<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://lolita.bloguepessoal.com</title>		<id>http://bloguepessoal.com/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://lolita.bloguepessoal.com/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[DeSaBaFoS]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://lolita.bloguepessoal.com</uri>		</author>		<updated>2008-07-20T00:58:48+02:00</updated>		<entry>			<title>Roupa de feira</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><em><strong><span>De ha uns
tempos para ca, ligo a televiso, sintonizo a
radio ou viajo na auto-estrada sem asfalto nem sinais de
transito e, automaticamente, sem pedir licena,
penetro numa sala de aula, numa vivencia caotica, onde
os alunos e a professora se distinguem apenas pela
idade.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span>E hoje, eu
tambem vou falar de escola, da minha escola, a primeira,
aquela que e a espinha dorsal da minha caminhada
dificil e longa, pela vida, plena de contrastes, de
paradoxos, de dor e de alegria, de fracasso e de sucesso, de
desprezo e de paixo.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span>Eu no
frequentei nem o Jardim de Infancia nem a Creche. Esses
percursos infantis namento do poder
politico, totalmente esvaziado pela urbanidade das cidades e
vilas, sempre em franco crescimento, dominadas pela voracidade da
selva cinzenta e aspera. Na minha aldeia como nas outras, o
primeiro dia das nossas vidas de escola era vivido na
familia em festa, era uma especie de ritual,
deixavamos de ser crianas e passavamos a ser
adultos em ponto pequeno, com as primeiras responsabilidades a
baterem a nossa porta.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span><span></span>A
pequenada vestia as ultimas toilettes exibidas na festa do
padroeiro. A minha toilette so era nova para mim, ja
que anteriormente havia pertencido a outro corpo, havia acariciado
outra pele, havia ficado impregnada do seu odor. Eu destacava-me
no pelo colorido vivo dos tecidos, mas pelo branco
ja meio encardido que o sabo
conseguiam combater.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span>Em frente a
escola, esperavamos, pais e filhos, que e como quem
diz mes e filhos, a chegada dos novos professores. Pela
primeira vez, vinham de fora e sabiamos que formavam um
casal jovem, acabado de
casar.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span>A algazarra era total.
A pequenada brincava, gritava e ria, alheia ao novo ciclo que se
abria nas nossas vidas. Olhava o meu vestido, virava costas e
desatava a rir. No porque o vestido fosse feio. Ele
ate era bonito. Era branco, caia em leve folhado a
partir do peito e acabava numa barra amarelada, outrora amarelo
vivo, que condizia com o acabamento da cava. Para mim, era um
vestido novo, ainda no habituado a textura da minha
pele, ao aroma do meu corpo exalando a fragancia do eucalipto
que, sem o sabermos, transformou os nossos banhos em saunas e deu
as nossas peles este aspecto marmoreo e fresco. A
singeleza do vestido realava os meus cabelos pretos, longos
e fartos. Para elas, as raparigas, no passava de um vestido
usado, em segunda mo e, ainda por cima, encardido e
desbotado. Um manancial de motivos para a risada geral. Afastada
das candidatas a Barbies, pus-me a fazer o que mais gostava,
observar e gravar na minha memoria como se fosse o click de
uma maquina fotografica. As mes observavam a
cena, mas as conversas entre elas devia ser apaixonante, visto nada
terem feito para darem uma lio de moral e de boa
educao aos seus lindos e mimosos
rebentos.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span>A fora
de observar, fui a primeira a dar conta da chegada dos professores.
Chegaram num Renault 5 vermelho, o carro sensao na
altura e durante alguns anos. Pararam junto a porta da
escola. Quando a professora sai, os nossos olhos cruzam-se e ficam
como que suspensos e indiferentes a qualquer vontade. Alta, magra,
cabelos pretos, longos e sedosos, eu vi - me ao espelho com quinze
anos de avano. Desenganem-se, da sua infancia, eu
apenas teria a altura, a magreza e</span></strong> <strong>os
cabelos negros e longos. Havia um mar a separar os nossos</strong>
<strong>beros sociais. Ela era polida, delicada,
amavel e jamais levantava a voz. Os olhares esgazeados das
nossas mo do marido, com um
planeta de permeio entre ele e os seus maridos, nossos pais,
geralmente baixos e gravidos. Ele, o professor, era a
personificao dos seus sonhos, daqueles sonhos
nocturnos que as mulheres tem durante a noite, que as faz
acordar humidas e gemendo enquanto os seus maridos,
indiferentes aos misterios femininos, ressonam ao lado o
sono dos justos ou enveredam pelos devaneios nocturnos da lingerie
e dos cabedais.</strong></em></p>
<p><em><strong><span>Nesse mesmo dia ou
melhor, nesse mesmo momento, eu decidi que ia ser como ela,
professora, com um marido que nem o dela e com um carro exactamente
igual ao dela. Desenganem-se mais uma vez. No, eu
no sou como ela. Apenas mantenho os cabelos, os olhos e a
magreza. Tudo o resto no passou de um delirio de
criana.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span>Na sala de aula,
ficava colada a imagem da professora, so tinha olhos
para ela. De tal modo, que os nossos olhares estavam em constante
sintonia. Conhecia o seu andar, a sua atitude corporal e
fisica. Cada palavra saida dos seus labios era
musica para os meus ouvidos. Eu queria ser como ela, eu
tinha de ser como ela. Para fascina-la, cada conteudo
ensinado era conteudo aprendido. Cedo, ela se deu conta das
minhas capacidades. Chegava a ensinar como se eu e ela
fossemos os unicos seres vivos da sala de aula. O
fascinio era reciproco. Eu ficava deslumbrada com
tanta sabedoria, ela com a minha facilidade em aprender.
Formavamos um duo que se respeitava e se
admirava.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span>Nos recreios, eu
no estavam a
altura das exigencias das minhas colegas. Pegava num pau e,
no terreno arenoso do recreio, juntava silabas, as que ia
aprendendo. De tanto as juntar, formava novas palavras. Novas
no, que elas ja faziam parte da vivencia de
todos nos. Apenas eram estranhas aos nossos olhos e
as nossas bic. Abracei este jogo como uma tabua de
salvao e cedo me dei conta do poder da
palavra.</span> E que uma levava a outra e assim
sucessivamente. Era como se cada palavra fosse uma porta que uma
vez transposta me oferecia mil
possibilidades.</strong></em></p>
<p><em><strong><span>Sim,</span></strong> <strong>eu era
aquilo que elas no queriam ser, pobre, sempre com direito a
roupa nova em segunda mo, encardida e desbotada. Sim, eu
era o oposto das suas bonecas, das heroinas encantadas,
sempre loiras, ricas e belas.<span></span> Como a dama de
hoje, elegante, perfumada que, no pedestal da sua arrogancia,
se recusou a conhecer uma empregada da restaurao,
antiga colega de escola, fulminando de cima a baixo o seu aspecto
banal, rematando com desdenhosa graciosidade  Olhe bem para
mim e diga-me se tenho o look de conhecer gente que se abastece na
feira.</strong></em></p>
<p>
<em><strong><span><span></span>Eu era pobre e pobreza era e continua a ser
crime, ponto final,
paragrafo.</span></strong></em></p>
				</div>			</content>			<id>http://lolita.bloguepessoal.com/69877/Roupa-de-feira/</id>			<link href="http://lolita.bloguepessoal.com/69877/Roupa-de-feira/" />			<author>				<name>lolita</name>				<uri>http://lolita.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2008-07-19T22:58:03+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Zapping</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><em><strong><span>Estou de volta.
A escrita e mesmo assim. Tem vontade propria, faz
birra e bate o pe. Surge quando menos espero e e mais
teimosa que a minha teimosia. No surge quando quero, surge
quando quer. No e como uma lampada que posso
ligar e desligar sob o impulso da minha vontade, do meu desejo, do
meu querer. No a
imponho. Por vezes, basta uma noticia, um facto televisivo e
... zas, jorram os sentimentos em catadupa da minha
breve existencia neste mundo caotico, absurdo e
estranho que a escrita verbaliza; outras vezes, apenas o grito
sufocado, mas enraivecido, comanda a nossa pena, a que tem tinta e
a que nos vai na alma.</span></strong></em></p>
<p><em><strong><span>No sei
quando voltarei a ser comandada pela conjugao do
verbo, todavia sei que hoje eu no
posso fugir por atalhos, no posso mudar de canal ou fazer
zapping, que e bem mais
chic.</span></strong></em></p>
				</div>			</content>			<id>http://lolita.bloguepessoal.com/69874/Zapping/</id>			<link href="http://lolita.bloguepessoal.com/69874/Zapping/" />			<author>				<name>lolita</name>				<uri>http://lolita.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2008-07-19T22:58:29+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>E ... foram felizes para sempre</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong><em><span>Na minha aldeia, como em
muitas outras, o campo de futebol era o elemento unificador das
vitorias e das derrotas, dos amores e dos odios,
principalmente dos odios. Era ai que, por fim, as
mulheres casadas despejavam o odio escondido aos seus mais
que tudo. Era ai que chegava o momento de se revoltarem, de
soltarem a raiva estrangulada. Enfim, era o local propicio
para se vingarem daqueles que diziam amar com um sorriso ate
as orelhas. Era no campo de futebol que o desgraado
do arbitro apanhava com todos os improperios
so porque a equipa da terra no sabia jogar. A
leguas estavam eles, o arbitro e os maridos, de
imaginar o prazer camuflado das mulheres ao verem a nodoa da
equipa local. Ja os homens, estes ficavam furiosos mas
depressa, a noite, resolviam o trauma, os mais
simplorios na tasca la do sitio, com malgas de
vinho a martelo que se sucediam umas as outras a depreender
pelo ziguezaguear com que alguns deles preenchiam o caminho de
regresso ao estimado e amado lar; os outros, com carteira recheada,
preferiam apaziguar o drama entre cabedais e saltos altos.
Era sabido que cada ida a discoteca do Rui implicava de
la sair com a carteira imaculadamente limpa. Mas que
importava que cada caricia tivesse o seu preo!?
Bastava olhar para as esposas, colericas, amargas, biliosas,
grossas, rosto contraido e roxo de raiva soltando feroz e
cruelmente a lingua envenenada por anos de
frustrao. Impossivel imaginarmos qualquer
esboo por muito tenue que fosse de sensualidade e
ate, porque no, de erotismo. A simples ideia era
hilariante. Chegavamos a fingir que eramos esta ou
aquela esposa, soltavamos alguns ais e a risada era geral.
Como nos, jovens do secundario, compreendiamos
esses maridos famintos de caricias, de
explorao corporal, de palavras mansas murmuradas ao
ouvido, de gemidos que testemunhassem o prazer sublime da posse.
Acabavamos por dizer que fariamos o mesmo se
estivessemos no lugar deles. Procurariamos o prazer,
a luxuria, a qualquer
preo.</span></em></strong></p>
<p><strong><em><span>Fatimao
era uma dessas mulheres. Foi a minha amizade com a irm, a
Clara, que nos aproximou. Embora alguns anos mais velha do que eu,
as nossas vidas tinham muito de semelhante. No no dinheiro.
Ela provinha da classe media baixa, eu da classe pobre.
Sendo a filha mais velha, como eu, precocemente lhe coube a
responsabilidade de ser mos.
Cozinhava, lavava, cosia, engomava, dava-lhes banho, vestia-os,
alimentava-os e, quando sobrava algum tempo, dava-lhes carinho,
ne. No meio de
tanta azafama, ninguem reparava nela, nem ela
propria. Num baile de garagem, num daqueles bailes as
escondidas dos pais e irmque nortearam
a nossa juventude, testemunharam os nossos primeiros amores, o
nosso primeiro beijo, o nosso primeiro corpo a corpo ao som dos
Deep Purple, Doors, Rolling Stones,...,</span></em>
<em>Fatima conheceu um jovem nado na provincia,
porem criado na capital. Era uma especie de matador
que pelo simples facto de ser da cidade batia aos pontos o sector
masculino do povoado. Entrou no baile tipo cheguei e deparou com o
olhar fascinado de Fatima. Morena como ele, olhos
profundamente ingenuos e escuros que nem os dele, logo viu
que tinha ali presa facil.Fatima sentiu-se
contemplada e adulada como nunca pensou que alguma vez pudesse
acontecer, sentiu que algo de maravilhoso estava a acontecer na sua
vida,o e a levou para o
meio do baile. Ela obedeceu que nem um automato. Rodeada
pelos seus braos musculosos e sentindo o bafo quente que
ele expelia no seu pescoo e nos seus cabelos, pela primeira
vez sentiu emoes as quais o seu corpo
no foi
um passo. Uma paixo genuina, intensa, profunda.
Tinha encontrado o homem da sua vida, o homem pelo qual ela estaria
disposta a tudo, ate a dar a propria vida. E deu.
Passado algum tempo, o seu corpo comeou a sofrer
alteraes. A busca incessante do seu corpo para
Antonio se expressar apaixonada e possessivamente
comeava a dar frutos. Fatima estava
gravida.</em></strong></p>
<p><em><strong><span>Durante a cerimonia do
casamento, a sua cabea estava longe, nas historias
de principes e princesas que lia as</span>
irms antes de adormecerem. Pensou que o seu destino era
identico, tipo e foram felizes para sempre.Casados e
sem necessitarem de se esconder para dar liberdade ao desejo,
viveram dois meses de idilio, procurando-se constantemente
na realizao de um prazer carnal que sublimava o
amor partilhado.</strong></em></p>
<p><strong><em><span>Pouco tempo depois,
pos-se a questo do trabalho. O aluguer da casa
ja estava atrasado, era preciso por comida na mesa e
preparar a vinda do filho. Foi ento que o idilio
desapareceu. Antonio sofria de alergia ao mundo do trabalho
e so de ouvir o nome, transformava-se noutra pessoa.
Comeo tinha vindo viver para a
aldeia para acabar trolha ou algo parecido. A culpa era dela que
no tinha nada que engravidar. Ja muita sorte tinha
ela por ter aceite casar e ter assumido a paternidade,
tornando-a mulher honrada. Ao que ela respondia que era o
minimo que um homem devia fazer quando seduz uma jovem,
desconhecedora dos meandros da seduo. E a
seduo cedeu lugar a pancadaria quotidiana e
desmedida. Metia do ve-la gravida, com a cara
negra e inchada. Mas no era so a cara, era o corpo
todo, violentado a pontape. Parecia impossivel a
criane ate ao
nascimento.</span></em></strong></p>
<p><strong><em><span>Fatima, habituada a ser
mo desde tenra idade,
acarinhou e refugiou-se no amor pelo filho. Este passou a ser o
cerne da sua existencia e dava graas a Deus sempre
que o marido deambulava dias e dias por outras camas, por outros
corpos, por outras caricias, dando-lhes alguma paz. Para
sobreviver, comeou a fazer limpeza nas casas mais ricas do
sitio. Habituada as lidas caseiras, comeou
logo a mostrar o brio em tudo o que fazia. O seu filho, deixava-o
agora entregue a Lurdes,</span></em> <em>mais velha
que Clara e mais nova que Fatima , que a substituiu nas
responsabilidades da casa materna quando decidiu comear uma
vida nova com o amor da sua vida. Apenas lhe pediu que
retribuisse no seu filho o amor que lhe tinha dedicado. De
quando em vez, o marido vinha resgatar algum dinheiro para tabaco e
alcool, pegar no filho ao colo, seduzi-la para mais uma
noite de amor, de toques e gemidos sensuais. De manh,
quando o sol ja raiava, a hora do almoo,
levantava-se estremunhado, comia e, perante as
reclamaes de Fatima, voltava a despedir-se
com mais uma sesso de
pancadaria.</em></strong></p>
<p><strong><em><span>Dois ou tres anos
apos e com a promessa de um novo comeo,
Fatima concordou em partir para a cidade grande. A
ideia de viver num desses predios de apartamentos no meio do
rebolio entusiasmou-a. Sonhou que tudo ia ser diferente,
que Antonio ia voltar a ser aquele jovem fascinante que ela
conhecera. Ate porque tinha sido demasiado duro para ele ter
deixado a capital para se enfiar na pacatez do mundo rural.
Pensando bem, ate era compreensivel a sua
frustrao e, portanto, a sua revolta, a sua ira.
Voltaram a fazer amor como nos momentos mais intensos de que tinha
memoria.</span></em></strong></p>
<p><strong><em><span>Partiram para Lisboa num dia
primaveril queFatima interpretou como sendo uma
beno para um novo rumo. A viagem de comboio
foi longa, quase interminavel, mas Fatima estava
fascinada com o movimento das arvores e das casas.
No tinha pressa em chegar, tinha todo o tempo do mundo para
se apoderar da cidade. Neste momento, maravilhava-se a observar o
mundo para la dos limites da sua terra natal. Chegaram ao
anoitecer. Os olhos de Fatimafaiscavam em
unissono com a cidade iluminada. So algum tempo
depois se apercebeu que as luzes deram lugar a
escurido. Perguntou onde estavam e Antonio
descansou-a dizendo que era so por alguns dias enquanto os
seus haveres no chegavam. No dia seguinte, levantou-se cedo
e logo verificou que aquele amontoado de barracas sem fim nada
tinha a ver com a cidade que a recebeu, cheia de luzes iluminando
oso
havia problema, era so por alguns dias... meses,
anos.</span></em></strong></p>
<p><em><span><strong>Afonso, o filho de Fatima,
e hoje um jovem universitario em busca de um destino
melhor. Um novo rebento testemunha a continua procura de
Antonio por Fatima. Ha muito que deixou de ser
uma procura esperada e desejada. Ja no e uma
procura. O corpo de Antonio apodera-se do corpo de
Fatima a seu belo prazer reduzindo-a a uma sufocante
invisibilidade. Este filho, Nuno, e a consequencia
tragica de uma familia em constante
destruio. Vadio e violento como seu pai, ha
muito que Fatima desistiu dele. E que Fatima
vai morrendo. Por dentro.</strong></span></em></p>
				</div>			</content>			<id>http://lolita.bloguepessoal.com/28132/E-foram-felizes-para-sempre/</id>			<link href="http://lolita.bloguepessoal.com/28132/E-foram-felizes-para-sempre/" />			<author>				<name>lolita</name>				<uri>http://lolita.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2008-02-15T15:10:40+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Marta</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span>Na
minhao
local de encontro das tardes de Domingo, no Vero.
Tambem das noites. Era la que os corpos se
libertavam da roupa para exporem os fatos de banho ou os biquinis
da moda, lisos, as bolas, as flores, as
riscas. Sempre realando as linhas esbeltas, eramos
adolescentes, jovens e belas. Era surpreendente ver como os nossos
corpos se distanciavam dos corpos das mulheres casadas, mesmo das
jovens, pneumaticas e repletas de celulite de tanto tentarem
prenderem os seus ditos cujos pela boca.
Eracomo os seus olhares furtivos mas
carregados de inveja, de raiva, de odio, nos causava um
enorme prazer, principalmente quando os olhos dos seus amados
esposos nos penetravam ate as entranhas. Mas mais
divertido eraver as tentativas desajeitadas dos nossos
amigos, do Ze, do Carlos, do Quim, do To e de muitos
mais. Sim, e que no Vero o circulo de amigos,
nEra um
gozoo estavam por
perto. Escolhiamos como quem divide rebuados. Este
e para mim, aquele e para ti e assim sucessivamente.
Era divertido por demais vermos a sensao de triunfo
no rosto deles pela escolha que eles pensavam ter feito. De
tarde,os que
sorrateiramente nos acariciavam, nos seus corpos, que munidos de
vontade propria, roavam os nossos, que manhosamente
disfaro conseguia igualar.
E que a cumplicidade feminina correspondia apenas com a
complacencia de um desejo que queria ver realizado. De noite,
o rio transformava-se numlugar misterioso e a unica
testemunha era a lua. Era sob o efeito da lua que nos
metamorfoseavamos, que os nossos corpossuplicavam de
desejo, que se realizavam nas caricias ardentes, ainda que
desajeitadas. O Ze no grunhia como o meu pai. Era na
respirao cada vez mais ofegante e no palpitar
cardiaco, que mais parecia que o corao ia
saltar pela boca, que o seu prazer se realizava desajeitadamente na
certeza de me agradar. Os meus ais tambem no se
assemelhavam aos da minha me. Os meus expandiam-se no meu
interior e apenas se manifestavam exteriormente por um ou outro
gemido. Todas estas manifestaes culminavam numa
exploses que a agua fria
do rio acabava por dissipar. Era preciso apagar qualquer
vestigio que pudesse por a aldeia e as familias em
alvoroQuando momentos depois apareciamos,
nos as raparigas, na esplanada do cafe para marcarmos
a nossa presena, longe estavam as linguas viperinas
de imaginar o motivo pelo qual o brilho da lua estava mais
intenso.</span></p>
<p><span>Como nas outras aldeias, muitas jovens ficavam com filhos
nos braos, sem ainda serem adultas, algumas eram apenas
pela via da natureza.</span></p>
<p><span>Marta e uma dessas mulheres, discreta,
afavel, sem tempo para a cronica alheia. E que
com apenas
cobrou juros de beneficios que ela desconhece.
E a mais velha de duas irms.</span></p>
<p><span>Com apenas quinze anos, ja so tinha um
objectivo. Come que apenas
comeava a despontar para a puberdade. Percebeu que tinha de
substituir a me, cega, surda e muda por
op com o esmero de uma
me. Em casa, nunca a deixava sozinha. Acordava-a com
ternura, alimentava-a e fazia questo de ter a sua companhia
na lida da casa. A noite, ajudava-a a deitar-se e
despedia-se sempre com um beijo doce no rosto. A irm
no e ate suspirava de
alivio quando partia para a escola. Sendo mais nova, a
familia, impulsionada pela Marta, decidiu po-la a
estudar no liceu do concelho, onde eu e muitas outras jovens da
aldeia estudavamos. Aos dezassete, Marta tem mais um filho.
Este, parido por ela. E a aldeia fica com mais alimento para
varias semanas. Afinal como e que Marta podia parir
um filho sem que se lhe conhecesse namorado. Afinal, de quem
e que tinha estado prenha? Uma coisa era a <em>Maria</em>,
outra coisa era a Marta! Milagres daqueles, so uma vez na
vida e em Belem! De docil, afavel e esmerada
no asseio da casa a vadia sem rei nem roque, foi apenas um passo.
No se lhe conhecia namorado, ninguem tinha andado de
volta dela a farejar. No fosse bonita.
Magra e baixa, o seu rosto afavel era rasgado por um olhos
verde azeitona cujo brilho desaparecia de dia para dia.</span>
Apenas
Ines e Afonso no deixavam que ele se extinguisse para
sempre. Eram eles que davam algum sentido a sua vida. Eram a
prova de que havia vida para alem da me,
estrategicamente absorta nos seus afazeres, e do pai, bruto, sempre
bebado, cruel e insaciavel. Com vinte anos, ja
era me de dois filhos, de tres se contarmos a
Ines, que se transformava a olhos vistos numa linda mulher e
de quem Marta no assim
que ela regressava da escola. Orgulhava-se do seu esmero em cuidar
da irm. Era para ela uma filha, apesar de apenas quatro
anos as distanciarem. No se importava nem um pouco com o
conflito cada vez mais aceso que se estabelecia entre elas.
E que Ines no ter o
seu proprio quarto. Ate porque a casa, embora
modesta, era grande e o arrumo junto a cozinha podia
facilmente ser transformado em quarto. Mas Marta jamais o
permitiria, jamais. Preferia suportar as birras quotidianas de
Ines e o temperamento cruel e insaciavel do pai.
Os seus dois filhos, o Afonso e o Raul, acabaram por falecer, um
com oito anos, o outro com dez. A natureza, infalivel e
cruel, no permitiu a sua
sobrevivencia.</p>
<p><span></span></p>
				</div>			</content>			<id>http://lolita.bloguepessoal.com/25263/Marta/</id>			<link href="http://lolita.bloguepessoal.com/25263/Marta/" />			<author>				<name>lolita</name>				<uri>http://lolita.bloguepessoal.com</uri>			</author>			<updated>2008-01-27T22:54:51+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Rui</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Naaldeia, como nas outras, o cafe
era o ponto de encontro dos casados e solteiros a noite e ao
Domingo. Apareceu, entretanto, uma concorrente, a discoteca, que
escancarava as portas aos solteiros e solteiras e piscava o olho
aos casados.</p>
<p>As casadas tratavam da casa, das refeies,
das roupas, dos rebentos que ora gritavam de alegria ora gritavam
de birra para desespero das orgulhosas mes que com palmadas
e bofetadas aumentavam ainda mais a gritaria da
pequenada.</p>
<p>As solteiras, sem rebentos a chatear, ocupavam o seu
precioso tempo a metamorfosearem-se em futuras esposas perfeitas,
dignas dos seus principes encantados. Passavam o tempo ora a
bordar, ora a fazer croche, ora a tricotar, ora a apurar o
paladar, fazendo jus ao milenar juizo de que o homem se
prende pela boca.</p>
<p>Rui e oriundo de uma familia da classe
media alta. O pai era funcionario publico,
sempre em ascenso, verdadeiro exemplo
de filho perfeito e marido ainda mais que perfeito,que
nemes invejavam
aquela mpais invejavam aquele pai
e quantas e quantas esposas invejavam e invejam aquela
esposa.</p>
<p>Mas o mundo no e perfeito e a
prova-lo bastava o Rui. E o mais velho dos
irmos e desde tenra idade prometia ser um mar de cadilhos
para os pais e para o resto do mundo. Estudou nos melhores
colegios, onde as familias importantespunham os
seus filhos a estudar, na esperana de se tornarem ainda
mais importantes do que eles proprios. Falo no plural,
porquees
continuas. Na presenRui mantinha
a postura possivel. Longe da sua vista , maltratava os
professores, oferecendo-lhes porrada enquanto copiava
descaradamente nos testes e os designava dos piores nomes que
havia. Com as colegas era precisamente o contrario. Estava
sempre disposto a atura-las, a defende-las, enquanto
as acariciava como quem no quer a coisa. O certo e
que as mo era a
folhear os livros ou a tirar apontamentos. As meninas, sentindo a
virgindade ameaada pelas sedutoras e cada vez mais
apetitosas caricias, queixavam-se, imaculadas, ao
directorRui oferecer a sua
luxuria a outra freguesia. Como ja no havia
mais colegios nas proximidades, acabou por abandonar a
escola sem completar o secundario.</p>
<p>Ruifez-se um homem. Esse facto aumentou
tambem a sua luxuria e a sua malvadez. Comeou
pela sua aldeia natal para vergonha da familia e desespero
das solteiras e casadas. Alugou um espao, transformou-o num
cafe, a primeira vista semelhante aos outros
cafes. A segunda vista, notava-se que algo de
esquisito se passava. Os machos comentavam o facto entre si e quem
mais criticava mais cirandava a volta do cafe
aguardando o momento mais propicio para penetrar
discretamente. O outro cafe foi ficando sem a clientela
costumeira, aquela clientela entre os vinte e os cinquenta. O mesmo
e dizer que o cafe habitual dos encontros nocturnos
ficaram reduzidos a uma especie de salo
geriatrico. Menos aos Domingos. Neste dia, era importante
manterem-se as virtudes. E que a noite todos os gatos
so pardos, mas de dia...</p>
<p>Vendo que as virtudes masculinas aderiam cada vez em maior
numero ao local,Rui decide ampliar as suas
ambies. E que na aldeia existia, ha
pouco tempo, uma dessas discotecas para ocupao
domingueira dos namorados e dos que pretendiam vir a namorar, por
isso so funcionava de tarde, para no ferir a moral
estabelecida de pais para filhos, de gerao em
gerao. Rui convence o dono a arrendar-lhe o
espao.</p>
<p>Nos toilettes a indicao
homem/mulhermais
sensual e, por isso, sexualmente mais indiscreta, para no
dizer atrevida, a menos que no consigamos imaginar
sensualidade e sexualidade entre. E tudo
mudou. A discoteca passa a abrir ao fim-de-semana, que e o
mesmo que dizer que abria de quinta a domingo, sempre apos
as onze horas da noite, claro. Os rapazes ficaram sem espao
para apalparem as suas donzelas enquanto danavam com elas
na penumbra da pista. Em contrapartida, ganharam o direito a
apalparem e a penetrarem em qualquer saia de cabedal desde que
dispostos a deixarem la todo o ordenado ganho durante a
semana. O pior foi para as donzelas que perderam o direito
as apalpadelas to estoicamente deixadas para o
domingo a tarde e no viam agora como resolver a
questo perderam apenas o
direito, perderam sobretudo o interesse dos seus principes
que preferiam o caminho mais facil da
penetrao ainda que mais caro. E assim se desfizeram
namoros, noivados e ate alguns casamentos. Foi o apocalipse.
Mulheres chorando por um lado, homens divertindo-se pelo
outro.</p>
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