<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[arteblog.com.br] dentrodarte : <![CDATA[DENTROD´ARTE]]></title>		<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br</link>		<description><![CDATA[DENTROD´ARTE]]></description>		<language>br</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 12:53:52 +0200</pubDate>		<image>			<title>dentrodarte.arteblog.com.br</title>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br</link>			<url>http://static.blogstorage.hi-pi.com/arteblog.com.br/d/de/dentrodarte/images/mn/1193917764_regular.jpg</url>		</image>		<item>			<title><![CDATA[Amor bandido desafia razão]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 115%;"
align="center"><strong>Amor bandido desafia
razão</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 115%;"
align="center"><strong>Roberto D´arte</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 115%;"
align="center"></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
Pegando carona na
clássica frase do filósofo francês Blaise Pascal &ndash; &ldquo;o
coração tem razões que a própria razão desconhece&rdquo;, tento
entender o que leva alguém a optar pelo tal amor bandido. Bem mais
próximo da vida real do que sugere a ficção, a exemplo do romance
vivido pelas personagens Sandrinha (Aparecida Petrowky) e Benê
(Marcelo Mello) na atual novela global Viver a Vida, este tipo de
envolvimento afetivo tem, cada vez mais, levado mulheres de classes
sociais privilegiadas a se enveredarem no mundo do
crime.</p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
Na manhã da última
segunda-feira (dia 11) fui surpreendido com a notícia de uma
estudante de Direito de 19 anos, moradora de Nova Iguaçu-RJ, que
tramou com o namorado o assalto da própria mãe. O plano, que
envolveu outros assaltantes, foi gravado pela Polícia com
autorização judicial, justamente porque já se suspeitava que o
namorado da moça era integrante de uma quadrilha que pratica
assaltos e sequestros na Baixada Fluminense.</p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
Quem não se lembra da
também estudante de Direito &ndash; Suzane von Richthofen, que
planejou e executou a morte dos próprios pais com a ajuda do
namorado Daniel Cravinhos e do irmão dele, Cristian. O crime
bárbaro, ocorrido em novembro de 2002 num bairro de classe
média-alta de São Paulo, chocou o país não só pelo fato da
assassina confessa ser filha das vítimas, mas pelo fato de haver
nesta história uma interrogação difícil de ser respondida: por que
uma jovem supostamente bem criada e educada, que nunca passou por
qualquer problema financeiro, jogaria sua vida na lama para sempre?
Na época, Suzane chegou a dizer em depoimento à Polícia que matou
os pais por amor, pois eles se opunham a seu namoro com
Daniel.</p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
Em março de 2007 outra
estudante de Direito de classe média-alta &ndash; Ana Paula Jorge
Souza &ndash; foi presa em meio a uma história com ingredientes de
amor bandido. <span> </span>Acusada de liderar uma quadrilha
responsável por assaltos a residências e a casas lotéricas em
Campinas-SP, da qual também fazia parte o namorado Raoni Renzo
Miranda, ela justificou sua incursão no submundo do crime dizendo
que havia se apaixonado pelo namorado e terminou seguindo seus
passos porque não queria perdê-lo de vista.</p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
Há especialistas
ligados à psicologia forense e à criminologia que recorrem a
explicações diversas para encaixar mulheres com esse perfil, que
vão desde a baixa auto-estima até a excitação com o perigo. Para o
último caso há até nome: hibristofilia (bizarrice sexual em que a
excitação ocorre se o parceiro for um criminoso que tenha cometido
crimes como violação, assassinato, estupro ou roubo).</p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
Ainda que problemas
psicológicos possam explicar o amor bandido, não dá para
desconsiderar que são atraídas para ele as pessoas com fraturas
morais. Estas nem sempre são decorrentes de faltas ou excessos
ligados à educação familiar. Qualquer indivíduo é, de um lado, o
que traz em essência (leiam-se aí informações genéticas e mesmo
espirituais) e, do outro, o que lhe dão (ou deixam de dar). Neste
último caso, é, sim, a sociedade (família, escola e Estado) a
principal responsável por dar tudo que possa influenciar
positivamente em sua formação ética e moral. É na complexidade do
somatório destes dois lados que residem as nossas escolhas. Elas
são resultados do tão propagado livre-arbítrio que, no plano
religioso, recebemos de Deus.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em
15 de janeiro de 2010)</strong></p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/246295/Amor-bandido-desafia-raz-o/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Amor-bandido-desafia-raz-o-15012010-125352-lp-246295.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/246295/Amor-bandido-desafia-raz-o/</guid>			<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 12:53:52 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Travessia espiritual]]></title>			<description><![CDATA[<p> </p>
<h1 style="text-align: center; line-height: 115%;"><span style=
"font-size: 22pt; line-height: 115%; color: #a18407;">Travessia
espiritual</span></h1>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 115%;"
align="center"><strong><span style=
"font-size: 16pt; line-height: 115%; color: #a18407;">Roberto
D'arte</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
<strong><span style=
"font-size: 13pt; line-height: 115%; color: #a18407;">Sempre que
ocorrem tragédias com mortes coletivas, como recentemente no
Reveillon em Angra dos Reis ou como em atentados terroristas nos
moldes do 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, penso em como
deve ser a travessia dos espíritos que desencarnam. Aterroriza-me a
simples hipótese (muito provável) da extrema dor sentida pelos que
deixam esta vida de forma tão súbita e
violenta.</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
<strong><span style=
"font-size: 13pt; line-height: 115%; color: #a18407;">Sem recorrer
a qualquer visão religiosa que possa sustentar meus argumentos,
intuo apenas que do outro lado certamente chegam muitos espíritos
fragmentados, que sequer tiveram tempo de entender o que aconteceu
durante sua passagem. Parece uma discussão sobre o sexo dos anjos
cogitar o que possam ter sentido todos aqueles que se foram
abruptamente nessas e noutras tragédias similares. Afinal, a dor
dos que ficaram &ndash; ainda que não sejam parentes &ndash; é
aguda em igual proporção. O tema suscita, no entanto, um velho tabu
da humanidade (principalmente para os ocidentais), que é o medo e o
despreparo para lidar com a morte.</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
<strong><span style=
"font-size: 13pt; line-height: 115%; color: #a18407;">Em sua quinta
temporada, Ghost Whisperer ( &ldquo;Fantasma confidente ou
sussurrante&rdquo;, numa livre tradução) aborda esse assunto de uma
forma bem interessante. Exibida no Brasil pela Sony Entertainment
Television, esta série é referendada pelos trabalhos do médium
norte-americano James Van Praagh e protagonizada pela atriz
Jennifer Love Hewitt. Ela é Melinda Gordon, uma dona de antiquário
que desde pequena lida com o dom de ver e conversar com os
mortos.</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: 115%; text-align: justify;">
<strong><span style=
"font-size: 13pt; line-height: 115%; color: #a18407;">Em cada
episódio de Ghost Whisperer Melinda vive uma história diferente em
que precisa conversar com espíritos que ainda estão apegados ao
plano terrestre devido a questões mal resolvidas que os impedem de
seguir em paz. Ela se propõe a ajudá-los a resolver o que ainda os
prende a esta vida, normalmente cumprindo o difícil papel de
transmitir mensagens às pessoas com quem estes seres espirituais
ainda possuem pendências.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;">
<strong><span style=
"font-size: 13pt; line-height: 115%; color: #a18407;">Deixando de
lado os aspectos gerais e específicos que norteiam as doutrinas
religiosas nesse que é o maior mistério a ser desvendado pelo ser
humano, é quase um consenso de que temos um espírito atrelado ao
corpo físico. Se o aniquilamento deste corpo não produz o mesmo
efeito no espírito, é natural imaginarmos que este último seja
projetado para outro plano. Esta é a travessia espiritual que
abordo aqui e que também é o mote da série
mencionada.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;">
<strong><span style=
"font-size: 13pt; line-height: 115%; color: #a18407;">Indo mais
adiante, se tomarmos do cinema outro modelo para entender essa
passagem &ndash; no caso, o filme &ldquo;Amor além da vida&rdquo;
(com Robin Williams e Cuba Gooding Jr.), dá para buscar conforto na
hipótese da imortalidade e atemporalidade do espírito. Assim, do
outro lado teremos a oportunidade de reencontrar entes queridos (no
meu caso, meu saudoso pai) ou mesmo conhecer antepassados (avós,
bisavós...). Mais até: é possível imaginar ainda que, da mesma
forma que ao longo desta existência temos pessoas que são
preparadas para nos conduzir em contínuas travessias educativas, do
outro lado é bem possível que haja espíritos incumbidos de nos dar
as mãos até completarmos a caminhada. Em minhas orações é este
alento que peço a Deus para todas as pessoas que desencarnam (em
especial para as que se vão de forma
trágica).</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 115%;"
align="center"><strong><span style=
"font-size: 7.5pt; line-height: 115%; color: #a18407;">(publicado
no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 08 de janeiro de
2010)</span></strong></p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/244523/Travessia-espiritual/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Travessia-espiritual-08012010-161834-lp-244523.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/244523/Travessia-espiritual/</guid>			<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 16:18:34 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Precisamos dos símbolos]]></title>			<description><![CDATA[<p> </p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-align: center; line-height: normal;" align="center">
<strong><span style=
"color: red;">Precisamos dos
símbolos</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-align: center; line-height: normal;" align="center">
<strong><span style=
"color: red;">Roberto D´arte</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style="color: red;">Chegamos a
mais uma virada de ano, e, embora o dia seguinte ao Revéillon seja
apenas mais um dia, dentro de cada um ganha um significado
diferente. Tal sensação nada mais é do que a força do símbolo, a
mesma presente no culto às imagens de santos, anjos e deuses de
outras tantas religiões, capaz de materializar uma evocação
presente apenas no plano espiritual.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style="color: red;">Não dá para
imaginar a evolução humana sem a presença dos símbolos, em seus
mais variados formatos e significados. Os primeiros passos que
deram nossos ancestrais, ainda nos tempos em que eram nômades e
viviam em cavernas, foram marcados pela necessidade de simbolizar a
sua vida como uma maneira de buscar parâmetros de entendimento do
mundo e de si mesmos. A natureza sempre foi uma rica referência
para isto e emprestou aos povos primitivos o sol, a lua, o vento, a
água, o fogo para representarem forças superiores capazes de
explicar os fenômenos visíveis e mesmo os
inexplicáveis.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style="color: red;">Uma cena do
filme &ldquo;2001 &ndash; uma Odisséia no Espaço&rdquo; é um forte
exemplo de como o simbolismo é capaz de sintetizar visões de mundo
amplas e complexas. Nela o diretor Stanley Kubrick disse tudo o que
uma biblioteca inteira possa ter esmiuçado sobre a busca do poder
em nossa história. Dois grupos de hominídeos disputam, num ambiente
hostil, o que seria uma pequena reserva de água e alimentos. Dois
líderes os representam, e a vitória de um deles significará o
domínio do local.</span> </p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style="color: red;">É travada a
luta num certo patamar de igualdade até que um deles apanha no chão
um grande osso de animal e percebe que aquele objeto, na verdade,
pode ser uma arma e o diferencial para o fim daquela peleja. A
disputa realmente chega ao fim com uma pancada certeira na cabeça
do adversário. O osso, símbolo deste algo mais, é lançado ao ar e,
numa fusão de imagens no filme, transforma-se numa nave espacial
com toda a tecnologia ainda inexistente até para os dias de
hoje.</span> </p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style="color: red;">Kubrick
desconsiderou toda a história da humanidade entre o osso e a nave,
pois o osso-enquanto-arma foi o bastante para simbolizar que a
evolução do poderio humano sobre seu semelhante e os demais seres
nada mais é do que a evolução tecnológica das armas em si. Afinal,
não é assim até hoje? O osso virou machado de pedra, que virou
lança de madeira, que virou espada de metal, que virou arma de
fogo, que virou arma nuclear e assim por diante.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style="color: red;">O certo é
que os símbolos nos ajudam a organizar e a materializar nossas
ideias e ideais. Em um de seus textos, o poeta Carlos Drummond de
Andrade disse o seguinte sobre o simbolismo do Ano Novo: <em>"quem
teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de
ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a
funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser
humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da
renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade
de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente."</em></span>
</p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style="color: red;">De fato, a
recontagem ininterrupta dos anos num ciclo de 365 dias objetiva
sustentar uma série de símbolos de valor social, a exemplo de datas
como o Carnaval, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia da Padroeira,
Natal... Isto repercute individual e coletivamente nas pessoas,
pois elas terminam absorvendo a cultura do que deve ter início,
meio e fim. Em vez de dizer que estamos vivendo, por exemplo, o dia
365 do ano 2009 d.C., dizemos que estamos no último dia de dezembro
de 2009. Esta é uma forma simbólica de minimizar a sensação de
cansaço que vai além do que realmente estamos sentindo.</span>
</p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style="color: red;">A vida
de cada um é, talvez, o maior de todos os ciclos, embora poucos
procurem entendê-la com tal dimensão. Os dias, meses, anos, décadas
podem até ser úteis como medidas palpáveis do que ela representa,
mas apenas têm sentido se forem vistos como parte de um simbolismo
que extrapola a si mesmo, ou seja, algo que deveria ser traduzido
na grande dádiva divina que é viver.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: red;">(publicado no Jornal TRIBUNA
LIVRE, Viçosa-MG, em 31 de dezembro de
2009)</span></strong></p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/242863/Precisamos-dos-s-mbolos/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Precisamos-dos-simbolos-31122009-115035-lp-242863.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/242863/Precisamos-dos-s-mbolos/</guid>			<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 11:50:35 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Marley, eu e todos os sensíveis]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 115%;"
align="center"><strong><span style=
"font-size: 18pt; line-height: 115%; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
Marley, eu e todos os sensíveis</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 115%;"
align="center"><strong><span style=
"font-size: 14pt; line-height: 115%; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
Roberto D´arte</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<em><span style=
"font-size: 14pt; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
&ldquo;Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas
de grife. Símbolos de status não significam nada para ele. Um
pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os
outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro.
Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou
analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele
lhe dará o dele.&rdquo;</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 14pt; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
O trecho acima foi extraído do livro (que deu origem ao filme de
mesmo nome) &ldquo;Marley & Eu&rdquo;, do jornalista e escritor
estadunidense John Grogan. Com tema cotidiano e absolutamente
recorrente, o que fez esta obra autobiográfica virar best-seller e
um tremendo sucesso no cinema em 2008 foi a sua leveza e
universalidade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 14pt; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
Milhões de pessoas nos quatro cantos do planeta têm em seus lares a
prazerosa companhia de cães, gatos e outros animais de estimação.
Os que não a têm normalmente fazem uma ideia errônea e
preconceituosa sobre estes companheiros ou desconhecem
completamente a sua dimensão.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 14pt; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
Na versão cinematográfica de &ldquo;Marley & Eu&rdquo; John
Grogan é vivido pelo ator Owen Wilson, enquanto sua esposa Jenny é
interpretada por Jennifer Aniston, a eterna Rachel de Friends. Como
sei que a indústria cinematográfica também possui seu elenco de
animais adestrados, não poderia deixar de citar a atuação perfeita
do verdadeiro protagonista desta belíssima história: o cão labrador
que encarna o atrapalhado e inquieto Marley.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 14pt; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
Mais do que uma simples resenha, este texto é um convite para que
todos que o estejam lendo possam reservar algum tempo para, ao
menos, assistir ao filme. Sua história, de tão comum, poderia ser a
de qualquer um de nós. Crises na profissão, a formação da família,
a incerteza quanto ao futuro e o surpreendente poder do acaso, que
faz aparecer em nossas vidas amigos de quatro patas com tanto para
nos ensinar (no meu caso, dois irmãos felinos &ndash; Thor e Bial
&ndash; cheios de pureza e vivacidade).</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 14pt; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
Vendo o filme recentemente pude fazer uma viagem ao meu passado,
trazendo de volta todos os animais de estimação com os quais
convivi direta ou indiretamente: o gato preto Veludo (meu
inseparável amigo da segunda infância); o cão pequinês Kiko (que,
dos 12 aos 25 anos, foi tão presente na casa dos meus pais e me fez
saber de verdade o que é ter um amigo canino); o pinscher Ulisses
Loreley (cãozinho de um grande amigo potiguá que marcou minha
passagem por Currais Novos-RN, em 1992, batizado com tal nome em
homenagem a dois personagens de Clarice Lispector); o gato
Chumbinho (que também é uma referência à minha estada em
Araraquara-SP em 1997); o gato Tom Zé (que ganhei quando morei em
Ouro Preto, em 1999, e que tive que doar depois que fui embora); os
irmãos cocker Lola, Lilica e Pepe Legal (com os quais passei quase
três anos após meu retorno a Viçosa-MG, em 2000, no apartamento
dividido com os amigos André e Fabiano); Tom (o
gato-com-alma-de-gente, pertencente à minha esposa Luciana, e que
enche de alegria a casa dos meus sogros Assis e Neuza); e,
finalmente, todos os gatos, cachorros e demais bichos de estimação
do sítio de tia Zezeca, em Cajuri-MG, com os quais tenho o prazer
de conviver de vez em quando.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 14pt; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
Essa lista é formada apenas por aqueles com os quais, de forma
longa ou breve, pude aprender um pouco mais sobre amor gratuito e
dedicação desinteressada. Às vezes também me deparo com cães de
rua, que, com um simples olhar que eu ofereça, retribuem com um
balançar da cauda, como querendo dizer que estão prontos para dar e
receber carinho e atenção.</span></p>
<p class="MsoNormal" style=
"text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;">
<span style=
"font-size: 14pt; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
Deixo, então, a todas as pessoas sensíveis (quisera poder também
fazer chegar aos insensíveis...) mais uma frase de John Grogan,
inspirada nos treze anos de convívio com seu Marley (a propósito,
seu nome é, sim, uma homenagem ao ícone do reggae jamaicano Bob
Marley): <em>&ldquo;(...) É realmente muito simples, mas, mesmo
assim, nós, humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos
problemas para descobrir o que realmente importa ou não. (...) Às
vezes, é preciso um cachorro com mau hálito, péssimos modos e
intenções puras para nos ajudar a ver.&rdquo;</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style=
"font-size: 9pt; line-height: 115%; font-family: "Estrangelo Edessa"; color: #121cdc;">
(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 27
de novembro de 2009)</span></strong></p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/234618/Marley-eu-e-todos-os-sens-veis/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Marley--eu-e-todos-os-sensiveis-27112009-191530-lp-234618.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/234618/Marley-eu-e-todos-os-sens-veis/</guid>			<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 19:15:30 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Superstição e barbárie]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: normal;" align="center"><strong><span style="font-size: 22pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">Superstição
e barbárie</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: normal;" align="center"><strong><span style="font-size: 16pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">Roberto
D´arte</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: normal;" align="center"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">O nascimento da Filosofia, que se deu na Grécia há
mais de dois milênios e meio, tem como marco inicial uma espécie de rompimento com
a visão supersticiosa que até então dominava a humanidade. Inconformados com
esta forma de enxergar a realidade, moldada a partir dos desígnios de deuses e
mitos, os chamados pré-socráticos (pensadores que antecederam o grande filósofo
Sócrates) inauguraram a era da razão. </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">Não que essa nova visão de mundo tenha conseguido
reinar absoluta a partir de então, mas passou a ser a bússola maior a guiar o
ser humano na direção do futuro. A razão se tornou um termômetro até mesmo para
o que não esteja no espectro de sua luz, a exemplo das religiões e seus
desdobramentos no cotidiano de seus seguidores.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">A própria Igreja Católica, por exemplo, chegou a pedir
perdão pelas atrocidades que sua cúpula cometeu durante a Idade Média, quando a
barbárie das crendices e superstições serviu de desculpa para o assassinato de
milhares de pessoas. Barbárie esta que sobreviveu aos séculos seguintes, mesmo
com todo o brilho emanado dos ideais racionais que fizeram nascer todas as
ciências.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">Citaria aqui inúmeros exemplos das atrocidades
nascidas da ignorância que normalmente permeia as superstições. Mas uma só, bem
recente, será o bastante para ilustrar o que desejo abordar neste texto.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">Há pouco tempo li notícias de que </span></strong><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">um
tribunal da Tanzânia mandou para a forca três homens que mataram um menino
albino de 14 anos e amputaram suas pernas. A novidade aí é que foi a primeira
condenação para um tipo de crime comum naquela nação da África Oriental. </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">Em pouco mais de três anos pelo menos 75 albinos foram mortos e
esquartejados no país. Se crimes assim já são bárbaros por si próprios, no caso
dos "zero-zero" (como são vulgarmente chamados naquela região
africana) o motivo é macabro. Por serem fisicamente diferentes em decorrência
da cor da pele, dos olhos e do cabelo, eles são vistos como portadores de poderes
sobrenaturais. Por isto, partes de seus corpos são valorizados no comércio de
órgãos para feitiçaria.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">Numa das
reportagens que li sobre o assunto, o panorama dessa atrocidade pode ser compreendido
pelas cifras que a envolvem. Para se ter uma ideia, dedos, braços, pernas, língua
e genitais de albinos chegam a valer quase 6 mil reais a &ldquo;peça&rdquo;. </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">A demanda
é tão grande que a Tanzânia importa clandestinamente pedaços de seus corpos; pescadores
de lá tecem fios de cabelo de albinos em suas redes para ter sucesso na
pescaria e mineiros penduram no pescoço amuletos feitos com seus ossos moídos. Já
quem consegue beber o sangue ainda quente de um albino tem sorte em dobro. Se a
vítima for uma criança, sua pureza infantil intensifica ainda mais o poder do
feitiço, na visão doentia de seus praticantes.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">Não por
acaso a humanidade vive dias de tanto desequilíbrio em sua atual jornada na
Terra. Em certos aspectos, muitos de nossa raça foram sábios o suficiente para
usar sua maturidade racional (uma inferência direta da maturidade espiritual)
em prol dos avanços tecnológicos que melhoraram a vida de todos. Por outro
lado, outros tantos insistem em manter apagada em si esta luz evolutiva,
condenando ao limbo não somente a si próprios, mas o planeta inteiro.</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 10pt; font-family: "Tempus Sans ITC"; color: #943634;">(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em
20 de novembro de 2009)</span></strong></p>
<p> </p>]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/232812/Supersti-o-e-barb-rie/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Superstic-o-e-barb-rie-20112009-124013-lp-232812.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/232812/Supersti-o-e-barb-rie/</guid>			<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 12:40:13 +0200</pubDate>		</item>	</channel></rss>