<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Olhar Estrangeiro]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2008-06-15T23:21:12+02:00</updated>		<entry>			<title>Alguém que é ficção</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Ela no estava so. Mas
chegou assim... Sem aneis nos dedos, com um sorriso secreto
de quem devora seus pensamentos e o toma para si. Vestia preto,
neutralidade implacavel. Eu ali parado, assim permaneci. Meu
rosto estava febril e imovel, como se meu sangue parasse de
correr por alguns segundo do meu corpo que agora estava
frio.</p>
<p><span>

</span></p>
<p><span>O
bar era simpatico: mesas na calada, propaganda de
bebida nas paredes, uma grande mesa de sinuca e um garom
que no escondia se desmazelo e higiene. De tempos em
tempos, o rapaz que carregava na face um bigode maior do que
qualquer outra parte de seu rosto magro limpava as mos e a
bancada com um pano de prato encardido. Um dia, aquele pequeno
pedao de tecido foi branco. Eu sempre sentava la por
horas e ficava observando os rostos que pintavam aquele ambiente.
Fazia anotaes em um pequeno caderno e registrava
muita coisa na minha memoria sempre latente. So que
nunca tinha visto alguem como aquele
alguem.</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p><span>Permaneci sentado e olhava apenas com a
minha viso ousava enfrenta-la
com meus olhos. Ela foi ate o balco, fez seu pedido
e sentou em uma das mesas. Trazia consigo uma bolsa vermelha de
verniz e colocou sobre a mesa um mao de cigarros tirado de
dentro do compartimento. Acendeu o primeiro e soltou a
fumao olhava para um
so alguem. O bar todo interessava ao seu ar
blase. Neste momento, tocou seu celular. Ela diz poucas
palavras e desliga. A cerveja chega. O garom passa o pano
na mesa e serve a bebida. Ela toma. Eu, como um amendoim. Ela me
olha. Fico vermelho. Ela levanta e vem a minha mesa. Levanto
meu rosto e dou um leve sorriso.</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Posso sentar
aqui?</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Pode...</span>
</p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Espero no
incomodar...</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>No... Eu
estou sozinho aqui.</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Percebi. Pessoas sozinhas
so atraidas por semelhantes.</span>
</p>
<p><span>

</span></p>
<p><span>Meu
rosto sorriu sem que eu pudesse controlar. Era ela quem me deixava
assim.</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Voce sempre fica aqui
anotando?</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p><span>Ela
havia me notado sem que eu assim o quisesse.
Sorri.</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Anoto sim. A vida e
mais interessante nas paginas de um velho caderno do que no
seu momento de origem.</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Voce acha?</span>
</p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Tento me enganar que
sim.</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Boa resposta!  disse
ela sorrindo.</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p><span>Era
ousadia demais pra mim. Era como um premio pelos meus anos de
solido e bar.</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Posso perguntar uma
coisa?</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Pode  respondeu ela
soltando mais uma baforada para o alto.</span>
</p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Por que voce se sentou
aqui?</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p><span>Ela
mudou o rosto. Sua expresso era de
desconforto.</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Incomodo?</span>
</p>
<p>
-<span>
</span>
<span>No, mesmo!
E que esse seu gesto... Estou pensando...</span>
</p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Eu sentei porque no
suportaria te ver escrevendo sobre mim sem te dar material para sua
escrita. No sou um personagem, mas se quiser me transformar
em um, que seja da maneira mais correta.</span>
</p>
<p><span>

</span></p>
<p><span>Levantou-se, jogou o cigarro no
cho, pisou com a ponta da bota e apagou a brasa. Segurou em
meus braos, levantou-me da mesa e me deu um beijo. Sua boca
macia entrava em contato com a minha barba por fazer. Sua
lingua dominava o universo da minha boca. Seu sabor era
cerveja e cigarro, com um toque de canela. Ela segurava nos meus
cabelos e apertava minha nuca com a fora de seus dedos. Eu
segurei nas costas desnudas pelo decote traseiro do vestido. Ela
dominava. Ela me beijava. Eu so retribuia, como um
escolhido, cumprindo um papel que estava gostando. O beijo finda.
Ela olha nos meus olhos e sorri. Vai ate a cadeira e pega a
bolsa. Tira uma nota de cinco reais e deixa sobre a
mesa.</span></p>
<p><span>

</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Ei, qual seu
nome?</span></p>
<p>
-<span>
</span>
<span>Estela. E pode escrever que
isso nunca tinha acontecido antes na sua vida.</span>
</p>
<p><span>

</span></p>
<p><span>E
saiu.<span></span></span></p>
<p><span><span></span></span></p>
<p><span>
</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/69989/Alguem-que-e-ficcao/</id>			<link href="http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/69989/Alguem-que-e-ficcao/" />			<author>				<name>olharestrangeiro</name>				<uri>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-06-15T23:18:12+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>... e o futuro do jornalismo?</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>... e o futuro do
jornalismo?</strong></p>
<p>
</p>
<p>Este texto foi escrito, reescrito e teve
inumeras palavras deletadas durante a sua
criao e, felizmente, espero que ainda necessite de
reviso da historia
tambem recebe este colorido. Os fatos acontecem e repercutem
no mundo com a velocidade absurda de alguns segundos atraves
de uma postagem na Internet. Em outros tempos as noticias
circulavam em papiros, pergaminhos, folhas de aviso, e ainda
no tinham o carater sensacionalista de hoje, que
alguns jornais adotam.</p>
<p>
</p>
<p>Com o passar do tempo, os donos dos jornais
perceberam que noticia tambem dava lucro, que era uma
maquina que movimentaria dinheiro a partir do seu poder de
construo de
realidades e verdades. No foi exatamente o uso deste poder
que motivou o antologico personagem to bem
construido por Orson Wells em Cidado Kane e
livremente inspirado em William R. Hearst?</p>
<p>
</p>
<p>Para quem no se recorda, Hearst foi
proprietario do Nem York Journal e a partir de fotografias
falsas publicadas nas edies do diario, os
Estados Unidos entrou em conflito com Cuba pelo dominio do
territorio. Mas, voltemos ao Brasil.</p>
<p>
</p>
<p>O Crime da Mala, Receitas ou sonetos de
Camo dos textos censurados, a
morte de Wladmir Herzog, o Edificio Joelma, o caso PC
Farias, o crime da Rua Cuba, a Escola Base, a copa do mundo que
estampou na historia cinco vitorias do nosso
pais, alem dos escandalos politicos,
economicos e sexuais de senadores e celebridades. No momento
atual, uma pergunta movimenta a midia: quem matou
Isabella?</p>
<p>
</p>
<p>Ate agora conhecemos sobre um pouco do
passado e do presente da Imprensa no Brasil e no mundo. E quanto ao
futuro? Otavio Frias Filho, proprietario de jornal e
em quase nada parecido com Hearst, disse que no sabe sobre
o futuro. E quem sabe, no e mesmo? Se ele que
e proprietario de um jornal no pode
responder, imagina os jornalistas que ingressam em um mercado de
trabalho? A assessoria de imprensa tem recebido jornalistas aos
montes e a redao esta mais vazia. Segundo a
jornalista Marilena Furlanetto, qualquer um hoje em dia pode ser
jornalista, e so postar um texto na Internet.
Sera que este e o futuro?</p>
<p>De um lado encontramos os jornais exigindo uma
qualificao ampliada do profissional para a sua
contrao e de outro qualquer um que senta diante de
um computador pode modificar a realidade postando noticias.
Mas, insisto, qual sera o futuro?</p>
<p> Se nem Frias
pode responder, no serei eu o atrevido que irei
tentar!</p>
				</div>			</content>			<id>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/64640/e-o-futuro-do-jornalismo/</id>			<link href="http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/64640/e-o-futuro-do-jornalismo/" />			<author>				<name>olharestrangeiro</name>				<uri>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-05-21T06:13:50+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Dias de Helenice</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<h1>Tera-feira</h1>
<p><span>
</span></p>
<p><span>Hoje eu acordei e meus
olhos no abriram. Fiquei deitada na cama com um desejo de
silencio... mas era impossivel. Meu corpo rangia a
cada movimento, pensado ou impensado. Com isso, cheguei a constatar
que no existe algo sem som, que o mundo continua em
movimento enquanto sinto que meu corpo vai cessando aos poucos.
Abro os olhos.</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>Com um impulso de
animo, sento-me na cama: o que o dia me reserva? Passo a
mo,
preciso comprar um shampoo. Trago as minhas pernas com o
auxilio das mos ate um canto da cama para
descer. Olho para cada parte que compe o meu todo, dando
uma ateno especial as pernas, meu contato
com o chando os pes como se
estivesse na beira de uma piscina. O vento balana a cortina
de voal na janela e eu sinto que o dia vai ser bom. Dou um leve
sorriso e olho para a cama que agora esta vazia, mas antes,
tinha o calor do meu marido. Hoje ele saiu sem falar comigo, o que
sera que eu fiz? Talvez nada, talvez tenha se atrasado.
Deso da cama e sinto meus pes tocando o chinelo que
estava ali, a noite toda esperando o momento de ser calado.
Acomodo meus pes na sola fria... Parece que estou
redescobrindo a vida a cada segundo. Olho no espelho: fazia tempo
que eu no me via assim. Crio um novo habito:
maquiagem. Pego o primeiro batom que vejo e me nego a sair do
quarto sem estar apresentavel a mim mesma. Pego na segunda
gaveta uma escova de grande volume, passo sobre meus cabelos como
se estivesse me acalentando na manh. E assim que
comea meu dia de hoje.</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>Um abajur e aceso
para que eu pudesse pintar levemente meus olhos. Escolho um par de
brincos, aquele que eu ganhei de aniversario de casamento.
Decido que preciso me sentir leve, usar uma roupa que fosse
parecida com minha camisola. Escolho um vestido de florzinhas que
adoro. Retiro o pijama como se tirasse um pedao da minha
capa e estou nua. Meu corpo, um retrato da minha historia.
Toco meu pescoo e sinto o vento bater no meu corpo sem
couraa. Visto a minha nova roupagem e saio do
quarto.</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>Minhas pernas so
comandadas por mim e eu digo se vo para a direita ou
esquerda. Escolho no apoiar em nada, vou lentamente saindo
da porta e descendo a escada. Recuso o corrimo. No
ultimo degrau, meu cachorro vem em minha
direo me reconhece. Talvez seja
exagero para uma manha-feira, mas eu
precisava disso. Ele lambe meus dedos no vo do chinelo.
Sinto sua lingua quente... e como se estivesse
aprendendo os prazeres, descobrindo novos sentidos. Passo a
ma e vou para a cozinha.
Espreguio como uma guerreira antes de entrar em
combate.</span></p>
<p><span>
</span></p>
<p><span>Olho pela janela... um
beija-flor esta bebendo agua... preciso colocar mais
aucar. Decido que minha primeira tarefa e
cuidar dos animais: agua pro beija-flor, po para o
cachorro. Abro a porta da cozinha e fico assistindo meu co
comer, por minutos incalculados. Nem sabia como ele comia. Passo a
mo no meu peito e fecho os olhos. Uma musica suave
surge de mim: meu peito bate e eu adormeo na cadeira
ouvindo meu proprio som, escavando neste segundo um retrato
de quem sou. Dou um leve sorriso que indica a minha cumplicidade e
desvelamento. Massageio o meu peito e digo em voz alta: Bom
dia, Helenice, a tera-feira esta
inaugurada!.</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/63466/Dias-de-Helenice/</id>			<link href="http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/63466/Dias-de-Helenice/" />			<author>				<name>olharestrangeiro</name>				<uri>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-05-15T05:44:31+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Nem tudo é verdade</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>A premissa deste texto e a fantasia. Ao
escrever neste espao uso das minhas
experiencias pessoais e agrego a literatura e a
criao. Por isso, gostaria de deixar claro que nem
tudo o que e escrito aqui e a verdade.</p>
<p>Utilizo-me da palavra como fonte, e da escrita
como meio. As historias relatadas aqui so fatos que
eu vivi ou no, alimentados pela fantasias e pelo desejo de
algo melhor acabado.</p>
<p>Ja que no campo da realidade
determinadas situao tiveram desfechos
oportunos, uso do dedo e do teclado para corrigir tal falha
tragica. Se essa correo e
verossimil, no posso garantir. Garanto que ao
transcorrer de um texto, o leitor e alguem que
constroi este universo de sonho que um texto sugere.</p>
<p>
</p>
<p>Bem, a inteno
e nenhum tratado sobre a imaginao
criativa, mas so um esclarecimento sobre o que
ja foi escrito neste blog e do muito que ainda
vira!</p>
<p>
Boa viagem!</p>
				</div>			</content>			<id>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/63463/Nem-tudo-e-verdade/</id>			<link href="http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/63463/Nem-tudo-e-verdade/" />			<author>				<name>olharestrangeiro</name>				<uri>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-05-15T05:30:25+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Cicatrizes</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Hoje, voltando para casa depois de uma
palestra do Otavio Frias Filho, o bam bam bam
da Folha de S.Paulo, tive uma conversa bastante
ilustrativa com um rapaz que vem na Van comigo. Falavamos de
acidentes da infancia ou da adolescencia, coisas que
nos deixam marcas. Ele contava os inumeros eventos que viveu
e partes do corpo que perdeu com<span></span> as
historias.</p>
<p>Dentro deste contexto, pensei um pouco sobre
mim e voltei na minha infancia: marcas de quando cai
na terra, um dedo quebrado no jogo de handebol, um prego na
mo  resultado de um esconde-esconde em um
apartamento em reforma. Foram pequenos sinais pra uma vida vivida
em meio a conversar, livros e fitas cassetes gravadas.</p>
<p>Acho que pequenas marcas so
construidas todos os dias em nos mesmos, mas
no paramos para pensar sobre.</p>
<p>Quando conheo alguem, entrego
em suas mos um punhal imaginario. Com ele, uma fenda
e aberta em qualquer parte do corpo. Tem gente que nos
apunha-la pelo brao, nos pedindo sempre um pouco do nosso
sangue, do nosso trabalho ou ainda, do nosso afago. Outras tantas
nos pegam pelo estomago atraves de guloseimas que
no paramos de devorar. Existem aquelas que fisgam pelo
olhar, nos fazendo refem de sempre querer ve-las.
Ha outras que nos marcam no corao... Para
essas, o amor e certeiro e incondicional.</p>
<p>Estou esfacelado de feridas... aquelas que
terminam bem, deixam marcas sadias e felizes, que gosto sempre de
lembrar. Ja as que nos machucam, nos motivam em um dia frio
como esse, a pratica da lagrima. Uma
cano toca, o frio acalenta e a lagrima
escorre sem ser barrada, como uma memoria em forma
d'agua, cicatrizes ao vento.
<span></span></p>
				</div>			</content>			<id>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/63210/Cicatrizes/</id>			<link href="http://olharestrangeiro.arteblog.com.br/63210/Cicatrizes/" />			<author>				<name>olharestrangeiro</name>				<uri>http://olharestrangeiro.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-05-14T06:10:43+02:00</updated>		</entry></feed>