<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://ramos.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://ramos.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[ramos.arteblog.com.br]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://ramos.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2008-06-19T15:56:10+02:00</updated>		<entry>			<title>TEMPO</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Uma formiga me detem o passo,</p>
<p>Aonde vais? porque no me ajudas?</p>
<p>No,</p>
<p>Por favor meu amigo! Me acudas.</p>
<p></p>
<p>Sem em deter, apresso o passo</p>
<p>Empurrado pela multido louca.</p>
<p>Sem tempo para deter-me ao abrao,</p>
<p>Quo mais p'ra esta miseria rouca.</p>
<p></p>
<p>O mundo corre, nbo posso deter-me</p>
<p>No posso sequer olhar,</p>
<p>Ao pequeno que queira deter-me.</p>
<p></p>
<p>Se eu parar ou se for devagar,</p>
<p>posso da multido perder-me,</p>
<p>Arriscando-me a pequeno ficar.</p>
				</div>			</content>			<id>http://ramos.arteblog.com.br/70669/TEMPO/</id>			<link href="http://ramos.arteblog.com.br/70669/TEMPO/" />			<author>				<name>ramos</name>				<uri>http://ramos.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-06-19T15:55:45+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>PERDI UM ÍDOLO</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p></p>
<p>

Ele se foi. O
tio Zezinho morreu. De certa forma o mundo e em especial a cidade
de Tres Pontas, Minas Gerais perdeu um dos seus filhos mais
importantes. No era uma celebridade, nem pertencia a
oligarquia ou burguesia ou mesmo os conservadores da cidade. Era um
homem popular e simples, de uma religiosidade muito acentuada. Era
devoto de Nossa Senhora Aparecida e o Padre Vitor, patrono e
protetor da familia mineira, em especial, da cidade de
Tres Pontas. Um dos seus maiores orgulhos, de homem, pai
crist</span> era
o seu filho Roberto, ou melhor, o padre Roberto, paroco da
Igreja Nossa Senhora D'Ajuda, a matriz da cidade.</p>
<p>O
tio Zezinho ou Jose Targino como era conhecido na
cidade, era carpinteiro, no desses carpinteiros comuns, era
um mestre da madeira. Sua especialidade eram moveis
macios de madeira nobre. Amava e sentia orgulho no que
fazia e o fazia muito bem, era reconhecido e muito procurado. Fazia
questo de escolher as arvores na mata, acompanhar o
corte, trabalhar a madeira bruta desde o seu primeiro
estagio. Diga-se de passagem, oficio esse que passou
para dois de seus filhos que o acompanhavam profissionalmente
dividindo a mesma marcenaria e dessa arte alimentavam suas
familias.</p>
<p>Jose Targino como era conhecido o meu querido tio.
Eu tinha para com ele uma grande admirao,
principalmente da sua calma, notada em cima do sotaque de mineiro
nato. Tinha certa dificuldade na pronuncia, era parcialmente gago,
o que quer dizer que a dificuldade somente se fazia notar no
inicio de cada frase, principalmente quando o assunto era de
cunho politico ou familiar.</p>
<p>Ele
me chamava de joo, e dizia: -
<span></span>
Joo Paulo.
Faaaaaala como esto todos em sua casa. Aaaaaa comadre e
ooooo compadre esto beeem bem de saude.</p>
<p>Assim era o tio que Deus levou para cuidar dos
passaros do seu quintal, pois que nisto ele era mestre. Seu
robe era cuidar de seus passarinhos com os quais falava toda
manh e pode parecer incrivel, eles o entendiam,
tanto que fazia parte da sua rotina andar pelas matas em busca do
cantar de passaros. Uma boa pescaria tambem fazia
parte do seu gostar.</p>
<p>Um
grande contador de historias era o meu tio, e eu me
deliciava com as mesmas, por mais corriqueiras e banais que fossem
por mais longas e dificeis de entender que fossem. Talvez a
sua maneira de contar, ele as vivia e entre um gaguejar e outro o
meu tio falava de fatos acontecidos, de personagens pitorescos dos
quais ele sempre era um deles. Ouvir as narrativas do meu tio era
tambem integrar o rol de seus personagens, vivenciar suas
aventuras correndo<span></span> todos os riscos.</p>
<p>Me
ocorreu uma historia dessas bem bizarra:</p>
<p>Estava o meu tio em uma pescaria<span></span> na
espera, um distrito da cidade de Tres Pontas, sul das Minas
Gerais, o pesqueiro se chamava rio verde, rio muito caudaloso, de
aguas muito verdes e limpas, abundante de variedade de
peixes. Pena que este formoso rio ja no existe mais,
tomado que foi pelas aguas da represa de furnas que
tambem levou consigo boa parte das matas ali
existentes.</p>
<p>Pois bem, estava meu tio a beira do rio la
pela madrugada dentro, quando ouviu um som estranho bem
proximo de si. Era algo parecido com uma musica que,
estranhamente lhe soava familiar. F incondicional do Nelson
Gonalves, sabia quase todas suas musicas e o que ele
ouvia era uma delas: <strong><em>- Maria Helena es tu, a
minha inspirao,</em></strong> e novamente se
repetia: - Maria Helena es tu, a minha
inspirao. Depois de repetidas vezes, o som
parou por mais ou menos uma hora e novamente se ouviu:
<strong><em>- Maria Helena es tu, a minha
inspirao.</em></strong></p>
<p>Curioso e invocado com aquele som estranho num local
daqueles, o pescador muniu-se de um farolete e deu inicio a sua
busca, embrenhou-se mato adentro, sempre em direo
de onde lhe parecia vir o som. Retornou depois de duas horas sem
lograr exito em sua busca. Visitou duas varas de espera que
estavam estrategicamente presas a beira do rio, retirou de
uma deles uma boa traira, iscou novamente, lanando o
anzol para a agua, pegou a sua vara da sorte, assim ele
chama a sua melhor vara de pesca, caprichosamente cuidada por ele,
lanou
mo da garrafa termica, serviu-se de cafe e
voltou seu pensamento a pescaria, sem contudo deixar de
pensar na musica estranha. O som agora se ouvia bem
baixinho, parecia estar bem longe, muito longe.</p>
<p>De
manh, la pelas seis horas, recolheu sua tralha de
pesca, conferiu sua produo. Pareceu-lhe boa uma vez
que havia conseguido pescar uma meia duzia de mandis
chores, tres trairas, dez ou mais lambaris de
bom tamanho, e um pacu de uns tres quilos, fatura
muito boa para um so pescador.</p>
<p>De
volta a sua casa, contou a sua esposa, a tia Lourdes, o estranho
caso acontecido na pescaria, ao que ela respondeu:</p>
<p>- Ora Ze, isso e coisa da sua
cabea, onde ja se viu ouvir musica no meio do
mato e de madrugada. Isso ou e coisa da sua cabea ou
e assombrao. Dizem que no seculo
passado, ali existia uma penso para pescadores de
So Paulo, ali tambem existia um bar e um bordel. Vai
la saber quantas pessoas morreram por aqueles lados cujas
almas vagam a procura de paz. Acho melhor voce escolher outro
lugar para sua pescaria.</p>
<p>Assim sentenciou a minha tia do alto da sua sabedoria.
Ela era uma pessoa muito comedida, religiosa. Apesar de pouca
cultura, lia muito e conservava traos de uma
criao muito severa, com regras ditadas pelo seu
pai, meu avo, que era um homem muito conservador e gostava muito
de, no ato de suas instrues aos filhos,
ilustra-las com velhos ditados populares e historias
nebulosas de fantasmas, almas do outro mundo,
maldies, etc, etc.</p>
<p>Bem, retornando ao meu tio, cuja pescaria de quinze dias
atras o tinha marcado, no conseguia tirar da
cabeo
acreditando em fantasmas achava que algo muito estranho tinha
acontecido, e para o seu sossego, deveria tirar a limpo, e isso
iria acontecer naquela sexta-feira.</p>
<p>Chegou o dia e tio Jezinho armou-se de sua tralha de
pescaria e de muita coragem e seguiu em direo
a Espera. Era por volta das 23:00 horas quando chegou ao
local predileto de sua pesca, preparou suas varas, iscou-as e ficou
a espera, no dos peixes mas da estranha musica que
na. Meia noite e nada.
No podia ser coisa do outro mundo, alma penada ou coisa que
o valha, pois isso so se manifesta a meia noite,
assim pensava ele.</p>
<p>La pela uma hora da manhou a
ventar e la veio a tal musica. De imediato,
lano do farolete e correu em
direo ao som, este estava muito alto, tanto que a
sua direo podia ser apontada facilmente. Estancou
de repente em frente a uma moita de Jua, e ali estava o
motivo de seus pesadelos, ali estava o seu fantasma particular, sua
alma penada. Enfim, ali estava o Nelson Gonalves cantando.
Preso em um dos galhos da moita do espinheiro, metade de um velho
disco de vinil, disposto de tal maneira que ao sabor do vento, um
outro galho da planta passava por sobre o disco, reproduzindo a tal
de <strong><em>- Maria Helena es tu, a minha
inspirao.</em></strong></p>
Pois e amigo, esta e uma das
historias que rotineiramente ouvia do meu querido e finado
tio Jezinho. Quanta saudade!<span></span>
<p><span><span>
</span></span></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://ramos.arteblog.com.br/47758/PERDI-UM-IDOLO/</id>			<link href="http://ramos.arteblog.com.br/47758/PERDI-UM-IDOLO/" />			<author>				<name>ramos</name>				<uri>http://ramos.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-02-19T20:41:30+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>DIVAGAÇÃO</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><em>Numa tarde de um Domingo
qualquer,</em></p>
<p><em>O vento gelado que o inverno
prenunciava,</em></p>
<p><em>Busquei no silencio, o passado
revolver,</em></p>
<p><em>As recordaes que a minha
mente faltava.</em><em>.</em></p>
<p></p>
<p><em>E como as folhas do
mal-me-quer,</em></p>
<p><em>Procurei uma a uma o que
buscava,</em></p>
<p><em>E sem encontrar nenhuma
sequer,</em></p>
<p><em>A explicar porque a solido me
afetava.</em></p>
<p></p>
<p><em>E no mais doce, no melhor
momento,</em></p>
<p><em>Exalando ainda um suspiro de
ternura,</em></p>
<p><em>Acordo e acho-te, so no
pensamento.</em><em></em></p>
<p></p>
<p><em>Que destino cruel, que sorte
escura,</em></p>
<p><em>A que serve a razo neste
momento,</em></p>
<p><em>Se
so dura em sonhos essa ventura.</em></p>
				</div>			</content>			<id>http://ramos.arteblog.com.br/47606/DIVAGACAO/</id>			<link href="http://ramos.arteblog.com.br/47606/DIVAGACAO/" />			<author>				<name>ramos</name>				<uri>http://ramos.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-02-19T20:49:34+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>MINHA DEUSA</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p></p>
<p></p>
<p><span>... Inverno. A noite impera
soberana no ceu da cidade. Um vento cortante castiga os que
passam. Dentro do restaurante, o ambiente e caloroso. A
atmosfera satisfatoria. Em uma das mesas, avista-se uma
cesta cheia de suculentos morangos, que se oferecem indecentemente.
O local esta lotado. Ao lado, em outra mesa, oferecem-se os
mais variados drinques, apropriados ao clima de inverno, o que
atia os desejos dos que a cercam. Subitamente, uma mulher
entre no restaurante, morena, alta, cabelos longos, corpo
escultural, sugerindo-lhe o gosto pela educao
fisica e o cuidado com o corpo. Logo em seguida, dirige-se
a minha mesa, perguntando-me se poderia ali ocupar o lugar
vago. Eu, como que envolvido de um feitio de cima a baixo,
mudo, apenas com a cabea, aceno em um sim ansioso. Meus
olhos devoram-na por completo. De repente, este ato comea a
ser imitado por todos. Tambem queriam sentir aquela
sensao
e a palavra certa, Talvez inveja. Na verdade, no
existem palavras para descrever essa
sensa</span></span></p>
<p><span><span></span></span></p>
<p><strong><span></span></strong><span>Foram-se os deuses, foram-se, e
verdade,</span></p>
<p><span>Mas das Deusas alguma existe,
alguma</span></p>
<p><span>Que tem o teu corpo, teu ar, tua
majestade,</span></p>
<p><span>Teu porte e aspecto. Es tu mesma em
suma.</span></p>
<p>.</p>
<p><span>Ao ver-te com esse andar de
ansiedade,</span></p>
<p><span>Como que arcada de invisivel
bruma,</span></p>
<p><span>Eu, do Olimpo me lembro com
saudade,</span></p>
<p><span>Pois que nessa crena antiga se
acostuma.</span></p>
<p><span>.</span></p>
<p><span>De la trouxeste o olhar sereno e
garo,</span></p>
<p><span>O alvo colo onde, quedas de ouro
tinto,</span></p>
<p><span>Deixa-se rolar o teu cabelo
esparso.</span><span></span></p>
<p>.</p>
<p><span>E nessa tristeza de estatua eu me
enlao,</span></p>
<p><span>A ti, para ti, escrevo o que cultuo e
sinto,</span></p>
<p><span>Nesse culto a beleza, a forma do teu
trao.</span></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://ramos.arteblog.com.br/43600/MINHA-DEUSA/</id>			<link href="http://ramos.arteblog.com.br/43600/MINHA-DEUSA/" />			<author>				<name>ramos</name>				<uri>http://ramos.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-01-28T19:17:14+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>MEU LEGADO</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong><span></span></strong><span>Hoje lego-te a minha
consciencia,</span></p>
<p><span>Lego-te a doce ternura de um
amigo,</span></p>
<p><span>Aquele que sofre<span></span> e chora
contigo.</span></p>
<p><span>Amor que sempre teve
transparencia.</span><span></span></p>
<p>.</p>
<p><span>Lego-te alem da minha
paciencia</span></p>
<p><span>Os meus</span><span>braos abertos em
abrigo,</span></p>
<p><span>Os meus olhos para ligares ao que
ligo</span></p>
<p><span>Lego-te meu eu com toda
deferencia.</span></p>
<p><span>.</span></p>
<p><span></span><span>Dos meus olhos abertos em
sorriso,</span></p>
<p><span>A indicar-lhe o caminho do amor e
paixo,</span></p>
<p><span>Pois e a unica forma de chegar ao
paraiso.</span><span></span></p>
<p><span>.</span></p>
<p><span>Mas se ainda assim insistes na
solido,</span></p>
<p><span>So posso lhe dar mais um
aviso.</span></p>
<p><span>Sinto muito amiga,<span></span> mas foi
tudo em vo.</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://ramos.arteblog.com.br/43012/MEU-LEGADO/</id>			<link href="http://ramos.arteblog.com.br/43012/MEU-LEGADO/" />			<author>				<name>ramos</name>				<uri>http://ramos.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-02-19T19:51:03+02:00</updated>		</entry></feed>