<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://escrivaninha.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://escrivaninha.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Delirose Ramos]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://escrivaninha.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2009-07-02T19:28:37+02:00</updated>		<entry>			<title>Anoiteceu</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>

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</p>
<p><em>Desço o caminho</em></p>
<p><em>Pela trilha</em></p>
<p><em>Que deixaste,</em></p>
<p><em>Tento
alcançar-te</em></p>
<p><em>Em cada parte</em></p>
<p><em>Busco-te, mas,</em></p>
<p><em>Vejo na
paisagem</em></p>
<p><em>O desgaste</em></p>
<p><em>Do amor</em></p>
<p><em>Que me
entregaste</em></p>
<p><em>E que,
desastre,</em></p>
<p><em>Deixei morrer</em></p>
<p><em>Em um canto
qualquer.</em></p>
<p><em>Enquanto
caminho</em></p>
<p><em>Me perco, me
pego,</em></p>
<p><em>Me apego às
miragens,</em></p>
<p><em>Às passagens</em></p>
<p><em>Que sei que
existiram</em></p>
<p><em>Mas que não fui</em></p>
<p><em>Capaz de ver.</em></p>
<p><em>Agora estou</em></p>
<p><em>Um pouco cego,</em></p>
<p><em>Cego de amor,</em></p>
<p><em>E só assim</em></p>
<p><em>Eu posso
enxergar</em></p>
<p><em>O quão feliz</em></p>
<p><em>Eu poderia ser.</em></p>
<p><em>Se eu pudesse
prever,</em></p>
<p><em>Entregava em tuas
mãos</em></p>
<p><em>A alegria da minha
vida</em></p>
<p><em>Que joguei em
vão,</em></p>
<p><em>Os erros da
juventude</em></p>
<p><em>De um coração</em></p>
<p><em>Que não cresceu</em></p>
<p><em>Como o teu.</em></p>
<p><em>Agora é tarde,</em></p>
<p><em>Anoiteceu</em></p>
<p><em>E eu me perdi</em></p>
<p><em>De você.</em></p>
				</div>			</content>			<id>http://escrivaninha.arteblog.com.br/174403/Anoiteceu/</id>			<link href="http://escrivaninha.arteblog.com.br/174403/Anoiteceu/" />			<author>				<name>escrivaninha</name>				<uri>http://escrivaninha.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-07-02T19:28:20+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>O Julgamento</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>

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</p>
<p><em>Escarcéus e falhas,</em></p>
<p><em>A cabeça é turva</em></p>
<p><em>E o julgamento é cruel.</em></p>
<p><em>Almas desarmadas,</em></p>
<p><em>Tudo o que enxergam</em></p>
<p><em>Ou é inferno ou é céu.</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>Você consegue ver</em></p>
<p><em>Que nem mesmo você</em></p>
<p><em>Condiz com seu credo,</em></p>
<p><em>Com sua certeza de tudo?</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>Consegue perceber</em></p>
<p><em>Que não há um único ser</em></p>
<p><em>Essencialmente bom ou mal</em></p>
<p><em>Em todo este mundo?</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em>E a que se resume a virtude?</em></p>
<p><em>Aos mandamentos,</em></p>
<p><em>Às regras de Deus?</em></p>
<p><em>E quando chegar o fim de tudo?</em></p>
<p><em>Haverá um limbo de Dante</em></p>
<p><em>Para cada ateu?</em></p>
<p><em></em></p>
<p><em></em></p>
<p><em></em></p>
<p><em></em></p>
				</div>			</content>			<id>http://escrivaninha.arteblog.com.br/173415/O-Julgamento/</id>			<link href="http://escrivaninha.arteblog.com.br/173415/O-Julgamento/" />			<author>				<name>escrivaninha</name>				<uri>http://escrivaninha.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-30T16:26:55+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Trabalho de Rua</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>

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</p>
<p>Dia de sol,
cidade de praia, é batata, com certeza alguma celebridade estará na
praia, não tem erro. Mochila nas costas, estagiária a tira-colo:
celebridades, aí vamos nós.</p>
<p><span></span>
Chegamos ao calçadão, beleza, posto 5, point das estrelas, é só
sentar e aguardar.</p>
<p></p>
<p>- O que estamos
esperando?</p>
<p>- Uma
celebridade.</p>
<p>- Mas já faz
uma hora que estamos aqui!</p>
<p>- E
daí?</p>
<p>- Você não sabe
a que horas eles chegarão?</p>
<p>- Sabe qual a
diferença entre uma jornalista e uma
vidente?<span></span></p>
<p>-
...</p>
<p></p>
<p><span></span>
Hora do almoço, comemos qualquer coisa por ali mesmo e continuamos
esperando, tinha recebido um convite para uma festa de aniversário
de uma pseudo-celebridade que tinha emplacado um sucesso fazia
muito tempo e que estava longe da mídia, eu teria sorte se alguém
lembrasse dela, mas era um plano B para a coluna do dia seguinte se
ninguém aparecesse.</p>
<p></p>
<p>- O que te faz
ter certeza que não iremos passar a tarde inteira aqui sem
fotografar ninguém?</p>
<p>- Quem disse a
você que eu tenho certeza?</p>
<p></p>
<p><span></span>
O ruim do trabalho fora do jornal era não ter uma máquina de café
por perto, estagiário devia nascer mudo.</p>
<p><span></span>
Quatro horas de praia, um sol de rachar, nem um ex-BBB na mira da
minha câmera...<span></span> Paciência... Recolhi minhas
coisas, despachei a estagiária, voltei pra casa, afinal, a festa da
pseudo-celebridade me aguardava.<span></span></p>
				</div>			</content>			<id>http://escrivaninha.arteblog.com.br/171884/Trabalho-de-Rua/</id>			<link href="http://escrivaninha.arteblog.com.br/171884/Trabalho-de-Rua/" />			<author>				<name>escrivaninha</name>				<uri>http://escrivaninha.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-26T22:41:21+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Menino de Prédio</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>

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</p>
<p>Menino de Prédio é uma espécie interessante
que tem surgido nos últimos tempos.<span></span> A triste
saga do Menino de Prédio começa pelo nome, que ocorre de duas
formas, às vezes é uma homenagem a um famoso cientista, ou a algum
grande cantor, ou ainda pode ser o nome de um ex-presidente dos
Estados Unidos (mesmo que a família nunca tenha saído do Brasil),
nesses casos, a criança tem dois primeiros nomes e sempre é chamada
pelos dois: Roberto Carlos, Isaac Newton, Albert Einstein, Thomas
Jefferson, e assim vai.<span></span> A outra possibilidade de
nome para um menino de prédio é algo do tipo: Astrogildo
Philadelpho Ernestino de Almeida Santa Cruz, quase sempre
acompanhado pelo sufixo indicador de terceira ou quarta geração
traumatizada: Neto ou Bisneto.</p>
<p></p>
<p>
<span></span>
O Menino de Prédio quase sempre é filho de uma mãe neurótica ou
criado com a avó, há casos em que ocorrem os dois, é o que se pode
chamar de Menino de Prédio "Advanced".<span></span> Mas se
você conhece algum exemplar desse tipo, e eu tenho certeza que você
conhece (claro que conhece, popularmente conhecido como criado com
vó, mamão, mimadinho da titia e outras coisas do gênero), não
perturbe, não abuse, a vida já se encarregou disso.</p>
<p></p>
<p>
<span></span>
O Menino de Prédio quando vai ao parque, nas raríssimas vezes, é
aquela criança que quer sentar no chão e entra num estado quase de
ascensão da áurea cósmica quando entra em contato com a
areia.<span></span> Mas isso dura pouco tempo.</p>
<p></p>
<p>- Isaac Newton, levante do chão, aí tem
micróbios!  A mãe logo adverte.</p>
<p>- Mas, Mafalda, o menino quer brincar de
bolinha de gude.  Às vezes o pai do menino de prédio é
normal.</p>
<p>- Na areia não!<span></span> Deixa pra
jogar bolinha de gude quando chegar em casa, no tapete da sala tem
espaço!</p>
<p>- Ô, Mafalda... Você vai acabar traumatizando
o menino.</p>
<p>- É melhor um menino traumatizado com saúde do
que o contrário.</p>
<p>- Vou lá ver Zaquinho!</p>
<p>- Quem é Zaquinho?</p>
<p>- Nosso filho, Mafalda, eu vou sair pelo
parque chamando o menino de Isaac Newton?<span></span> É uma
forma carinhosa de chamar nosso filho.</p>
<p>- E eu lá esperei nove meses pra ter um menino
pra ser chamado de Zaquinho, Otávio?<span></span> Imagine só
meu filho formado médico chegando ao consultório, já posso até
ouvir a secretária falando: Bom dia, Dr. Zaquinho!</p>
<p>- Mas ele tem só cinco anos!</p>
<p>- Hoje, Otávio, Ele tem cinco anos hoje! Mas
apelido não é uma coisa que vai com o tempo.<span></span> Seu
irmão Abimael, é chamado de Bibinho até hoje.<span></span>
Todo mundo só conhece ele assim, até no trabalho, está lá
"Borracharia do Bibinho", apelido é um carma de vida, uma vez
Zaquinho, eternamente Zaquinho!<span></span> Ai, meu Deus!
Isaac Newton não se balance tão alto, meu filho, mais
devagarzinho!</p>
<p>- Mas, mãe, eu já estou me balançando mais
baixo do que todo mundo!</p>
<p>- Então comece a ir mais baixo do que você
mesmo!</p>
<p>- Deixa o menino brincar,
Mafalda!<span></span> É pra isso que trouxemos ele para o
parquinho!</p>
<p>- Nada disso, pra brincar ele tem uma caixa de
brinquedos educativos e inspecionados pelo InMetro, todos com o
selo de "Esse brinquedo ajuda seu filho a crescer com
segurança".<span></span> Eu trouxe ele para o parquinho para
tomar um pouco de sol, foi o pediatra de Isaac Newton que
mandou.</p>
<p>- Mãe quero sorvete!</p>
<p>- Quando chegar em casa a mamãe faz um pra
você!<span></span> Não sei a procedência desse aí!</p>
<p>- Mas este é o mesmo que você compra no
supermercado.</p>
<p>- Não sei se o sorveteiro lavou as mãos, se
esterilizou as pázinhas...</p>
<p>- Mas são descartáveis de madeira!</p>
<p>- Você faz idéia dos índices de contaminação
pela madeira, Otávio?</p>
<p></p>
<p>
<span></span>
O homem pôs as mãos na cabeça, discutir o quê?</p>
<p></p>
<p>- Pronto, deu o tempo, vamos Isaac Newton!</p>
<p>- Mas, mãe...</p>
<p>- Recomendação do médico, uma hora de sol
todos os dias, temos que seguir à risca, nem mais, nem menos, vai
que você fica doente?<span></span> Já são cinco horas e eu
não trouxe o seu casaquinho, já já bate o sereno e você está
desprotegido.</p>
<p></p>
<p>
<span></span>
E assim termina o breve contato do Menino de Prédio com o mundo
fora dos portões do condomínio, e enquanto as demais crianças
querem ser bombeiros, médicos e artistas de cinema, o Menino de
Prédio sonha em ser uma topeira, para se espojar na areia, andar de
pés descalços no chão e poder cavar com as próprias mãos um túnel
bem fundo até o centro da terra.</p>
				</div>			</content>			<id>http://escrivaninha.arteblog.com.br/171220/Menino-de-Pr-dio/</id>			<link href="http://escrivaninha.arteblog.com.br/171220/Menino-de-Pr-dio/" />			<author>				<name>escrivaninha</name>				<uri>http://escrivaninha.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-25T04:44:35+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>O que Torna-se Nada</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>

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</p>
<p><em>Era um dia como
este</em></p>
<p><em>Quando tu disseste
adeus.</em></p>
<p><em>Teus olhos não olharam os
meus,</em></p>
<p><em>A voz que impuseste em
consolo</em></p>
<p><em>Soluçou tão
branda</em></p>
<p><em>Como se fora eu
mesma</em></p>
<p><em>Que a tivesse
arrancado</em></p>
<p><em>De dentro de tuas
entranhas.</em></p>
<p><em>Em verdes prantos
fiquei.</em></p>
<p><em>Amaldiçoei a paz, a vida, o
amor,</em></p>
<p><em>Desdenhei da existência do
ser,</em></p>
<p><em>Das desilusões, do que
sou.</em></p>
<p><em>A falsa coragem me
tomou.</em></p>
<p><em>Quem dera
houvesse</em></p>
<p><em>Um punhal em minhas
mãos,</em></p>
<p><em>Talvez um corte na carne
dilacerasse</em></p>
<p><em>Os sentimentos inoportunos da
alma,</em></p>
<p><em>Rompesse a ferro e a
fogo</em></p>
<p><em>O desgosto que tirava a
calma,</em></p>
<p><em>Mas, como é da lei de
Deus,</em></p>
<p><em>Tudo na vida
passa.</em></p>
<p><em>A raiva, o ódio, o
desespero,</em></p>
<p><em>Aos poucos tornam-se
mágoa.</em></p>
<p><em>E o recomeço
apaga</em></p>
<p><em>A memória de
tudo.</em></p>
<p><em></em></p>
				</div>			</content>			<id>http://escrivaninha.arteblog.com.br/170635/O-que-Torna-se-Nada/</id>			<link href="http://escrivaninha.arteblog.com.br/170635/O-que-Torna-se-Nada/" />			<author>				<name>escrivaninha</name>				<uri>http://escrivaninha.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-23T17:17:50+02:00</updated>		</entry></feed>