<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://tocatone.bloguepessoal.com</title>		<id>http://bloguepessoal.com/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://tocatone.bloguepessoal.com/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Toca Tone !! - Não toco que tenho areia na sapatilha !!!]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://tocatone.bloguepessoal.com</uri>		</author>		<updated>2009-01-13T15:36:35+01:00</updated>		<entry>			<title>O Farol</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span>O Farol assenta
sobre um promontório verde onde o pinho manso é senhor. Três
carreiros levam da laje onde assenta o betão do senhor luminoso,
até à areia fina da praia. Aqui e além, pintas de verde esmaecido a
cruzar para o castanho. O Outono vai longo e não é poupado na
distribuição do seu sopro. Da vida nasce vida com o sacrifício de
uma para germinar a outra.</span></p>
<p><span>Questionam o porquê de Farol com
letra maiúscula. O Farol é como que ser vivo. Inspira os vapores
dos nevoeiros do ocaso e expira num som cortante. Tem na sua
garganta uma sirene de serração que pretende afastar os barcos que
lá vão rasgando a água cinzenta. Nas noites, perscruta com o seu
olho gigante, avisando os pilotos das embarcações de que não os
quer por perto. O Farol é um ser solitário que não quer ninguém por
perto. O Farol é solitário. O faroleiro é um homem só.</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://tocatone.bloguepessoal.com/119003/O-Farol/</id>			<link href="http://tocatone.bloguepessoal.com/119003/O-Farol/" />			<author>				<name>tocatone</name>				<uri>http://tocatone.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-01-11T14:09:02+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>A Noiva do Faroleiro  ( Por Tozé Mesquita - pra começar )</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>A Noiva do
Faroleiro</p>
<p>Conheci-o na enfermaria
de cirurgia do quarto piso do então Hospital de Viana do Castelo.
Ancião de brancas cãs, afável, de sorriso tímido na expressão de um
rosto sem idade emoldurado pela alva lanugem da barba
rala.<span></span> Américo
era a sua graça. Assim o soube pela boca da moça da bata azul
encarregue pela higiene da enfermaria, que não se coibia de palrar,
alto e bom som, sobre o estado clínico dos pretensos enfermos
albergados entre as inexpressivas paredes brancas. O ancião padecia
do mal da cor, a pele pintada do amarelo triste da icterícia,
doença de entranhas, fígado ou outra qualquer víscera avariada.
Assim o julgava eu nos meus conhecimentos médicos de quarta classe.
Jamais suspeitaria que o Américo estivesse doente da alma, nem tão
pouco sabia que a alma podia adoecer nesses então meus vinte anos
estabanados. Nesse tempo, eu sofri uma intervenção médica designada
por extração de quisto saco-coccígeno. Grande
palavrão para designar o que nos ficou da cauda dos nossos
antepassados primatas. Uma operação revestida de simplicidade para
os cirurgiões, o cabo dos trabalhos e das tormentas para o
coccígenado. O curativo era uma autêntica sessão de tortura com os
enfermeiros por algozes. Tira compressa, mete compressa mas sempre
devagar pois a coisa tinha que ser bem feita para que da carne viva
nascesse mais viva carne que tapasse a loca. A minha carne a ser
retalhada por instrumentos pontiagudos e rubicundos e eu barregava.
Como barrega o bezerro à vista da faca do magarefe. Barregava o
quanto podiam os meus pulmões e ninguém ficava imune à gritaria que
ecoava pelo corredor comprido da enfermaria. No regresso do quarto
curativo, cambaleante mas eufórico pela adrenalina e mais ainda
pelo éter, encontrei o Américo sentado de costas para a janela, a
mirar a entrada do quarto como se esperasse alguém que ele sabia
que <span></span>viria. Ou então,
alguém que certamente já lá estava sem eu dar por isso.</p>
<p>-Então senhor Américo,
que tal vai isso ?</p>
<p>- Isto não vai rapaz,
não vai nada para nenhures, agora, só levado como carrego de
estivador.</p>
<p>E virou-se para a janela
pondo termo à conversa de forma pouco cortês mas decisiva, enquanto
eu enterrava a cabeça entre os enormes auscultadores do meu leitor
de cassetes.</p>
<p>Nessa tarde, quando saí
para a enfermaria da ortopedia para fumar um cigarro, Américo
aproveitou a intimidade do quarto só para si e, na penumbra das
persianas corridas, entregou a alma a quem esperava ou sempre
esteve e o corpo aos abutres que agora vestiam fato e gravata e
conduziam carrinhas negras de vidros fumados.</p>
<p>Foi assim que conheci,
ainda que fugazmente esse de quem vamos tratar nas poucas páginas
seguintes.</p>
				</div>			</content>			<id>http://tocatone.bloguepessoal.com/114779/A-Noiva-do-Faroleiro-Por-Toze-Mesquita-pra-comecar/</id>			<link href="http://tocatone.bloguepessoal.com/114779/A-Noiva-do-Faroleiro-Por-Toze-Mesquita-pra-comecar/" />			<author>				<name>tocatone</name>				<uri>http://tocatone.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2008-12-24T18:55:43+01:00</updated>		</entry></feed>