<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://matha1719.bloguepessoal.com</title>		<id>http://bloguepessoal.com/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://matha1719.bloguepessoal.com/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Encontrar la personalidad perdiendola.]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://matha1719.bloguepessoal.com</uri>		</author>		<updated>2009-09-15T04:04:40+02:00</updated>		<entry>			<title>Clearly Non-Campos!  Álvaro de Campos. (Heterónimo de Fernando Pessoa.)</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Nâo sei qual é o sentimento, ainda inexpresso,</p>
<p>Que subitamente,como uma sufocaçâo, me aflige</p>
<p>O coraçâo que, de repente,</p>
<p>Entre o que se vive, se esquece.</p>
<p>Nâo sei qual é o sentimento</p>
<p>Que me desvia do caminho,</p>
<p>Que me dá de repente</p>
<p>Um nojo daquilo que seguia,</p>
<p>Uma vontade de nunca chegar a casa,</p>
<p>Um desejo de indefinido.</p>
<p>Um desejo lúcido de indefinido.</p>
<p></p>
<p>Quatro vezes mudou a "staçâo" falsa</p>
<p>No falso ano, no imutável curso</p>
<p>Do tempo conseqüente;</p>
<p>Ao verde segue o seco, e ao seco o verde,</p>
<p>E nâo sabe ninguém qual é o primeiro,</p>
<p>Nem o último e acabam.</p>
<p></p>
<p>
*
*
* *</p>
				</div>			</content>			<id>http://matha1719.bloguepessoal.com/147256/Clearly-Non-Campos-lvaro-de-Campos-Heter-nimo-de-Fernando-Pessoa/</id>			<link href="http://matha1719.bloguepessoal.com/147256/Clearly-Non-Campos-lvaro-de-Campos-Heter-nimo-de-Fernando-Pessoa/" />			<author>				<name>matha1719</name>				<uri>http://matha1719.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-04-03T11:00:31+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Lá-Bas, Je ne sais oú...  Álvaro de Campos. (Heterónimo de Fernando Pessoa)</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Véspera de viagem, campainha...</p>
<p>Nâo me sobreavisem estridentemente!</p>
<p></p>
<p>Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho</p>
<p>Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro</p>
<p>Do comboio definitivo,</p>
<p>Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do estômago,</p>
<p>Antes de por no estribo um pé</p>
<p>Que nunca aprendeu a emoçao sempre que teve que partir.</p>
<p></p>
<p>Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje,</p>
<p>Estar ainda um bocado agarrado á velha vida.</p>
<p>Vida inútil, que era melhor deixar, que é uma cela?</p>
<p>Que importa? Todo Universo é uma cela, e o estar preso nâo tem
que ver com o tamanho da cela.</p>
<p></p>
<p>Sabe-me a náusea próxima o cigarro. O comboio já partiu da
outraestaçâo...</p>
<p>Adeus, adeus, adeus, toda a gente que nâo veio despedir-se de
mim,</p>
<p>Minha família abstrata e impossível...</p>
<p>Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus
vida,!</p>
<p>Ficar como um volume rotulado esquecido,</p>
<p>Ao canto de resguardo de passageiros do outro lado da linha.</p>
<p>Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida -</p>
<p>"E esta? Entâo nâo houve um tipo que deixou isto aqui?"</p>
<p></p>
<p>Ficar só a pensar em partir,</p>
<p>Ficar e ter razâo,</p>
<p>Ficar e morrer menos...</p>
<p></p>
<p>Vou para o futuro como para um exame dificil.</p>
<p>Se o comboio nunca chegase e Deus tivesse pena de mim?</p>
<p></p>
<p>Já me vejo na estaçâo até aqui simples metáfora.</p>
<p>Sou uma pessoa perfeitamente apresentável.</p>
<p>Vê-se - dizem - que tenho vivido no estrangeiro.</p>
<p>Os meus modos sâo de homem educado, evidentemente.</p>
<p>Pego na mala, rejeitado o moço, como a um vício vil.</p>
<p>E a mâo com que pego na mala treme-me e a ela.</p>
<p></p>
<p>Partir!</p>
<p>Nunca voltarei.</p>
<p>Nunca voltarei porque nunca se volta.</p>
<p>Olugar a que se volta é sempre outro,</p>
<p>A gare a que se volta é outra.</p>
<p>Já nâo está a mesma gente, nem mesma luz, nem a mesma
filosofía.</p>
<p></p>
<p>Partir! Meu Deus, partir! Tenho medo de partir!...</p>
<p></p>
<p></p>
<p>

*
*
*
*</p>
				</div>			</content>			<id>http://matha1719.bloguepessoal.com/145855/L-Bas-Je-ne-sais-o-lvaro-de-Campos-Heter-nimo-de-Fernando-Pessoa/</id>			<link href="http://matha1719.bloguepessoal.com/145855/L-Bas-Je-ne-sais-o-lvaro-de-Campos-Heter-nimo-de-Fernando-Pessoa/" />			<author>				<name>matha1719</name>				<uri>http://matha1719.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-03-30T11:54:09+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima. Álvaro de Campos (Heterónimo de F. Pessoa.)</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Vai pelo cais fora um bilício de chegada próxima,</p>
<p>Começaram chegando os primitivos da espera,</p>
<p>Já ao longe o paquete de África se avoluma a esclarece.</p>
<p>Vim aqui para nâo esperar ninguém,</p>
<p>Para ver os outros esperar,</p>
<p>Para ser os outros todos a esperar,</p>
<p>Para ser a esperança de todos os outros.</p>
<p></p>
<p>Trago um grande cansaço de ser tanta coisa.</p>
<p>Chegam os retardatários do principio,</p>
<p>E de repente impaciento-me de esperar, de existir de ser,</p>
<p>Vou-me embora brusco e notável ao porteiro que me fita muito mas
rapidamente.</p>
<p></p>
<p>Regresso á cidade como á liberdade.</p>
<p></p>
<p>Vale a pena existir para ao menos deixar de sentir.</p>
<p></p>
<p></p>
<p>

*
*
*
* *</p>
				</div>			</content>			<id>http://matha1719.bloguepessoal.com/143957/Vai-pelo-cais-fora-um-bul-cio-de-chegada-pr-xima-lvaro-de-Campos-Heter-nimo-de-F-Pessoa/</id>			<link href="http://matha1719.bloguepessoal.com/143957/Vai-pelo-cais-fora-um-bul-cio-de-chegada-pr-xima-lvaro-de-Campos-Heter-nimo-de-F-Pessoa/" />			<author>				<name>matha1719</name>				<uri>http://matha1719.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-03-24T10:25:24+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Lisbon revisited. (1926) Álvaro de Campos. (Heterónimo de Fernando Pessoa)</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Nada me prende a nada.</p>
<p>Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.</p>
<p>Anseio com uma angústia de fome de carne</p>
<p>O que nâo sei que seja -</p>
<p>Definidamente pelo indefinido...</p>
<p>Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto</p>
<p>De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.</p>
<p></p>
<p>Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.</p>
<p>Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da
rua.</p>
<p>Nâo há na travessa achada o número da porta que me deram.</p>
<p></p>
<p>Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.</p>
<p>Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.</p>
<p>Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.</p>
<p>Até a vida só desejada me farta - até essa vida...</p>
<p></p>
<p>Comprendo a intervalos desconexos;</p>
<p>Escrevo por lapsos de cansaço;</p>
<p>E um tédio que é até do tédio arroja-me á praia.</p>
<p>Nâo sei que destino ou futuro compete á minha angústia sem
leme;</p>
<p>Nâo sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;</p>
<p>ou que palmares de literatura me darâo ao menos um verso.</p>
<p></p>
<p>Nâo, nâo sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...</p>
<p>E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,</p>
<p>Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa</p>
<p>(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),</p>
<p>Nas estradas e atalhos das florestas longínquas</p>
<p>Onde supus o meu ser,</p>
<p>Fogem desmantelados, últimos restos</p>
<p>Da ilusâo final,</p>
<p>Os meus exércitos sonhados derrotados sem ter sido,</p>
<p>As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.</p>
<p></p>
<p>Outra vez te revejo,</p>
<p>Cidade da minha infância pavorosamente perdida...</p>
<p>Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...</p>
<p></p>
<p>Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,</p>
<p>E aqui tornei a voltar, e a voltar?</p>
<p>Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,</p>
<p>Uma série de contas-entes ligados por um fio-memôria,</p>
<p>Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?</p>
<p></p>
<p>Outra vez te revejo,</p>
<p>Com o coraçâo mais longínquo, a alma menos minha.</p>
<p></p>
<p>Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,</p>
<p>Transeunte inútil de ti e de mim,</p>
<p>Estrangeiro aqui como em toda a parte,</p>
<p>Casual na vida como na alma,</p>
<p>Fantasma a errar em salas de recordaçôes,</p>
<p>Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem</p>
<p>No castelo maldito de ter que viver...</p>
<p></p>
<p>Outra vez te revejo,</p>
<p>Sombra que passa através das sombras, e brilha</p>
<p>Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,</p>
<p>E entra na noite como um rastro de barco se perde</p>
<p>Na água que deixa de se ouvir...</p>
<p></p>
<p>Outra vez te revejo,</p>
<p>Mas, ai, a mim nâo me revejo!</p>
<p>Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,</p>
<p>E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -</p>
<p>Um bocado de ti e de mim!...</p>
<p></p>
<p>

*
*
*
* *</p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://matha1719.bloguepessoal.com/139161/Lisbon-revisited-1926-lvaro-de-Campos-Heter-nimo-de-Fernando-Pessoa/</id>			<link href="http://matha1719.bloguepessoal.com/139161/Lisbon-revisited-1926-lvaro-de-Campos-Heter-nimo-de-Fernando-Pessoa/" />			<author>				<name>matha1719</name>				<uri>http://matha1719.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-03-11T10:44:02+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Que lindos olhos de azul inocente os do pequenito do agiota! Álvaro de Campos.</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Que lindos olhos de azul inocente os do pequenito do agiota!</p>
<p>Santo Deus, que entroncamento esta vida!</p>
<p></p>
<p>Tive sempre, feliz o infelizmente, a sensibilidade
humanizada.</p>
<p>E toda morte me doeu sempre pessoalmente,</p>
<p>Sim, nâo só pelo misterio de ficar inexpressivo o orgânico,</p>
<p>Mas de maneira direta, cá do coraçâo.</p>
<p></p>
<p>Como o sol doura as casas dos réprobos!</p>
<p>Poderei odiá-los sem desfazer do sol?</p>
<p></p>
<p>Afinal que coisa a pensar com o sentimiento distraído</p>
<p>Por causa dos olhos de criança de uma criança...</p>
<p></p>
<p>

*
* *</p>
<p></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://matha1719.bloguepessoal.com/135566/Que-lindos-olhos-de-azul-inocente-os-do-pequenito-do-agiota-lvaro-de-Campos/</id>			<link href="http://matha1719.bloguepessoal.com/135566/Que-lindos-olhos-de-azul-inocente-os-do-pequenito-do-agiota-lvaro-de-Campos/" />			<author>				<name>matha1719</name>				<uri>http://matha1719.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2009-03-02T09:37:03+01:00</updated>		</entry></feed>