<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[MORAL CONSTERNA.]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2009-07-03T22:34:21+02:00</updated>		<entry>			<title>Arte Schopenhauriana</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><em>Quem vê as inúmeras e variadas instituições destinadas ao
ensino e ao aprendizado, além da grande multidão de alunos e
mestres, poderá acreditar que para o gênero humano a compreensão e
a verdade são de extrema relevância. Todavia também nesse caso as
aparências enganam. Os mestres ensinam para ganhar dinheiro e não
visam à sabedoria, mas aparecer e receber o crédito de seus
semelhantes; e os alunos não estudam para adquirir conhecimento e
compreensão, mas para poderem falar e atribuir-se
prestígio.</em></p>
<p><em>(Schopenhauer, <em>A arte de insultar</em>)</em></p>
<p></p>
<p>Schopenhauer nos apresenta a sua idéia de mundo na sua extensa
obra chamada <em>O mundo como vontade de representação (1818)</em>.
O mundo em Schopenhauer é <em>vontade</em>, e vontade se faz
<em>representação</em>, representação é uma vontade disfarçada na
individuação. É nessa dinâmica que a vida como sendo sofrimento e
dor deve ser entendida, ao contrário de ser mera
ofensividade.</p>
<p>A representação é o mundo tal como nos aparece na sua
multiplicidade, porém, essa multiplicidade representativa que o
homem cria, é organizada e articulada no espaço e no tempo. Surge
ai dois princípios: o <em>princípio da individuação e o de
razão</em>.</p>
<p><em>O princípio da individuação</em> nos remete ao que
Schopenhauer concebe como sendo espaço e tempo, em suas formas de
individuação e multiplicidade onde os fenômenos ocorrem. Por
<em>princípio da razão</em>, o filósofo entende o caráter
explicável que nós damos aos fenômenos que se sucedem no
espaço-temporal.</p>
<p>Ressalta importante a fazer é que a razão para Schopenhauer não
é revestida do tradicionalismo filosófico socrático-cartesiano. A
razão é mera ilusão; embora as representações do mundo sejam
organizados pela nossa razão, a verdade será sempre
inacessível, sendo este título reservado à vontade. Tirando a
vontade, conceito central da filosofia schopenhauriana, nada existe
no mundo senão fantasias.</p>
<p></p>
<p>Schopenhauer revestiu a vontade com a essencialidade
metafísica, daí um dos pontos de discordância de Nietzsche. O
elementar existente em toda vida é a vontade. Mas o que é a
vontade? A vontade é um impulso cego presente em todos os seres
vivos, ela não é acessível à razão, mas se mostra através da razão.
O objetivo da vontade não é senão a satisfação, que também não é da
ordem cognoscente.</p>
<p>Porém o mundo não permite que essa vontade seja satisfeita em
sua plenitude, há obstáculos demais, de tal forma que é exatamente
nesse contexto que devemos entender o mundo como sendo sofrimento e
dor para Schopenhauer.</p>
<p>Não há nenhuma forma de satisfação da vontade em sua
integridade, quando não muito um pouco de gozo, mas que tão logo
dissipa no surgimento de outras necessidades. É nesse movimento
incessante pela busca de satisfação, sendo ela jamais obtida de
forma integral, que a vida é uma sucessão de sofrimentos com alguns
pontos de prazer.</p>
<p>São na alternância entre sofrimento e prazer, desejos e
decepções que surgem com o devir que a vontade se manifesta. A vida
em total equilíbrio é impossível, a vontade é movimento constante
em busca da satisfação, é o nascer e o perecer incessantemente
sendo renovado. Nesse sentido, somos eternos, pois sendo vontade a
essência da vida para Schopenhauer, ela é sempre sucessão infinita
presente na Vida, um eterno ciclo renovável.</p>
<p>A vontade reside fora do campo das aparências e não habita o
espaço-temporal. Somente no corpo é que podemos perceber as suas
manifestações em essência, para Schopenhauer, o homem é vontade.
Mas se habitamos um espaço-temporal, isto é, fora das acomodações
da vontade, como ela se apresentará no mundo?</p>
<p>A vontade se apresenta pelas representações. Como anseio ávido,
impulso básico e cego da espécie, ela se objetiva através do mundo
das idéias. É por meio do princípio da individuação e da razão que
a vontade usa roupagens múltiplas para ser-no-mundo.
A representação se mostra como expressão da vontade disfarçada que
disputa a matéria em um espaço-temporal.</p>
<p>Freud, na construção do inconsciente, apoiou-se
fundamentalmente na filosofia de Schopenhauer. Nietzsche, como já
dito, também se apropriou da vontade, porém, desvestida de essência
e verdade, e para além de sua função cega e negativa da vida, fez
da vontade a força criadora que permite ao homem fazer de si uma
obra de arte ou se quebrar nela mesma: a vontade de
potência.</p>
<p>É ingênuo atribuir a Schopenhauer o termo pessimista tal como
ele costuma ser significado para nós: fazendo oposição à felicidade
inventada peloshomens
modernos, que tem como essência a crença em um terno estado de
perfeito gozo ou a leviana idéia de que somente pensamentos
positivos devem fazer parte do nosso itinerário.</p>
<p>Schopenhauer oferece nada mais que uma interpretação para a
vida. Uma vida que é vontade cega num devorar-se a si mesma, sem
cessar. A dor e a destruição são intrínsecas a essa vida, pois a
vontade é indiferente à individuação, de tal forma que ela
necessariamente acarreta o sofrimento do outro e de si. Um corpo
habitado pela vontade não vê outro senão como inanimado, um meio
para satisfação como qualquer objeto, decorrendo daí, tal como em
Hobbes, uma natureza onde o homem é o lobo do homem.</p>
<p>Com essa idéia terrível de vida, Schopenhauer não está
sentenciando a vida no conformismo, não está dizendo para nós
fazermos guerra uns com os outros. Conhecendo essa vontade cega que
reside nos subterrâneos da nossa existência, para Schopenhauer,
podemos buscar formas mais satisfatórias de relacionamento com o
mundo e com as outras vontades, isto é, com os outros seres
vivos.</p>
<p>Como caminhos possíveis que Schopenhauer nos oferece para
escapar do incessante devorar-se a si mesmo imposto pela vontade,
há a <em>contemplação estética</em> e o <em>ascetismo</em>. O
primeiro é a possibilidade do homem transcender sua percepção de
mundo, libertar-se do desejo e, temporariamente, contemplando a
aparência do belo, suprimir o sofrimento.</p>
<p>A arte, por
excelência, é para Schopenhauer um meio para contemplação capaz de
ofuscar a vontade. Por meio da arte o homem pode
apagar, momentaneamente, o mundo que é sofrimento e
trazer a visão confortante da percepção artística.</p>
<p>Schopenhauer, na
<strong>Metafísica do Belo</strong>, estabelece dois modos de se
conhecer: o que parte do princípio de razão  espaço, tempo e
causalidade  e, assim, conhece as coisas tão somente em suas
relações, e aqui tem a ver com a vontade do indivíduo, e o
conhecimento pelo qual intuímos a Idéia das coisas, completamente
destituídos da vontade, onde o indivíduo se torna puro sujeito do
conhecer. O primeiro modo de conhecimento tem que ver com a
ciência, enquanto o segundo é próprio da arte e é obtido através da
contemplação pura, desinteressada, que faz o sujeito perder-se de
si. Essa fuga do indivíduo e o tornar-se puro sujeito do conhecer
destituído de vontade vem a ser o caráter genial estabelecido pelo
filósofo. Adiante, coloca que há dois modos de se chegar à
apreensão da Idéia, a saber: pela efetividade do mundo e pela obra
de arte.
Contudo, apreender a Idéia pela efetividade é mais complicado, uma
vez que há grande possibilidade de nos envolvermos com a natureza,
guiados pelo princípio de razão, por nossa vontade. Apreender a
Idéia na efetividade vem a ser papel mais constante no artista, que
o faz e passa essa apreensão para a obra de arte. Por seu turno, a
obra de arte consiste em um meio facilitador da apreensão da Idéia,
onde toda relação possível com a vontade é escamoteada e a
efetividade já não é mais para nós, dada a fixidez da obra.
Portanto, a finalidade da obra de arte é mediar de forma mais fácil
a nossa apreensão da Idéia.</p>
<p>A arte schopenhauriana também influenciou profundamente
Nietzsche, sobretudo em <em>O nascimento da tragédia</em>, onde
esta era vista ainda em seu caráter metafísico, o que tempos depois
Nietzsche eliminaria.</p>
<p>Interessante notar é que nessa relação inicial de
mestre-discípulo, para ambos, a vontade é caos, sofrimento e
contradição, porém, enquanto Schopenhauer a vontade opera negando a
vida, já que a satisfação será sempre impossível, em Nietzsche ela
é a própria força criadora para afirmar a vida, vontade do artista
para obter a alegria no mundo aparente.</p>
<p>Já pelo outro caminho, pela via do ascetismo, Schopenhauer
acredita que é possível, de forma mais duradoura, apaziguar a dor.
Este caminho não é senão a negação da vontade. Pelas representações
oriundas da vontade, o asceta faz dela uma arma contra si mesma,
nega-a através de suas representações que elegem ideais como
elementos mais supremos e primordiais para obtenção do gozo, e essa
arquitetação se dá no plano supra-sensível. Por estar esse gozo
representado no mundo das idéias, o asceta, enganando a vontade,
por assim dizer, não se sabe por quanto tempo, irá desfrutar de
satisfações.</p>
<p>Moral: Kant X Schopenhauer</p>
<p>Para Schopenhauer, o mundo, enquanto manifestação da Vontade,
não tem sentido, pois é puro querer viver, puro ímpeto, pura ação.
Para lhe dar um sentido moral é necessário buscar um sentido onde
ele não existe: na arte e na compaixão, esta que, para o filósofo,
sozinha é a base de toda justiça livre e de toda caridade
genuína (SCHOPENHAUER, 2, p. 136). Para ele, somente a
compaixão é desinteressada, livre do egoísmo da vontade, do
ímpeto para a existência e o bem-estar (id., ibid.,
p.120).</p>
<p>A moral dada a priori em
Kant, pelo imperativo categórico, ou seja, uma lei que seguimos e
ao mesmo tempo somos autores, é baseada no dever, cuja efetivação
relaciona-se à idéia do Soberano Bem. O problema, porém, é que uma
moral baseada no dever não é desinteressada, pois há por trás dela
uma promessa de punição ou recompensa, que a torna hipotética e,
por isso, não poderia ser fundamentada dessa forma: se o imperativo
categórico não funciona sempre, não pode ser absoluto e
incondicional. A felicidade não é, para Schopenhauer, conseqüência
da virtude, e o filósofo afirma ainda que uma ética sem
pressupostos metafísicos não pode estar fundamentada sobre o
tu deves. Schopenhauer critica Kant por afirmar que
uma ação só tem valor moralSchopenhauer, que a moral
kantiana é fria, enfadonha, onde se ajuda o próximo por obrigação e
nada mais, indiferente a seu sofrimento. genuíno quando acontece simplesmente por dever, sem qualquer
tendência relacionada com ela (id., ibid., p. 40). Podemos
tirar daí, como faz</p>
<p>A afirmação de Kant, citada
por Schopenhauer, de que numa filosofia prática não se trata
de dar fundamentos daquilo que acontece, mas leis daquilo que deve
acontecer, mesmo que nunca aconteça e de que existem
leis morais puras (id., ibid., p. 23) tem origem na idéia de
dever moralSchopenhauer, as leis morais não podem ser admitidas sem
prova: para que se possa admitir numa ética científica leis
para a vontade, tem-se de exercer na ética a probidade e não
somente em recomendá-la (id., ibid., p. 24 e 25). Uma ética
a priori, como quer Kant, é formal e, portanto, só nisso consiste,
não no conteúdo das ações. Não sendo, então, demonstrável
empiricamente, toda estrutura construída sobre ela também não será.
Com isso temos que em Kantmoral é prescritiva, enquanto que em
Schopenhauer é descritiva, baseada em fatos, empírica.
teológica. Para a</p>
<p>Para Schopenhauer, a moral
deve ser baseada no que é, no que acontece realmente
(id., ibid., p. 23) e não se dá, como em Kant, a priori. Pelo
contrário: só podemos conhecer nossas respostas perante os
acontecimentos. A moral está na intenção, quer dizer, nos atos, que
se toma sem interesse próprio, egoísta, ou seja, sem a preocupação
com o resultado ou com o retorno que ele trará. A compaixão é
resultado da experiência, do indivíduo que se reconhece nos outros,
quebrando a ilusão do princípio de individuação, e, por isso,
refere-se a algo que já se deu, não programado pela razão. Exceto
pela compaixão, todas as ações humanas são baseadas no egoísmo,
próprio do querer viver, da vontade. Não podemos saber como
reagiremos a determinada situação antes que ela se apresente. A
moral, baseada em fatos e não em especulação é simples e pode falar
até mesmo para o homem mais rude.</p>
<p>Ao dar importância primária
à vontade, Schopenhauer afirma que nela deve ser buscado o sentido
moral do mundo, enquanto que na ética proposta por Kant temos
sempre, por detrás, o pensamento de que o ser íntimo e
eterno do homem consistiria na razão (id., ibid., p.38). Se
o homem tivesse essas leis à priori, como quer Kant, deveríamos
supor que ele terá de se conformar com elas e segui-las, pois, caso
contrário nada valem. Para Schopenhauer, a motivação moral
tem de ser simplesmente algo que se anuncie por si mesmo, por isso
tem de ser positivamente agente e, portanto, real; e como para o
homem só o empírico ou o que porventura é empiricamente existente
tem realidade pressuposta, a motivação moral tem de ser, de fato,
empírica</p>
<p><strong>Referências
bibliográficas:</strong></p>
<p>
1. Schopenhauer, A,
<em>O mundo como vontade e representação</em>, São Paulo,
Contraponto, 2001
2. ___________, <em>Sobre o fundamento da moral</em>, São Paulo,
Martins Fontes, 2001
Brum, J.T., <em>O pessimismo e suas vontades</em>, Rio de Janeiro,
Rocco, 1998
Cacciola, M. L., <em>Schopenhauer e a questão do dogmatismo</em>,
São Paulo, Edusp, 1994
____________, <em>O conceito de interesse</em>, Cadernos de
Filosofia Alemã, São Paulo, 1999</p>
<p>http://www.transtorno.net/tag/schopenhauer</p>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/174946/Arte-Schopenhauriana/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/174946/Arte-Schopenhauriana/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-07-03T22:34:03+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>duchamp X crítica</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span>
O silencio é de ouro,
talvez, mas há momentos em que uns bons berros têm, ao menos, a
função profilática de desabafo. Este é James Joyce, citado
por Paulo Francis (1966), para exemplificar o quanto é importante
que haja uma relação de hostilidade do artista com o convencional.
Importante sim, porém legítima. Atualmente já está provado que a
melhor maneira do artista contestar algo dentro das artes plásticas
é fazendo arte.</span></p>
<p><span>
<em>Considera-se que foi a partir da década de 60 do século passado
que surgiram as primeiras obras do conceitualismo. Os primeiros
trabalhos foram de Kosuth e Baldessari, e pode-se dizer que hoje
estes são dois nomes desconhecidos. A maior parte dos artistas
conceitualistas desapareceram tão rapidamente como surgiram, e
talvez, esta fosse a intenção. Segundo Teixeira Coelho Neto (1991),
a arte conceitual não deixou muitos vestígios entre o público,
mas, interessantes para o pensamento
artístico.</em></span><em>
<span>Para
Kosuth e os outros conceitualistas de sua época, a arte deveria
estar no mental e não no material. Para fazer arte estes artistas
precisavam apenas de si mesmos e de suas idéias. Kosuth em seu
manifesto Arte e filosofia dizia que qualquer obra de arte do
passado era mera curiosidade histórica. Para ele, arte era algo que
existia agora e para o agora. Michel Heizer e Richard Long andavam
por um gramado até que seus passos repetidos por um mesmo percurso
acabassem por nele abrir um sulco: a arte - ou o processo artístico
- não era o sulco em si, menos ainda qualquer fotografia que dele
tirasse, e sim, a ação de andar daquele modo, naquele lugar. O
processo artístico aí seria o que Artaud chamava de estado
poético.</span></em></p>
<p><em>
<span>Eliminando
o suporte material elimina-se o produto, portanto, o conceitualismo
colocou em discussão o sistema das galerias e a arte como objeto de
negócio. Esta era consumida ali mesmo, naquele momento exato e por
quem a produziu. O artista era seu próprio crítico e só ele poderia
explicar sua obra, sendo assim, eliminava-se também o
crítico.</span></em></p>
<p>
<span> Atualmente, em nossa
contemporaneidade, verificamos que as idéias dos artistas
conceitualistas trouxeram fortes conseqüências para o que é feito
hoje nas artes plásticas. Entretanto, há sérios problemas em tal
influencia, pois, se antes os artistas conceitualistas acreditavam
apenas no mental e desprezavam o material, os artistas
contemporâneos utilizam-se também destes processos conceituais,
porém, são completamente dependentes do material. Segundo Teixeira
Coelho Neto (1995), a arte contemporânea recuperou o material e o
conceitual, unindo-os. Para este autor o artista contemporâneo não
se vê mais obrigado a procurar aquilo que ainda não foi feito, e
sente-se livre assim, a voltar-se para o que bem entender. Sem um
empenho definitivo em relação a si mesmo ou sua
obra.</span>
<span> Chega-se então à questão
das instalações, que inundaram o universo da arte contemporânea. É
fato que o que se faz hoje em grande parte das instalações é
conseqüência da arte conceitual, Marcel Duchamp quando transformou
um urinol de bar em obra de arte pretendia mostrar que esta
dispensa o artesanal e o processo de elaboração individual. As
obras conceituais do passado tiveram enorme importância para aquele
momento histórico e uma decisiva força expressiva. Porém, somente
na época em que foram feitas, pois, retiradas daquele contexto - o
da ruptura - elas hoje perdem completamente sua
expressão.</span>

<span>O que acontece em obras como as
de Pablo Picasso é que elas foram conseqüência de um grande
processo de elaboração de linguagem (poética), esta,
acumulada a partir de um longo processo criativo e de trabalho.
E o que diferencia por exemplo um quadro de Van Gogh a
qualquer outra obra feita atualmente a partir de cacos ou garrafas
de refrigerante? É o fato de que Van Gogh cumpriu seu papel de
artista, ele concretizou sua fantasia e sobrepôs-se a
matéria, ele usou tela e tintas, mas a sua arte não estava
neste material que utilizava, mas sim, em sua pintura e processo
artístico, ou seja, em sua linguagem poética. Um quadro de Van
Gogh, a arquitetura de Gaudí ou o <em>design</em> produzido por
Breuer dentro da Bauhaus, terão força expressiva em qualquer lugar
do mundo, e, entre qualquer grupo de pessoas - intelectuais ou
leigos - estas obras são independentes de uma teoria formulada pelo
artista criador para que tenham alguma força
expressiva.</span></p>
<p>
<strong><span>Revendo
Marcel Duchamp.</span></strong></p>
<p>
<em><span>Duchamp
introduziu a estratégia do deslocamento como elemento
perturbador
urinol, uma roda de bicicleta ou qualquer objeto, industrializado
ou não, colocado no espaço da aura artística, assumiria esta aura.
Entretanto, as obras de Duchamp fora daquele contexto perdem sua
força expressiva porque só valem como ruptura. Assim, o espaço é
que define o valor estético do objeto. Pelo conceito de
deslocamento, Duchamp colocava um objeto banal no lugar da
obra de arte e, como obra de arte. A partir dessa substituição, o
que não era arte passava a ser. Deste modo, praticando o preceito
vanguardista da transgressão e da originalidade, ele misturou o
espaço da indústria com o espaço da arte, causando obviamente uma
ruptura, que naquele momento, era
importante.</span></em><em>
<span>Problema
é que, que na indústria, um objeto é igual ao outro, mas na arte,
são diferentes. Cada objeto tem uma individualidade. Por isto,
quando vários dos objetos artísticos de Duchamp se perderam ou
foram jogados ao lixo por sua irmã, ele os substituiu facilmente
por outros semelhantes. O que pode ser entendido como uma certa
incosistência em sua teoria. Suas obras tiveram força num certo
momento, tal força estava ligada à ruptura que produziam,
entretanto, após este rompimento, elas perdiam sua expressão, e,
voltavam a ser apenas objetos de indústria.</span></em></p>
<p> O estudo do olhar sobre a arte interessou
muito a Duchamp, que se opunha àquilo que ele próprio dizia ser a
"arte retiniana", ou seja, uma arte que agrada à vista. Pode-se, de
certo modo, compreender toda a arte de Duchamp como um esforço para
se afastar da "arte retiniana" e passar para uma arte mais
"cerebral", em que se ressaltam os aspectos mais intelectuais do
labor artístico. Dessa forma, os <em>ready made</em>, inclusive,
são uma tentativa de escapar da "arte retiniana", uma vez que
confrontam o público, oferecendo-lhes algo que ele próprio já viu
algures, forçando-o a pensar e refletir sobre a questão da arte
enquanto linguagem.</p>
<p></p>
<p><strong>O grande
vidro</strong></p>
<p>
Pintura a óleo sobre uma placa de vidro duplo
dividido em duas seções. A parte superior chamou de "A noiva
desnudada pelos seus celibatários, mesmo"; e a inferior, "Moinho de
chocolate".</p>
<p><strong>Fonte</strong>
Duchamp elaborou os "ready-made",
objetos do cotidiano já prontos, os quais acrescentava detalhes e
títulos aleatórios.A obra mais famosa é a "Fonte", mictório de
louça enviado a uma exposição em Nova York e recusado pelo comitê
de seleção.</p>
<p></p>
<p>http://desvendandoduchamp.blogspot.com/</p>
<p>http://www.geocities.com/a_fonte_2000/cris2.htm</p>
<p><strong>Desconstruindo...</strong></p>
<p>Ferreira Gullar</p>
<p><strong>O artista não era propriamente uma personalidade fácil
de entender, pois com freqüência assumia atitudes contraditórias ou
ambíguas</strong></p>
<p>
Talvez o que vou dizer neste artigo desagrade tanto os que exaltam
Marcel Duchamp quanto os que o desancam. Sempre tive uma visão
crítica a respeito de Duchamp, mas não me situo em nenhuma dessas
duas facções.</p>
<p>
Quem tenha lido meus artigos na Continente, saberá que sustento uma
visão bastante crítica da atitude de Duchamp frente à arte, embora
não o considere um charlatão nem um artista medíocre, cujo
propósito único tenha sido escandalizar. Na verdade, considero-o
uma personalidade complexa, contraditória, que encarnou alguns dos
conflitos e impasses que marcaram a arte do século XX, na qual teve
um desempenho marcante e decisivo.</p>
<p>
Tenho afirmado, na tentativa de compreender esse processo
artístico, que, na base dele, está o conflito entre a natureza
artesanal da pintura e as novas tecnologias que passaram a dominar
a produção de máquinas e objetos. Uma ideologia do progresso tomou
conta da sociedade ocidental, determinando tanto o curso da vida
social e tanto o processo político quanto a produção artística. O
Cubismo provocou a ruptura com a linguagem pictórica surgida no
Renascimento que, em função dessa problemática fundamental, agrava
a crise da expressão artesanal e abre caminho para as diversas
experimentações: nascem as vanguardas.</p>
<p>
Dentro desse contexto, o jovem Marcel Duchamp  inicialmente
chargista de um jornal  tenta encontrar seu caminho nas
diferentes lições que a arte de então lhe ensinava, mas talvez a
lição decisiva foi a que aprende ao ver, na exposição de Indústria
Naval, em Paris, em 1915, uma hélice de navio, que lhe pareceu tão
bela quanto uma escultura de Brancusi. Um ready-made.</p>
<p>
O ready-made foi uma resposta ao conflito arte artesanal x idade
industrial. Uma resposta irônica, sarcástica? Eis uma questão à
qual não sei responder, mas, conforme outros críticos têm
observado, Duchamp não era propriamente uma personalidade fácil de
entender, pois com freqüência assumia atitudes contraditórias ou
ambíguas. Mas é inegável que, desde que abandonou a tela e os
procedimentos artísticos tradicionais, adotou modo de expressar-se
que às vezes contradizem o radicalismo de sua postura dadaísta. Por
exemplo, ao mesmo tempo que criava ready-mades, trabalhava
pacientemente numa obra artesanal como é o Grande vidro, cujo nome
por extenso é Une marieé mis à nue par ses célibataires, même,
título indiscutivelmente surrealista e brincalhão. Nada mais
contrário a um ready-made  que dispensa a realização da obra
pelo artista  do que uma obra como essa, em que ele investiu
oito anos de trabalho artesanal, de 1915 a 1923, para depois
abandoná-la, dando por inacabada.</p>
<p>
Duchamp sempre foi contraditório  e é curioso que a
principal contradição dele, como artista, envolve sempre a questão
artesanal. Outro exemplo semelhante é a célebre
maleta, (Boîte en valise) em que reuniu miniaturas,
feitas por ele à mão, de diversas obras suas. A concepção básica
desse trabalho implica, sem dúvida, uma espécie de desmistificação
do conceito de obra de arte, tanto mais quando as obras
miniaturizadas são de sua autoria. Não obstante, essa
miniaturização é um trabalho artesanal, realizado com apuro e
dedicação. Desse modo, cabe igualmente uma outra leitura: a de uma
nostalgia da realização artesanal, do trabalho precioso, realizado
pelas mãos do artista.</p>
<p>
Não é menos contraditório ter ele dedicado os últimos anos de sua
vida a uma outra obra de natureza artesanal e poética, que nada tem
do aparente niilismo que parece traspassar a sua história de
criador da antiarte, do negador do valor próprio à realização
artística, quando afirma que será arte tudo o que eu disser
que é arte. Se realmente acreditava nisso, preferiu não
apostar em tal certeza, do contrário não se dedicaria à criação de
uma obra de tão complexa realização como Étant donnés. E não só:
com ela, Duchamp pretende nos envolver numa atmosfera onírica,
erótica, que só a entrega apaixonada do artista torna possível
ocorrer. Jamais tal objetivo seria alcançado por uma simples frase
sarcástica ou a eleição de um urinol como obra de arte. Étant
donnés nos faz evocar o mundo poético e transcendente de uma obra
como A virgem dos rochedos, pintada por Leonardo Da Vinci, em
1510.</p>
<p>Não seria arbitrário, ao constatar a semelhança de ambientação
e atmosfera poética dessas duas obras, lembrar que uma das
primeiras manifestações da irreverência de Duchamp, no terreno da
pintura, foi acrescentar bigodes e barbas à Mona Lisa, também obra
de Da Vinci. No caso de Étant donnés, a irreverência de Duchamp
parece visar a atmosfera da obra do mestre renascentista, que é
mística; e ele a torna erótica, pondo em lugar a Virgem, a figura
de uma mulher nua que sustém, numa das mãos, uma lâmpada de
gás...</p>
<p><strong>Ferreira Gullar é poeta, crítico em arte e autor de livros
como <em>Poema sujo,
Dentro da noite veloz, Muitas vozes e Cultura posta em
questão.</em></strong></p>
<p>http://www.continentemulticultural.com.br/index.php?option=com_contentid=2852</p>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/170762/duchamp-X-cr-tica/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/170762/duchamp-X-cr-tica/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-25T23:21:43+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Quem nos dirá o que é arte?</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<h2><em>Dando voltas em torno da arte conceitual</em></h2>
<p><em>Matéria do Jornal do Brasil de 13 de dezembro de
2008</em></p>
<p>Alvaro Costa e Silva e Alexandre Werneck</p>
<p>Nesta entrevista, Affonso Romano de Sant'Anna, autor de
<strong>O enigma
vazio</strong>', crítico severo da arte conceitual,
lança farpas contra Marcel Duchamp</p>
<p>-
Thierry de Duve disse que a arte contemporânea fez o estatuto da
arte migrar do "isto é belo" para o "isto é arte". Podemos ir além
e dizer que esse estatuto mudou para "isto é...?", no sentido em
que a arte deixou de ser uma atribuição de uma beleza contida nela
mesma e passou a ser um enigma e criou o "isto é... espertinho", no
sentido em que ela passou a ser um jogo de sentidos. O senhor
centra seu ataque a esse modelo em uma solidificação do "isto é
belo", atrelando-o a uma certa noção de belo (em sua leitura,
Leonardo é belo, o mictório de Duchamp não poderia ser). Mas a
noção de belo não é ela mesma história, subjetiva e
relativa?</p>
<p><em>A observação de Tierry de Duve é correta quanto à troca de
"isto é belo" por "isto é arte". O problema começa com o que você
diz a seguir: "isto é...", pois isto quer dizer "qualquer coisa é
arte". O mais sensato é reconhecer simplesmente que "isto é...
isto". Nem todo "isto" é arte. Trabalho o conceito de
"in-significância". Muito do que se produz por aí é um simples
"isto", está no espaço da "in-significância". É um signo pobre,
muitas vezes vazio. Converter a arte (apenas) em "enigma" é
ardiloso. A religião também trabalha com enigmas, e Mircea Eliade
estuda antropologicamente como certos críticos e artistas se
beneficiam do "mistério" (falso, às vezes), para exercerem poder
sobre seus "crentes". Isto pertence mais à antropologia do que à
estética. Por outro lado, concordo, a arte conceitual abriu caminho
para o "espertinho". Pior, virou arte do "macete" e isto é o
contrário de "invenção". Não é correta sua interpretação, não
trabalho "com isto é belo", nem comparo da Vinci a Duchamp, como o
fez (equivocadamente) Jean Clair. Trabalho com categorias mais
complexas e dinâmicas. Estou fazendo a crítica da episteme da
modernocontemporaneidade.</em></p>
<p>- O
senhor critica a arte conceitual, dizendo que há um apartamento
entre ela e o público. O escritor albanês Ismail Kadaré disse que a
literatura não é democrática, que ela é baseada no apartamento
cruel entre os homens. Balzac também pensava assim, e definiu a
arte como uma operação de singularização absoluta, de apartamento
entre os homens. Não só entre artistas e homens comuns, mas pessoas
que captam a arte e as que não. A arte conceitual não seria também
uma forma de arte de grande vigor, mais ainda do que a arte
"retoniana" (como chamou o próprio Duchamp)?</p>
<p><em>Não inventei nada, a separação entre certa arte
conceitual/público é notória. Não adianta entulhar bienais com
levas de adolescentes e expô-los às ligeirezas das explicações de
monitores improvisados. Ali estão o que alguns críticos chamam
"multidões sonâmbulas", e o turismo como indústria assumiu esse
espaço. As frases de Kadaré e Balzac têm que ser postas em seu
contexto, senão soam absurdas. Primeiro, existe arte de vários
níveis: sofisticada, média, medíocre. Há um aprendizado. E há uma
coisa que é necessário admitir com certa modéstia e ousadia: um
grande artista pode não comunicar nada ao indivíduo A e comunicar
muito ao indivíduo B. Nem toda obra de arte é universal. Para ler
Joyce você tem que estudar. Bach exige certa sofisticação. A
modernocontemporaneidade, no entanto, estabeleceu que qualquer
coisa que não se entende e que nos choca é genial. E quanto à arte
conceitual, vamos devagar. Já vi algumas excelentes. Mas pelo
simples fato de serem conceituais não são boas, o crítico deve ter
aparelhos teóricos para analisar os conceitos, e isto tem faltado,
como mostro no livro. Imagine que Clement Greenberg tão louvado
ainda por alguns, disse que a lingüística não tinha nenhuma
contribuição a dar à crítica de arte. Quebrou a cara. Provo
justamente o contrário no meu livro. A lingüística, a retórica, a
teoria da literatura e a filosofia podem desmontar as falácias de
algumas propostas conceituais. E quando certa arte conceitual (nem
todas) se afasta do signo/objeto é hora de chamar especialistas de
outras áreas para examiná-la. Quanto àquela coisa da morte da "arte
retiniana" como demonstrei (com apoio de outros), é mais uma das
tolices de Duchamp que não resiste a qualquer
análise.</em></p>
<p>- Uma
das críticas mais poderosas a serem feitas em relação a Duchamp é
que depois dele a vanguarda deixou de ser *outsider e passou a ser
*establishment. Que males isso trouxe à arte?</p>
<p><em>Analise Duchamp como um signo duplo. Ele pratica
"o paradoxo do mentiroso". Ou seja, quando um mentiroso diz que
está falando a verdade ele esta mentindo ou falando a verdade? Ele
é o "mentiroso paradigmático" e as pessoas caíram em suas
armadilhas verbais. Ele era um "estrategista" não só no xadrês.
Jogava com o nonsense. Para entendê-lo há que entender o que chamo
de "oxímoro paralizante" : certos jogos verbais que paralizam o
pensamento ao invés de fazê-lo avançar. Endeusando Duchamp, as
pessoas o estão colocando na categoria do "sublime", quando era
tecnicamente um "cínico". Se dizia "anartista", mas vendia quadros
de pintores e no fim da vida aceitou entrar para a Academia de
Artes dos Estados Unidos. É como se um ateu que tivesse a vida
inteira negado a vida eterna, no fim vai para a beatitude dos
santos, dizendo, "desculpem se infernizei a vida de vocês, estou
indo para os céus".</em></p>
<p>*outsider: Indivíduo que não pertence a um grupo
determinado.</p>
<p><em>*establishment:</em> grupo
sociopolítico que exerce sua autoridade, controle ou influência,
defendendo seus privilégios; ordem estabelecida, sistema.</p>
<p>- O
senhor critica Octavio Paz por suas interpretações da obra de
Marcel Duchamp e o próprio Duchamp por não tomar posição frente a
essas críticas. Para o senhor a arte tem um único sentido? Por que
o senhor considera As Meninas, de Velásquez, a Mona Lisa, de
Leonardo, e as obras impressionistas como "icônicas" e a arte
contemporânea não?</p>
<p><em>O que critico em Octavio Paz são suas alucinações. Ele escreveu
uma "novela" sobre o Grande vidro, não uma crítica. Querendo
agradar a vanguarda oficial, caiu na armadilha de Duchamp. Paz usa
categorias míticas, subjetivas e até metafísicas para um autor que
se pretende objetivo, nada místico ou metafísico. Paradoxalmente,
sou eu que estou exigindo que ele leia Duchamp como Duchamp. Paz
embarca no mito Duchamp acriticamente. Como é que uma pessoa de sua
estatura pode dizer que "o Grande Vidro é a última obra realmente
significativa do Ocidente"? O companheiro aí pirou. Quer dizer que
desde 1923, quando aquela obra ficou, como diz Duchamp,
"definitivamente inacabada", nada mais de significativo se fez na
arte mundial? Mostro exaustivamente como Paz, em vez de uma crítica
"reflexiva", fez um crítica de "endosso". Quanto a outro aspecto da
pergunta é fundamental esclarecer que se o objeto artístico tem
vários sentidos, isto não significa que "qualquer" sentido que lhe
pespeguemos seja aceitável. Crítica não é a casa da mãe joana, na
qual qualquer interpretação é válida. De resto, As meninas de
Velasquez e Mona Lisa de Da Vinci são tão icônicas quando a
Fontaine de Duchamp, só que esta é o ícone do "vazio" dos
equívocos.</em></p>
<p>O
senhor considera boa parte da crítica de arte como retórica e
sofista. Dedicando um livro inteiro ao assunto, não teme que seu
livro seja considerado da mesma maneira?</p>
<p><em>Uma coisa é usar a linguagem como "placebo" e "panacéia", outra
é usá-la criticamente. A "linguagem" que alguns críticos usam é o
problema, por isto considero o "problema da linguagem" e a
"linguagem do problema". Não se pode tratar dos problemas da arte
de nosso tempo sem analisar a linguagem que expressa esse problema.
A parte final do livro é uma teorização sobre isto enfrentando
problemas transdisciplinares. No fundo estou tratando de algo
fundamental, de epistemologia. Estou mostrando que a
modernocontemporaneidade se colocou problemas que não podia
resolver e para resolvê-los necessitamos de outra
episteme.</em></p>
<p>Não
deixe de ler esta último trecho transcrito da
entrevista:</p>
<p>Por que
a questão do "fim da arte" foi equivocadamente tratada por Hans
Belting e Arthur Danto, como o senhor afirma?</p>
<p><em>Se discutimos questões mal colocadas não chegaremos a
resultados satisfatórios. A questão da "morte da arte" é uma
questão mal colocada, porque a arte não morreu nem morrerá nunca. A
arte é uma função humana, somos animais simbólicos. Seria como
decretar que sonhar é proibido ou que o inconsciente não existe.
Entre Duchamp, que disse várias tolices, e Ernst Cassirer, com seus
três volumes de A filosofia das formas simbólicas, fico com
Cassirer. Mas chamaria a atenção para a parte final do livro onde
assinalo que a "morte da arte", sintomaticamente, surgiu no século
que se amou perdidamente a morte, seja nas "sibérias" ou nos
"campos de concentração". Alguns, autoritariamente, decretaram uma
"solução final" para arte, como Hitler para os judeus. Não deu
certo. Outros, como Felipe II, resolveram batizar todos os judeus
como se fossem cristãos. Também não deu certo, os judeus estão aí.
Igualmente a arte e os artistas sobrevivem à "solução final" de
alguns teóricos equivocados.</em></p>
<p>O
senhor escreve que existiu um consenso sobre o que é arte "do
período áureo do pensamento e da arte grega, alongando-se pelo
Império Romano, persistindo pela Idade Média, reafirmando-se na
Renascença e em alguns movimentos no fim do século 19". Entretanto
diversos historiadores da arte notam que, ao longo destes mesmos
períodos, houve mudanças drásticas na compreensão do que hoje
chamamos de arte. Poderia explicar que consenso foi
esse?</p>
<p><em>Claro que a história da arte inclui a história de
"desvios" em relação à norma. Qualquer estudante de estilos de
época sabe disto. Mas há uns 100 anos, ao invés de desvio, houve
algo que lingüisticamente se chama "deslocamento", uma substituição
total do sistema por coisa nenhuma. Qualquer coisa, qualquer
"insignificância" passou a querer ser arte. Imagine se o ministro
das finanças decretasse que não existe mais o "padrão ouro" ou
"padrão dólar", que qualquer pedra é ouro. O que aconteceria com a
economia mundial? Aliás, isto está alegoricamente acontecendo. A
desnorteante crise financeira mundial se deu porque os sofistas do
mercado financeiro inventaram cotações falsas para seus papéis.
Duchamp, aliás, foi pioneiro nisto também. Pagou uma dívida de 115
dólares com um cheque que ele mesmo fez e começou a produzir ações
do Cassino de Monte Carlo por conta própria, para ser dono do jogo
e do cassino. Essa fraude globalizada monumental já estava
profetizada na arte de nosso tempo. Não é à toa que cresce o número
de estudos sobre arte e mercado.</em></p>
<p>O que
faz com que um objeto seja considerado obra de arte?</p>
<p><em><strong>Isto não é uma pergunta, é uma
armadilha.</strong> E para desarmá-la temos que enfrentar questões
que a antecedem e que a geraram. Duchamp dizia: "Pode alguém fazer
uma obra que não seja obra de arte?<strong>"</strong>. Era uma
questão aparentemente desconcertante, mas tola. Pode sim. O próprio
Duchamp fez várias coisas que não são obras de arte. Em relação à
arte, ele dizia um disparate que deixou a arte paralisada por 100
anos. Disse que a etimologia de arte é "agir" e não "fazer". Isto
não existe etimologicamente em língua nenhuma, nem no
sânscrito.</em></p>
<p><em></em></p>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/170755/Quem-nos-dir-o-que-arte/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/170755/Quem-nos-dir-o-que-arte/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-23T23:21:55+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Fluxus</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p></p>
<p></p>
<p>Fluxshop and Mailorder Warehouse, Fluxus Newspaper No. 5,
1965</p>
<p><span>"<em>Fluxus</em> não foi um momento na história ou um
movimento artístico. É um modo de fazer coisas (...), uma forma de
viver e morrer". Com essas palavras D. Higgins define o movimento,
enfatizando o seu principal traço. Menos que um estilo, um conjunto
de procedimentos, um grupo específico ou uma coleção de objetos,
<em>Fluxus</em> traduz uma atitude diante do mundo, do fazer
artístico e da cultura quenas mais diversas
formas de arte: música, dança, teatro, artes visuais, poesia,
vídeo,etc<strong>.</strong></span><strong><strong></strong></strong></p>
<p>O <strong>Grupo
Fluxus</strong> marcou as artes das décadas de 1960 e 1970,
opondo-se aos valores burgueses, às galerias e ao individualismo. O
nome Fluxus, (do latim flux, significa modificação, escoamento,
catarse) era, em princípio, o título de uma revista, mas se
estendeu posteriormente para designar as performances organizadas
por George Maciunas, criador do grupo. Valorizando a criação
coletiva, esses artistas integravam diferentes linguagens como
música, cinema e dança, se manifestando principalmente através de
performances, happenings, instalações, entre outros suportes
inovadores para a época. O <strong>Fluxus</strong> foi criado em
1961, em Wiesbaden, na Alemanha, durante o Festival Internacional
de Música, sob a liderança de George Maciunas. Era integrado por
artistas de várias partes do mundo, como os alemães Joseph Beuys e
Wolf Vostell, o coreano Nam June Paik, o francês Bem Vautier, e
japonesa Yoko Ono, além de outros representantes destes países ou
dos países nórdicos.</p>







<div>George
Maciunas ed., Fluxkit, post-1964</div>




<p>
A origem do <strong>Fluxus</strong> situa-se em torno das aulas de
música experimental ministradas por John Cage na New School for
Social Research. O músico, na tentativa de criar composições
não-narrativas e aleatórias, incorporando ruídos e interferências
do meio, inspirou os artistas na tentativa de dialogar com o
cotidiano em seus trabalhos. Oficialmente, o grupo foi criado por
Maciunas no ano de 1961, em Wiesbaden, na Alemanha, durante o
Festival Internacional de Música. A principal referência foi o
movimento Dadaísta e a obra de Marcel Duchamp, que influenciaram a
contestação dos valores estabelecidos e o espírito anárquico do
grupo. No entanto, enquanto Duchamp havia com seus ready-mades,
elementos apropriados do cotidiano e sendo-lhes atribuído status de
arte, mas posto ao do objeto artístico consagrado, criando um novo
conceito de arte , a que chamava anti-arte. Diferentemente , os
artistas do <strong>Fluxus</strong> buscavam inserir a arte no
cotidiano das pessoas, defendendo a idéia de que todos deveriam
compreendê-la. Nesse sentido, há também uma influência do
Construtivismo Russo, na medida em que o grupo refletia sobre sua
função social e sobre a participação política dos artistas.

O movimento unia diferentes linguagens às artes plásticas, sendo
composto também por cineastas, músicos e atores. Seus integrantes
procuravam inovar e ampliar as formas de expressão artísticas,
utilizando suportes transitórios e/ou reprodutíveis, como
happenings, performances, fotografias e instalações. No
<strong>Fluxus</strong>, os artistas Nam June Paik e Wolf Vostell
foram os primeiros a usar o vídeo, criando a videoarte. Nas
exposições do grupo, as obras tinham sempre um teor de provocação e
crítica, com a presença de um humor extravagante. Como objetivo,
seus participantes visavam uma revolução cultural, social e
política através da arte. Em 1963, foi escrito um manifesto
contendo frases como destruam os museus de arte ou
destruam a cultura séria, entre outras
polêmicas.</p>
<p>
</p>
<h3><em>Shigeko Kubota, Vagina
Painting, 1965</em></h3>
<p>
Com a morte de Maciunas, em 1978, o <strong>Fluxus</strong> chegou
ao fim. No entanto, seus artistas continuaram ativos, mas seguindo
caminhos diversos. Em 1983 seus trabalhos e performances puderam
ser vistas na XVII Bienal de Arte de São Paulo, quando o grupo teve
uma ala dedicada à sua produção e a documentos que registravam sua
trajetória.</p>
<p></p>
<p>No ano de 1962, George Maciunas fez
a seguinte declaração sobre o Fluxus: anti-art, automatismo,
bruitismo, brutalismo, dadaísmo, concretismo, letrismo, niilismo,
indeterminância: teatro, happenings, prosa, poesia, filosofia,
artes plásticas, música, cinema, dança.</p>
<p></p>
<p>http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo5/fluxus.html
</p>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/168092/Fluxus/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/168092/Fluxus/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-07-03T19:10:40+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Emygdio de Barros</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<h3></h3>
<div>

 "Natural do Estado do Rio de Janeiro,
Emygdio foi uma criança triste e tímida, revelando desde a infância
habilidade manual fora do comum. Na escola primária e no curso
secundário foi sempre o primeiro da classe. Fez o curso técnico de
torneiro mecânico e ingressou no Arsenal de Marinha. Destacando-se
pela qualidade do seu trabalho, foi designado para fazer um curso
de aperfeiçoamento na França, onde permaneceu durante dois anos.
Logo após a sua volta ao Brasil (1924) manifestaram-se alterações
no seu comportamento: deixou de freqüentar o emprego, passando a
andar pelas ruas, sem destino, até tarde da noite, ou a entrar nas
igrejas, onde ficava horas inteiras de pé, imóvel, olhos fixos. Foi
então internado no velho hospital da Praia Vermelha.
<div>Em 1947, já no Hospital
de Engenho de Dentro onde realizava trabalhos subalternos (carregar
roupas sujas da enfermaria para lavanderia, por exemplo), após 23
anos de internação Emygdio começou a freqüentar o ateliê da Seção
de Terapêutica Ocupacional.
Apesar dos longos anos de internação em condições adversas e sem
nunca haver pintado antes, seu trabalho atinge desde o início alto
nível artístico, revelando talento incomum. 
Suas obras, desmentindo os
preconceitos dominantes na psiquiatria, foram desde logo aceitas no
mundo da arte. Mário Pedrosa, Almir Mavignier, Abraham Palatnik
entre outros, visitavam-no freqüentemente. Mesmo quando saiu do
hospital (1950) para residir com parentes em Teresópolis (RJ),
continuaram a levar-lhe estímulo e material de pintura.
Em 1965 foi reinternado. Depois, vai para uma clínica geriátrica,
mas volta a freqüentar regularmente o Museu de Imagens do
Inconsciente, onde pinta até o seu falecimento (92 anos, 1987).
Deixou no acervo do Museu um legado de cerca de 3.300 obras.
"</div>
<div></div>
<div>Emygdio de Barros
apresenta pinturas que revelam a sua trajetória, sua luta contra as
avassaladoras forças do inconsciente e tornam visíveis os espaços
reais e virtuais de seu cotidiano, paisagens naturais entrelaçadas
a elementos imaginários.</div>
<div></div>
<div><span>http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/</span></div>
</div>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/168090/Emygdio-de-Barros/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/168090/Emygdio-de-Barros/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-16T23:38:29+02:00</updated>		</entry></feed>