<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[arteblog.com.br] sofistadeonda : <![CDATA[MORAL CONSTERNA.]]></title>		<link>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</link>		<description><![CDATA[MORAL CONSTERNA.]]></description>		<language>br</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 00:08:25 +0200</pubDate>		<image>			<title>sofistadeonda.arteblog.com.br</title>			<link>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</link>			<url>http://static.blogstorage.hi-pi.com/arteblog.com.br/s/so/sofistadeonda/images/mn/1255959887_regular.jpg</url>		</image>		<item>			<title><![CDATA[Maurice Denis]]></title>			<description><![CDATA[<p></p>
]]></description>			<link>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/228135/Maurice-Denis/</link>			<comments>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/Maurice-Denis-07112009-000415-lp-228135.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/228135/Maurice-Denis/</guid>			<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 00:04:15 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Mallarmé]]></title>			<description><![CDATA[<p><em>          
      Nada, esta
espuma, virgem verso
          A não
designar mais que a copa;
          Ao longe, se
afoga uma tropa
          De muitas
sereias ao inverso.</em></p>
<p><em>         
Navegamos, amigos fraternos
          Comigo desde
já sobre a popa.
          Vocês
avançam, sobre a proa
          A onda
de raios e invernos;</em></p>
<p><em>          Uma
embriaguez me livra
          Sem temer o
mar mais acima
          Erguendo de
pé este brinde</em></p>
<p><em>         
Solidão, recife, estrela
          Não importa
o que vibre
          O branco da
vela em cena.</em></p>
<p>          (Trad.
André Dick)</p>
<p style="text-align: justify;">No
poema acima, Mallarmé faz uma análise da página em branco na qual
escreve com a espuma do mar, além de associá-la a um brinde que faz
com os amigos. A imagem &ldquo;Solidão, recife, estrela&rdquo;
mostra essa idéia de descrição imaginária do poeta &ndash; frente à
página que escreve. Ao mesmo tempo, há a lembrança homérica, da
cena em que o canto das sereias atraíram os homens para a morte,
fazendo com que Ulisses fosse amarrado ao mastro e não caísse
nas águas. Toda essa visualização de Mallarmé é eficaz e estabelece
um diálogo entre vida e obra de maneira decisiva. Mallarmé é um dos
primeiros autores a ter a consciência de que o escrito moderno se
faz também numa relação intertextual, por meio da releitura, o que
os românticos entreviram, mas ainda preferiram associar a um
elemento mágico de descoberta subjetiva.
          Mallarmé
sucedeu Baudelaire, o autor de <em>Les fleurs du mal</em>, mas não
em termos poéticos: seu caminho foi um pouco contrário. A força do
enigma &ndash; &ldquo;sugerir, eis tudo&rdquo;, dizia&rdquo;
&ndash;, a atração pela música, pelas artes plásticas e, sobretudo,
pela teoria, o aproximava, como poucos, a Baudelaire. Como
Baudelaire, Mallarmé teve Edgar Allan Poe como grande pensador
crítico (os textos sobre poesia foram essenciais para a formação
artística de ambos). Mallarmé se aproximava tanto de Baudelaire
quanto de Rimbaud, o que é destacado na maioria dos livros de
teoria literária. Octavio Paz identifica essa tríade (em <em>Os
filhos do barro</em>, principalmente). Mas a verdadeira definição
de quais posturas eles tiveram diante do material literário, que é
a linguagem, se esclarece na relação que tiveram com o movimento
romântico, que precedeu o Simbolismo. Concentrando-nos em Mallarmé,
é visível que ele fez leituras de Poe (de &ldquo;A filosofia da
composição&rdquo;) e de Baudelaire em textos imprescindíveis sobre
o livro (&ldquo;Quant au livre&rdquo;, &ldquo;Livre&rdquo;), música
(&ldquo;La musique et les lettres&rdquo; e &ldquo;Hommage a Richard
Wagner&rdquo;), além da entrevista a Jules Huret. Sua condição,
portanto, é pós-romântica.</p>
]]></description>			<link>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/225984/Mallarm/</link>			<comments>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/Mallarme-01112009-142427-lp-225984.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/225984/Mallarm/</guid>			<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 14:24:27 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Byron]]></title>			<description><![CDATA[<p style="text-align: justify; background-color: #c0c0c0;">
<span style=
"font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Georgia; color: black;">
Homem é sempre o tema essencial da arte, e os gêneros nada mais são
do que visões acerca do humano. Como o que difere as épocas são as
suas interpretações do homem, cada época tem seu gênero preferido e
cada uma dessas interpretações vê em determinado gênero a melhor (e
talvez única) forma de expressar-se.</span></p>
<p style="text-align: center;"></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;">
<span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;"><span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;">As pessoas em suma não
existem. São fragmentos. O que também não é verdade porque assim
pareceria que as pessoas são coisas. Elas são articulações
hipotéticas onde a energia ambiental se polariza e se encaixa. Você
pode se contentar com a forma estática em uso, considerar-se em
segurança num blusão colorido, reconhecer detalhes desse corpo como
a pinta no ombro, plantar na cabeça objetivos aéreos e achar que
sua pele oportuna é uma fronteira, que existe entre um dentro e um
fora essa homogênea separação protetora. Você pode também pegar
pessoas na mão, supondo entre as partes que se tocam alguma solidez
confortável (...). Mas tudo isso desmancha de repente quando
você penetra fundo e é comido sem dor. Agora não tem ninguém
definido por objetivos, detalhes, referências, explicações
consoladoras do espelho sobre a forma estonteante e banal que
estaciona em seus
olhos.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></em></p>
<p style="text-align: right;">FRÓES, Leonardo</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>O movimento romântico</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O
movimento precursor da modernidade literária remonta ao século
XVIII, ao pré-romantismo e ao romantismo eupopeus, me cujas obras,
além das transformanções estéticas reacionárias aos cânones
clássicos, podem ser percevbidas mudanças profundas, desencadeadas
por um busca radical de liberdade, busca que se fundamenta na
afirmação da compatibilidade entre a vontade subjetiva e a ordem
universal. A rejeição aos estereótipos da sociedade burguesa (
voltada para a manutenção de uma ética das aparências e para a
segurança econômica) e o mal-estar ante a despoetização da vida
(desencadeada pela visão científica do mundo) levam os românticos a
uma ânsia de evasão e à  configuração artística de uma outra
realidade, imaginária e idealizada. As obras românticas configuram
uma realidade autônoma em relação à  veracidade objetiva às
regras éticas vignetes, regida apenas pela subjetividade e por leis
internas ao jogo estético. O artista romântico, agente-vítima da
dor cósmica, do isolamento social, da melancolia, anormalidade e
fragmentação íntimas, cria uma nova poética: aa poética da
negatividade.</p>
<p> </p>
<p><em><strong>Trevas</strong></em></p>
<p><em>Eu tive um sonho que não era
em tudo um sonho
O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas
Vaguejavam escuras pelo espaço eterno,
Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra
Girava cega e negrejante no ar sem lua;
Veio e foi-se a manhã &ndash; veio e não trouxe o dia;
E os homens esqueceram as paixões, no horror
Dessa desolação; e os corações esfriaram
Numa prece egoísta que implorava luz:
E eles viviam ao redor do fogo; e os tronos,
Os palácios dos reis coroados, as cabanas,
As moradas, enfim, do gênero que fosse,
Em chamas davam luz; cidades consumiam-se
E os homens se juntavam juntos às casas ígneas
Para ainda uma vez olhar o rosto um do outro;
Felizes quanto residiam bem à vista
dos vulcões e de sua tocha montanhosa;
Expectativa apavorada era a do mundo;
queimavam-se as floresta &ndash; mas de hora em hora
Tombavam, desfaziam-se &ndash; e, estralando, os troncos
Findavam num estrondo &ndash; e tudo era negror.
À luz desesperante a fronte dos humanos
Tinha um aspecto não terreno, se espasmódicos
Neles batiam os clarões; alguns, por terra,
Escondiam chorando os olhos,; apoiavam
Outros o queixo às mãos fechadas, e sorriam;
Muitos corriam para cá e para lá,
Alimentando a pira, e a vista levantavam
Com doida inquietação para o trevoso céu
A mortalha de um mundo extinto; e então de novo
Com maldições olhavam a poeira, e uivavam,
Rangendo os dentes; e aves bravas davam gritos
E cheias de terror voejavam junto ao solo,
Batendo asas inúteis; as mais rudes feras
Chegavam mansas e a tremer; rojavam víboras,
E entrelaçavam-se por entre a multidão,
Silvando, mas sem presas &ndash; e eram devoradas.
E fartava-se a Guerra que cessara um tempo,
E qualquer refeição comprava-se com sangue;
E cada um sentava-se isolado e torvo,
Empanturrando-se no escuro; o amor findara;
A terra era uma idéia só &ndash; e era a de morte
Imediata e inglória; e se cevava o mal
Da fome em todas as entranhas; e morriam
Os homens, insepultos sua carne e ossos;
Os magros pelos magros eram devorados,
Os cães salteavam os seus donos, exceto um,
Que se mantinha fiel a um corpo, e conservava
Em guarda as bestas e aves e os famintos homens,
Até a fome os levar, ou os que caíam mortos
Atraírem seus dentes; ele não comia,
Mas com um gemido comovente e longo, e um grito
Rápido e desolado, e relambendo a mão
Que já não o agradava em paga &ndash; ele morreu.
Finou-se a multidão de fome, aos poucos; dois,
Porém, de uma cidade enorme resistiram,
Dois inimigos, que vieram encontrar-se
Junto às brasas agonizantes de um altar
Onde se haviam empilhado coisas santas
Para um uso profano; eles as revolveram
E trêmulos rasparam, com as mão esqueléticas,
As débeis cinzas, e com um débil assoprar
Para viver um nada, ergueram uma chama
Que não passava de um arremedo; então alcançaram
Os olhos quando ela se fez mais viva, e espiaram
O rosto um do outro &ndash; ao ver, gritaram e morreram
- Morreram de sua própria e mútua hediondez,
Sem um reconhecer o outro em cuja fronte
Grafara a fome &ldquo;diabo&rdquo;. O mundo se esvaziara,
O populoso e forte era um informe massa,
Sem estações nem árvore, erva, homem, vida,
Massa informe de morte &ndash; um caos de argila dura.
Pararam lagos, rios, oceanos: nada
Mexia em suas profundezas silenciosas;
Sem marujos, no mar as naus apodreciam,
Caindo os mastros aos pedaços; e, ao caírem,
Dormiam nos abismos sem fazer mareta,
Mortas as ondas, e as marés na sepultura,
Que já findara sua lua senhoril.
Os ventos feneceram no ar inerte, e as nuvens
Tiveram fim; a Escuridão não precisava
De seu auxílio &ndash; as Trevas eram o Universo.</em></p>




<div></div>
<div></div>
<div><strong>Lord
Byron</strong> é hoje, uma lenda remota que muito pouco é lembrada
nos meios acadêmicos da Literatura e da História, e sua vasta obra
dificilmente será encontrada à venda nas livrarias de qualquer
lugar do Brasil, sendo que o pouco que se encontrar estará na
maioria das vezes escrito no inglês original ou francês,
dificultando assim ao interessado que não domine outros idiomas de
aprofundar-se em seus escritos.
Com muito custo e às vezes por acaso, encontramos algum material de
sua autoria, então através desses fragmentos vamos juntando todas
as peças que compõem o
<strong>&ldquo;quebra-cabeças&rdquo;</strong>...
Após um longo tempo de estudo e pesquisa desta figura curiosa, vejo
surgir então o seu vulto espectral de perfil apolíneo que está por
trás de todo o mito de terror, em destaque
<strong>&ldquo;Drácula&rdquo;</strong> e
<strong>&ldquo;Frankenstein&rdquo;</strong>.
Byron foi um testemunho vivo do nascimento da imortal obra de Mary
Shelley intitulada <strong>&ldquo;Prometeu Moderno&rdquo;</strong>
ou <strong>&ldquo;Frankenstein&rdquo;</strong>, e tudo parece ter
começado por volta do ano de 1816 quando o poeta reunia-se com seus
amigos numa bela mansão ao lado do lago Lemano, em
Genebra.</div>




<p style="text-align: justify;">Entre estes ilustres amigos destacam-se nomes que
também garantiram popularidade no mundo das letras como Polidory,
Shelley, Mary Shelley e Lewis, os quais discutiam como intelectuais
que eram, os mais variados assuntos ligados à literatura e às artes
em geral, em especial o assunto voltado para o medo e o
terror.

Byron lia fervorosamente um raro volume de literatura alemã
intitulada <strong>&ldquo;Fantasmagoriana&rdquo;</strong>
que entusiasmou
deliberadamente seus amigos ouvintes a ponto de os mesmos
promoverem uma espécie de concurso para avaliar dentre eles, quem
seria o melhor a produzir um conto de terror ou uma obra qualquer
no gênero que alcançasse tamanha grandeza.
Então este grupo incomum de indivíduos puseram as suas inspirações
no papel num cenário perfeito para um conto de terror, pois as
fortes tempestades das últimas noites e as ventanias agitavam as
ondas do lago e os trovões estremeciam os arvoredos próximos a casa
do poeta Shelley, amante de Mary Shelley.</p>




<div>E foi Shelley o
primeiro a escrever um relato de terror intitulado
<strong>Anatomia</strong>, inspirado em suas lembranças de
infância. Polidory compôs uma história de horror onde uma sinistra
mulher com rosto de caveira surgia da escuridão para fazer o mal.
Mary Shelley superou todos os seus amigos produzindo o primeiro
esboço de sua obra <strong>&ldquo;Frankenstein&rdquo;</strong>, que
seria publicado no ano de 1818. E por fim, Lord Byron escreveu uma
história de vampiros...

Aqui começa definitivamente um dos mais terríveis pesadelos que
tomaria ainda maior força ao serem absorvidas quase todas estas
idéias, somadas é claro, a genialidade e outras fontes históricas,
por Bram Stoker para a elaboração de seu
<strong>&ldquo;Drácula&rdquo;</strong>, que seria publicado por
volta de 1897.
Vê-se aqui, que sobre os auspícios de Lord Byron, dois grandes
mitos do horror vêem à luz de quase uma só vez. Monstros e vampiros
assim vão tomando gradualmente a verdadeira forma sob lúgubre
atmosfera gótica daquelas reuniões em noites de tempestade na casa
do poeta Shelley, em Genebra, na Suiça...</div>





<p style="text-align: justify;">Byron, fascinado com o mito do vampirismo escreveu
os seguintes versos do qual eu extraí alguns fragmentos
significativos. Observem como a presença de um vampiro é
explicitamente evocada de forma quase absoluta:
 &ldquo;Primeiro, o vampiro na terra da cova teu cadáver
será arrancado. Perseguido terrivelmente, vagarás sugando o sangue
de toda a tua raça. De sua filha, sua irmã e mulher. À meia-noite a
fonte de vida secarás, embora repugnado o banquete que
necessariamente alimenta teu vivo cadáver. Tuas vítimas são as que
vão espiar e conhecer o demônio como mestre, rogando muitas pragas
a ti e ti a eles. As flores murcharão nas tuas
hastes...&rdquo; 

Aqui vai uma nota de grande relevância, o poema parece ter sido
publicado em 1813, provando que o tema sobre <strong>&ldquo;vampiros&rdquo;</strong>
já há muito povoava a
mente do poeta.
Quanto à história sobre vampiro por ele produzida naquelas noites
do ano de 1816, parece que o assunto só foi retomado mais uma vez
por se tratar de forte impacto sobrenatural, causando no espectador
um envolvimento direto com o tema lúgubre do vampirismo.
Provavelmente, anos mais tarde o amigo de Byron, Polidory, escreveu
e publicou um conto sobre vampirismo baseado nas anotações da
história contada por Lord Byron, daquelas reuniões em noites de
tempestade.</p>





<div>Mas a ligação do
vampirismo com Lord Byron se dará de forma mais explícita, quando
bem mais tarde Bram Stocker, após pesquisar toda a literatura
gótica de autores como Le Fanu, Walpole, Mary Shelley, Polidory e
culminando ainda no medieval Shakespeare, faz uma ligação com o
Drácula histórico da Romênia, antiga Transilvânia, com Vlad
Tepes...
O conde Drácula, de Bram Stocker, parece um descendente do conde
Lara, de Lord Byron, pois o cenário onde passa-se todo o enredo
assemelha-se muito em estilo. Ambos possuem uma atmosfera lúgubre
de mistério e terror, um castelo incomum e a imagem da sensualidade
feminina muito presente em ambas as obras.
Porém, no caso de <strong>Drácula</strong>, a coisa toma um sentido
muito mais profundo, diretamente ligado à questão do sangue, pois o
sangue é vida e Drácula só sobreviverá se beber sangue humano, de
preferência de belas mulheres...
Esta relação de sedução, amor e sexo de um vampiro com sua vítima,
também possui um perfil Byroniano, pois Lord Byron foi um grande
sedutor que deflorou muitas mulheres e em <strong>&ldquo;Don
Juan&rdquo;</strong> essa questão torna-se explícita!</div>




<p style="text-align: justify;">O próprio Byron era um <strong>&ldquo;Don
Juan&rdquo;</strong>...
Parece que por detrás de <strong>Drácula</strong>, de Bram Stocker, e <strong>Frankenstein</strong>, de Mary Shelley, a sombra irônica e
zombeteira de Lord Byron levanta esvoaçando ao vento sua capa de
lord sombrio.
Mas o mito Byroniano não fica tão somente preso a estes dois
personagens, que são dois gigantes episódios da literatura
fantástica e de horror. Pois vai muito mais além da nossa
compreensão, talvez por abranger cenários ainda mais estranhos e
distantes do entendimento comum dos mortais. Na abadia onde vivia
Lord Byron, corria-se a lenda que era mal assombrada e que
fantasmas e espectros vagavam noite adentro. Dentre estes sinistros
fantasmas, um deles destacava-se com seu capuz preto. Byron
afirmava aos seus amigos e convidados que o visitavam, que diversas
vezes já tinha visto o fantasma pelos corredores e pelas
salas.
No quintal da abadia existia um pequeno cemitério onde os antigos
habitantes já mortos ali jaziam lado a lado.
Conta-se, segundo relatos da biografia do poeta, pesquisada e
escrita pelo ilustríssimo André Mourais, da Academia de Letras da
França, que não raras vezes, quando o jardineiro cavava para
arrumar ou plantar alguma flor, encontravam-se alguns desses ossos.
Certa vez, encontraram um crânio humano. Imediatamente os
jardineiros levaram à Lord Byron, que riu ironicamente e em seguida
mandou a um joalheiro com o intuito de transformar aquele crânio em
uma taça macabra. A taça ficou idêntica a do Príncipe Cures dos
Piezenigos, aquele que o Sr. Albino Forjaz Sampaio cita em seu
texto sobre o ódio, onde o crânio de Suatislão transformou-se numa
taça entalhada com a seguinte inscrição: &ldquo;Perdeu o próprio buscando
o alheio&rdquo;. A taça de Lord Byron era muito semelhante a essa. Mas a
inspiração central para o entalho da macabra taça, vinha também dos
costumes dos reis lombardos da idade média.</p>
<p style="text-align: justify;">Byron
é vítima de dramáticas contradições como homem e como poeta. Capaz
de expressar-se com o mais delicado dos lirismos, às vezes
exalta-se por um cinismo arrogante.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Eutanásia

Tradução de João Cardoso de Menezes e Souza
(Barão de Paranapiacaba).

Quando o tempo me houver trazido esse momento,
Do dormir, sem sonhar que, extremo, nos invade,
Em meu leito de morte ondule, Esquecimento,
De teu sutil adejo a langue suavidade!

Não quero ver ninguém ao pé de mim carpindo,
Herdeiros, espreitando o meu supremo anseio;
Mulher, que, por decoro, a coma desparzindo,
Sinta ou finja que a dor lhe estará rasgando o seio.

Desejo ir em silêncio ao fúnebre jazigo,
Sem luto oficial, sem préstito faustoso.
Receio a placidez quebrar de um peito amigo,
Ou furtar-lhe, sequer, um breve espaço ao gozo.

Só amor logrará (se nobre à dor se esquive,
E consiga, no lance, inúteis ais calar),
No que se vai finar, na que lhe sobrevive,
Pela vez derradeira, o seu poder mostrar.

Feliz se essas feições, gentis, sempre serenas,
Contemplasse, até vir a triste despedida!
Esquecendo, talvez, as infligidas penas,
Pudera a própria Dor sorrir-te, alma querida.

Ah! Se o alento vital se nos afrouxa, inerte,
A mulher para nós contrai o coração!
Iludem-nos na vida as lágrimas, que verte,
E agravam ao que expira a mágoa e enervação.

Praz-me que a sós me fira o golpe inevitável,
Sem que me siga adeus, ou ai desolador.
Muita vida há ceifado a morte inexorável
Com fugaz sofrimento, ou sem nenhuma dor.

Morrer! Alhures ir... Aonde? Ao paradeiro
Para o qual tudo foi e onde tudo irá ter!
Ser, outra vez, o nada; o que já fui, primeiro
Que abrolhasse à existência e ao vivo padecer!...

Contadas do viver as horas de ventura
E as que, isentas da dor, do mundo hajam corrido,
Em qualquer condição, a humana criatura
Dirá: "Melhor me fora o nunca haver nascido!"</em></p>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div><strong>FONTES</strong></div>
<div><strong> </strong></div>
<div><strong>Bibliografia</strong></div>
<div> </div>
<div>AMORA, Antônio Soares. O romantismo. 5. ed. São Paulo:
Cultrix, 1976. (Literatura brasileira, 2).
&ldquo;O romance e o Don Juan&rdquo;. Notas de crítica literária.
Folha da Manhã, a.19, nº 6153. São Paulo, 2 abr. 1944, p. 14. (Em
torno do Don Juan, de Byron) (AE).
NYE, Robert. Memorias de Lord Byron.</div>
<div></div>
<div>FERREIRA, Letícia Raimundi. A lírica dos símbolos em Orides
Fontela - Santa Maria: ASL: Pallotti, 2002</div>
<div></div>
<div></div>
<div><a href=
"http://www.germinaliteratura.com.br/literatura_esp_froes5.htm"
target=
"_blank">http://www.germinaliteratura.com.br/literatura_esp_froes5.htm</a></div>
<div></div>
<div><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lord_Byron" target=
"_blank">http://pt.wikipedia.org/wiki/Lord_Byron</a></div>
]]></description>			<link>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/225990/Byron/</link>			<comments>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/Byron-01112009-134058-lp-225990.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/225990/Byron/</guid>			<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 13:40:58 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[ARTE: POÉTICA X RETÓRICA]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;">Arte poética é
expressão que remete, em primeiro lugar, para Aristóteles (384-322
a. C.) e para o seu conhecimento tratado sobre a poesia. Ao que se
pensa e julga saber, este tratado, composto na parte final da vida
ao autor, revela do carácer acromático de importante parte do corpo
textual aristotélico. Recorre, contudo, a um texto anterior,
produzido em contexto muito mais aberto, o diálogo <em>Dos
Poetas</em>, onde alguns dos motivos estruturadores da arte poética
aristotélica, como a &ldquo;imitação&rdquo; ou a
&ldquo;catarse&rdquo;, tinham sido já, ao que parece, visto que
o  diálogo se perdeu e só muito posteriormente foi
reconstituído, expostos e  desenvolvidos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;">        
A Arte Poética de Aristóteles era, na sua origem, constituída por
dois livros e  não apenas por aquele que hoje conhecemos e a
tradição nos legou e que passa por  ser o primeiro dos dois.
Tanto as paráfrases árabes do texto, da autoria de Avicena (séc.
XI) e de Averróis (séc. XII), como a versão siriáca em que ambas se
inspiram  (séc. VII), de que resta hoje um fragmento,
desconheciam já a existência do segundo livro da <em>Poética</em>.
O carácter acroamático do texto, muito mais destinado ao
esclarecimento de discípulos que ao manuseamento do público,
explica, pelo menos em parte, o desaparecimento do livro, que
versaria, ao que se sabe, a comédia, como o primeiro versa a
tragédia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;">        
A <em>Arte Poética</em> de Aristóteles, tal como hoje a conhecemos,
divide-se em duas partes. A primeira desenvolve um conceito de
poesia como imitação de acções , que  se afasta, ou mesmo
contrapõe, ao de Platão, para quem a poesia era narração e não
imitação (cf. Livro III, <em>A República</em>). A arte poética em
Aristóteles requer operadores directos, agentes ou personagens,
enquanto em Platão exige (apenas) recitadores. A imitação
aristotélica, processando-se por meios, objectos e modos
diferentes, não se confunde, porém, com cópia ou reprodução fiel da
realidade, carreando antes, pela percepção do geral a que
filosoficamente aspira, criação autónoma e transfiguração
heterogénea. A segunda parte da <em>Poética</em>, a mais extensa,
estuda a tragédia, uma das espécies ou géneros da poesia dramática,
e faz a comparação da tragédia e da epopeia, um género da poesia
narrativa ou não-dramática.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;">        
Seria, contudo, flagrante injustiça ver apenas no texto de
Aristóteles um códice técnico de dois géneros poéticos, a tragédia
e a epopeia, como aconteceu durante muitos e muitos anos, onde
sobressaem os do Renascimento com as suas paráfrases normativas, ou
um sistema de elaboradas regras, capaz de constituir um cânone
compositivo, seguro e perfeito. A <em>Arte Poética</em> de
Aristóteles aparece-nos hoje, depois do romantismo e dos
modernismos, não só como exemplo de rigor e  fundamento de
estudos clássicos, o que nunca deixou de ser, mas, sobretudo, como
o primeiro texto que tentou com êxito compreender  e
problematizar a singularidade do fenómeno poético. O livro  do
estagirita dedicado à poesia tem o enorme mérito de ser um estudo
empírico e descritivo, que parte quase sempre dos fenómenos para as
leis e não destas para aqueles, o que lhe assegura uma perenidade
invejável. Trata-se de uma poética generativa, se assim podemos
dizer, e não normativa, dos textos poéticos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;">        
Neste sentido, a reflexão aristotélica não terminou ainda; a arte
poética continua viva e de excelente saúde. Se, por um lado, a
<em>Poética</em> continua a ser indispensável para aqueles que
queriam conhecer o funcionamento não da tragédia enquanto género
universalmente válido, o que foi o erro das poéticas latinas e
renascentistas, de Horácio a Boilaeu, mas da tragédia circunscrita
ao tempo de Aristóteles, oq ue leva a aceitar que sem o estagirita
os trabalhos sobre a tragédia de Wilamowitz ou de Nietzsche
dificilmente poderiam ter  sido escritos, por outro, o livro
do grego mostra-se, em termos de teoria da literatura, o primeiro
elo de uma cadeia que, até aos seus mais recentes desenvolvimentos,
de Jakobson a  Todorov, nunca o dispensou, até quando contra
ele pensa, o que, diga-se, poucas vezes tem acontecido.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;">        
Entre nós, António Telmo, na linha de um neo-aristotélico como
Álvaro Ribeiro, deu recentemente à estampa um livro chamado
<em>Arte Póetica</em> (1963; 1993), onde se percebe a actualização,
em termos de modernidade literária portuguesa, de Pessoa a
Cesariny, da matriz aristotélica, e isso mesmo quando o autor, que
pretende passar de uma filosofia especulativa a uma filosofia
operativa, de tipo dramática, conduzindo o pensamento à linguagem e
detectando nesta uma energia  activa, nos lembra, por
subrepção, as concepções linguísticas do <em>Crátilo</em> de
Platão.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<strong><span style=
"font-size: 10pt; font-family: Verdana;">BIB</span></strong><span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;">.: 
Augustus W. von Schlegel, &ldquo;Lectures on the Dramatic Art and
Literature&rdquo;, in <em>The Theatre of the Greeks</em>, 1836, pp.
291-480; Fernando Pessoa, <em>A Nova Poesia Portuguesa</em>
(Prefácio de Álvaro Ribeiro), 1944; G. Genette, &ldquo;Frontières
du  Récit&rdquo;, in <em>Figures II</em>, 1969; T. Todorov,
<em>Poétique de la Prose</em>, 1971; R. Jakobson, Question de
Poétique, 1973; Aristóteles, <em>Poética</em> (Tradução, prefácio,
Introdução, Comentário e Apêndices de Eudoro), 2ª. ed. rev.
aumentada, 1986; António Telmo, &ldquo;Possessos (Teoria
daTragédia)&rdquo;, in <em>Arte Poética</em> (2ª. Rev. aumentada),
1993<em>.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Retórica e
poética</strong></p>
<p style="text-align: center;"></p>
<p style="text-align: justify;">A tradição retórica
e poética dominou a reflexão literária do século V. a.C até o
século XIX. Ao longo desses séculos estabeleceu-se um cerrado
aparelho conceitual em torno do fenômeno discursivo. Hoje em dia
cada vez mais os estudiosos de literatura e das demais áreas do
saber voltam sua atenção para esse gigantesco e precioso patrimônio
que ficou relegado a segundo plano por quase dois
séculos.</p>
<p style="text-align: justify;">A
<strong>retórica</strong> é uma arte (<em>techne</em>, em grego)
que se dedica ao domínio do discurso em todos os seus níveis, tendo
em vista obter-se uma maximização dos seus efeitos sobre o público.
Ela foi dividida já na Grécia antiga em três modalidades ou
gêneros, conforme o seu objeto, público e fim: 1) retórica judicial
(<em>genus iudiciale</em>, na terminologia latina); 2) retórica
deliberativa ou política (<em>genus deliberativum</em>); e 3)
retórica epidíctica ou demonstrativa (<em>genus demonstrativum</em>
no qual elogia-se ou censura-se uma pessoa). A primeira modalidade
tem o seu local privilegiado no tribunal; a segunda na
<em>ágora</em>, a praça pública; a terceira em festas ou enterros.
O tempo verbal da primeira é predominantemente o passado (julga-se
ações passadas); o da segunda é o futuro (delibera-se na
<em>ágora</em> sobre ações futuras que deverão ser empreendidas); e
a da terceira o presente (o princípio da epideixis é descritivo e
visa a apresentação da pessoa elogiada ou censurada).</p>
<p style="text-align: justify;">A retórica divide a
preparação e apresentação de um discurso em cinco fases:</p>
<p style="text-align: justify;">1)
<strong>invenção</strong> (conhecida pelo termo latino
<em>inventio</em>): nessa fase procura-se os temas relacionados ao
objeto que será exposto. Ao longo do tempo estabeleceram-se certos
temas clássicos - chamados <em>topoi</em> ou <em>loci</em>, ou seja
<em>locais</em> - a partir de uma concepção espacial da
<strong>memória</strong> como uma arquitetura composta de
compartimentos que abrigam os diversos elementos do saber. Na Idade
Média estabeleceu-se um conjunto básico de questões a serem
respondidas no momento da invenção: quem, o que, onde, com que, por
que, como, quando?</p>
<p style="text-align: justify;">2)
<strong>disposição</strong> (em grego <em>taxis</em>, em latim
<em>dispositio</em>): aqui o orador organiza a apresentação das
suas idéias de acordo com diferentes estratégias de convencimento.
Seu acento pode variar recaindo ou sobre as emoções mais fortes
(visando a comoção, em latim: <em>movere</em>), ou sobre afetos
mais amenos (atingindo o deleite, <em>delectare</em>), ou ainda
sobre uma apresentação ordenada com base em argumentos racionais
(princípio didático; cf. concepção latina de <em>docere</em>). O
importante é que haja uma adequação (<em>aptum</em>) entre o fim do
orador, seu método, seu público e o objeto de seu
discurso.</p>
<p style="text-align: justify;">3)
<strong>elocução</strong> (<em>léxis, elocutio</em>): na teoria
retórica clássica essa fase corresponde à passagem (adequada) das
idéias (<em>res</em>) para as palavras (<em>verba</em>)
correspondentes. Essa é a parte da retórica que mais se desenvolveu
na modernidade. Ela trata da teoria do estilo e da
<em>ornamentação</em> da linguagem. Aqui encontramos as descrições
dos tropos e das figuras retóricas.</p>
<p style="text-align: justify;">4)
<strong>memória</strong>: após a composição do discurso na
elocução, o orador deve memoriza-lo. A teoria retórica desenvolveu
uma complexa metodologia de memorização, a <em>ars memoriae</em>,
mnemotécnica, que tem sido recuperada nas últimas décadas em
inúmeros estudos acadêmicos.</p>
<p style="text-align: justify;">5)
<strong>ação</strong> (<em>hypocrisis, pronunciatio</em>):
finalmente o orador declama seu discurso. Faz parte da teoria da
<em>pronunciatio</em> uma doutrina tanto da entonação como também
da linguagem corporal - gestual - do orador.</p>
<p style="text-align: justify;">A doutrina
<strong>poética</strong> desde a antigüidade encontra-se muito
próxima da retórica e muitas vezes chegou a não mais diferenciar-se
dela. A base dessa separação é dada pelas duas obras de
Aristóteles, a <em>Retórica</em> e a <em>Poética</em> (existe
tradução dessas obras para o português). A diferença entre esses
dois discursos nesse autor é apenas de grau quando ele trata da
<em>linguagem</em> da poesia em relação à da oratória e é essencial
quando ele afirma que a poesia deve <em>representar</em>
(mimetizar) as coisas como elas "devem ser" e não, como ocorre no
campo da prosa da historiografia, como elas "são". A
<em>Poética</em> de Aristóteles legou para a posteridade uma série
de conceitos chave para a filosofia, estética e teoria literária,
como por exemplo o de <em>catársis</em>. Além disso - com a sua
distinção entre a epopéia e a tragédia - ele está na base de uma
longa e complexa tradição de teoria dos <strong>gêneros
literários</strong>. Até hoje poucas são as obras sobre a poesia
que abriram tantas portas para a sua compreensão como a
<em>Poética</em> de Aristóteles. Portanto só podemos aconselhar a
sua leitura a qualquer interessado em literatura e na sua
crítica.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Fontes e artigos relacionados:</p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<strong><a title="a obra em suma" href=
"http://www.culturabrasil.org/poetica/artepoetica_aristoteles.htm"
target="_blank"><strong>Arte
Poética de Aristóteles</strong></a></strong></p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<a href="http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/A/arte_poetica.htm"
target=
"_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/A/arte_poetica.htm</a></p>
<p class="MsoNormal" style=
"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt; text-align: justify;">
<a href="http://www.sescsp.org.br/sesc/convivencia/oficina/livrovivo/retorica_poetica.htm"
target=
"_blank">http://www.sescsp.org.br/sesc/convivencia/oficina/livrovivo/retorica_poetica.htm</a></p>
]]></description>			<link>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/223803/ARTE-PO-TICA-X-RET-RICA/</link>			<comments>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/ARTE--POeTICA-X-RETiRICA-26102009-224944-lp-223803.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/223803/ARTE-PO-TICA-X-RET-RICA/</guid>			<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 22:49:44 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Missão Francesa]]></title>			<description><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Debret -</strong>
<em><strong>Um Funcionário a Passeio com sua
família</strong></em></p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Em França, a <em>École des Beaux-Arts</em>
francesa será a que maior impacto terá neste estilo. Segue os eixos
estéticos do <strong>Neoclassicismo</strong> e do
<strong>Romantismo</strong> e influencia assim o academicismo
orientando-o, na sua fase final, para um ecletismo entre estes dois
movimentos. Por este facto os artistas actuam sobretudo no campo da
pintura e da escultura e a temática foca-se, em grande parte, nos
temas históricos e mitológicos da <span class=
"mw-redirect">antiguidade clássica</span> onde a acentuação do
realismo formal e a representação do <em>nu</em> em comunhão com um
crescente dramatismo e idealização da realidade são de extrema
importância.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Mas o principal eixo do academicismo é a
premissa de que a arte é aprendida, de que um artista não é um
génio cuja mão se move ao ritmo da inspiração divina ou talento,
mas sim um teórico, um conhecedor da matéria, um intelectual
informado sobre as regras formais e que segue o gosto considerado
como o único aceitável. Pela forte actuação das academias, ao nível
da formação e divulgação da arte académica (concursos, exposições),
a produção artística acaba por ser controlada limitando a
imaginação e a intuição individuais, renunciando qualquer corrente
que divergisse da já disseminada.</p>
<p style="text-align: justify;">A
partir de 1815, diante da queda definitiva de Napoleão Bonaparte, a
França conheceu grandes mudanças políticas, abrindo-se o período
conhecido como Restauração. No ano seguinte, em condições não
plenamente esclarecidas pela historiografia, chegou ao Brasil um
grupo de artistas e artífices ligados àquele estadista, que
introduziu o <span class="mw-redirect">estilo neoclássico</span> no
país.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns estudiosos defendem que a idéia de trazer o grupo teria
partido do marquês de Marialva, por recomendação do naturalista
alemão Alexander von Humboldt. O convite teria sido ratificado pelo
Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, António de Araújo e
Azevedo, o 1.º conde da Barca. Outros, entretanto, referem uma
carta de Nicolas-Antoine Taunay à rainha de Portugal, rogando-lhe o
apoio, através de sua mediação junto ao Príncipe-Regente D. João,
para a contratação do grupo, uma vez que, como bonapartistas, ou
simpatizantes de Napoleão, não se sentiam seguros na França que
assistia ao retorno da dinastia dos <span class=
"mw-redirect">Bourbon</span> ao poder, no contexto das negociações
do Congresso de Viena.</p>
<p style="text-align: justify;">O
grupo, que viria a ser chamado <em>Colônia Lebreton</em>,
revolucionaria as artes na corte tropical do Rio de Janeiro. A
Missão chegou em um momento em que o Brasil, e em especial o Rio de
Janeiro, procurava se atualizar e reorganizar depois da imprevista
transferência da Família Real portuguesa e beneficiou-se do clima
favorável propiciado pelo estabelecimento de acordos comerciais
entre França e Brasil em 1815, e do desejo da coroa de desenvolver
as Artes e Ofícios na América, onde agora vivia a Família Real e
parte expressiva da nobreza portuguesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Do
ponto de vista administrativo, não seria producente, para uma corte
instalada no exílio, manter uma terra enorme sob o antigo perfil
extrativista e agrário, com uma administração semi-feudal, quando a
metrópole, talvez perdida para sempre, fervia em mudanças, a
ciência estava em alta e a indústria começava a se tornar desejada
e necessária. Não havia garantia de quando a volta seria, se é que
haveria um retorno, e assim melhor fazer esta imensidão ser
competitiva diante da comunidade das nações; para isso certas
coisas teriam de mudar. Além disso a instituição de um sistema de
ensino superior em artes e ofícios viria a minimizar o vazio
provocado pela expulsão dos jesuítas, que antes administravam boa
parte do ensino.</p>
<p style="text-align: right; padding-left: 30px;"><em>À partir de 1815, après la chute définitive
de Napoléon, la France a connu de profonds changements politiques
sous la Restauration. L'année suivante, dans des conditions
qui n'ont pas encore été complètement éclaircies par
l'historiographie, est arrivé au Brésil un groupe
d'artistes et d'artisans qui avaient pris le parti du
souverain déchu et qui ont introduit le style néoclassique dans le
pays.</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 30px;"><em>Quelques chercheurs soutiennent que
l'idée de faire venir le groupe serait due au marquis de
Marialva, sur une recommandation du naturaliste allemand
<span class="mw-redirect">Alexandre de Humboldt</span>.
L'invitation aurait été ratifiée par le Ministre des Affaires
Étrangères du Portugal, António de Araújo et Azevedo, premier comte
da Barca. D'autres, pourtant, rappellent une lettre de
Nicolas-Antoine Taunay à la reine du Portugal, où il la suppliait
de l'aider, en se faisant l'intermédiaire auprès du
Prince-Régent dom João, pour qu'il donnât son accord à tout
le groupe, étant donné que, comme bonapartistes, ils ne se
sentaient pas en sécurité en France dans la France des Bourbons et
l'atmosphère du Congrès de Vienne.</em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>Le groupe, qui devait être appelé Colonie
Lebreton, était appelé à révolutionner les arts à la cour de Rio de
Janeiro située sous les tropiques. La Mission introduisit pour
l'enseignement le système des écoles des Beaux-Arts qui
n'existait pas dans la métropole portugaise, il s'était
développé en Europe depuis le <span class="romain">XVII</span>
siècle mais n'avait pas pénétré au Portugal. La Mission fut
escortée jusqu'au Brésil par des navires
anglais.</em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><strong><span class="mw-headline">A Missão
Artística</span></strong></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 30px;"><em>Le leader du groupe, responsable de
l'organisation du projet, était Joachim Lebreton (1760-1819)
qui venait d'être démis de son poste de secrétaire de
l'Institut de France ; c'est lui qui engagea les
négociations. À partir des informations de Humboldt, qui avait
visité la région amazonienne en 1810, il prévit de créer une école
pour former des artistes sur le continent
sud-américain.</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 30px;"><em>Le 26 mars 1816 le groupe accosta à Rio de
Janeiro, alors capitale du pays. Dom João VI (1816-1826), désireux
de développer les Arts et les Métiers au Brésil où se trouvait la
famille royale, entourée d'une partie importante de la
noblesse portugaise, signa le 12 août de cette même année le décret
qui créait l'École royale des Sciences, Arts et
Métiers.</em></p>
<p style="text-align: justify;"></p>
<p style="text-align: right;">Rugendas, "Etnias Negras"</p>
<p style="text-align: justify;">Como
líder do grupo, assumiu as negociações Joachim Lebreton
(1760-1819), secretário recém-destituído do Institut de France,
responsável pela organização do projeto. A partir das informações
de Humboldt, que visitara a região amazônica em 1810, Lebreton
planejou criar uma escola de formação de artistas no continente
sul-americano.</p>
<p style="text-align: justify;">O
grupo, a bordo do navio <em>Calpe</em>, aportou ao Rio de Janeiro,
então capital, a 26 de março de 1816, escoltado por navios
ingleses. D. João VI (1816-1826) assinou o Decreto para a criação
da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios a 12 de agosto desse
mesmo ano, o qual não obstante não passaria de uma medida formal,
pois a Escola não chegaria a funcionar de imediato, como se verá.
Segue um trecho do decreto, onde fica patente o interesse régio
pelos frutos práticos que tal instituição produziria para o
crescimento da nação:</p>



<em>"Atendendo ao bem
comum, que provêm aos meus fiéis vassalos, de se estabelecer no
Brasil uma Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, em que se
promova e difunda a instrução e conhecimentos indispensáveis aos
homens destinados não só aos Empregos Públicos da Administração do
Estado, mas também ao progresso da Agricultura, Mineralogia,
Indústria e Comércio, de que resulta a subsistência, comodidade e
civilização dos povos, maiormente neste continente, cuja extensão,
não tendo o devido e correspondente número de braços indispensáveis
ao amanho e aproveitamento do terreno, precisa de grandes socorros
da prática para aproveitar os produtos, cujo valor e preciosidade
podem vir a formar do Brasil o mais rico e opulento dos Reinos
conhecidos, fazendo-se, portanto, necessário aos habitantes o
estudo das Belas-Artes com aplicação e referência aos ofícios
mecânicos, cuja prática, perfeição e utilidade depende dos
conhecimentos teóricos daquelas artes, e difusivas luzes das
ciências naturais, físicas e exatas; e querendo, para tão úteis
fins aproveitar, desde já, a capacidade, habilidade e ciência de
alguns dos estrangeiros beneméritos que têm buscado a Minha Real e
Graciosa Proteção, para serem empregados no ensino da instrução
pública daquelas artes: Hei por bem, e mesmo enquanto as aulas
daquelas artes e ofícios não formam a parte integrante da dita
Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios que Eu Houver de Mandar
estabelecer, se pague anualmente
(...)."</em> 

<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span class="mw-headline">Integrantes da
Missão</span></strong></p>




<ul style="text-align: justify;">
<li>Joachim Lebreton (1760-1819) - o
líder do grupo</li>
<li><span class="mw-redirect">Jean
Baptiste Debret</span> (1768-1848) - pintor histórico</li>
<li>Nicolas-Antoine Taunay
(1755-1830) &ndash; pintor de paisagens e de batalhas</li>
<li>Auguste Henri Victor Grandjean de
Montigny (1776-1850) &ndash; arquiteto</li>
<li><span class="new">Charles de
Lavasseur</span> &ndash; arquiteto</li>
<li><span class="new">Louis
Ueier</span> &ndash; arquiteto</li>
<li><span class="mw-redirect">Auguste
Marie Taunay</span> (1768-1824) &ndash; escultor</li>
<li><span class="new">François
Bonrepos</span> &ndash; escultor</li>
<li><span class=
"mw-redirect">Charles-Simon Pradier</span> (1783-1847) &ndash;
gravador</li>
<li><span class="new">François
Ovide</span> &ndash; mecânico</li>
<li><span class="new">Jean Baptiste
Leve</span> &ndash; ferreiro</li>
<li><span class="new">Nicolas
Magliori Enout</span> &ndash; serralheiro</li>
<li><span class="new">Pelite</span>
&ndash; peleteiro</li>
<li><span class=
"mw-redirect">Fabre</span> &ndash; peleteiro</li>
<li><span class="new">Louis Jean
Roy</span> &ndash; carpinteiro</li>
<li><span class="new">Hypolite
Roy</span> &ndash; carpinteiro</li>
<li>Félix Taunay (1795 &mdash; 1881),
filho de Nicolas-Antoine, teria importante papel na Academia anos
depois. Também veio com o grupo, mas na época era apenas um jovem
aprendiz.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Seis
meses mais tarde, uniram-se ao grupo:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Marc Ferrez (1788-1850) &ndash;
escultor (tio do fotógrafo Marc Ferrez)</li>
<li>Zéphyrin Ferrez (1797-1851)
&ndash; gravador de medalhas</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Projeto Lebreton</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Lebreton propôs instaurar uma nova metodologia de ensino
através da criação de uma Escola de Belas Artes com disciplinas
sistematizadas e graduadas. O ensino se daria em três
fases:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Desenho geral e cópia de modelos
dos mestres, para todos os alunos;</li>
<li>Desenho de vultos e da natureza,
e elementos de modelagem para os escultores;</li>
<li>Pintura acadêmica com
<span class="new">modelo vivo</span> para pintores; escultura com
modelo vivo para escultores, e estudo no atelier de mestres
gravadores e mestres desenhistas para os alunos destas
especialidades.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Para
a arquitetura haveria também três etapas divididas em teóricas e
práticas:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Na teoria:
<ul>
<li>História da arquitetura através
de estudo dos antigos;</li>
<li>Construção e
perspectiva;</li>
<li>Estereotomia.</li>
</ul>
</li>
<li>Na prática:
<ul>
<li>Desenho;</li>
<li>Cópia de modelos e estudo de
dimensões;</li>
<li>Composição.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Paralelamente Lebreton sugeria ainda o ensino da música, bem
como sistematizava o processo e critérios de avaliação e aprovação
dos alunos, o cronograma de aulas, sugeria formas de aproveitamento
público dos formados e projetava a ampliação de coleções oficiais
com suas obras, discriminava os recursos humanos e materiais
necessários para o bom funcionamento da Escola, e previa a
necessidade da formação de artífices auxiliares competentes através
da proposta de criação paralela de uma <em>Escola de Desenho para
as Artes e Ofícios</em>, cujo ensino seria gratuito mas igualmente
sistemático.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span class=
"mw-headline">Dificuldades</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A
Missão chegou ao Brasil imbuída de altos propósitos, como diz
Debret:</p>



<em>"Animados todos por
um zelo idêntico e com o entusiasmo dos sábios viajantes que já não
temem mais, hoje em dia, enfrentar os azares de uma longa e ainda,
muita vezes, perigosa navegação, deixamos a França, nossa pátria
comum, para ir estudar uma natureza inédita e imprimir, nesse mundo
novo, as marcas profundas e úteis, espero-o, da presença de
artistas franceses"</em>



<p style="text-align: justify;">Mas a
realidade contradisse suas expectativas. Embora com o apoio real, a
missão encontrou resistência entre os artistas nativos, ainda
seguidores do Barroco, e ameaçavam a posição de mestres portugueses
já estabelecidos. A verdade é que os franceses foram recebidos como
importunos tanto por portugueses quanto por brasileiros. A rainha
<span class="mw-redirect">D. Maria I</span> faleceu em 1816, e o
projeto de modernização da capital avançava lentamente. O governo
central tinha muitas outras preocupações a atender, como o
acompanhamento da instável situação na Europa, as constantes
demandas administrativas internas e os conflitos de fronteira no
sul na Questão Cisplatina, subtraindo recursos e atenção do projeto
cultural francês. O principal incentivador do projeto, o Conde da
Barca, faleceu no ano seguinte, o contrato dos artistas foi posto
em discussão e o cônsul francês no Brasil não via com bons olhos a
presença de bonapartistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto a Escola não era instalada definitivamente, ficando à
mercê das oscilações políticas e sofrendo modificações no projeto
original, sucumbindo, como lamentava Debret, aos <em>"aos erros e
vícios do ancien régime"</em>, os artistas sobreviviam da pensão
que lhes concedera o governo, e ocupavam-se aceitando encomendas,
ao lado das aulas que conseguiam ministrar nas precárias condições
em que se achou o projeto nos primeiros anos. Lebreton faleceu em
1819, e como seu sucessor foi nomeado o português, professor de
Desenho, Henrique José da Silva, artista conservador, ferrenho
crítico dos franceses, no que se descreve como <em>golpe mortal
dado às Belas Artes no Brasil</em>. O seu primeiro gesto foi
liberar os franceses de suas obrigações como professores. Tantas
foram as dificuldades que Nicolas-Antoine Taunay abandonou o país
em 1821Félix Taunay. Pouco depois o Taunay escultor também
faleceria, desfalcando ainda mais o grupo primitivo, do qual foram
efetivamente aproveitados pelo governo apenas cinco integrantes:
Debret, Nicolas Taunay, Auguste Taunay, Montigny e Ovide.
(ano da morte de Napoleão), substituído por seu
filho,</p>
<p style="text-align: justify;">Passariam dez anos antes de a Missão dar seus primeiros frutos
significativos, com a inauguração, em 5 de novembro de 1826, com a
presença de D. Pedro I, da Academia Imperial ou Academia na
Travessa das Belas-Artes, à altura da Travessa do Sacramento (atual
Avenida Passos). Em 1831, Debret também retornaria à França. A
Academia constitui-se no embrião da atual Escola de Belas Artes da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é
escopo deste artigo discutir a Academia Imperial de Belas Artes,
nem detalhar o perfil de suas herdeiras, pois isso já cai fora do
âmbito real da Missão de 1816, que se extingue com a morte de
Montigny em 1850. Mas a ela cabe o mérito de ter sido a semente de
um projeto renovador e ao mesmo tempo pragmático e idealista, cujos
desdobramentos a longo prazo seriam os mais frutíferos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span class=
"mw-headline">Importância</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A
Missão teve um papel importante na atualização do Brasil em relação
ao que ocorria na Europa na época, foi a modernidade em seu tempo.
Embora o tenha exercitado de forma sistemática, não foi a primeira
nem a única força responsável pela difusão do Neoclassicismo no
país, já perceptível na obra de diversos artistas precursores
atuando aqui desde fins do século XVIII, como Antonio
Landi<span class="mw-redirect">Mestre Valentim</span> na
arquitetura, Manuel Dias de Oliveira na pintura e na música os
últimos integrantes da Escola Mineira, como Lobo de Mesquita e João
de Deus de Castro Lobo. Mas é certo que os princípios estéticos que
a Missão defendia foram com o tempo adotados quase na íntegra e se
tornaram naturais, integrando o novo dado à história nacional,
tradição fortalecida na gestão de <span class=
"mw-redirect">Félix-Emile Taunay</span>, filho de Nicolas, à frente
da AIBA. O projeto já foi criticado modernamente como uma
<em>invasão consentida</em>, uma intervenção violenta e repressora
no desenvolvimento cultural brasileiro, que ainda trazia forte
herança barroca e há pouco encontrara a maturidade em artistas como
<span class="mw-redirect">Mestre Ataíde</span> e Aleijadinho, mas
com o apoio oficial aos artistas neoclássicos a transição para a
nova estética foi acelerada, e com isso tumultuada.</p>
<p style="text-align: justify;">Por
outro lado, sua importância como fundadores de um novo sistema de
ensino não pode ser negligenciada, já que a Academia, mesmo
encontrando na origem sérios empecilhos e demorando para
frutificar, tornar-se-ia mais adiante a mais importante instituição
oficial de arte no Brasil, e nela se formariam gerações dos maiores
artistas brasileiros, atestando a validade do método proposto. A
atuação dos franceses também contribuiu para melhorar o
<em>status</em> do artista, assumindo uma postura de cidadãos
livres, profissionais, numa sociedade em vias de laicização, e não
mais submetidos à Igreja e seus temas, como se observava nos tempos
anteriores. As noções de saneamento e higiene que trouxeram iriam
modificar o urbanismo das cidades. Também o conjunto de sua obra
plástica pessoal é muito atraente, boa parte dele enriquecendo os
acervos nacionais até os dias de hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram
os fundadores da <span class="mw-redirect">arte acadêmica</span>
como estilo no Brasil, uma arte cultivada pelo estado e organizada
dentro de linhas metodológicas rígidas, com temáticas próprias,
modelos formais próprios, exames de aptidão e sistema de
premiações, e boa parcela de censura a originalidades supeitas de
romper os cânones consagrados; tal organização chocava o hábito de
séculos, pois até ali a Igreja havia sido o grande mecenas, e suas
orientações eram diferentes. Desdenhada por uns, aplaudida por
outros, sem sombra de dúvida a arte acadêmica, que floriu
imensamente da segunda metade do século XIX até o início do
seguinte, herdeira direta dos franceses repudiados e de seu
sistema, foi o veículo formal de boa parte dos mais vigorosos
monumentos da história da arte nacional de todos os
tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram
os franceses os qualificados professores da primeira geração de
artistas nacionais educados em escola pública, segundo um sistema
profissionalizante inédito, e estes formaram muitos outros de
grande valor segundo os mesmos princípios. Basta a qualquer um dar
um lance de olhos na listagem de artistas formados pela Academia
nas décadas seguintes que verá uma pletora de gênios: Victor
Meirelles, Rodolfo Amoedo, Henrique Bernardelli, Pedro Américo,
Eliseu Visconti, Artur Timóteo da Costa, Belmiro de Almeida, e
tantos outros, que conseguiram, graças à sólida formação recebida
na veneranda escola, retratar a cara do Brasil em grande estilo,
chegando a altos vôos na escultura e na pintura com obras que se
tornaram ícones nacionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal
atividade intensa atraiu a presença no pais de mais bom número de
outros estrangeiros, como Georg Grimm, Castagneto, François-René
Moreau, Eduardo de Martino, que deram sua contribuição adicional à
cultura do Brasil. Essa tradição só se interrompeu com a absorção
da Academia, depois Escola Nacional de Belas Artes, pela atual
Universidade Federal do Rio de Janeiro, exatamente quando o
Modernismo aparecia com força na cena encerrando um grande ciclo
cultural e a República reorganizava o sistema de ensino
superior.</p>
<p style="text-align: justify;">No
país, a tendência neoclássica torna-se visível na arquitetura. Seu
expoente é Grandjean de Montigny1776-1850), que chega com a Missão
Francesa. Suas obras, como a sede da reitoria da Pontifícia
Universidade Católica no Rio de Janeiro, adaptam a estética
neoclássica ao clima tropical. Mesmo que sua fundamentação fosse de
uma sociedade agrário-escravocrata e com um comércio relativamente
atrasado, tendo um governo monárquico. (</p>
<p style="text-align: justify;">Na
<em>pintura</em>, a influência neoclássica está submetida ao
romantismo. A composição e o desenho seguem os padrões de
sobriedade e equilíbrio, mas o colorido reflete a dramaticidade
romântica. Um exemplo é <em>Flagelação de Cristo</em>, de
<span class="mw-redirect">Vítor Meirelles</span>
(1832-1903).</p>
<p style="text-align: justify;">Na
<strong>literatura</strong>, a principal expressão é o arcadismo,
caracterizado por um estilo mais simples e objetivo e pela temática
voltada para a natureza. Os seus principais poetas encontram-se em
Vila Rica, centro cultural do Brasil na época. A vida no campo é
também abordada , mas os pastores europeus são substituídos pelos
vaqueiros brasileiros. <span class="new">Cláudio Manuel
Costa</span> (1729 - 1789), Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) e
<span class="mw-redirect">Silva Alvarenga</span> (<span class=
"new">1749-1814</span>) são os principais poetas do movimento no
Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Fonte > Artigos da Wikipédia
(idiomas: francês/português):</p>
<p style="text-align: justify;"><a href=
"http://fr.wikipedia.org/wiki/Mission_artistique_fran%C3%A7aise"
target="_blank">http://fr.wikipedia.org/wiki/Mission_artistique_fran%C3%A7aise</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href=
"http://pt.wikipedia.org/wiki/Miss%C3%A3o_Art%C3%ADstica_Francesa"
target="_blank">http://pt.wikipedia.org/wiki/Miss%C3%A3o_Art%C3%ADstica_Francesa</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href=
"http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoclassicismo" target=
"_blank">http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoclassicismo</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href=
"http://pt.wikipedia.org/wiki/Academicism" target=
"_blank">http://pt.wikipedia.org/wiki/Academicism</a></p>
]]></description>			<link>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/220887/Miss-o-Francesa/</link>			<comments>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/Miss-o-Francesa-19102009-144241-lp-220887.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/220887/Miss-o-Francesa/</guid>			<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 14:42:41 +0200</pubDate>		</item>	</channel></rss>