<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://samuca.bloguepessoal.com</title>		<id>http://bloguepessoal.com/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://samuca.bloguepessoal.com/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Delirios]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://samuca.bloguepessoal.com</uri>		</author>		<updated>2009-11-18T13:44:19+01:00</updated>		<entry>			<title>4</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span>
plumagem macia e sedosa. Um pouco barriguda para o
meu gosto, e ainda por cima, tem um mau feitio que a vai acompanhar
para o resto da vida. De início pensei que era só comigo, mas tem a
mesma reacção com a Dixie e com a Paloma.</span></p>
<p><span>
A Dixie é uma menina pretinha muito bonita, sempre
pronta para a brincadeira. O tempo passa e ela tem a mesma energia
e vivacidade que tinha quando era criança. Nunca sei quando está a
brincar e quando não está.</span></p>
<p><span>
A Paloma é um caso de sucesso, quando vi esta menina
pela primeira vez, fiquei impressionado.</span></p>
<p><span>
Tinha um aspecto horrível, estava muito magra, com
parasitas que passeavam no pêlo gasto, sujo e queimado. O primeiro
banho lavou-lhe a alma, transmitiu-lhe coragem e determinação. O
pêlo ficou um pouco melhor, mas os parasitas persistiam e os olhos
tinham um aspecto invulgar. Impressionava todos os bípedes que
passavam em casa, até os mais desatentos. A Princesa passava horas
a tratá-la, tentando travar as complicações de saúde que carregava.
Fardo demasiado pesado para uma criatura tão frágil, de tenra
idade, indefesa e sozinha no mundo, entregue a si própria. A
satisfação floria no seu semblante quando recebia os carinhos da
Princesa, não conseguindo disfarçar a confusão que o estado de
saúde lhe provocava. Se tentava limpar uma ferida lambendo-a
cuidadosamente. Um parasita cravava-lhe as garras no corpo,
deixando-a contorcida com dores.</span></p>
<p><span>
Nunca cheguei a perceber se era um parasita interno
ou externo, porque a dada altura já não se viam parasitas, mas as
queixas continuavam.</span></p>
<p><span>
Recordo uma parte da bíblia, esse livro que serve de
suporte a varias religiões. O desenrolar da vida de certo cervo de
Deus que perdeu a sua fortuna, a família e ficou com uma chaga que
se alastrou a todo o corpo. Ficava o dia inteiro a coçar o corpo
com um caco, o único bem que lhe restava.</span></p>
<p><span>
A Paloma não tem mãos para pegar no caco para se
coçar, nem inteligência para controlar e suportar as dores, parecia
que ia sucumbir ao peso do fardo.</span></p>
<p><span>
Também conheço as histórias da bíblia, sou um gato
esperto. Os gatos adquirem conhecimento. Só os Bípedes desconhecem
a nossa evolução.</span></p>
<p><span>
São criaturas muito complicadas, a inteligência
diz-lhes que a felicidade depende de inúmeros factores. Sou
irracional, mas já percebi que a inteligência é inimiga da
felicidade. A felicidade é o sinónimo de complexidade. O antónimo
de felicidade é inteligência. Com esta conversa toda já me sinto
inteligente. Apesar de andar de quatro, gosto de ler e de me manter
informado. Se não fosse assim, não podia contar as minhas
peripécias e tocar nos assuntos que estão na actualidade dos
bípedes.</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://samuca.bloguepessoal.com/227686/4/</id>			<link href="http://samuca.bloguepessoal.com/227686/4/" />			<author>				<name>samuca</name>				<uri>http://samuca.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-17T13:20:18+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>3</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span>
dores de barriga de tanto rir. A Princesa pega em
mim ao colo para me trazer para dentro, é disso que fico à
espera.</span></p>
<p><span></span></p>
<p><span></span></p>
<p>
<span>II</span></p>
<p><span></span></p>
<p><span></span></p>
<p><span>
Uma bela altura estava no meu sossego e reparei num
movimento anormal, diferente. Não tardou muito a ver o Embasbacado
e a Princesa com dois penduras. Fiquei preocupado, ele não tinha o
menor jeito para cuidar dos meus amiguinhos, era aquilo a que
vulgarmente chamamos de desajeitado nato. Um bípede com muita
vontade de ajudar, no entanto não sabe muito bem como pode e deve
fazer.</span></p>
<p><span>
Fiquei surpreendido com a sua entrega, a dificuldade
era evidente, a delicadeza morava um pouco longe dos cuidados que
devia ter. No dia seguinte lá estava de novo, apto e decidido a
dedicar parte do seu dia para ajudar os meus amiguinhos, pelo meio
choviam umas carícias para mim. O esforço que empregava para
aprender a tocar-me era evidente, no entanto o peso da sua enorme
mão, fazia-me lembrar a chuva a bater nos vidros das janelas da
sala empurrada pelo vento.</span></p>
<p><span>
Falei na sala como poderia ter falado do quarto,
cozinha ou outra divisão, sempre tive total liberdade para
deambular por toda a casa. Gosto de ficar ao sol nas janelas da
sala ou do quarto pela manhã, depende da temperatura. Esse sol,
para mim, tem a mesma função da lareira que a Princesa usa, com uma
diferença, fico quente e não gasto lenha.</span></p>
<p><span>
Das janelas consigo ver o rodopiar das estações do
ano. Quando chega a Primavera, vejo as flores a despontar nas
árvores e nos jardins que ficam do outro lado de uma coisa que eles
chamam de estrada ou arruamento. Onde passam a todo o momento
aquelas outras coisas, chamam-lhe carros e deslizam sobre rodas. Os
carros são objectos estranhos que eles conseguem manipular para se
deslocarem de um lugar para outro. Voltando à janela, vejo que a
Primavera já passou. Os dias ficam mais longos, são dias de sol
acompanhados de muito calor. Nesses dias prefiro o meu banho de sol
matinal em cima da cama, fico mais longe do seu calor e comodamente
instalado. Estamos no Verão, aproveito para descansar nesta estação
do ano. A seguir ao almoço dos bípedes o calor torna-se
insuportável, apropriado para relaxar e curtir uma boa soneca. Os
dias seguem o seu ritmo normal e chega a altura em que as folhas
ficam amareladas, acastanhadas e alaranjadas e vão caindo. O tempo
fica mais fresco, o ritmo é o mesmo da primavera, ou seja, o sol
sabe melhor nas janelas da sala. As cores do Outono são bem
diferentes das da Primavera, dizem que anunciam a morte. Por essa
altura caem as primeiras chuvas e os dias ficam mais frios. Quando
chega o Inverno, o frio aperta, torna-se mais agreste, tem alturas
que chega até os ossos. Existem dias em que o sol não aparece,
nesses dias, também fico contente quando acendem a lareira. É quase
sempre ao fim do dia, a sala fica com uma temperatura agradável,
mesmo assim, prescindir do calor e do conforto da cama da Princesa
para dormir, seria uma atitude pouco inteligente.</span></p>
<p><span>
Alguns amigos que fazem parte da família optam por ficar colados ao
calor da lareira para dormir. A Lais podia fazer o favor de ficar
por lá todos os dias. Gosto dela, é dona de uma beleza única, uma
cinza tigrada com uma</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://samuca.bloguepessoal.com/227099/3/</id>			<link href="http://samuca.bloguepessoal.com/227099/3/" />			<author>				<name>samuca</name>				<uri>http://samuca.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-18T13:44:03+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>2</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>
<span>I</span></p>
<p><span></span></p>
<p><span></span></p>
<p><span>
Os bípedes são animais complicados, têm tudo o que
precisam ao seu alcance para atingir o estado de felicidade, se não
o conseguem é por culpa própria. Os animais irracionais (como eu)
dependem dos bípedes para atingir o estado de felicidade. A atitude
que eles têm para com o meio que os rodeia, influencia directa e
indirectamente todos os meus amigos.</span></p>
<p><span>
Não tenho um conhecimento real e profundo das
situações que afectam os amigos da minha espécie. Mas sou um
irracional atento, que se preocupa com o bem-estar de todos,
procuro manter-me minimamente informado para poder usar o meu
sentido crítico. Segundo o que vou escutando e vendo nas pesquisas
que o Embasbacado e a Princesa fazem na net, nos penduras que
passam por casa, existem muitos amigos que não têm a mesma sorte
que eu tive, e tenho. Vivem na rua, comem o pouco que encontram,
que lhes pode fazer muito mal, em alguns casos até pode provocar a
morte.</span></p>
<p><span>
A minha Princesa é uma menina fantástica, o
Embasbacado, um amigo leal. A Princesa foi o bípede que ficou
comigo. Já vivemos momentos difíceis e momentos de grande alegria,
em todos eles senti o seu apoio e dedicação incondicional. Não é
para me gabar, provavelmente até estou a gabar todos os amigos da
minha espécie. Sim..., porque ela toma uma postura irracional
quando se trata de ajudar um dos meus amigos. Salta muros, sobe por
terrenos escarpados, anda pelo meio da vegetação que lhe provoca
alergias. Sempre com o intuito de salvar um irracional. Silvestre é
muito paciente, sabe que o comportamento dos bípedes desperta-nos o
medo, e nós, os gatos, escondemo-nos. Ela é capaz de ficar horas,
esperando um amigo mais teimoso, que tem medo de ser salvo. Quando
atinge o seu objectivo, trá-los para casa.</span></p>
<p><span>
Transforma-se numa verdadeira mãe, enfermeira,
companheira das brincadeiras. Cuida deles com todo o carinho, até
lhes arranjar pais adoptivos. É um bípede um pouco diferente dos
demais.</span></p>
<p><span>
Em determinada altura da vida, vivemos sozinhos, os
laços afectivos ficaram mais fortes, éramos só nós, tinha direito a
mais carinho, tempos em que existiu uma troca constante de ternura,
momentos fantásticos.</span></p>
<p><span>
Passaram-se anos ou meses. Não liguem muito ao
pormenor do tempo, tenho muita dificuldade em reconhecer os dias,
as horas, os meses. Se os menciono, é porque o Embasbacado assim o
entende, é ele que articula esses pormenores. Para mim existe tempo
simplesmente, tempo com luz e tempo sem luz, e a vida é construída
nesse sentido. Sem a preocupação do tempo que a tristeza, a alegria
e a felicidade possam ter.</span></p>
<p><span>
Quando conheci o Embasbacado, que na altura era mais
desajeitado. A postura que tive com ele foi de autoridade e
desconfiança. Aproveitei o facto dele ter medo da minha presença,
notei no primeiro contacto que tivemos, posso dizer que usei essa
arma durante muito tempo.</span></p>
<p><span>
Nos primeiros dias foi engraçado, o medo que tinha. Ele já sabia
que gosto de sair sempre que a porta abre, seja para entrar ou sair
alguém. Gosto de marcar todos os cantos do corredor com o meu odor,
e espero. São breves momentos de recreio que me concedem. Na
altura, o medo dele era tanto..., que usava o tapete da
entrada para me encaminhar para dentro de casa, eu ficava
com</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://samuca.bloguepessoal.com/225537/2/</id>			<link href="http://samuca.bloguepessoal.com/225537/2/" />			<author>				<name>samuca</name>				<uri>http://samuca.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-08T20:39:19+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Esquecido e Descrente</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span>
Esquecido das conquistas</span></p>
<p><span>
das viagens dos navegadores</span></p>
<p><span>
voa um país descrente</span></p>
<p><span>
com a sociedade doente</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>
País, povo desunido, junta-se</span></p>
<p><span>
a tua honre em Lisboa, num</span></p>
<p><span>
edifício lavado, onde a</span></p>
<p><span>
vergonha já não mora</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>
Vive a mentira que domina,</span></p>
<p><span>
a justiça é uma miragem, a</span></p>
<p><span>
influência é uma poderosa arma</span></p>
<p><span>
usada a preceito e com perícia</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>
A verdade esgueirou-se, caiu</span></p>
<p><span>
no buraco da desonestidade,</span></p>
<p><span>
obra dos humoristas da nação</span></p>
<p><span>
que desacreditam a sociedade</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>
Vai sentada a sociedade, nos heróis</span></p>
<p><span>
sem brilho, senhores de biografias ocas,</span></p>
<p><span>
com conquistas triviais, movimentando</span></p>
<p><span>
massas, engordando os jornais</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>
Os investigadores, os cientistas</span></p>
<p><span>
não têm valor nem crista, apenas</span></p>
<p><span>
trabalho, abundante conhecimento e</span></p>
<p><span>
muita simplicidade, que não pede notícia</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>
esquecida das conquistas</span></p>
<p><span>
das viagens dos navegadores</span></p>
<p><span>
das epopeias e cantigas dos</span></p>
<p><span>
incorruptíveis sonhadores</span></p>
<p><span>
voa um país descrente</span></p>
<p><span>
com a sociedade doente</span></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://samuca.bloguepessoal.com/224420/Esquecido-e-Descrente/</id>			<link href="http://samuca.bloguepessoal.com/224420/Esquecido-e-Descrente/" />			<author>				<name>samuca</name>				<uri>http://samuca.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-04T14:08:23+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>1</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>
<span>
Introdução</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>
Na minha cidade, os bípedes gostam de uma história,
que os faça rir ou chorar baba e ranho, assim sendo, estou certo de
que pelo menos os bem-humorados, e os choramingas e ranhosos,
vão-se interessar pela minha história.</span></p>
<p><span>
Não é a primeira contada pelo próprio herói, sendo
ele um ser irracional. É a primeira em que o herói, um irracional,
fala com um Bípede. Não se riam das minhas palavras, leiam a
história e no final tirem as conclusões necessárias e vão ver que
tenho razão. Ainda não cheguei às salas de cinema, nem às
livrarias, nem percorri o mundo como o Marley.</span></p>
<p><span>
Nunca conheci uma biblioteca, nunca lidei com
público, mas se me permitem, sou tão inteligente como o meu amigo
Dewey, sei saltar correr, e também gosto de elásticos, que já não
se encontram há muito tempo cá por casa.</span></p>
<p><span>
Podem ter certeza que todas as pessoas que me
conheceram ficaram com o impacto daquele momento, a minha presença
impõem respeito. Depois de todos conhecerem a minha história, estou
certo que vão chover telefonemas e pessoas a perguntar, quem é o
Massimo? Posso pedir um autógrafo? Nessa altura a minha Princesa já
disponibilizou uma almofada, que vou usar para satisfazer o meu
público.</span></p>
<p><span>
Não toquei o mundo, não movimentei massas (ainda),
mas consegui um grande feito.</span></p>
<p><span>
Escrevi a minha história e libertei o Embasbacado, é
desta forma carinhosa que trato o meu doce amigo, com um adjectivo
cinzelado. Este adjectivo surgiu do estudo aprofundado da sua
personalidade e da simplicidade que ele emprega à sua vivência.
Talvez fosse mais activo se fizesse parte da minha espécie por um
lado, por outro, seria um estorvo para ele ter de andar de quatro.
Não consigo perceber como alguém pode ser tão desajeitado e
delicado ao mesmo tempo.</span></p>
<p><span>
Vivo numa cidade com muita história e uma forte
ligação ao rio e ao mar. Junto ao rio a paisagem é fantástica. Os
turistas são uma constante ao longo do ano. Andam sempre muito
devagar, porque a cada esquina surge mais um motivo para se gravar.
Os flashes das máquinas fotográficas disparam a todo o instante,
com alguma dificuldade. É que estes turistas levam sempre as mãos
acompanhadas de caixas de cartão. Não são caixas normais, são
apropriadas para transportar garrafas que contêm o famoso néctar da
minha cidade.</span></p>
<p><span>
Vêm turistas de todo o mundo é certo, trazem na
ideia conhecer os monumentos, as bibliotecas, as avenidas e seus
edifícios, a gastronomia variada, sem se esquecer de passar
naquelas casas estreitas e compridas junto ao rio. É lá que moram
os tonéis, as pipas e as garrafas do famoso néctar conhecido nos
quatro cantos do mundo.</span></p>
<p><span>
Vêm turistas de todo o mundo é certo, mas não é para
conhecer o Massimo, o primeiro irracional a falar com os bípedes de
igual para igual. O primeiro a traduzir pelas suas palavras a
inteligência, a grandiosidade da sua espécie e o benefício da
interacção com o mundo e com todos os seres que nele
habitam.</span></p>
<p><span>
Tenho certeza que um dia tudo vai mudar, que os
convites, os telefonemas e as fotografias do Massimo, pelo mundo
vão circular.</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://samuca.bloguepessoal.com/223453/1/</id>			<link href="http://samuca.bloguepessoal.com/223453/1/" />			<author>				<name>samuca</name>				<uri>http://samuca.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-11-01T14:17:21+01:00</updated>		</entry></feed>