<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[MORAL CONSTERNA.]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2009-11-25T00:06:05+01:00</updated>		<entry>			<title>Esclarecimento...</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>


panose-1:2 2 6 3 5 4 5 2 3 4; mso-font-charset:0;
mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable;
mso-font-signature:536902279 -2147483648 8 0 511 0;} @font-face
{font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4;
mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss;
mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;}
/* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal
{mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt;
mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times
New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page
Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;
mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt;
mso-paper-source:0;} div.Section1 {page:Section1;} -- 
</p>
<p><span>Originalmente, a frase citada era hic Rhodus, hic
saltus, tradução latina da epígrafe de uma fábula de Esopo,
sobre um atleta falastrão que, ao afirmar ter dado um salto
formidável em Rodes, ouve o desafio: aqui (é) Rodes, aqui
(dê o seu) salto. O que era a conclusão de uma fábula, que
afirmava que a ação vale mais que a palavra, se torna um provérbio
pelas mãos dos latinos e, pouco a pouco, um produtivo mal-entendido
quando Hegel, ao procurar adaptar o provérbio lido em Erasmo,
apresenta a tradução aqui está a rosa, dance aqui. As
aproximações Rhodus/rhodon (Rodes/rosa) e saltus/salta
(salto/salte!dance!) feitas por Hegel perdem o sentido quando Marx,
ao retomar o provérbio, apresenta a frase latina hic Rhodus,
hic salta, resultado da composição das duas versões dadas
por Hegel, e a traduz por aqui está a rosa, dance
aqui, cristalizando essa forma ambígua e sua tradução
errônea, uma vez que a frase apresentada por ele deveria se
traduzir por aqui é Rodes, dance aqui. Seja como for,
e por mais que se conteste o latim tanto de Hegel quanto de Marx, o
fato é que essa série de tropeços se tornou mais um ponto de
disputa entre hegelianos, marxistas e adversários, tendo sido
recuperada posteriormente por pensadores das várias tradições, como
Rosa Luxemburg, Karl Popper, Isaiah Berlin e Eric Hobsbawm. A
intenção do autor aqui é justamente aludir ao inesperado potencial
teórico que se esconde em um engano. (N. do T.)</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/232174/Esclarecimento/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/232174/Esclarecimento/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-11-17T23:21:27+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Sombra</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p></p>
<p><em>Ao ver de noite muda, acompanhar-me,</em></p>
<p><em>a minha sombra, que se encolhe e
cresce,</em></p>
<p><em>mais do que a minha propria me
parece</em></p>
<p><em>a de alguem que me segue p'ra
espiar-me.</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>Se paro, a conversar com um
amigo,</em></p>
<p><em>ela para tambem, fica a
espreitar,</em></p>
<p><em>grudada ao muro, como a
procurar</em></p>
<p><em>saber o que e que penso mas no
digo.</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>Voces diro: Mas isso e
medo puro!</em></p>
<p><em>Ate da propria sombra
desconfia...</em></p>
<p><em>Que chegasse a tal ponto eu no
diria,</em></p>
<p><em>mas, acho sempre bom pensar no
escuro.</em></p>
<p></p>
<p><em>Trisulla</em></p>
<p></p>
<p>ENCONTRO COM A PROPRIA SOMBRA</p>
<p><em>Jung</em></p>
<p>O homem que olha
no espelho das aguas ve realmente seu proprio rosto, antes de tudo.
Quem se dirige a si mesmo arrisca-se a uma confrontao consigo
proprio. O espelho no lisonjeia, reflete fielmente o que esta
diante dele, isto e, o rosto, que nunca mostramos para o mundo
porque o cobrimos com a persona', a mascara do ator.
Mas o espelho permanece atras da mascara e apresenta o rosto
verdadeiro.</p>
<p><span></span> Este confronto e o primeiro teste de coragem em nosso intimo, um
teste suficiente para atemorizar muitas pessoas, pois o encontro de
nos proprios pertence as coisas mais desagradaveis, que podem ser
evitadas, desde que possuamos simbolos vivos traados, nos quais
tudo o que e intimo e desconhecido e projetado.</p>
<p><span></span> O encontro consigo mesmo e o encontro com a propria sombra. Para
usar uma metafora, a sombra e um passado impenetravel, uma porta
estreita, cujo doloroso aperto no e poupado a ninguem que desce a
profunda nascente. Mas, deve-se estudar a fim de conhecer-se, para
se saber quem e. Pois o que vem depois da porta e bastante
surpreendente, uma expanso ilimitada cheia de duvidas sem
precedentes, aparentemente com nenhum interior e exterior, com
nenhum acima e abaixo, aqui e acola, meu e teu, nem bom nem mau. E
o mundo das aguas, onde tudo que vive flutua em suspenso, onde
comea o reino do sistema simpatico, da alma de tudo que vive, onde
eu sou inseparavelmente isto e aquilo, e aquilo isto s onde
eu experimento a outra pessoa em mim, e a outra, como eu mesmo,
experimenta a mim.</p>
<p><span>o e um sistema pessoal encapsulado, e o mundo
largo, e, objetivamente, to aberto quanto o mundo. Eu sou o
objeto, mesmo o sujeito do objeto, numa completa reverso da minha
consciencia ordinaria, onde sou sempre um sujeito que possui um
objeto. Ali me encontro no emanranhado mais cerrado com o mundo, de
tal modo uma parte deste, que esqueo com facilidade quem realmente
sou: perdido em si, e uma boa frase para descrever o
estado. Mas este ego e o mundo, se somente uma consciencia o
pudesse ver. E por isso que devemos saber quem somos.</p>
<p>Artigos relacionados: <em>Psicologia X Arte</em></p>				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/232098/Sombra/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/232098/Sombra/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-11-17T23:57:43+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Teorias da Personalidade</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<h1>Carl Gustav
Jung</h1>
<p></p>
<p></p>
<p><em><strong>"Eu logo cheguei à
compreensão que quando nenhuma resposta vem do interior para os
problemas e complexidades da vida, eles definitivamente significam
muito pouco. Circunstâncias externas não são substitutas para a
experiência interna. Logo minha vida tem sido singularmente pobre
em acontecimentos externos. Eu não posso dizer muito sobre eles,
pois isto me pareceria vazio e insubstancial. Só posso
compreender-me sob a luz dos acontecimentos interiores. São eles
que constituem a particularidade da minha vida e é deles que trata
minha auto-biografia."</strong></em></p>
<p><em><strong>Memória, Sonhos 
Reflexões. C.G. Jung</strong></em></p>
<p>Dentre todos os conceitos de Carl Gustav Jung, a idéia de
introversão e extroversão são as mais usadas. Jung descobriu que
cada indivíduo pode ser caracterizado como sendo primeiramente
orientado para seu interior ou para o exterior, sendo que a energia
dos introvertidos se dirige em direção a seu mundo interno,
enquanto a energia do extrovertido é mais focalizada no mundo
externo.</p>
<p>Entretanto, ninguém é totalmente introvertido ou extrovertido.
Algumas vezes a introversão é mais apropriada, em outras ocasiões a
extroversão é mais adequada mas, as duas atitudes se excluem
mutuamente, de forma que não se pode manter ambas ao mesmo tempo.
Também enfatizava que nenhuma das duas é melhor que a outra,
citando que o mundo precisa dos dois tipos de pessoas. Darwin, por
exemplo, era predominantemente extrovertido, enquanto Kant era
introvertido por excelência.</p>
<p>O
ideal para o ser humano é ser flexível, capaz de adotar qualquer
dessas atitudes quando for apropriado, operar em equilíbrio entre
as duas.</p>
<p><strong>
As Atitudes: Introversão e Extroversão</strong>Os
introvertidos concentram-se prioritariamente em seus próprios
pensamentos e sentimentos, em seu mundo interior, tendendo à
introspecção. O perigo para tais pessoas é imergir de forma
demasiada em seu mundo interior, perdendo ou tornando tênue o
contato com o ambiente externo. O cientista distraído,
estereotipado, é um exemplo claro deste tipo de pessoa absorta em
suas reflexões em notável prejuízo do pragmatismo necessário à
adaptação.</p>
<p>Os
extrovertidos, por sua vez, se envolvem com o mundo externo das
pessoas e das coisas. Eles tendem a ser mais sociais e mais
conscientes do que acontece à sua volta. Necessitam se proteger
para não serem dominados pelas exterioridades e, ao contrário dos
introvertidos, se alienarem de seus próprios processos internos.
Algumas vezes esses indivíduos são tão orientados para os outros
que podem acabar se apoiando quase exclusivamente nas idéias
alheias, ao invés de desenvolverem suas próprias
opiniões.</p>
<p>
<strong>As Funções Psíquicas</strong>
Jung identificou quatro funções psicológicas que chamou de
fundamentais: pensamento, sentimento, sensação e intuição. E cada
uma dessas funções pode ser experienciada tanto de maneira
introvertida quanto extrovertida.</p>
<p>
<strong>O Pensamento</strong>
Jung via o pensamento e o sentimento como maneiras alternativas de
elaborar julgamentos e tomar decisões. O Pensamento, por sua vez,
está relacionado com a verdade, com julgamentos derivados de
critérios impessoais, lógicos e objetivos. As pessoas nas quais
predomina a função do Pensamento são chamadas de Reflexivas. Esses
tipos reflexivos são grandes planejadores e tendem a se agarrar a
seus planos e teorias, ainda que sejam confrontados com
contraditória evidência.</p>
<p>
<strong>O Sentimento</strong>
Tipos sentimentais são orientados para o aspecto emocional da
experiência. Eles preferem emoções fortes e intensas ainda que
negativas, a experiências apáticas e mornas. A consistência e
princípios abstratos são altamente valorizados pela pessoa
sentimental. Para ela, tomar decisões deve ser de acordo com
julgamentos de valores próprios, como por exemplo, valores do bom
ou do mau, do certo ou do errado, agradável ou desagradável, ao
invés de julgar em termos de lógica ou eficiência, como faz o
reflexivo.</p>
<p><strong>
A Sensação</strong>
Jung classifica a sensação e a intuição juntas, como as formas de
apreender informações, diferentemente das formas de tomar decisões.
A Sensação se refere a um enfoque na experiência direta, na
percepção de detalhes, de fatos concretos. A Sensação reporta-se ao
que uma pessoa pode ver, tocar, cheirar. É a experiência concreta e
tem sempre prioridade sobre a discussão ou a análise da
experiência.</p>
<p>Os
tipos sensitivos tendem a responder à situação vivencial imediata,
e lidam eficientemente com todos os tipos de crises e emergências.
Em geral eles estão sempre prontos para o momento atual, adaptam-se
facilmente às emergências do cotidiano, trabalham melhor com
instrumentos, aparelhos, veículos e utensílios do que qualquer um
dos outros tipos.</p>
<p>
<strong>A Intuição</strong>
A intuição é uma forma de processar informações em termos de
experiência passada, objetivos futuros e processos inconscientes.
As implicações da experiência (o que poderia acontecer, o que é
possível) são mais importantes para os intuitivos do que a
experiência real por si mesma. Pessoas fortemente intuitivas dão
significado às suas percepções com tamanha rapidez que, via de
regra, não conseguem separar suas interpretações conscientes dos
dados sensoriais brutos obtidos. Os intuitivos processam informação
muito depressa e relacionam, de forma automática, a experiência
passada com as informações relevantes da experiência
imediata.</p>
<p>
<strong>Arquétipos</strong>Dentro do Inconsciente Coletivo
existem, segundo Jung, estruturas psíquicas ou Arquétipos. Tais
Arquétipos são formas sem conteúdo próprio que servem para
organizar ou canalizar o material psicológico. Eles se parecem um
pouco com leitos de rio secos, cuja forma determina as
características do rio, porém desde que a água começa a fluir por
eles. Particularmente comparo os Arquétipos à porta de uma
geladeira nova; existem formas sem conteúdo - em cima formas
arredondadas (você pode colocar ovos, se quiser ou tiver ovos),
mais abaixo existe a forma sem conteúdo para colocar refrigerantes,
manteiga, queijo, etc., mas isso só acontecerá se a vida ou o meio
onde você existir lhe oferecer tais produtos. De qualquer maneira
as formas existem antecipadamente ao conteúdo. Arquetipicamente
existe a forma para colocar Deus, mas isso depende das
circunstâncias existenciais, culturais e pessoais.</p>
<p>Jung
também chama os Arquétipos de imagens primordiais, porque eles
correspondem freqüentemente a temas mitológicos que reaparecem em
contos e lendas populares de épocas e culturas diferentes. Os
mesmos temas podem ser encontrados em sonhos e fantasias de muitos
indivíduos. De acordo com Jung, os Arquétipos, como elementos
estruturais e formadores do inconsciente, dão origem tanto às
fantasias individuais quanto às mitologias de um povo.</p>
<p>A
história de Édipo é uma boa ilustração de um Arquétipo. É um motivo
tanto mitológico quanto psicológico, uma situação arquetípica que
lida com o relacionamento do filho com seus pais. Há, obviamente,
muitas outras situações ligadas ao tema, tal como o relacionamento
da filha com seus pais, o relacionamento dos pais com os filhos,
relacionamentos entre homem e mulher, irmãos, irmãs e assim por
diante.</p>
<p>O
termo Arquétipo freqüentemente é mal compreendido, julgando-se que
expressa imagens ou motivos mitológicos definidos. Mas estas
imagens ou motivos mitológicos são apenas representações
conscientes do Arquétipo. O Arquétipo é uma tendência a formar tais
representações que podem variar em detalhes, de povo a povo, de
pessoa a pessoa, sem perder sua configuração original.</p>
<p>Uma
extensa variedade de símbolos pode ser associada a um Arquétipo.
Por exemplo, o Arquétipo materno compreende não somente a mãe real
de cada indivíduo, mas também todas as figuras de mãe, figuras
nutridoras. Isto inclui mulheres em geral, imagens míticas de
mulheres (tais como Vênus, Virgem Maria, mãe Natureza) e símbolos
de apoio e nutrição, tais como a Igreja e o Paraíso. O Arquétipo
materno inclui aspectos positivos e negativos, como a mãe
ameaçadora, dominadora ou sufocadora. Na Idade Média, por exemplo,
este aspecto do Arquétipo estava cristalizado na imagem da velha
bruxa.</p>
<p>Jung
escreveu que cada uma das principais estruturas da personalidade
seriam Arquétipos, incluindo o Ego, a Persona, a Sombra, a Anima
(nos homens), o Animus (nas mulheres) e o Self.</p>
<p>
<strong>Símbolos</strong>
De acordo com Jung, o inconsciente se expressa primariamente
através de símbolos. Embora nenhum símbolo concreto possa
representar de forma plena um Arquétipo (que é uma forma sem
conteúdo específico), quanto mais um símbolo se harmonizar com o
material inconsciente organizado ao redor de um Arquétipo, mais ele
evocará uma resposta intensa e emocionalmente carregada.

Jung se interessa nos símbolos naturais, que são produções
espontâneas da psique individual, mais do que em imagens ou
esquemas deliberada-mente criados por um artista. Além dos símbolos
encontrados em sonhos ou fantasias de um indivíduo, há também
símbolos coletivos importantes, que são geralmente imagens
religiosas, tais como a cruz, a estrela de seis pontas de David e a
roda da vida budista.</p>
<p>Imagens e termos simbólicos, via de regra, representam
conceitos que nós não podemos definir com clareza ou compreender
plenamente. Para Jung, um signo representa alguma outra coisa; um
símbolo é alguma coisa em si mesma, uma coisa dinâmica e viva. O
símbolo representa a situação psíquica do indivíduo e ele é essa
situação num dado momento.</p>
<p>Aquilo a que nós chamamos de símbolo pode ser um termo, um nome
ou até uma imagem familiar na vida diária, embora possua conotações
específicas além de seu significado convencional e óbvio. Assim,
uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa
além de seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta
imagem tem um aspecto inconsciente mais amplo que não é nunca
precisamente definido ou plenamente explicado.</p>
<p>
<strong>Os Sonhos</strong>
Os sonhos são pontes importantes entre processos conscientes e
inconscientes. Comparado à nossa vida onírica, o pensamento
consciente contém menos emoções intensas e imagens simbólicas. Os
símbolos oníricos freqüentemente envolvem tanta energia psíquica,
que somos compelidos a prestar atenção neles.
Para Jung, os sonhos desempenham um importante papel complementar
ou compensatório. Os sonhos ajudam a equilibrar as influências
variadas a que estamos expostos em nossa vida consciente, sendo que
tais influências tendem a moldar nosso pensamento de maneiras
freqüentemente inadequadas à nossa personalidade e individualidade.
A função geral dos sonhos, para Jung, é tentar estabelecer a nossa
balança psicológica pela produção de um material onírico que
reconstitui equilíbrio psíquico total.</p>
<p>Jung
abordou os sonhos como realidades vivas que precisam ser
experimentadas e observadas com cuidado para serem compreendidas.
Ele tentou descobrir o significado dos símbolos oníricos prestando
atenção à forma e ao conteúdo do sonho e, com relação à análise dos
sonhos, Jung distanciou-se gradualmente da maneira psicanalítica na
livre associação.

Pelo fato do sonho lidar com símbolos, Jung achava que eles teriam
mais de um significado, não podendo haver um sistema simples ou
mecânico para sua interpretação. Qualquer tentativa de análise de
um sonho precisa levar em conta as atitudes, a experiência e a
formação do sonhador. É uma aventura comum vivida entre o analista
e o analisando. O caráter das interpretações do analista é apenas
experimental, até que elas sejam aceitas e sentidas como válidas
pelo analisando.</p>
<p>Mais
importante do que a compreensão cognitiva dos sonhos é o ato de
experienciar o material onírico e levá-lo a sério. Para o analista
junguiano devemos tratar nossos sonhos não como eventos isolados,
mas como comunicações dos contínuos processos inconscientes. Para a
corrente junguiana é necessário que o inconsciente torne conhecida
sua própria direção, e nós devemos dar-lhe os mesmos direitos do
Ego, se é que cada lado deva adaptar-se ao outro. À medida que o
Ego ouve e o inconsciente é encorajado a participar desse diálogo,
a posição do inconsciente é transformada daquela de um adversário
para a de um amigo, com pontos de vista de algum modo diferentes
mas complementares.</p>
<p><strong>
O Ego</strong>
O Ego é o centro da consciência e um dos maiores Arquétipos da
perso-nalidade. Ele fornece um sentido de consistência e direção em
nossas vidas conscientes. Ele tende a contrapor-se a qualquer coisa
que possa ameaçar esta frágil consistência da consciência e tenta
convencer-nos de que sempre devemos planejar e analisar
conscientemente nossa experiência. Somos levados a crer que o Ego é
o elemento central de toda a psique e chegamos a ignorar sua outra
metade, o inconsciente.</p>
<p>De
acordo com Jung, a princípio a psique é apenas o inconsciente. O
Ego emerge dele e reúne numerosas experiências e memórias,
desenvolvendo a divisão entre o inconsciente e o consciente. Não há
elementos inconscientes no Ego, só conteúdos conscientes derivados
da experiência pessoal.</p>
<p>
<strong>A Persona</strong>Nossa Persona é a forma pela qual
nos apresentamos ao mundo. É o caráter que assumimos; através dela
nós nos relacionamos com os outros. A Persona inclui nossos papéis
sociais, o tipo de roupa que escolhemos para usar e nosso estilo de
expressão pessoal. O termo Persona é derivado da palavra latina
equivalente a máscara, se refere às máscaras usadas pelos atores no
drama grego para dar significado aos papéis que estavam
representando. As palavras "pessoa" e "personalidade" também estão
relacionadas a este termo.</p>
<p>A
Persona tem aspectos tanto positivos quanto negativos. Uma Persona
dominante pode abafar o indivíduo e aqueles que se identificam com
sua Persona tendem a se ver apenas nos termos superficiais de seus
papéis sociais e de sua fachada. Jung chamou também a Persona de
Arquétipo da conformidade. Entretanto, a Persona não é totalmente
negativa. Ela serve para proteger o Ego e a psique das diversas
forças e atitudes sociais que nos invadem. A Persona é também um
instrumento precioso para a comunicação. Nos dramas gregos, as
máscaras dos atores, audaciosamente desenhadas, informavam a toda a
platéia, ainda que de forma um pouco estereotipada, sobre o
caractere as atitudes do papel que cada ator estava representando.
A Persona pode, com freqüência, desempenhar um papel importante em
nosso desenvolvimento positivo. À medida que começamos a agir de
determinada maneira, a desempenhar um papel, nosso Ego se altera
gradualmente nessa direção.</p>
<p>Entre
os símbolos comumente usados para a Persona, incluem-se os objetos
que usamos para nos cobrir (roupas, véus), símbolos de um papel
ocupacional (instrumentos, pasta de documentos) e símbolos de
status (carro, casa, diploma). Esses símbolos foram todos
encontrados em sonhos como representações da Persona. Por exemplo,
em sonhos, uma pessoa com Persona forte pode aparecer vestida de
forma exagerada ou constrangida por um excesso de roupas. Uma
pessoa com Persona fraca poderia aparecer despida e exposta. Uma
expressão possível de uma Persona extremamente inadequada seria o
fato de não ter pele.</p>
<p>
<strong>A Sombra</strong>
Para Jung, a Sombra é o centro do Inconsciente Pessoal, o núcleo do
material que foi reprimido da consciência. A Sombra inclui aquelas
tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas
pelo indivíduo como incompatíveis com a Persona e contrárias aos
padrões e ideais sociais. Quanto mais forte for nossa Persona, e
quanto mais nos identificarmos com ela, mais repudiaremos outras
partes de nós mesmos. A Sombra representa aquilo que consideramos
inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos
e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Em sonhos, a Sombra
freqüentemente aparece como um animal, um anão, um vagabundo ou
qualquer outra figura de categoria mais baixa.</p>
<p>Em
seu trabalho sobre repressão e neurose, Freud concentrou-se, de
inicio, naquilo que Jung chama de Sombra. Jung descobriu que o
material reprimido se organiza e se estrutura ao redor da Sombra,
que se torna, em certo sentido, um Self negativo, a Sombra do Ego.
A Sombra é, via de regra, vivida em sonhos como uma figura escura,
primitiva, hostil ou repelente, porque seus conteúdos foram
violentamente retirados da consciência e aparecem como antagônicos
à perspectiva consciente. Se o material da Sombra for tra-zido à
consciência, ele perde muito de sua natureza de medo, de
desconhecido e de escuridão.</p>
<p>A
Sombra é mais perigosa quando não é reconhecida pelo seu portador.
Neste caso, o indivíduo tende a projetar suas qualidades
indesejáveis em outros ou a deixar-se dominar pela Sombra sem o
perceber. Quanto mais o material da Sombra tornar-se consciente,
menos ele pode dominar. Entretanto, a Sombra é uma parte integral
de nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada. Uma
pessoa sem Sombra não é uma pessoa completa, mas uma caricatura
bidimensional que rejeita a mescla do bom e do mal e a ambivalência
presentes em todos nós.</p>
<p>Cada
porção reprimida da Sombra representa uma parte de nós mesmos. Nós
nos limitamos na mesma proporção que mantemos este material
inconsciente.</p>
<p>À
medida que a Sombra se faz mais consciente, recuperamos partes
previamente reprimidas de nós mesmos. Além disso, a Sombra não é
apenas uma força negativa na psique. Ela é um depósito de
considerável energia instintiva, espontaneidade e vitalidade, e é a
fonte principal de nossa criatividade. Assim como todos os
Arquétipos, a Sombra se origina no Inconsciente Coletivo e pode
permitir acesso individual a grande parte do valioso material
inconsciente que é rejeitado pelo Ego e pela Persona.
No momento em que acharmos que a compreendemos, a Sombra aparecerá
de outra forma. Lidar com a Sombra é um processo que dura a vida
toda, consiste em olhar para dentro e refletir honestamente sobre
aquilo que vemos lá.</p>
<p>
<strong>O Self</strong>
Jung chamou o Self de Arquétipo central, Arquétipo da ordem e
totalidade da personalidade. Segundo Jung, consciente e
inconsciente não estão necessariamente em oposição um ao outro, mas
complementam-se mutuamente para formar uma totalidade: o Self. Jung
descobriu o Arquétipo do Self apenas depois de estarem concluídas
suas investigações sobre as outras estruturas da psique. O Self é
com freqüência figurado em sonhos ou imagens de forma impessoal,
como um círculo, mandala, cristal ou pedra, ou de forma pessoal
como um casal real, uma criança divina, ou na forma de outro
símbolo de divindade. Todos estes são símbolos da totalidade,
unificação, reconciliação de polaridades, ou equilíbrio dinâmico,
os objetivos do processo de Individuação.</p>
<p>O
Self é um fator interno de orientação, muito diferente e até mesmo
estranho ao Ego e à consciência. Para Jung, o Self não é apenas o
centro, mas também toda a circunferência que abarca tanto o
consciente quanto o inconsciente, ele é o centro desta totalidade,
tal como o Ego é o centro da consciência. Ele pode, de início,
aparecer em sonhos como uma imagem significante, um ponto ou uma
sujeira de mosca, pelo fato do Self ser bem pouco familiar e pouco
desenvolvido na maioria das pessoas. O desenvolvimento do Self não
significa que o Ego seja dissolvido. Este último continua sendo o
centro da consciência, mas agora ele é vinculado ao Self como
conseqüência de um longo e árduo processo de compreensão e
aceitação de nossos processos inconscientes. O Ego já não parece
mais o centro da personalidade, mas uma das inúmeras estruturas
dentro da psique.</p>
<p>
<strong>Crescimento Psicológico - Individuação</strong>
Segundo Jung, todo indivíduo possui uma tendência para a
Individuação ou auto desenvolvimento. Individuação significa
tornar-se um ser único, homogêneo. na medida em que por
individualidade entendemos nossa singularidade mais íntima, última
e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso
próprio si mesmo. Pode-se traduzir Individuação como tornar-se si
mesmo, ou realização do si mesmo.</p>
<p>Individuação é um processo de desenvolvimento da totalidade e,
portanto, de movimento em direção a uma maior liberdade. Isto
inclui o desenvolvimento do eixo Ego-Self, além da integração de
várias partes da psique: Ego, Persona, Sombra, Anima ou Animus e
outros Arquétipos inconscientes. Quando tornam-se individuados,
esses Arquétipos expressam-se de maneiras mais sutis e
complexas.
Quanto mais conscientes nos tornamos de nós mesmos através do auto
conhecimento, tanto mais se reduzirá a camada do inconsciente
pessoal que recobre o inconsciente coletivo. Desta forma, sai
emergindo uma consciência livre do mundo mesquinho, suscetível e
pessoal do Eu, aberta para a livre participação de um mundo mais
amplo de interesses objetivos.</p>
<p>Essa
consciência ampliada não é mais aquele novelo egoísta de desejos,
temores, esperanças e ambições de caráter pessoal, que sempre deve
ser compensado ou corrigido por contra-tendências inconscientes;
tornar-se-á uma função de relação com o mundo de objetos, colocando
o indivíduo numa comunhão incondicional, obrigatória e indissolúvel
com o mundo.</p>
<p>Do
ponto de vista do Ego, crescimento e desenvolvimento consistem na
integração de material novo na consciência, o que inclui a
aquisição de conhecimento a respeito do mundo e da prória pessoa. O
crescimento, para o Ego, é essencialmente a expansão do
conhecimento consciente. Entretanto, Individuação é o
desenvolvimento do Self e, do seu ponto de vista, o objetivo é a
união da consciência com o inconsciente.</p>
<p>Como
analista, Jung descobriu que aqueles que vinham a ele na primeira
metade da vida estavam relativamente desligados do processo
interior de Individuação; seus interesses primários centravam-se em
realizações externas, no "emergir" como indivíduos e na consecução
dos objetivos do Ego. Analisandos mais velhos, que haviam alcançado
tais objetivos, de forma razoável, tendiam a desenvolver propósitos
diferentes, interesse maior pela integração do que pelas
realizações, busca de harmonia com a totalidade da
psique.</p>
<p>O
primeiro passo no processo de Individuação é o desnudamento da
Persona. Embora esta tenha funções protetoras importantes, ela é
também uma máscara que esconde o Self e o inconsciente.
Ao analisarmos a Persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que,
aparentando ser individual, ela é de fato coletiva; em outras
palavras, a Persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No
fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o
indivíduo e a sociedade acerca daquilo que alguém parece ser: nome,
título, ocupação, isto ou aquilo.</p>
<p>De
certo modo, tais dados são reais mas, em relação à individualidade
essencial da pessoa, representam algo de secundário, uma vez que
resultam de um compromisso no qual outros podem ter uma quota maior
do que a do indivíduo em questão.</p>
<p>O
próximo passo é o confronto com a Sombra. Na medida em que nós
aceitamos a realidade da Sombra e dela nos distinguimos, podemos
ficar livres de sua influência. Além disso, nós nos tornamos
capazes de assimilar o valioso material do inconsciente pessoal que
é organizado ao redor da Sombra.</p>
<p>O
terceiro passo é o confronto com a Anima ou Animus. Este Arquétipo
deve ser encarado como uma pessoa real, uma entidade com quem se
pode comunicar e de quem se pode aprender. Jung faria perguntas à
sua Anima sobre a interpretação de símbolos oníricos, tal como um
analisando a consultar um analista. O indivíduo também se
conscientiza de que a Anima (ou o Animus) tem uma autonomia
considerável e de que há probabilidade dela influenciar ou até
dominar aqueles que a ignoram ou os que aceitam cegamente suas
imagens e projeções como se fossem deles mesmos.</p>
<p>O
estágio final do processo de Individuação é o desenvolvimento do
Self. Jung dizia que o si mesmo é nossa meta de vida, pois é a mais
completa expressão daquela combinação do destino a que nós damos o
nome de indivíduo. O Self torna-se o novo ponto central da psique,
trazendo unidade à psique e integrando o material consciente e o
inconsciente. O Ego é ainda o centro da consciência, mas não é mais
visto como o núcleo de toda a personalidade.</p>
<p>Jung
escreve que devemos ser aquilo que somos e precisamos descobrir
nossa própria individualidade, aquele centro da personalidade que é
eqüidistante do consciente e do inconsciente. Dizia que precisamos
visar este ponto ideal em direção ao qual a natureza parece estar
nos dirigindo. Só a partir deste ponto podemos satisfazer nossas
necessidades.</p>
<p>É
necessário ter em mente que, embora seja possível descrever a
Individuação em termos de estágios, o processo de Individuação é
bem mais complexo do que a simples progressão aqui delineada. Todos
os passos mencionados sobrepõem-se, e as pessoas voltam
continuamente a problemas e temas antigos (espera-se que de uma
perspectiva diferente). A Individuação poderia ser apresentada como
uma espiral na qual os indivíduos permanecem se confrontando com as
mesmas questões básicas, de forma cada vez mais refinada. Este
conceito está muito relacionado com a concepção Zen-budista da
iluminação, na qual um individuo nunca termina um Koan, ou problema
espiritual, e a procura de si mesmo é vista como idêntica à
finalidade.)</p>
<p>
<strong>Obstáculos ao Crescimento</strong>A Individuação nem
sempre é uma tarefa fácil e agradável. O Ego precisa ser forte o
suficiente para suportar mudanças tremendas, para ser virado pelo
avesso no processo de Individuação.
Poderíamos dizer que todo o mundo está num processo de
Individuação, no entanto, as pessoas não o sabem, esta é a única
diferença. A Individuação não é de modo algum uma coisa rara ou um
luxo de poucos, mas aqueles que sabem que passam pelo processo são
considerados afortunados. Desde que suficientemente conscientes,
eles tiram algum proveito de tal processo.</p>
<p>A
dificuldade deste processo é peculiar porque constitui um
empreendimento totalmente individual, levado a cabo face à rejeição
ou, na melhor das hipóteses, indiferença dos outros. Jung escreve
que a natureza não se preocupa com nada que diga respeito a um
nível mais elevado de consciência, muito pelo contrário. Logo, a
sociedade não valoriza em demasia essas proezas da psique e seus
prêmios são sempre dados a realizações e não à personalidade. Esta
última será, na maioria das vezes, recompensada
postumamente.</p>
<p>Cada
estágio, no processo de Individuação, é acompanhado de
dificuldades. Primeiramente, há o perigo da identificação com a
Persona. Aqueles que se identificam com a Persona podem tentar
tornar-se perfeitos demais, incapazes de aceitar seus erros ou
fraquezas, ou quaisquer desvios de sua auto-imagem idealizada.
Aqueles que se identificam totalmente com a Persona tenderão a
reprimir todas as tendências que não se ajustam, e a projetá-las
nos outros, atribuindo a eles a tarefa de representar aspectos de
sua identidade negativa reprimida.</p>
<p>A
Sombra pode ser também um importante obstáculo para a Individuação.
As pessoas que estão inconscientes de suas sombras, facilmente
podem exteriorizar impulsos prejudiciais sem nunca reconhecê-los
como errados. Quando a pessoa não chegou a tomar conhecimento da
presença de tais impulsos nela mesma, os impulsos iniciais para o
mal ou para a ação errada são com freqüência justificados de
imediato por racionalizações. Ignorar a Sombra pode resultar também
numa atitude por demais moralista e na projeção da Sombra em
outros. Por exemplo, aqueles que são muito favoráveis à censura da
pornografia tendem a ficar fascinados pelo assunto que pretendem
proibir; eles podem até convencer-se da necessidade de estudar
cuidadosamente toda a pornografia disponível, a fim de serem
censores eficientes.</p>
<p>O
confronto com a Anima ou o Animus traz, em si, todo o problema do
relacionamento com o inconsciente e com a psique coletiva. A Anima
pode acarretar súbitas mudanças emocionais ou instabilidade de
humor num homem. Nas mulheres, o Animus freqüentemente se manifesta
sob a forma de opiniões irracionais, mantidas de forma rígida.
(Devemos nos lembrar de que a discussão de Jung sobre Anima e
Animus não constitui uma descrição da masculinidade e da
feminilidade em geral. O conteúdo da Anima ou do Animus é o
complemento de nossa concepção consciente de nós mesmos como
masculinos ou femininos, a qual, na maioria das pessoas, é
fortemente determinada por valores culturais e papéis sexuais
definidos em sociedade.)</p>
<p>Quando o indivíduo é exposto ao material coletivo, há o perigo
de ser engolido pelo inconsciente. Segundo Jung, tal ocorrência
pode tomar uma de duas formas. Primeiro, há a possibilidade da
inflação do Ego, na qual o indivíduo reivindica para si todas as
virtudes da psique coletiva. A outra reação é a de impotência do
Ego; a pessoa sente que não tem controle sobre a psique coletiva e
adquire uma consciência aguda de aspectos inaceitáveis do
inconsciente-irracionalidade, impulsos negativos e assim por
diante.</p>
<p>Assim
como em muitos mitos e contos de fadas, os maiores obstáculos estão
mais próximos do final. Quando o indivíduo lida com a Anima e o
Animus, uma tremenda energia é libertada. Esta energia pode ser
usada para construir o Ego ao invés de desenvolver o Self. Jung
referiu-se a este fato como identificação com o Arquétipo do Self,
ou desenvolvimento da personalidade-mana (mana é uma palavra
malanésica que significa a energia ou o poder que emana das
pessoas, objetos ou seres sobrenaturais, energia esta que tem uma
qualidade oculta ou mágica). O Ego identifica-se com o Arquétipo do
homem sábio ou mulher sábia aquele que sabe tudo. A
personalidade-mana é perigosa porque é excessivamente irreal.
Indivíduos parados neste estágio tentam ser ao mesmo tempo mais e
menos do que na realidade são. Eles tendem a acreditar que se
tornaram perfeitos, santos ou até divinos, mas, na verdade, menos,
porque perderam o contato com sua humanidade essencial e com o fato
de que ninguém é plenamente sábio, infalível e sem
defeitos.</p>
<p>Jung
viu a identificação temporária com o Arquétipo do Self ou com a
personalidade-mana como sendo um estágio quase inevitável no
processo e Individuação. A melhor defesa contra o desenvolvimento
da inflação do Ego é lembrarmo-nos de nossa humanidade essencial,
para permanecermos assentados na realidade daquilo que podemos e
precisamos fazer, e não na que deveríamos fazer ou ser.</p>
<p></p>
<p>Referência
<strong>Ballone GJ</strong> - <em>Carl Gustav Jung</em>, in.
PsiqWeb, internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/,
revisto em 2005</p>
<p>* -
baseado no livro "Teorias da Personalidade"- J. Fadiman, R. Frager
- Harbra - 1980 para saber mais: Tipos Psicológicos - C.G.Jung -
Zahar Editores - RJ - 1980</p>
<p>http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=157sec=53</p>
<p>Os demais artigos sobre
Psicologia</p>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/232088/Teorias-da-Personalidade/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/232088/Teorias-da-Personalidade/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-11-17T21:35:36+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Maurice Denis</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/228135/Maurice-Denis/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/228135/Maurice-Denis/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-11-07T00:08:01+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Mallarmé</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><em>
 Nada, esta
espuma, virgem verso
 A não
designar mais que a copa;
 Ao longe, se
afoga uma tropa
De muitas
sereias ao inverso.</em></p>
<p><em>
Navegamos, amigos fraternos
 Comigo desde
já sobre a popa.
 Vocês
avançam, sobre a proa
A onda
de raios e invernos;</em></p>
<p><em> Uma
embriaguez me livra
 Sem temer o
mar mais acima
 Erguendo de
pé este brinde</em></p>
<p><em>
Solidão, recife, estrela
 Não importa
o que vibre
 O branco da
vela em cena.</em></p>
<p> (Trad.
André Dick)</p>
<p>No
poema acima, Mallarmé faz uma análise da página em branco na qual
escreve com a espuma do mar, além de associá-la a um brinde que faz
com os amigos. A imagem Solidão, recife, estrela
mostra essa idéia de descrição imaginária do poeta  frente à
página que escreve. Ao mesmo tempo, há a lembrança homérica, da
cena em que o canto das sereias atraíram os homens para a morte,
fazendo com queUlisses fosse amarrado ao mastro e não caísse
nas águas. Toda essa visualização de Mallarmé é eficaz e estabelece
um diálogo entre vida e obra de maneira decisiva. Mallarmé é um dos
primeiros autores a ter a consciência de que o escrito moderno se
faz também numa relação intertextual, por meio da releitura, o que
os românticos entreviram, mas ainda preferiram associar a um
elemento mágico de descoberta subjetiva.
 Mallarmé
sucedeu Baudelaire, o autor de <em>Les fleurs du mal</em>, mas não
em termos poéticos: seu caminho foi um pouco contrário. A força do
enigma  sugerir, eis tudo, dizia
, a atração pela música, pelas artes plásticas e, sobretudo,
pela teoria, o aproximava, como poucos, a Baudelaire. Como
Baudelaire, Mallarmé teve Edgar Allan Poe como grande pensador
crítico (os textos sobre poesia foram essenciais para a formação
artística de ambos). Mallarmé se aproximava tanto de Baudelaire
quanto de Rimbaud, o que é destacado na maioria dos livros de
teoria literária. Octavio Paz identifica essa tríade (em <em>Os
filhos do barro</em>, principalmente). Mas a verdadeira definição
de quais posturas eles tiveram diante do material literário, que é
a linguagem, se esclarece na relação que tiveram com o movimento
romântico, que precedeu o Simbolismo. Concentrando-nos em Mallarmé,
é visível que ele fez leituras de Poe (de A filosofia da
composição) e de Baudelaire em textos imprescindíveis sobre
o livro (Quant au livre, Livre), música
(La musique et les lettres e Hommage a Richard
Wagner), além da entrevista a Jules Huret. Sua condição,
portanto, é pós-romântica.</p>
				</div>			</content>			<id>http://sofistadeonda.arteblog.com.br/225984/Mallarm/</id>			<link href="http://sofistadeonda.arteblog.com.br/225984/Mallarm/" />			<author>				<name>sofistadeonda</name>				<uri>http://sofistadeonda.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-11-01T14:29:08+01:00</updated>		</entry></feed>