<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[arteblog.com.br] sapatinhosvermelhos : <![CDATA[Sapatinhos Vermelhos]]></title>		<link>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br</link>		<description><![CDATA[Sapatinhos Vermelhos]]></description>		<language>br</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Sat, 12 Jul 2008 06:53:13 +0200</pubDate>		<item>			<title><![CDATA[Emfim, só!]]></title>			<description><![CDATA[<p><em>Mulher não tem jeito: o
primeiro homem que aparece, vai logo transformando em
princípe encantado, certa de que o sujeito vai
amá-la, protegê-la e respeitá-la até que
a morte os separe. Faltou alguma coisa?</em></p>
<p><em>Não, acho que as palavras
são estas, ditas (ou susurradas) no altar, no
cartório, ou no escuro do quarto, tanto faz. Depois de um
tempo (não importa quanto), a união precipitada (e
mal interpretada) desaba diante de uma toalha molhada em cima da
cama. Se foi ele quem deixou o objeto fora do lugar (e sempre
é), aproveita para dar o fora. E você fica sozinha
(quantas vezes com esta?), remoendo o que foi que deu errado, de
novo.</em></p>
<p><em>Mas, passada a tempestade, a
fase do chá de camomila, do ombro dos amigos e dos
lenços de papel, você respira aliviada. Percebe que
deixou de ser a ex de alguém e começa a desfrutar as
vantagens de voltar a ser solteira. Pode pôr o pé na
estrada, arrumar novos amigos (os antigos e comuns costumam ser
péssimos conselheiros), namorar, fazer tudo o que queria e
sempre pôde antes de se meter em mais uma barca
furada.</em></p>
<p><em>No início, a cama, sem
ele, parecia imensa, vazia? Agora, como é prazeiroso poder
se esparramar sobre ela, que é toda sua novamente,
não é? E, convenhamos: trocar os vídeos do
Jean-Calude Van Damme (apesar de ele ser um gato) por Tomates
Verdes Fritos é delicioso.</em></p>
<p><em>Mas aí o carro quebra. Ou
você ouve da amiga: &ldquo;Ih, está faltando homem no
mercado&rdquo;. (E está mesmo, principalmente do seu tipo
preferido, o sapo).</em></p>
<p><em>Pausa para refrear o
pânico: &ldquo;Será que vou dar conta da
situação&rdquo;, começa a se perguntar. Claro
que vai. E por dois bons motivos: primeiro, você já
passou pelo mais difícil (que foi se livrar do &ldquo;mala
sem alça&rdquo;); segundo, é só acompanhar meu
raciocínio.</em></p>
<p><em>Essa lorota de, no mercado,
faltar Homem (atenção, revisor o h é
maiúsculo, mesmo), de existirem mulheres a mais, não
vão ser problemas para quem chegou até aqui, intacta,
sem perder as esperanças. Ou vai?</em></p>
<p><em>Acalme-se! Saiba que em oito dos
27 estados brasileiros a população masculina é
maior do que a feminina. Está certo que, em Goiás,
existem 10% a mais de mulheres do que de homens. Porém,
é a mesma diferença registrada no Rio de Janeiro e
Distrito Federal.</em></p>
<p><em>Em São Paulo, o
número cai para 5,1%. O Maranhão e Rio Grande do
Norte registram índices ainda menores: 4,3% e 3.2%,
respectivamente. Portanto, estas estatísticas não
devem assustar uma mulher tão determinada a não ficar
sozinha.</em></p>
<p><em>Ficou mais animada? Tenho
certeza que sim, apesar de temer que ainda não esteja
preparada para fazer uma boa escolha. Mas, enfim, vamos continuar o
raciocínio &ndash; e as boa novas: a maior parte desse
excedente é composto de mulheres de terceira idade, o que
não é o seu caso (ou é?).</em></p>
<p><em>Bem, felizmente (para muitas,
infelizmente) nós vivemos mais. Na faixa dos 80 anos,
há cerca de três mulheres para cada homem da mesma
idade. E não estou tirando esses números da cartola.
Quem os afirma é a assistente social Iwonka Blasi, do
Paraná, autora do livro Os Grandes Mitos da Feminilidade
(Editora Rosa dos Tempos). Até os 50 anos de idade, segundo
ela, existe um homem para cada mulher. Viu como o desespero
não era necessário?</em></p>
<p><em>Mas será que toda mulher
precisa de um novo marido? A advogada uruguai Fany Puyesk, autora
do Manual para Divorciadas (L&P Editores), afirma que sim.
&ldquo;Existem divorciadas que procuram loucamente por um homem
livre. Um homem livre será certamente um novo marido, mais
cedo ou mais tarde&rdquo;, escreveu ela.</em></p>
<p><em>Fany acha que as mulheres, ao
procurar &ldquo;desesperadamente&rdquo; por um homem
disponível, se esquecem da vida que tinham antes com o ex.
&ldquo;Do que se privam, ao não ter maridos? Se privam das
brigas, dos roncos, da família dele, de que lhes perguntem
onde estão seus óculos. Se privam de serem
livres&rdquo;, responde. Ufa, seja bem-vinda, Fany. Alguém,
em seu juízo perfeito resolveu colocar no papel o
óbvio.</em></p>
<p><em>Aprenda, com nossa nova amiga,
uma lição para o resto de sua vida: aguente a
ansiedade e a aflição da solidão para
não jogar a rede no primeiro que aparecer &ndash; ou a
toalha cedo demais. Eu sei que teoria e prática,
principalmente nesse assunto, caminham longe uma da outra. E que
depois da separação, a única coisa que a gente
consegue imaginar é o surgimento de um salvador, de
alguém que possa livrar-nos daquela dor insuportável
dos primeiros tempos.</em></p>
<p><em>Quando essa pessoa aparece o que
é que a infeliz faz: gruda nele 24 horas ao dia. Resultado:
ele simplesmente desaparece. Entendeu o recado? Arrisque-se a sair
com os amigos despreocupadamente, a se divertir sem maiores
expectativas ou correndo o risco de ficar vesga, tentando comer com
os olhos todo marmanjo que cruzar o seu
caminho.</em></p>
<p><em>Outro erro comum das descasadas
é usar o padrão de vida &ndash; que depois da
separação costuma despencar em queda livre &ndash;
como desculpa para encontrar alguém de imediato.
Esqueça esse argumento, passe a controlar o orçamento
domésticpo na ponta do lápis (afinal, você
aprendeu matemática na esola para quê?) e busque
opções no campo profissional. Tomar essas atitudes
(entre outras) é fundamental na vida de solteira. Muito
melhor do que ficar chorando sobre o leite derramado (que horror!)
ou ficar se fazendo de vítima
impotente.</em></p>
<p><em>As pequenas
situações práticas a asustam? Você morre
de medo de que algo aconteça com o carro ou que surja algum
problema no banco? Não acredito que não seja capaz de
lembrar-se de que existem mecânicos e gerentes justamente
para resolver estes pequenos dramas domésticos. Mas
não aposte mais do que o necessário, por
favor.</em></p>
<p><em>Sei que você está
curiosa para saber  por que falo com tanta autoridade sobre o
tema. É que já passei por situações
parecidas e, como diz o ditado, gato escaldado tem medo de
água fria (ou quente, quando a gente, descuidadamente,
queima a perna na banheira do motel, tão embevecida com o
sujeito ao nosso lado).</em></p>
<p><em>Quando os maridos se foram, o
carro não quebrou, aprendi a ir ao banco e manipular aquela
maquininha dos deuses (o caixa-eletrônico, sua tonta) e, se o
encanamento do apartamento entupia, fazia uma consulta aos vizinhos
do prédio. Agora, se tudo falhar, sempre se pode recorrer a
um amigo. Ou ao zelador. Eles são ótimos em ajudar
uma mulher sozinha a resolver probleminhas domésticos. E
só!</em></p>
<p><em>* Matéria especial,
publicada no caderno DMRevista, do jornal Diário da
Manhã, Goiânia, Goiás, em 1999.</em></p>
<p> </p>

]]></description>			<link>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/75377/Emfim-so/</link>			<comments>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/Emfim--s---12072008-064822-lp-75377.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/75377/Emfim-so/</guid>			<pubDate>Sat, 12 Jul 2008 06:48:22 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Alice das ruas!]]></title>			<description><![CDATA[<p>Ele tirou sua
calcinha, que ficou perdida no meio da rua, num
canto.</p>
<p>Sua mão,
nervosa, procurava alguns reais num montinho amassado que ele havia
enfiado no bolso. Será?</p>
<p>A boca da menina,
que ele mal conhecia, era bem vermelha e fina, mas os gritos eram
fortes, potentes.</p>
<p>Entre suas
mãos que encontravam moedas, guimbas de cigarro, pernas e
bunda, estava uma aliança de ouro legítimo herdada do
pai. Mas onde estava o dinheiro? No bolso da calça do lado
oposto onde ele guarda seu pau. Ele tinha certeza.
Cadê?</p>
<p>_ Na boca,
não!
_ Então vira.</p>
<p>E ele se esqueceu do
dinheiro. E ele repetia.
_ Eu me esqueci do dinheiro! Eu me esqueci do
dinheiro!</p>
<p>E seu dedo. Dedo. E
mais dedo. E mais dedo.</p>
<p>A boca fina da
menina era grossa, sua cabeça pendia, a cabeça do pau
dele pensava lentamente, sonâmbulo. A cabeça dele
olhava também aqueles peitos que também olhavam para
ele através dos rasgos do vestido.
_  Eu me esqueci do dinheiro! Eu me esqueci do
din...</p>
<p>E sua boca tomou o
lugar de seu pau. E sua boca tomou inteiramente o lugar de seu pau.
E sua boca falou baixinho muitas palavras para aquela boca, sem
língua.</p>
<p>Aquela boca
escutava, escutava, ouvia.</p>
<p>Os olhos pretos da
menina olhavam. Viam tudo.</p>
<p>Os pêlos, os
dentes, os pêlos, a língua outra vez e agora da
novo.</p>
<p>Ela se lembrou de um
filme. Ela esqueceu.</p>
<p>Um barulho de moeda
no chão e ele levanta aflito. Pega moeda por moeda. E as
notas?</p>
<p>Ele olha um rasgo em
sua calça. Ele se lembra que rasgou sua calça.
_ Alice! Seu nome é Alice. Alice das ruas. Linda, linda!
Costura minha calça, por favor?</p>
<p>No apartamento dela,
sentado no sofá, ele olha aquela agulha que fura o tecido
duro da calça.</p>
<p>As mãos
nervosas &ndash; dele, olhando as mãos pequenas que costuram
um ponto a mais, mais um.</p>
<p>Um cheiro de
café preto que vem da xícara que ele tenta segurar,
nervoso como eu já disse, acalma aquele
ambiente.</p>
<p>Calça pronta,
calça vestida, cinto e tudo. E ele tira o cinto e desabotoa
a braguilha e volta para ela.</p>
<p>E eles conversam, eu
não sei ao certo o quê.</p>
<p>Ela fala mais do que
ele.</p>
<p>Ela volta ao seu
ouvido, agora a sua boca, ao ouvido de novo, ao outro
ouvido.</p>
<p>Agora ela ri, ri
muito. Olha. Ri sem parar.</p>
<p>Ele olha. Ela fala,
fala, fala...</p>
<p>Ele olha novamente.
Ela sorri. Fica séria.</p>
<p>Fica muito
séria.</p>
<p>Ele beija seu
queixo. Ela beija seu queixo.</p>
<p>Ele ri. Ela olha.
Ele olha.</p>
<p>Na rua passando
alguém vê a calcinha no chão. A calcinha se
junta às folhas e corre apressada pela calçada.
Debaixo de um poste de luz fosforescente, agora mais branca que
nunca, pára presa enganchada por um pequeno parafuso. De
longe se pode ver aquela calcinha iluminada naquela noite
tão escura. Um altar talvez.</p>
<p>Da janela, de
pé, apoiada no parapeito e no pau duro que a segura pelo
meio de suas pernas, ela vê um homem passar distraído
ao lado de sua calcinha.</p>
<p>Agora um cachorro e
depois um gato.</p>
<p>E agora ela vê
a mão do homem, a mão e a aliança que seguram
firme na janela.</p>
<p>São duas
mãos e um corpo que ela não
vê.</p>
<p>Ele vê tudo. A
janela, a rua, o homem que passou distraído, o cachorro, a
calcinha.</p>
<p>As costas dela,
parte da bunda, o cabelo todo. O seu pau. O seu pau de
novo.</p>
<p>Ela cega, olha para
frente, para os apartamentos, para o vento que bate frio em seu
rosto.</p>
<p>Ele vê tudo.
Ela cega.</p>
<p>Ele gosta de ver.
Ela gosta de ser vista. Ela se mostra.</p>
<p>As mãos dele
esquecem um prego mal colocado no parapeito.</p>
<p>Ela continua a
mostrar. Ele continua a olhar.</p>
<p>A aliança se
desprende de seu dedo e cai. Só a aliança, ainda no
ar, pôde ver um casal se beijar no primeiro andar. Bate no
chão, rola pela calçada,
pára.</p>
<p>De uma outra janela
do prédio em frente podemos ver os dois. Pouca luz. Alguns
movimentos.</p>
<p>Uma ou duas pessoas?
Uma. Não, acho que duas. Com certeza, duas.
Duas. Um cabelo comprido, outro curto.</p>
<p>Sumiram.</p>
<p>Nunca mais
ninguém os viu.</p>
<p>O vento volta a
soprar frio e empurrou a aliança para debaixo daquele
poste.</p>
<p>Aquele ouro todo
enrolou na brancura daquela calcinha.</p>
<p>A lua iluminou os
dois como num altar, e ela disse sim.</p>
<p> </p>
<p> </p>

]]></description>			<link>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/75376/Alice-das-ruas/</link>			<comments>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/Alice-das-ruas--12072008-064344-lp-75376.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/75376/Alice-das-ruas/</guid>			<pubDate>Sat, 12 Jul 2008 06:43:44 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Sou mulher!]]></title>			<description><![CDATA[<p>Sou poetisa,
mulher criativa,
próspera por desejada.</p>
<p>Sou mulher
imperfeita,
mas tenho luz própria
- o brilho de noites  estreladas.</p>
<p>Sou mulher que tem o
poder de ligar um neon na aura
quando quer ser bela.</p>
<p>Sou mulher que traz
o doce no olho,
a dissimulação sem leque,
a liquefação de fêmea
sob a ternura de menina.</p>
<p>Sou mulher sem
verniz,
mas que ofusca entre as próprias aspas.</p>
<p>Sou mulher
incondicional,
que não põe seu homem à deriva por
chantagem,
nem procura negar-lhe por essência.</p>
<p>Sou mulher a quem
falta o ar
sem o contentamento de ser amada</p>
<p>Sou mulher que se
deixa carregar pela cintura,
cheia de dignidade,
praia adentro,
mar afora.</p>
<p>Sou mulher,
magneto sutil,
ligado ao interesse nítido do corpo,
olhando de outro mundo,
mas em posição perfeita
no momento de trocar o controle dos dínamos,
sem perder o tom de prece da cantoria.</p>
<p>Sou mulher que
deseja a felicidade das estrelas
e assim não nega combustível ao seu
foguete.</p>
<p>Sou mulher que se
atira no carro,
no colo, certa como um entardecer.</p>
<p>Sou mulher que
não recua diante do seu feminino
nem do que é sagrado ao seu homem.</p>
<p>Sou mulher que gosta
de estoques de excitação,
que abre fendas no tempo para a saciedade.</p>
<p>Sou
mulher-fada,
sem pressa em usar o poder do encantamento,
sorridente de magia e predisposição.</p>
<p>Sou mulher que
expõe desejos,
que repete os versos idílicos de seu homem,
espantada por não tê-los escritos,
sem esconder que estes foram certeiros.</p>
<p>Sou mulher
adulta,
não tardia:
aquela que não se mede pelo virar do calendário
nem pela conta dos dias.</p>
<p>Sou, por isso,
e por tudo isso,
aquela cujos olhos brilham ao saber que a potência,
a criatividade e a paixão de seu homem apontam para
si.</p>
<p>Satisfeita em minhas
vontades,
sirvo-lhe poemas matinais,
se é poesia que ele quer,
para voltar do cosmo,
após o gozo vencido.</p>
<p>E café na
cama,
comidas afrodisíacas,
carinho construído como paisagem na manhã
dourada.</p>
<p>Sou mulher,
nua,
lua apaixonada!</p>
<p>Mulher que ferve ao
sentir-se desejada
e despeja o caldo do prazer sobre seu poeta
com toda a luz de estar presente</p>
<p>Mulher que vai
despida ao jardim
buscar uma flor para as carícias do seu homem.</p>
<p>Mulher que prepara o
quarto com surpresas:
olhares no silêncio,
lágrimas de paixão,
espasmos e arrepios,
lenços de seda depois de um banho de estrelas.</p>
<p>Mulher que serve ao
seu homem,
como amante,
sem pressa,
para que ele saiba regular nas pupilas
o despertar ou o fulminar de tua ereção.</p>
<p>Caso queira,
volto a ser criança
o tempo suficiente para mostrar-lhe
como se brinca com as próprias luzes,
iluminando o quarto ao seu lado.</p>
<p>Ah, como acredito em
meu homem,
pois este troca gestos e acaricia com o olhar,
sinaliza desejos em palavras.</p>
<p>Sinaliza o amor como
sendo troca,
a única coisa que vale qualquer preço:
vale trocar de mundo,
de pulmão,
de medo,
de profissão,
de paradigma.</p>
<p>Tristes são
os amantes
que não tangem o sagrado num ato de amor.</p>
<p>A poesia que une
nossos corações é vínculo:
não precisa anel de compromisso
nem subir, vestida de noiva, escadarias de catedrais.</p>
<p>Se procura por uma
mulher com tesão em si própria
e disposta a trocar fluidos &ndash; do genital ao metafísico
-,
feliz por ter um amor,
sábia a ponto de ensinar com a pele que,
ao largo das sócio biologias
imperativo mesmo é unir duas almas
em estado de troca,
aqui estou.</p>
<p>Aqui estou para
unir-me a ele,
e doar-me,
muito além das subdivisões,
sob suas mãos incansáveis
para expressar sonhos táteis.</p>
<p>Sejamos, pois,
poesia e leveza,
que permitem a eterna juventude aos que amam,
pelo menos enquanto amam.</p>
<p>Beijo-lhe os olhos
sem medo,
sem arrependimento,
pois este é arte do depois.</p>
<p>Beijo-lhe,
então,
com coragem!</p>
<p>Não dá
pra ser feliz
e ter medo de amar ao mesmo tempo.</p>
<p>Amor é
presente!</p>
<p>                         
..................................</p>
<p>                            
Paraty (RJ), 2 de julho de 2008</p>
<p> </p>
]]></description>			<link>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/75375/Sou-mulher/</link>			<comments>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/Sou-mulher--12072008-064308-lp-75375.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/75375/Sou-mulher/</guid>			<pubDate>Sat, 12 Jul 2008 06:43:08 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Do avesso e dos extremos]]></title>			<description><![CDATA[<p style="text-align: left;">                   
Havia algo dentro de mim que te pertencia,</p>
<p style="text-align: left;">                                 
Mas não fizestes conta.</p>
<p style="text-align: left;">                             
Hoje, algo se desfez em mim.</p>
<p style="text-align: left;">                                   
Tu nem percebestes,</p>
<p style="text-align: left;">                            
Porque não soubestes tomar para ti.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                                        
Com o tempo,</p>
<p style="text-align: left;">                    
O pouco que ficou vai se perder na indiferença.</p>
<p style="text-align: left;">                      
A mesma de quando te vi e não me importei.</p>
<p style="text-align: left;">                                          
Se eu sofri?</p>
<p style="text-align: left;">                           
Meu coração é um poço sem
fundo.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                                              
Minha alma?</p>
<p style="text-align: left;">                                            
Ah, minha alma...</p>
<p style="text-align: left;">       Esta se perdeu no
vazio do algo dentro de mim que te pertencia.</p>
<p style="text-align: left;">                     
E que, na tua indiferença, não fizestes
conta.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">        Tantos
destinos se cruzam quanto tantos caminhos se separam.</p>
<p style="text-align: left;">                 
Meu coração se perdeu entre esses dois
momentos.</p>
<p style="text-align: left;">                                              
E eu sofri!</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                             
Os que me amaram pelo que eu sou,</p>
<p style="text-align: left;">                                           
Pouco me sabem.</p>
<p style="text-align: left;">                                   
Os que amei pelo que pareço,</p>
<p style="text-align: left;">                            
Guardam muito mais do que talvez eu seja.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                                          
Sou o que sou:</p>
<p style="text-align: left;">                          
Gemo, grito e me contorço quando amo.</p>
<p style="text-align: left;">                                              
E choro!</p>
<p style="text-align: left;">             
Quando despida por dentro e por fora das alegrias do
amor,</p>
<p style="text-align: left;">                                 
Transformo-me em sombra,</p>
<p style="text-align: left;">                              
A partir do avesso e dos extremos.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                             
Quando o gesto concreto do intento</p>
<p style="text-align: left;">                               
Está na sombra dos que se fecham,</p>
<p style="text-align: left;">                              
Revelando o medo de dar o que se pede,</p>
<p style="text-align: left;">                       
Quando o que se pede é meia parte dada por si
só.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                                         
Todo amor é metade.</p>
<p style="text-align: left;">                                       
O amor que me sustenta,</p>
<p style="text-align: left;">                                   
Tenta a parte que há muito parte,</p>
<p style="text-align: left;">                                          
A metade que me habita.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">          
E como metade sombria de um coração afundando no
peito,</p>
<p style="text-align: left;">                     
Tu és luz arranhando os abismos do meu ser.</p>
<p style="text-align: left;">                  
Abismos tão expostos e prontos para serem
servidos.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                               
Mas viver é fuga constante.</p>
<p style="text-align: left;">                 
E não sei por que insisto onde não mais me
vejo.</p>
<p style="text-align: left;">                    
Afinal, minhas paixões são ventos de
agosto.</p>
<p style="text-align: left;">                                   
Embora entrem em mim</p>
<p style="text-align: left;">                     
Como as raízes das plantas entram na terra.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                              
Todo amor é ladrão de si mesmo.</p>
<p style="text-align: left;">                
Mas pode ser ausência que nos habita por
antecipação.</p>
<p style="text-align: left;">                   
Uma ausência que tem mais corpo que muito corpo,</p>
<p style="text-align: left;">                                  
E insiste calar o que me arde,</p>
<p style="text-align: left;">                      
Pois abortou o que sequer havia tomado corpo.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                              
Morte para o que não foi vida.</p>
<p style="text-align: left;">                               
Covardes não usam espelhos.</p>
<p style="text-align: left;">                                        
Flores do cerrado</p>
<p style="text-align: left;">                                       
Para o meu coração</p>
<p style="text-align: left;">                                         
Serrado ao meio.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                                 
Nada é o que agora me habita,</p>
<p style="text-align: left;">                                
Emoldurada pela solidão que sou.</p>
<p style="text-align: left;">                                      
Viver é fuga constante.</p>
<p style="text-align: left;">                                 
Desejava fugir para os teus braços,</p>
<p style="text-align: left;">                               
Para a vida que me espera dentro deles.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">                                  
O amor desenha ensaios do medo.</p>
<p style="text-align: left;">                                         
Agora te compreendo.</p>
<p style="text-align: left;">                                 
E não te amo menos por causa disso.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">......................................</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">* Obra aberta!</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">Paraty (RJ), 26 de junho de 2008</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;"> </p>
]]></description>			<link>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/75374/Do-avesso-e-dos-extremos/</link>			<comments>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/Do-avesso-e-dos-extremos-12072008-064308-lp-75374.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://sapatinhosvermelhos.arteblog.com.br/75374/Do-avesso-e-dos-extremos/</guid>			<pubDate>Sat, 12 Jul 2008 06:43:08 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Como ter um caso de amor, e de sexo, sem culpa]]></title>			<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Mergulhar de cabeça numa relação
rápida e inconseqüente</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>pode ser um ótimo ensaio para um compromisso
estável</strong></p>
<p>Foi um dos relacionamentos mais
gostosos da minha vida e duraram exatas duas semanas. Durante
quatorze dias, conversamos sobre todos os livros que lemos, fomos
ao cinema e ao teatro, curtimos deliciosas manhãs na praia,
trocamos beijos sem fim e fizemos amor quase todo o tempo.
Sabíamos que aqueles momentos já nasceram com os dias
contados. Eu estava de partida para Portugal, onde passaria seis
meses trabalhando como correspondente. Ou seja, não fizemos
nada de errado para que o nosso envolvimento chegasse ao fim --
simplesmente não tínhamos como levá-lo
adiante. Também não estávamos apaixonados. Foi
apenas um caso.</p>
<p>Ah! As alegrias de se deixar
envolver pelo prazer do sexo -- ficar junto sem se preocupar
&ldquo;com o futuro&rdquo;. Esses breves encontros são
plenos de tesão e aventura. Não conhecem o nervosismo
do famoso jantar com a família dele  e muito menos a
angústia de imaginar se a relação vai chegar a
algum lugar ou não. Casos não têm passado ou
futuro; são movidos pelo presente. São breves por
definição.</p>
<p>Quer um exemplo mais que perfeito?
Minha amiga Rita tem encontro marcado, todo final de ano, com Alex,
um morenaço de fulminantes olhos azuis. &ldquo;Passamos o
reveillon juntos há quatro anos. Ele mora em Recife, mas
vamos para a casa das nossas famílias, em Goiás
Velho, nessa época.&rdquo; Quando perguntei se o romance
tinha alguma chance de sobreviver na vida real, Rita respondeu:
&ldquo;Jamais. Gostamos do que conhecemos um do outro, mas temos
medo dos lados ocultos da personalidade de cada um. Para
começar, acho que ele é eleitor de políticos
que não suporto.&rdquo; Ela tem razão. Eles se
enquadram em pelo menos dois daqueles quatro motivos que, na minha
opinião, fazem com que determinados casais estejam
&ldquo;fadados a uma vida breve&rdquo;.</p>
<p>1 - Incompatibilidade
geográfica. Você mora no Sul; ele, no Nordeste. Mas
descobrem, em uma viagem de férias, uma incrível
afinidade mental e sexual. Ou seja, encontram o material perfeito
para viver um caso (já pensaram sobre a brevidade de tempo
contida na palavra &ldquo;férias&rdquo;?).</p>
<p>2 - Valores muito diferentes.
Você sabe que existe na personalidade dele
&ldquo;defeitos&rdquo; que podem ser ignorados por algum tempo, mas
sente que não conseguiria conviver com eles para sempre.
(Por exemplo: o homem é ateu declarado; você,
católica fervorosa).</p>
<p>3 - Falta de sincronia no
planejamento de vida. Você guarda todas as suas economias
para comprar um apartamento; ele, além de não ter
nada na poupança, investe o 13º em viagens (Nada
contra, que fique registrado aqui).</p>
<p>4 - A ridícula
diferença de idade. A menos que você tenha uma forte
inclinação por homens muito mais velhos ou muito mais
novos, grandes diferenças de idade podem acabar com qualquer
possibilidade de uma relação mais longa.</p>
<p><strong>Puro
tesão</strong></p>
<p>Assim como a chocolate e outras
coisas boas da vida, os relacionamentos rápidos, movidos por
puro tesão, caíram em desgraça nos
últimos anos. É claro que a Aids contribuiu muito
para isso. Mas ela não está sozinha (as camisinhas,
quando usadas corretamente, são perfeitas no combate
à doença). As mulheres não andam
suficientemente liberadas para lidar com as agradáveis
situações que envolvem um romance
fugaz.</p>
<p>Para algumas, essa experiência
atrapalha os planos de encontrar um casamento feliz.
&ldquo;É perda de tempo sair por sair&rdquo;, dizem.
Discordo. Mesmo que sua meta final seja conquistar o amor de sua
vida, sempre haverá espaço para se divertir com o
sexo oposto. Encare esses relacionamentos como uma
&ldquo;pesquisa&rdquo; sobre os hábitos, gostos e caprichos
masculinos. E vai se surpreender como um homem consegue ser
divertido se você não passar o tempo todo tentando
adivinhar como seria viver com ele o resto da vida. E quando
encontrar aquele que a levará ao altar, certamente o
deixará encantado com a sua natureza independente e o seu
conhecimento sobre a alma masculina.</p>
<p>Porém, um aviso: nem todos os
homens que não têm as qualidades que você
procura em um marido são recomendáveis como free
lance. Alguns são sempre perigosos: alcoólatras,
viciados em droga e perdedores (aquele tipo que só abre a
boca para dizer o quanto a vida é injusta com ele). E se
você pertence à categoria das carentes
incuráveis, ter um caso pode não ser uma boa
idéia. &ldquo;Costumo me apaixonar depois do primeiro
beijo&rdquo;, disse uma amiga. &ldquo;E morro de dor-de-cotovelo se
não sou correspondida.&rdquo; Caso se enquadre nesse rol,
cuidado. Se um dos lados não encarar a experiência
como algo passageiro, pode ter certeza de que vai
sofrer.</p>
<p><strong>Levitação
emocional</strong></p>
<p>É preciso ser flexível
para encarar os riscos que fazem parte dessa aventura e manter um
clima de tranqüilidade. Mas, acredite, vale a pena. É a
sua chance de colocar em prática todos aqueles truques de
&ldquo;levitação&rdquo; emocional -- como, por
exemplo, superar a ansiedade da espera de um telefonema dele ou se
recusar a perder tempo imaginando se ele gosta de você -- que
ajudam bastante na hora de enfrentar as expectativas da primeira
fase de uma relação
&ldquo;normal&rdquo;.</p>
<p>Quando não se tem muito a
perder, fica mais fácil encarar os sentimentos e as
expectativas de frente. Portanto, deixe claro que você gosta
dele, mas que tudo não passa de uma brincadeirinha. Nada de
&ldquo;eu te amo&rdquo; ou &ldquo;não existe ninguém
como você&rdquo;.</p>
<p>Agora que já sabe o que
não deve dizer, como vai explicar que, apesar de gostar
dele, não quer pensar no futuro? Meu discurso favorito
é: &ldquo;Tem sido ótimo, mas é bom que
não seja para sempre&rdquo;. É claro que você
não vai tocar nesse assunto na cama. O ideal seria em um
jantar, logo após ele emitir uma opinião
completamente diferente da sua sobre temas como política ou
ambição profissional. Isso, certamente, vai
tirá-lo das nuvens e provar que ele está longe de ser
seu príncipe encantado. Pode ser a oportunidade de que
precisavam para fazer um brinde &ldquo;à essas semanas em
que estivemos juntos.&rdquo;</p>
<p><strong>Diversão e
prazer</strong></p>
<p>Outra grande vantagem desses
romances fugazes: não nos obrigam a fingir interesse por
coisas que não nos dizem respeito. Minha amiga Sonia, por
exemplo, passou o fim de semana inteiro com um colega, comendo
salgadinhos e assistindo futebol na tevê. &ldquo;Nem penso em
passar a vida fazendo isso. Mas naqueles dois dias foi muito
divertido.&rdquo;</p>
<p>O ponto essencial dessas
relações é curtir. Faça o que der na
sua cabeça: muito sexo, ostras no café da
manhã, transar ou dar um amassos no elevador do seu
prédio. Libere todas as suas fantasias. Faça o que
sempre quis, mas que se sentia inibida de fazer com o potencial
príncipe encantado. Isso não quer dizer que com ele
suas noites seriam regidas por uma enervante monotonia. Significa
apenas que, ao lado de um homem desconhecido, você vai se
sentir mais livre para liberar suas &ldquo;loucuras&rdquo; --
afinal, não estará preocupada em ser reprovada no
teste.</p>
<p>Esses relacionamentos já
nascem com começo (quando os olhares se encontram), meio
(quando todas as outras partes do corpo se encontram) e fim (foi
bom, mas chegou a hora da despedida). O que não quer dizer
que são imunes às expectativas. Alguns casos podem
evoluir. Mas isso no geral acontece quando a gente mantém
uma postura desinteressada. E olha que são eles que afirmam
isso.</p>
<p><strong><span style=
"text-decoration: underline;">As quatro regras
fundamentais</span></strong></p>
<p>O fato é que, nesses
relacionamentos ocasionais, você precisa deixar suas
intenções bem claras tanto para ele quanto para si
mesma. Portanto, observe bem essas quatro regras
fundamentais:</p>
<p>1 - Não construa uma
história -- Nada de tirar milhões de fotos, guardarem
lembrancinhas e adquirir coisas em comum. Até a compra de
uma cadeira pode significar comprometimento.</p>
<p>2 - Não dê presentes
caros -- Relógio de ouro está fora de
cogitação. Assim como qualquer coisa que demonstre
que você está investindo nele.</p>
<p>3 - Não o apresente para
ninguém -- Você não precisa conhecer a
família dele nem ele a sua. O mesmo se aplica aos amigos.
Afinal, não vão ficar juntos por muito tempo. Melhor
não dividir nada.</p>
<p>4 - Não se esqueça da
segurança -- Casos nunca começam com trocas de exames
de Aids e nem comentários detalhados sobre o passado sexual
de cada um. A atração é tão forte que
quando se dão conta já estão na cama.
Portanto, em hipótese alguma a camisinha deve ser
ignorada.</p>
<p><strong><span style=
"text-decoration: underline;">Quando um caso vira coisa
séria</span></strong></p>
<p>O mais indicado é seguir as
regras (fazer uma lista das diferenças, não
apresentá-lo à família ...), mas, às
vezes, quando a gente percebe, já está fisgada. Casos
sérios são aqueles que começam
despreocupadamente, viram relacionamentos à longa
distância e logo os dois estão prontos para percorrer
centenas de quilômetros para ficarem juntos. Se identificar
alguns dos sinais abaixo, as chances são
grandes:</p>
<p>* Depois de algum tempo juntos,
você manda um cartão dizendo que adorou a
última noite. Ele responde no dia seguinte.</p>
<p>* Você descobre que aqueles
abismos ideológicos entre os dois são meras
diferenças de estilo e gosto. Ou seja, conclui que têm
os mesmos valores de vida.</p>
<p>* Ele sugere que passem as
férias juntos.</p>
<p>* Antes do beijo de despedida, ele
já combinou um novo encontro.</p>
<p>* É simplesmente
impossível evitar palavras de carinho e de amor.</p>



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