<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://vitorfaria.bloguepessoal.com</title>		<id>http://bloguepessoal.com/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://vitorfaria.bloguepessoal.com/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Conhecer, aprender e evoluir]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://vitorfaria.bloguepessoal.com</uri>		</author>		<updated>2009-11-06T23:59:57+01:00</updated>		<entry>			<title>DEVIA SER PROIBIDO</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Deviam proibir o amor.</p>
<p>Sem apelo nem agravo,</p>
<p>Com firmeza e sem temor.</p>
<p>Porque não há pior,</p>
<p>Malfeitor e vigarista,</p>
<p>Promete mundos e fundos,</p>
<p>Paraísos a perder de vista,</p>
<p>Mordomias benfazejas,</p>
<p>E nunca fala na dor,</p>
<p>Pois sabe que a não desejas.</p>
<p></p>
<p>Ilude-te com a beleza,</p>
<p>Manipula-te com presteza,</p>
<p>E faz de ti escravo,</p>
<p>Sem apelo nem agravo,</p>
<p>Ou vagabundo,</p>
<p>Sem eira nem beira.</p>
<p></p>
<p>Tudo isso faz,</p>
<p>Bem à sua maneira.
<span></span></p>
<p>Suavemente,</p>
<p>Sem te aperceberes,</p>
<p>Do que ele é capaz.</p>
<p>E com muitos sonhos à mistura,</p>
<p>Salpicados de alguma loucura,</p>
<p>É sempre muito eficaz,</p>
<p>Escondendo feitios e
presunções,</p>
<p>Para melhor nos cativar os
corações.</p>
<p></p>
<p>Decididamente,</p>
<p>Deviam proibir o amor.</p>
<p>Bani-lo do convívio do ser
humano,</p>
<p>Deporta-lo para uma ilha
deserta,</p>
<p>Daquelas que a cobiça não
desperta.</p>
<p>E para nosso bom e eterno
descanso,</p>
<p>Deixavam-no levar o desejo,</p>
<p>Eterno companheiro de desdita,</p>
<p>Quantas vezes armado em
prostituto.</p>
<p>Mas não te preocupes, nem faças
fita,</p>
<p>Por ti, minha linda cara
bonita,</p>
<p>Havia eu de inventar
substituto.</p>
<p>Victor Faria</p>
				</div>			</content>			<id>http://vitorfaria.bloguepessoal.com/225107/DEVIA-SER-PROIBIDO/</id>			<link href="http://vitorfaria.bloguepessoal.com/225107/DEVIA-SER-PROIBIDO/" />			<author>				<name>vitorfaria</name>				<uri>http://vitorfaria.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-06T23:58:48+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>EM TOM DE CONVERSA</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Como é costume dizer-se; que venha o mais
pintado dizer que nunca o fez. Refiro-me a ter pensamentos, em
momentos de reflexão, que parecem correr em tom de conversa banal,
digamos que, entre a nossa mente e o nosso espírito.</p>
<p>Quantas vezes, num silêncio que só para os
outros é real, não entabulamos longas conversas com nós próprios,
com perguntas, com respostas e até com discursos, que na maioria
das vezes, não passam de intenções nunca depois
concretizadas?</p>
<p>Creio que todos nós já tivemos momentos
desses.</p>
<p>Para os mais habituados a este tipo de
divagações, será um perfeito diálogo. Para os menos dispostos a
fantasias e a introspecções, será um monólogo dito e repetido com
uma grande dose de tentativa de auto convencimento, quando se
defrontam com temerosas indecisões.</p>
<p>Vem isto a propósito de vos querer contar
um diálogo que tive com uma pessoa, aqui há já alguns anos, sobre
este tema, e que considero interessante como um ponto de vista (que
agora partilho) sobre a diversidade da nossa capacidade de
elaborarmos pensamentos e gerirmos um diálogo em tom de conversa,
com nós próprios, sem que isso signifique um indicador de paranóia
ou inclinação para a loucura.</p>
<p>È evidente que as palavras trocadas, podem
não ser exactamente as proferidas na altura, pois já lá vão mais de
duas dezenas de anos e, esta coisa da memória, é sempre muito
selectiva, normalmente só guarda aquilo que nos choca, nos magoa,
nos diverte ou nos espanta, pelo que não receio ser pouco fiel no
relato do diálogo, naquilo que mais importa. Mas vamos ao diálogo
iniciado por mim, e que começou mais ou menos desta
maneira:</p>
<p>- Em que pensas cardeal?</p>
<p>- Em ti. Meu grande animal!</p>
<p>(risos, trata-se de uma piada habitual
entre os dois)</p>
<p>- Estavas realmente muito
pensativo.</p>
<p>- E vou continuar a seguir a linha do meu
pensamento.</p>
<p>- Não, estás a correr comigo. Ou
estás?</p>
<p>- Não. Posso perfeitamente continuar a
pensar no que estava a pensar, mesmo estando a falar
contigo.</p>
<p>- Tretas! Queres-me convencer que
consegues continuar com uma linha de pensamento que estavas a ter,
mesmo estando a falar comigo. Isso só é possível se não me ligares
nenhuma.</p>
<p>- Enganas-te. Consigo perfeitamente manter
uma conversa contigo sem perder o fio à meada do problema que
estava a tentar resolver mentalmente. Toda a gente o consegue fazer
se treinar um pouco. É fácil.</p>
<p>- Tem paciência! A uma das coisas não vais
de certo ligar o que devias.</p>
<p>- Não! Se treinarmos um pouco, conseguimos
perfeitamente gerir dois pensamentos distintos no nosso cérebro, ao
mesmo tempo. Um absolutamente íntimo e outro compartilhado com
outra pessoa. Repara. Nem sequer é tão difícil assim. Todos nós o
fazemos aqui e ali durante a nossa vida, sem mesmo nos apercebermos
disso. Queres um exemplo? Nunca estiveste a ler um livro e a ouvir
música?</p>
<p>- Claro! Mas isso não é bem a mesma
coisa.</p>
<p>-É! É exactamente a mesma coisa, só que
mais simples.</p>
<p><span></span>- Desculpa lá, mas não me parece,
ouvir música e ler não obriga a uma divisão da nossa atenção assim
tão clara. Creio que a atenção está toda no que lemos e que a
música, embora agradável, não passa de um ruído de
fundo.</p>
<p>- Engano teu. Repara. Quantas vezes não
estás tu a presenciar e a participar numa conversa e, ao mesmo
tempo, a pensar num qualquer problema que te preocupa? E no
entanto, não deixas de saber o que se está a dizer e não deixas de
participar na conversa.</p>
<p>Enquanto ouves, parte da tua mente toma
atenção ao que se diz e a outra parte, continua a envolver-se com
pensamentos que dizem respeito ao problema que te
aflige.</p>
<p>- Ummmmmm...Não sei se será bem
assim.</p>
<p>- Não sabes porque nunca te dedicaste a
pensar no assunto e a treinar a tua mente para isso. Mas se o
fizeres vais ver como tenho razão. E olha que, por vezes é-nos
bastante útil.</p>
<p>- Então diz-me lá uma coisa. Durante esta
conversa conseguis-te continuar o pensamento que estavas a
desenvolver quando te interrompi?</p>
<p>- Só enquanto foste tu a falar. Quando era
eu, fazia uma pausa.</p>
<p></p>
<p>E foi assim que esta história de poder
falar comigo mesmo, em tom de conversa, começou. Garanto-vos de que
tudo o que aquele amigo me disse é perfeitamente possível. Há,
evidentemente, ligeiras nuances que variam de pessoa para pessoa.
Por exemplo; uma pessoa que não goste muito de pensar, meditar e
fazer um esforço para disciplinar a sua mente, dificilmente
consegue gerir uma situação de necessidade de dividir a sua atenção
e os seus pensamentos. Enquanto aquelas que gostam de testar e
aproveitar todas as suas capacidades até ao limite, não têm
qualquer dificuldade em faze-lo.</p>
<p>Agora a minha habitual curiosidade fica à
espera da vossa reacção a este texto.</p>
<p>Ah! Só para acentuar, enquanto o escrevia,
continuei a pensar, apesar de algumas interrupções a que tive de
dar atenção, que quando acabarem de o lerem, vão dar por mal
empregado o tempo gasto e dizerem para com os vossos
botões:</p>
<p>- Este gajo tem cada uma!</p>
<p></p>
<p>Victor Faria <span></span><span></span><span></span><span></span><span></span><span></span><span></span><span></span></p>
				</div>			</content>			<id>http://vitorfaria.bloguepessoal.com/225097/EM-TOM-DE-CONVERSA/</id>			<link href="http://vitorfaria.bloguepessoal.com/225097/EM-TOM-DE-CONVERSA/" />			<author>				<name>vitorfaria</name>				<uri>http://vitorfaria.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-06T23:18:31+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>UTOPIAS</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Se meus sonhos fossem simples
realidades,</p>
<p>E, em vez de ilusórias
mentiras, fossem verdades,</p>
<p>A minha vida não seria um
arquivo de utopias.</p>
<p></p>
<p>Não teria uma alma cheia de
penas pesadas,</p>
<p>De baixo de um peso de ilusões
amarfanhadas,</p>
<p>Que se vão armazenando no pó
de todos os dias.</p>
<p></p>
<p>Mas, como não sou capaz de
deixar de sonhar,</p>
<p>Mesmo ferido e carente por ver
um sonho terminar,</p>
<p>Logo outro deixo, de mansinho,
tomar o seu lugar.</p>
<p></p>
<p>E nesta constante troca de
desenganos por esperanças,</p>
<p>Mesmo com a alma gritando, que
assim não avanças,</p>
<p>As minhas loucas utopias nunca
deixo de guardar.</p>
<p></p>
<p>Mas de uma vida criada na
maravilhosa ideia louca,</p>
<p>Que as imagens construídas
sobre tanta coisa pouca,</p>
<p>Dão a ilusória sensação de
verdadeira realidade,</p>
<p></p>
<p>Restar-me-á sempre o sorriso
que esboço ao acordar,</p>
<p>Da ilusão de uma luta perdida
só por querer tentar,</p>
<p>Trazer a esta minha vida uma
outra de verdade.</p>
<p><span></span><span></span></p>
<p>No dia em que as minhas
utopias deixarem de o ser,</p>
<p>Não por realidades serem, mas
por sonhar já não poder,</p>
<p>É sinal que talvez a última
utopia esteja para acontecer.</p>
<p></p>
<p>Victor Faria</p>
				</div>			</content>			<id>http://vitorfaria.bloguepessoal.com/224964/UTOPIAS/</id>			<link href="http://vitorfaria.bloguepessoal.com/224964/UTOPIAS/" />			<author>				<name>vitorfaria</name>				<uri>http://vitorfaria.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-06T15:49:07+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>MOMENTO ESPERADO</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span>
Aquele simplesestranho
efatal,</span></p>
<p><span>
Em que levantei o olhar sem intenção
final,</span></p>
<p><span>
Apenas para te ver passar pela primeira
vez.</span></p>
<p><span>
Abriu um novo espaço de vida na minha
vida,</span></p>
<p><span>
Que nunca mais voltou a ser gerida e
vivida,</span></p>
<p><span>
Do mesmo modo vazio de inteira
pequenez.</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>
E não foi o teu olhar o mais
culpado,</span></p>
<p><span>
Porque passaste e nem olhaste para o
lado,</span></p>
<p><span>
Onde dois olhos te seguiam espantados.</span>				</div>			</content>			<id>http://vitorfaria.bloguepessoal.com/224886/MOMENTO-ESPERADO/</id>			<link href="http://vitorfaria.bloguepessoal.com/224886/MOMENTO-ESPERADO/" />			<author>				<name>vitorfaria</name>				<uri>http://vitorfaria.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-06T00:35:34+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>O QUE GUARDAMOS</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Hoje fui assistir aos trabalhos para o
levantamento das ossadas de um amigo falecido há já alguns anos.
Infelizmente, a conclusão do pretendido não foi possível, porque o
corpo ainda não apresentava as condições necessárias para o
efeito.</p>
<p>Devo dizer-vos, que não é uma situação
agradável assistir a tal trabalho, e muito menos que se encare como
um acto para satisfazer uma mera curiosidade, o que não era o meu
caso. No entanto, a amizade que me une aos familiares e a que me
unia ao falecido, falou mais alto e lá estive junto deles, porque
sempre achei que é nestas alturas mais difíceis que o nosso apoio e
presença mais é necessária junto das pessoas amigas.</p>
<p>Enquanto observava o coveiro a reabrir o
túmulo, atirando com cadenciadas pazadas de terra para dois montes
distintos, ao mesmo tempo que a cova ia ganhando aquela forma que
sempre nos impressiona interiormente, e alguns pedaços de madeira
apodrecida, iam sendo atirados para um outro monte, alguns
pensamentos me assaltaram. E um deles, bem mais se impunha aos
restantes e voltava sempre à minha mente, por muito que o quisesse
afastar:</p>
<p>- Afinal tudo o que é físico, acaba assim.
Debaixo dos famosos sete palmos de terra.</p>
<p>Depois, uma série de perguntas, para as
quais encontrava sempre a mesma resposta.</p>
<p>Para quê então querer ter tantas
coisas?</p>
<p>De que valem elas quando nos colocam numa
cova igual àquela?</p>
<p>Para quê tanta cobiça do que não se
tem?</p>
<p>Para que tanto mal em nome do direito a
ter?</p>
<p>E a resposta inevitável era sempre a
mesma: - Para nada. Absolutamente para nada.</p>
<p>E a inutilidade das vidas quase
exclusivamente viradas à posse de bens materiais, ficou-me mais uma
vez bem evidente, nos pensamentos que me violentavam ainda mais o
momento triste que presenciava.</p>
<p>Nada como a presença da morte, para nos
obrigar a apreciar a vida.</p>
<p>Nada como as figuras mais relacionadas com
a morte, para nos acordar do sonho louco que nos leva a
imaginar-nos eternos.</p>
<p>Costumo dizer que da porta do cemitério
para dentro, algo nos chama à realidade, que nos apraz esquecer
assim que transpomos a mesma porta no sentido inverso, procurando
esquecer, que um dia, voltaremos lá, mas para ficar.</p>
<p>Devo dizer que me assusta o sofrimento,
não a morte. Será por uma questão de convicção íntima, mas é assim
que eu penso. A morte è apenas a passagem para um novo
recomeço.</p>
<p>É verdade que o corpo cá fica. Pela
simples razão de que já não é importante. Já não passa de uma velha
carruagem que nos serviu de transporte durante uma vida, já não faz
parte de nós, já não sofre, não sente e não precisa de
nada.</p>
<p>Então, para quê todas estas pesadas e
dolorosas cerimónias que envolvem o corpo após a sua
morte?</p>
<p>Dirão que é uma tradição, que é uma
questão de cultura, que é uma forma de homenagem, que é uma maneira
de tentarmos continuar com algo de alguém que já partiu, que é até
uma maneira de nos penitenciarmos pelo que não fizemos à pessoa em
vida.</p>
<p>Será. Será até uma forma de evidenciarmos
a nossa vaidade. Basta ver a forma exuberante como algumas campas
são ornamentadas. Às vezes, quando ouço uma frase como esta: - Fui
à campa do meu...Fiz isto e fiz aquilo, comprei isto e aquilo
para lá pôr.  Sinto que há ali uma necessidade de essas
pessoas serem elogiadas e de saberem que toda a gente sabe que elas
cuidam das campas dos seus familiares, com todo o cuidado, para não
dizer pompa e circunstância.</p>
<p>A cremação e a sua aceitação como prática
adequada, vai conquistando adeptos, mas creio que levará algumas
gerações, até se tornar prática normal e única. Sei que as pessoas
precisam das campas das pessoas que amaram, porque isso as faz
sentir como se o elo que as ligava aos defuntos, não se tivesse
quebrado totalmente. Mas não creio que uma urna com cinzas, não
possa assumir o mesmo papel.</p>
<p>Uma coisa eu sei.
Estas práticas, como as que hoje assisti, são dolorosas e muito
pouco higiénicas. E, mesmo quando correm bem, o que passamos a ter
é uma pequena urna, guardada numa gaveta de pedra, com ossadas às
quais roubamos o direito a serem pó e retomarem o seu ciclo no
Universo através da comunhão com a Natureza. <span></span></p>
<p>Dos mortos o que verdadeiramente guardamos
são recordações, sentimentos e saudades. Tudo o resto, que
materialmente possamos guardar, podemos ter a certeza que também
não nos acompanhará para os sete palmos de terra que nos estão
destinados.</p>
<p>Hoje, quando saí daquele cemitério, levava
comigo a recordação do sorriso do meu amigo. Mais tarde, achei que
essa recordação foi bem mais importante que o acto a que fui
assistir.</p>
<p></p>
<p>Victor Faria</p>
				</div>			</content>			<id>http://vitorfaria.bloguepessoal.com/224579/O-QUE-GUARDAMOS/</id>			<link href="http://vitorfaria.bloguepessoal.com/224579/O-QUE-GUARDAMOS/" />			<author>				<name>vitorfaria</name>				<uri>http://vitorfaria.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-05T00:26:16+01:00</updated>		</entry></feed>