente e
sensível como Kurt Cobain poderia ter aguentado tal fardo e
evitado se tornar o que ele acabou se tornando, por mais que
não quisesse. Cobain até que tentou negar seguir os
caminhos que o levassem a vender sua rebeldia e estética
para uma multidão de pré-adolescentes que não
entendia nada que ele queria dizer, mas necessitavam de diferentes
ídolos de plástico a cada ano. Mas mesmo lutando
contra tudo isso, a mídia encarregou-se de colocar sua
atitude e imagem em uma embalagem bem agradável e atraente
para a comercialização sem limites.</p>
<p>Kurt Cobain foi alçado a posições ainda
mais altas das que ele já gozava entre seus fãs e
seguidores. Para esses, hoje ele repousa ao lado de Jimi Hendrix,
Jim Morrison e Janis Joplin. Sua morte foi o primeiro passo para o
fim da chamada era grunge. Surgiram teoria absurdas como as que
garantiam que a morte de Cobain fora arquitetada e executada por
Courtney Love, e até pelo FBI. Os detratores de Seattle riam
à toa, dizendo estarem certos desde o início. A aura
mágica de Seattle aos poucos foi se desfazendo até
sumir quase que completamente.</p>
<p>Dave Grohl passou um tempo em silêncio, e hoje em dia
é o guitarrista e vocalista de uma banda de bastante
sucesso, o Foo Fighters, que conta também com o guitarrista
Pat Smear, e já tem três discos lançados: "Foo
Fighters" (lançado em 1995), "The Colour and the Shape" (que
possui uma canção em homenagem à Kurt, chamada
"My Hero") e "Theres Nothing Left To Loose". O som da banda
é parecido com o do Nirvana, com mais pitadas de punk rock e
energia, deixando as melodias tristes e raivosas para trás.
Já Krist Novoseliv ficou mais tempo longe da música
(tempo que aproveitou para participar de várias causas de
cunho social), e apenas em 1997 ele resolveu levar adiante um outro
projeto, bem menos convencional. É a banda Sweet 75, que
conta com uma vocalista venezuelana que canta algumas
músicas em espanhol e músicas bem mais
ecléticas e variadas do que na época de Nirvana. Dave
e Krist lançaram no final de 1994 o disco "Unplugged in New
York", que contém a histórica
apresentação do Nirvana em formato acústico
para a MTV. E em 1996, lançaram um registro ao vivo do
grupo, chamado "The Muddy Banks of the Wishkah", que possui os
maiores sucessos do conjunto tocados em vários shows em
lugares diferentes.</p>
<p>Por muito tempo foi especulado o lançamento de material
inédito do Nirvana, que ainda possui muitas músicas
que não foram lançadas em disco. A maioria delas
circula em mp3 pela internet, mas os fãs ainda aguardam um
lançamento oficial. A idéia inicial de Dave e Krist
era de lançar uma box set, caixa contendo vários cd's
de material inédito. O lançamento esteve nos planos,
Dave e Krist inclusive trabalharam na seleção de
material para que a caixa fosse lançada para coincidir com
os 10 anos de Nevermind, mas uma briga judicial impediu o projeto
fosse adiante. De um lado, Courtney Love, detentora da maior parte
dos direitos sobre as músicas em nome da família
Cobain e de outro Dave e Krist, os remanescentes da banda
discutiram na justiça o futuro da obra do Nirvana. Courtney
não queria a caixa, era favorável num primeiro
momento a uma coletânea contendo os maiores sucessos da banda
e uma única faixa inédita. Através de um
acordo judicial em 2002, ficou decidido que a coletânea seria
lançada primeiro, ainda no final daquele ano. A box set
seria lançada em 2003. Assim surgiu em novembro de 2002 a
coletânea "Nirvana" contendo os maiores sucessos da banda e a
inédita "You Know You're Right", gravada poucos meses antes
da morte de Kurt Cobain em 1994. Na mesma época é
lançado o livro "Journals" baseado nos diários de
Kurt, que vem a somar as biografias "Heavier Than Heaven" e "Come
As You Are" na já fasta bibliografia sobre a banda.</p>
<p> </p>
<p>FOTOS:</p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
]]></description>			<link>http://diariodorock.musicblog.com.br/49449/NIRVANA/</link>			<comments>http://diariodorock.musicblog.com.br/NIRVANA-01022008-051403-lp-49449.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://diariodorock.musicblog.com.br/49449/NIRVANA/</guid>			<pubDate>Fri, 01 Feb 2008 05:14:03 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[IRON MAIDEN]]></title>			<description><![CDATA[<p><strong>Os shows do Iron Maiden são caracterizados por
energia, vibração e volume. Qual o segredo da banda
para shows tão enérgicos?</strong></p>
<p>"Bem, na verdade é um equilíbrio delicado,
já que o show tem que essencialmente focar na música,
e não em um monte de fogos e luzes. Sim, nós fazemos
um espetáculo; acho que isso vem da antiga mentalidade
teatral de mandar a audiência pra casa feliz e meio que
boquiaberta com o que viram".</p>
<p>"Uma coisa que eu não suporto é ver artistas
tocando música altamente energética e simplesmente
olhando para seus sapatos. Não faz sentido pra mim. Mas
nós sempre nos certificamos de não ir muito longe e
deixar que o show seja mais importante que nós; nós
nunca deixamos a atenção do público longe da
banda por muito tempo. O show nunca deve ser maior do que o artista
que está se apresentando, isso prejudica a experiência
musical. Eu não quero me apresentar para uma audiência
que está olhando para uma tela de TV ou alguns fogos de
artifício".</p>
<p><strong>Como vocês superam conflitos de criatividade
quando estão compondo?</strong></p>
<p>"Nós não temos muitos conflitos. Até mesmo
os guitarristas resolvem a maioria das coisas entre si mesmos, e
não há ego entre eles. O processo de
composição é bem democrático
também, no qual todos nós nos reunimos algumas
semanas antes de ir para o estúdio e gravar um álbum
novo. Nós ouvimos as idéias de cada um dos outros e
então juntamos todas as partes para chegar ao resultado
final".</p>
<p><strong>Essa é sua segunda visita à India. O que o
fascina sobre o país?</strong></p>
<p>"A Índia é um lugar enorme, então como
nós simplesmente não podemos fazer uma grande
turnê pelo país, nós queríamos voltar o
mais rápido possível. É simples, se nós
tocamos em um país que ama nossa música, nós
vamos voltar. A Índia é um lugar ativo e vibrante, e
apesar de ser um pouco chocante quando você entra em uma
cultura completamente diferente, eu achei o lugar muito
amigável e o povo muito respeitoso".</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>FOTOS:</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
]]></description>			<link>http://diariodorock.musicblog.com.br/49448/IRON-MAIDEN/</link>			<comments>http://diariodorock.musicblog.com.br/IRON-MAIDEN-01022008-050905-lp-49448.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://diariodorock.musicblog.com.br/49448/IRON-MAIDEN/</guid>			<pubDate>Fri, 01 Feb 2008 05:09:05 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[GUNS ´N ROSES]]></title>			<description><![CDATA[<p>Sobre o fato do passado dos membros da banda pressionar para que
produzam coisas boas, ao mesmo tempo em que também abre mais
portas do que para outra bandas sem esse passado:</p>
<p><strong>Duff</strong>: "Eu acho que nenhum de nós presta
atenção a isso. Eu nunca me senti pressionado para
lançar um disco melhor do que o anterior. É só
manter-se verdadeiro, e se as pessoas gostam, tudo bem. Se
não gostam, tudo bem também. Quando você
começa a tentar fazer da música um produto e
começa a seguir alguma fórmula - e eu sei de bandas
que fazem isso, eles seguem a fórmula do sucesso ao
invés de seguir os seus instintos sobre o que é a
música pra eles - está tudo perdido. Você tem
que primeiramente compor para você mesmo".</p>
<p>Sobre serem capazes de incorporar seu passado na banda:</p>
<p><strong>Duff</strong>: "É melhor do que ter um passado
que você tenta esconder - talvez se eu tivesse sido do WINGER
nós não estaríamos tão aptos a
fazê-lo. Nada contra o WINGER, é claro, mas você
entende. Quer dizer - as músicas que escrevemos no GUNS N'
ROSES são foda, e ótimas de se tocar ao vivo,
então por que não?"</p>
<p>Sobre se os antigos membros do GUNS N' ROSES sentem que Axl Rose
está deixando apagar o incrível legado que eles
deixaram para trás:</p>
<p><strong>Duff</strong>: "Eu nunca prestei atenção
nisso - talvez parte de mim não queira. Provavelmente uma
grande parte de mim não quer. Agora, se o nome da banda
está perdendo o brilho, isso é para os fãs
dizerem. Eu tenho meus sentimentos sobre isso e eu os guardo muito
bem, mas eu espero que um dia Axl e eu possamos pelo menos
conversar e sermos amigos. Porque nós fizemos muito juntos.
Nós fizemos coisas incríveis, e é uma pena.
Ele está sempre falando bobagens, e é meio
patético agora, eu acho".</p>
<p>Sobre a maior mudança que McKagan percebeu na
indústria musical entre os anos 80 e agora:</p>
<p><strong>Duff</strong>: "A maior diferença agora -
principalmente nos últimos sete anos - é que quando o
Guns fazia turnês, era muito mais para promover o disco. Foi
assim desde os anos 50, mas agora com as vendas dos discos caindo
vertiginosamente as bandas estão achando outros meios de se
fazer dinheiro na estrada. Hoje em dia, realmente, o disco é
quase uma propaganda para a turnê. Por isso, as bandas
estão ficando mais espertas em relação a fazer
turnês pelo dinheiro e prestando atenção nas
vendas de merchandise e camisetas e essas porras todas. Fazendo
kits com CDs e camisetas e merdas assim. E agora não
é ruim ter sua música num comercial de TV, filme ou
ringtone - é assim que funciona atualmente. Há dez
anos quem fizesse isto seria considerado como 'vendido!' Hoje em
dia isso não é mais considerado como modinha e tal,
é apenas questão de bom senso. Então, a maior
mudança na indústria musical é que tudo se
tornou muito mais voltado para os negócios. Quase nada mudou
em relação a composição e atitude pra
tocar ao vivo - você se mantém verdadeiro, honesto e o
resto segue".</p>
<p>Sobre ter vivido aventuras incríveis nos últimos
vinte e poucos anos:</p>
<p><strong>Duff</strong>: "Pode crer, cara. Eu gostaria de lembrar
de mais delas. Tem um período entre 90 e 93 que eu
não lembro, mas a maioria do tempo foi ótimo. Estou
vivo pra contar as histórias mesmo, e eu olho pra
trás e sei que foi uma viagem muito boa. Tenho 43 anos
agora, e ainda estou lá e ainda sou visto como uma
proposição semi-viável de músico. E
acho que eu fiz por merecer. Obviamente pra mim o mais divertido
é ter uma família incrível, e ser um pai de
que minhas garotas podem se orgulhar e ser um exemplo pra elas. Pra
mim isso é o mais importante - esse negócio de Rock
é só uma cobertura extra".</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>FOTOS:</p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
]]></description>			<link>http://diariodorock.musicblog.com.br/49447/GUNS-N-ROSES/</link>			<comments>http://diariodorock.musicblog.com.br/GUNS--N-ROSES-01022008-045655-lp-49447.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://diariodorock.musicblog.com.br/49447/GUNS-N-ROSES/</guid>			<pubDate>Fri, 01 Feb 2008 04:56:55 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[VELVET REVOLVER]]></title>			<description><![CDATA[<p> VELVET REVOLVER</p>
<p> </p>
<p>O frontman do VELVET REVOLVER, Scott Weiland, não
compareceu a uma performance do grupo durante o Festival de
Sundance, em Utah, no dia 20 de janeiro. Na ocasião membros
da platéia foram chamados para cantar com a banda e Matt
Sorum chegou a assumir os vocais para uma versão de
"Patience". Duff McKagan cantou "It's So Easy" e "I Wanna Be
Your Dog".</p>
<p>Sobre a ausência de Weiland Duff McKagan comentou mais
tarde à Classic Rock Magazine: "Porque Scott não
estava lá? Scott perdeu o avião. Sim. Vamos dizer que
Scott perdeu o avião...&rdquo;</p>
<p>Sobre os rumores de uma possível volta do STONE TEMPLE
PILOTS, McKagan comentou: &ldquo;É o rumor que tenho ouvido,
também. Bom para Scott. Você não pode planejar
coisas para o futuro neste ramo, e se o fizer, se
desapontará. Não me entenda mal, eu adoro tocar ao
vivo e adoro esta banda, mas eu não tenho mais grandes
expectativas. É uma grande banda e tenho orgulho de fazer
parte dela, mas eu não estou mais restrito a apenas
isso.&rdquo;</p>
<p>Weiland através de sua assessoria posteriormente informou
que o avião em que se dirigia para Utah teve de ser desviado
de sua rota devido a mau-tempo e problemas de visibilidade que
tornariam um pouso em Salt Lake City muito perigoso. O comunicado
é encerrado com a lacônica frase "Sinto muito.
Nós todo sentimos. Quem sabe, talvez isso tenha acontecido
por uma razão."</p>
<p> </p>
<p> </p>
]]></description>			<link>http://diariodorock.musicblog.com.br/49446/VELVET-REVOLVER/</link>			<comments>http://diariodorock.musicblog.com.br/VELVET-REVOLVER-01022008-045120-lp-49446.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://diariodorock.musicblog.com.br/49446/VELVET-REVOLVER/</guid>			<pubDate>Fri, 01 Feb 2008 04:51:20 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[METALLICA]]></title>			<description><![CDATA[<p class="autor"><strong> O ADIAMENTO</strong></p>
<p>O site Stereo Warning revelou hoje que o novo álbum do
METALLICA teria sido adiado para setembro, de acordo com fontes da
própria gravadora do conjunto. O nono álbum de
estúdio do METALLICA, segundo o baterista do grupo, Lars
Ulrich, chegaria às lojas em fevereiro. Logo depois, o
músico disse que o lançamento do CD fora modificado
para abril.</p>
<p>Em recente entrevista à revista Revolver, Ulrich falou
mais a respeito do vindouro trabalho, o primeiro lançamento
de inéditas desde &ldquo;St. Anger&rdquo;, de 2003.
&ldquo;É um material certamente mais dinâmico e muito
mais variado do que nossos últimos
lançamentos&rdquo;, afirmou o baterista. &ldquo;Há
muita luz e sombreado nessas músicas. Há peso,
velocidade, além de muitas mudanças de tempo e
intervalos musicais&rdquo;. Ulrich disse ainda que este novo
álbum tem muito mais a ver com os lançamentos dos
anos 80 do METALLICA do que &ldquo;Load&rdquo; e &ldquo;St.
Anger&rdquo;.</p>
<p>Por outro lado, Ulrich apressa-se em afirmar que o vindouro
trabalho, ainda sem título, não é um retorno
às origens da banda. &ldquo;Detesto ser específico,
porque daqui a seis meses as pessoas vão ficar mais ou menos
assim: &lsquo;Mas que merda! Lars mentiu para nós!'.
Mas é mais ou menos como me sinto&rdquo;.</p>
<p>Por fim, o baterista revelou que o produtor Rick Rubin &mdash;
que trabalha com a banda pela primeira vez, a propósito
&mdash;, queria que o METALLICA utilizasse trabalhos
clássicos como &ldquo;Ride The Lightning&rdquo; e
&ldquo;Master of Puppets&rdquo; como pontos de referência
para as novas canções.</p>
<p>Em tempo: a última vez que o METALLICA passou meses a fio
em um estúdio aconteceu durante as gravações
do &ldquo;Black Álbum&rdquo;...</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>FOTOS:</p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p></p>
<p> </p>
<p> </p>
]]></description>			<link>http://diariodorock.musicblog.com.br/49445/METALLICA/</link>			<comments>http://diariodorock.musicblog.com.br/METALLICA-01022008-042350-lp-49445.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://diariodorock.musicblog.com.br/49445/METALLICA/</guid>			<pubDate>Fri, 01 Feb 2008 04:23:50 +0200</pubDate>		</item>	</channel></rss>