<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[bloguepessoal.com] anmaca : <![CDATA[O Poeta (António Castro)]]></title>		<link>http://anmaca.bloguepessoal.com</link>		<description><![CDATA[O Poeta (António Castro)]]></description>		<language>pt</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Mon, 20 Jul 2009 09:45:47 +0200</pubDate>		<image>			<title>anmaca.bloguepessoal.com</title>			<link>http://anmaca.bloguepessoal.com</link>			<url>http://staticblog.hi-pi.com//images/avatar.gif</url>		</image>		<item>			<title><![CDATA[Opinião]]></title>			<description><![CDATA[<p> </p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">    <strong>        PAUSAS,
APRENDIZAGENS E REGRESSOS</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;"><strong></strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;"><strong>Durante um ano trabalha-se, têm-se alturas árduas de
compromissos, épocas de cansaço, pontualmente vive-se alguma
saturação, em alguns casos desentendimentos ou rivalidades, visões
diferentes dos assuntos que geram incompreensão e insegurança,
momentos de satisfação, horas de cavaqueio pós-laboral inerente às
nossas funções e &ndash; sempre &ndash; a vontade de
férias.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;"><strong>O trabalho é salutar, dá-nos objectivos, desgasta-nos,
proporciona-nos algum conforto e rendimentos e, porque produzindo
contribuímos para o bem estar da sociedade em que vivemos,
inventaram-se as férias: elas permitem-nos a necessária pausa para
continuarmos a produzir mas também novo círculo em que a moeda se
troca, o emprego se garante e a economia se sustenta. Para a
maioria de nós, sem trabalho não teríamos rendimentos nem a
possibilidade de, pelo menos uma vez no ano, nos sentirmos donos de
nós mesmos: com dinheiro, sem horários, com tempo para o lazer e
para novas descobertas!</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>O próprio turismo evoluiu,
tornou-se abrangente, diversificado, contemplando o urbanismo e a
natureza, o sossego e o desporto, a cultura, a própria religião...
E o ano de trabalho não nos parece o mesmo se, por qualquer razão,
antevemos um final de ano sem férias, isto é, sem podermos mudar de
ambiente e de rotinas.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>O grande prazer inicia-se
quando começamos a programá-las, a sonhá-las, a torná-las
concretizáveis...</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>De acordo com os nossos
condicionalismos (o dinheiro, a família, a saúde, ...) lá vamos,
com as expetativas ao alto, erguidas como bandeira nacional, em
final europeia.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Se viajarmos em grupo, o
melhor cruzeiro no Bósforo ou a magnífica &ldquo;Fontana di
Trevi&rdquo; só têm verdadeiro encanto caso as pessoas com quem
estamos usem a mesma conotação linguística ou, pelo menos,
demonstrem os mesmos interesses e (ou) valores / atitudes
compartilhados por nós. As férias conjuntas, como o trabalho
diário, acabam por afastar ou aproximar
&ldquo;definitivamente&rdquo; as pessoas.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Há férias (lugares e gentes)
que nos tocam tanto como aqueles professores que marcaram &ndash;
profunda e definitivamente - a nossa vida. Outras são para
esquecer...</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Perante elas, as reacções
também estão longe de ser as mesmas.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Alguns vão de férias e
guardam-nas na alma.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Parte de nós comenta-as, de
forma natural e sem exageros, com quem está mais próximo
e</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>nas devidas proporções de
ocasião.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Outros fazem alarido delas:
contam episódios, alongam descrições, exibem compras e indicam
preços sem serem questionados. Há até quem quase obrigue os demais
a visualizarem dezenas e dezenas de fotos, no emprego, e filmes
enfadonhos, quando recebem visitas.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Há quem nunca aprecie
totalmente os locais que escolhe: ou pela falta de qualidade do
serviço, ou pelos costumes &ldquo;incompreensíveis&rdquo;, umas
vezes pela limitação dos hotéis, outras tantas pela deficiente
alimentação proporcionada.... Fazem valer a importância que parecem
não ter durante o ano: exigem, chegam sempre tarde, nunca gostam do
que lhes é destinado, deixando a impressão de serem pessoas que
saem da rotina poucas vezes, passando as férias a incomodar todos
os outros, tal como fazem no emprego, tal como fazem na
vida!</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Enfim, a concretização de
férias, como a materialização dos sonhos, não é ideal. Constitui,
isso sim, uma oportunidade. Uma excelente maneira de conhecermos
personalidades e modos de agir e mais uma forma de aprendermos, se
formos capazes.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Agora que regressámos, a
nossa Ilha apresenta-se-nos ainda mais bonita e parecemos gostar
ainda mais dela.</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>Poderemos tentar fazer o
mesmo com as pessoas, esquecendo, para isso, algum pequeno
dissabor, uma ou outra incompatibilidade, reencontrando-as com uma
certa dose de tolerância e cortesia: pelo menos, fica-nos a certeza
de lhes termos dado a oportunidade de nos tratarem com o mesmo
decoro, durante o ano preenchido que agora começa. Mas também lhes
devemos fazer sentir a velha máxima de Aristóteles, segundo a qual
ninguém é dono da nossa felicidade e, por isso, não podemos
entregar &ldquo;a nossa alegria, a nossa paz e a nossa vida nas
mãos de ninguém&rdquo;, por muita ternura que nos suscite ou por
muito respeito que nos mereça!</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong></strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>ANTÓNIO
CASTRO</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong>(Opinião &ndash; Revista
Saber</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;">
<strong><em>Direitos
Reservados</em>)</strong></p>
]]></description>			<link>http://anmaca.bloguepessoal.com/184946/Opini-o/</link>			<comments>http://anmaca.bloguepessoal.com/Opini-o-04072009-004211-lp-184946.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://anmaca.bloguepessoal.com/184946/Opini-o/</guid>			<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 00:42:11 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Selo «Blogue Jóia»...]]></title>			<description><![CDATA[<div class="image-left"><a onclick=
"return !popup('/image/1244112437.jpg/','comment',780,600);" href=
"http://static.blogstorage.hi-pi.com/bloguepessoal.com/p/pf/pfn/images/gd/1244112437.jpg">
</a></div>
<div class="text">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<strong><em>Olá!</em></strong><span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">

<strong><em>Recebi este selinho de 2 Blogues
Amigos:</em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em> <a href=
"http://pfn.bloguepessoal.com/">http://pfn.bloguepessoal.com</a>  e</em></strong></span>
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em><a href=
"http://cristina.bloguedesporto.com/">http://cristina.bloguedesporto.com</a></em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em>...</em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em> e um desafio interessante das minhas amigas Paula
e Cristina.</em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em>Obrigado. </em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em>(Visitem os respectivos Blogues:
são 5*****!)</em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
 </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em>O desafio consiste no
seguinte:</em></strong><strong><em>* Escrever uma lista com oito
coisas que sonhamos fazer antes de passar desta pra melhor.
* Convidar oito parceira(o)s de blogs amigos para responderem
também. Comentar no blog de quem o convidou.
* Comentar no blog dos nossos(as)convidados(as) para que saibam do
mimo.Hummm, ora agora o
que quero eu fazer antes de bater a
bota...?</em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em> Quem irei
escolher?</em></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; color: #333333; font-family: Verdana; mso-ansi-language: PT;">
<strong><em>Volto, em breve, com mais
novidades!</em></strong></span></p>
</div>
]]></description>			<link>http://anmaca.bloguepessoal.com/175119/Selo-Blogue-J-ia/</link>			<comments>http://anmaca.bloguepessoal.com/Selo--Blogue-J-ia-----06062009-132905-lp-175119.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://anmaca.bloguepessoal.com/175119/Selo-Blogue-J-ia/</guid>			<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 13:29:05 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[VISÕES E PRIORIDADES]]></title>			<description><![CDATA[<p align="center"> </p>
<p align="justify"><strong><em>Quando fui menino ensinaram-me o valor do azul. Como bom
aprendiz, passei a conquistar outras cores, como o verde, que
alcancei, deitado no chão, para ganhar a copa das árvores.
Liguei-me tanto à experiência de olhar para cima que, reconheço,
perdi o interesse pelas coisas pequenas - às vezes necessárias,
outras vezes mesquinhas - da vida. Mais do que brinquedos, eu só
via as estrelas. O céu. As nuvens. O
mar...</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>É por isso que hoje não me encantam nem marcas, nem
aparências. Vivo das belezas da Ilha. Adivinhei-as nas savanas de
África, embora fosse um menino de cidade. E, na urbe onde eu nasci,
havia tudo o que Lisboa não tinha e as dimensões do país eram tão
grandes que poucas Ilhas esgotariam o percurso entre algumas
cidades.No entanto, era lá que cresciam pitangas, as goiabeiras
floresciam também no quintal e as gaitinhas, com outro nome,
enchiam igualmente os muros.</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>Apresentaram-me, também, fadas que aniquilavam bruxas e
sapos que se transformavam em príncipes. Não admira que eu, da
vida, tenha conquistado sonhos que "ninguém" alcança e perdido
vitórias ganhas por (quase) todos: há divergências entre a ilusão
que nos alimenta e a realidade, complexa e por vezes dura. Por
isso, talvez fosse importante não pintarmos um Mundo exageradamente
idílico às crianças: podemos correr o risco de as tornarmos
demasiadamente particulares, face à Sociedade que as
espera.</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>Na Ilha encontrei, outra vez, um céu bem azul, límpido,
repleto de estrelas. Por isso a amei. Mas as pessoas raramente
olham para a distância: preocupam-se mais com o imediato, as marcas
do vestuário e a vida de terceiros. Preferem pendurar a Natureza
numa parede da sala do que conquistá-la com os
sentidos.</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>Na Ilha, o mar bate, areia (quase) não há, mas é no
calhau rolado que a voz do oceano tem outro sabor. Haverá ilhéu que
não goste do mar? No entanto, quantos se vestem de ondas e ganham
asas, em busca de paz, nas longínquas Desertas? É por isso que
também não se devem dar ilusões bonitas às crianças, se nós, que
somos adultos, não acreditarmos
nelas.</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>No entanto, os seres crescem e os valores vão-se
perdendo, com outra filosofia, uma vez que, «agora», somos
europeus. Temos que forçar os açorianos a produzirem menos leite e
somos obrigados a pagar aos nossos pescadores para ficarem em
terra. Deixamos que qualquer inculto entre numa escola e insulte um
professor. Permitimos que qualquer mal formado envie um e-mail,
pondo em causa a vida pessoal de terceiros e não somos capazes de
enxotar a bilhardice: pelo contrário, alimentamo-la, com prazer
maquiavélico.</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>No século XXI, a evolução necessária ainda não acontece.
No entanto, fingimos ser tolerantes. Afirmamos não ser
preconceituosos. Nenhum de nós dirá que não renega a pobreza. Mas
nunca acreditámos tão pouco nos outros. Cá dentro, permanecemos na
mesma: não mudámos de vaidades e somos incapazes de evitar os
juízos de valor apressados. Não melhorámos o trato e, alguns de
nós, ofendemos a total razoabilidade do discurso. Se não
evoluir-mos, os mesmos sonsos de ontem e alguns chicos-espertos de
hoje, acabarão por ser os vencedores de amanhã. Permaneceremos
iludidos com aquilo que parece, só porque aparece, portanto pouco
críticos face ao que verdadeiramente se faz e nada interventivos na
construção do Futuro.</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>Quando a vida do vizinho for menos importante do que as
minhas inseguranças, quando o valor comum for mais importante do
que os meus interesses, quando a minha roupa de marca tiver menos
valor do que o corpo e a alma que tenho, aí sim, a minha vida e a
dos outros será melhor. De outro modo,
não.</em></strong></p>
<p align="justify"></p>
<p align="justify"><strong><em>ANTÓNIO CASTRO</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>(Artigo de Opinião: Revista
Saber</em></strong></p>
<p align="justify"><strong><em>Direitos Reservados)</em></strong></p>
<p align="justify"></p>
<p align="justify"><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
]]></description>			<link>http://anmaca.bloguepessoal.com/175117/VIS-ES-E-PRIORIDADES/</link>			<comments>http://anmaca.bloguepessoal.com/VISoES-E-PRIORIDADES-06062009-131705-lp-175117.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://anmaca.bloguepessoal.com/175117/VIS-ES-E-PRIORIDADES/</guid>			<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 13:17:05 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Marcadores de Livros...]]></title>			<description><![CDATA[<p><strong><em>Separadores que são
oferecidos hoje (Dia da Criança), no âmbito do Projecto
«Semear Palavras, Colher Leituras...»: Plano Municipal de Leitura -
Funchal.</em></strong></p>
]]></description>			<link>http://anmaca.bloguepessoal.com/172932/Marcadores-de-Livros/</link>			<comments>http://anmaca.bloguepessoal.com/Marcadores-de-Livros----01062009-023255-lp-172932.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://anmaca.bloguepessoal.com/172932/Marcadores-de-Livros/</guid>			<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 02:32:55 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Sobre o Porto...]]></title>			<description><![CDATA[<p><strong>ARTIGO DE
OPINIÃO</strong></p>
<p><strong>REVISTA
SABER</strong></p>
<p><strong>(DIREITOS
RESERVADOS)</strong></p>
<p align="center"><strong><em>VISITAR E CONHECER...</em></strong></p>
<p align="center"></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>É à beira-Douro que a cidade se
abraça. O casario aconchega-se, com medo do frio, o quotidiano
acontece em aproximação tal, que o individual se torna,
inevitavelmente, parte integrante do colectivo.</p>
<p>Os barcos deslizam no rio e um
artista de qualquer rua, talvez Escura, dá alma a um violino.
Aquela paisagem imponente, magnífica e única, contrasta com o
vetusto casario, gasto pelos maus tratos contínuos do
tempo...</p>
<p>No pulsar da Cidade, os
estrangeiros coram nas esplanadas, como roupa no estendal, e um
falaraz exibicionista fura a paz e os pensamentos, com acutilâncias
de alfinete. Há sempre alguém que nos invade o silêncio, teimando
em impedir que o voo interior se reflicta no olhar e balance com as
ondas, ao encontro do enleio e do sonho. E esse é um salutar
arquivo de energias, que nos aprovisiona de cores para o confronto
com os vários quotidianos cinzentos, que o futuro (também) trará.
Daí a necessidade de assinalarmos, com sentido proibido, aqueles
incómodos de aranha voraz, que são as recordações do passado e as
preocupações do futuro. São alturas em que a grande questão se
coloca no saber fintar as vielas ardilosas da vida, fincando
parêntesis nas obrigações e nas agruras, assenhoreando-nos do
espaço e do tempo interiores, como a gaivota no azul, que é o tecto
do rio.</p>
<p>E o leito do Douro corre, sem
horários ou normas, preocupações ou juízos...</p>
<p>Perante o dever e a vida em
sociedade, de vez em quando é bom não estar, para se poder ser,
saboreando a essência em golinhos miúdos.</p>
<p>As gentes multiplicam-se, nas
esplanadas e nos graníticos edifícios, que o turismo conserva. Uma
placa assinala o Postigo do Carvão, sobrevivente da muralha
fernandina do século XIV. Uma turista galga a pedra e esmera a
pose, para o fotógrafo amado. Por fim, um qualquer relógio há-de
cortar o devaneio e a subida revelar-se-à inevitável, até ao real,
até ao coração da Cidade.</p>
<p>Lá em cima, quando o Porto se
afasta do rio e depois da zona central, com o principal comércio e
serviços, o crescimento vai-se estendendo em particularidades e
dicotomias: da Boavista - enriquecida por vivendas bonitas e
andares de luxo - às Antas e à Foz, onde o mar apetece, mas também
ao Aleixo e ao Cerco, bairros problemáticos da Cidade.</p>
<p>As urbes são o espelho dos
cidadãos, tal como as casas constituem a principal marca das gentes
na paisagem. Há partilhas patrimoniais que transformam vivendas em
esqueletos degradados, comportamentos que geram sujidade e
desleixo, disfunções sociais que são raiz de violência. Há burlices
descaradas, pobreza envergonhada e dramas que corroem em
silêncio.</p>
<p>Entretanto, o trânsito entope.
Uma funcionária fecha a loja e corre. Um adolescente, diante de um
espelho na montra, põe todo o drama de vida nas borbulhas. Nesse
preciso instante, acontecem novos amores e vários divórcios, uns
nascem e outros morrem, os acontecimentos deslizam como
barcos...</p>
<p>Como é importante que os turistas
não digam "conheço o Porto", se apenas forem à Cidade sem o tempo
necessário para lhe interiorizarem a azáfama, os odores e o
colorido. Como é bom os seres saberem parar, para medirem à urbe o
borbulhar e, ao seu eu, a pulsação.</p>
<p>O que realmente importa, é que
cada um não se limite a passar apenas pelos dias, como o combóio na
ponte, rumo ao seu destino inevitável.</p>
<p> </p>
<p>ANTÓNIO CASTRO</p>
]]></description>			<link>http://anmaca.bloguepessoal.com/167117/Sobre-o-Porto/</link>			<comments>http://anmaca.bloguepessoal.com/Sobre-o-Porto----18052009-233855-lp-167117.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://anmaca.bloguepessoal.com/167117/Sobre-o-Porto/</guid>			<pubDate>Mon, 18 May 2009 23:38:55 +0200</pubDate>		</item>	</channel></rss>