<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://dentrodarte.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[DENTROD´ARTE]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2009-11-20T12:47:18+01:00</updated>		<entry>			<title>Superstição e barbárie</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/232812/Supersti-o-e-barb-rie/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/232812/Supersti-o-e-barb-rie/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-11-20T12:40:13+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Inocência esquecida</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>Inocência esquecida</strong></p>
<p><strong>Roberto D´arte</strong></p>
<p>Quem
dera todos os adultos pudessem se (re)avaliar periodicamente sob a
ótica das crianças que foram um dia. Os que usam esta
técnica de auto-análise encontram motivos suficientes
para realmente encarar a infância como uma das épocas mais ricas em
termos de aprendizagens essenciais para toda a vida.

Esta é a temática do filme Duas Vidas, de 2000,
estrelado por Bruce Willis. Ele conta a história de Rusty, um homem
que, aos 40 anos, é bem sucedido profissional e financeiramente;
capaz de ser bajulado pelos clientes por seu talento peculiar;
cobiçado pelas mulheres; e totalmente intolerante com os
funcionários e consigo mesmo.

Com o cotidiano completamente atolado em seu trabalho de salvar a
imagem de empresários e políticos corruptos, ele vê
inexplicavelmente surgir em sua vida uma pessoa que conhece bem,
mas a quem fez questão de enterrar no passado. Com o peso de quem
encontra na comida uma eterna festa e com a ingenuidade de qualquer
criança de 7 anos, eis que surge o pequeno Rusty para dar de cara
com seu eu do futuro. Neste encontro, a personagem de Willis é
levada não apenas a encarar tudo que sempre quis esquecer, mas a se
lembrar de quem é e do que isto significa.

Em meio a essa trama surgem as situações mais inusitadas, que vão
dando ao filme um desenrolar leve e, muitas vezes, cômico. Quem
fica à espera de uma explicação plausível para a forma como é feito
o salto no tempo termina deixando de lado este aspecto da ficção
para se envolver no principal da história.

Em Duas Vidas, Rusty é um adulto arrogante como
muitos que encontramos por aí. Quando percebe que toda a sua
racionalidade está começando a ruir diante de um fato sem qualquer
explicação, ele procura a sua analista com o mesmo desdém de
sempre, em busca apenas de algum remédio concreto que possa fazer
sumir uma aparição tão absurda. Mas não adianta; lá está ele,
gordinho, bonachão e de uma meiguice contagiante  um menino
que se esforça para reconhecer a si mesmo 33 anos mais tarde. São
duas mesmas vidas completamente antagônicas, incapazes de se
misturar.

Às vezes achamos que o universo adulto é por si só um antídoto para
todas as inseguranças e fraquezas que possamos um dia ter sentido
ou vivenciado na infância. No entanto, quando nos deparamos com
estes mesmos sentimentos, com intensidade redobrada, percebemos o
quanto necessitamos voltar no tempo para entender as causas e
tentar resolvê-las tardiamente. Este é um dos princípios das
terapias baseadas na psicanálise ou em outras vertentes menos
convencionais.

É até bem possível que durante o filme as pessoas se permitam
trazer de volta as crianças que foram, com suas alegrias e medos,
com seus olhos puros para enxergar os mundos de fora e de dentro. A
verdade é que nestas lembranças há sempre alguém um tanto diferente
do que somos hoje, mas com um quê familiar, capaz de apontar alguns
caminhos de sol que ficaram perdidos lá atrás e que podem até ser
retomados.</p>
<p><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE,
Viçosa-MG, em 30 de outubro de 2009)</strong></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/226572/Inoc-ncia-esquecida/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/226572/Inoc-ncia-esquecida/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-11-02T22:31:27+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Guerra, paixões e lembranças</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>Guerra, paixões e
lembranças</strong></p>
<p><strong>Roberto D´arte</strong></p>
<p>
Seja na vida real ou na ficção, as releituras trazem sempre a
chance de novas percepções sobre temas recorrentes. Ler mais de uma
vez o mesmo livro ou ver novamente um filme é um ótimo exercício
para os que buscam se atualizar sobre si mesmos.
 A
minha paixão pela sétima arte sempre me leva a retomar, em
intervalos irregulares, obras que considero enriquecedoras. Assim
foi com O Paciente Inglês, filme dirigido por Anthony
Minghella em 1996, que faturou nove estatuetas do Oscar no ano
seguinte.

Trata-se de um verdadeiro espetáculo não apenas pelo excelente
enredo e pelo desempenho impecável do elenco, mas pela trilha
sonora e pela fotografia obtida em filmagens na Itália, no Norte da
África e no Deserto do Saara. O filme não se restringe a contar
mais uma saga de amor. Bem mais do que isto, é uma tentativa de se
buscar nos recantos mais escondidos da alma as motivações que levam
alguém a cometer loucuras, a realizar feitos impensáveis em nome de
uma paixão.

O drama tem três personagens principais: Hana (Juliette Binoche)
 enfermeira canadense que vai parar na Europa, como
voluntária, durante a Segunda Guerra Mundial; Conde Almasy (Ralph
Fiennes)  arqueólogo que sofre um terrível acidente e perde
a memória; e a mulher de um grande amigo seu (interpretada pela
atriz Kristin Scott Thomas), com quem vive uma tórrida aventura de
amor.

No final da guerra, logo após ter sido divulgada a declaração de
paz, Hana se vê às voltas com um paciente em estado terminal, que
passa a ser a sua principal motivação na vida. Em meio aos tantos
feridos que cuidou e aos tantos que viu morrer, a enfermeira
resolve levar o paciente recém-adotado para um
mosteiro abandonado em território italiano. Lá, nasce uma
afetividade por aquele indivíduo estranho e intrigante, que tem as
portas fechadas para o próprio passado.

São as lembranças de Almasy o fio da meada que desenrola toda a
trama, unindo passado e presente e também definindo as fronteiras
que separam vida e morte, falta de sentido e razão para viver.
O Paciente Inglês é baseado no premiado romance de
mesmo nome, do escritor Michael Ondaatje, e tem ainda no elenco os
ótimos atores Willen Dafoe e Naveen Andrews (este atualmente
presente na série Lost, no papel do iraquiano Sayid Jarrah).

Em obras como esta, que permeiam a literatura e o cinema, somos
levados a extremos que nem sempre temos a chance de vivenciar
concretamente. Mas é também através de experiências coletivas que
os indivíduos norteiam as suas próprias histórias, seus planos para
o futuro. Assim, das paixões alheias (reais ou imaginárias) tiramos
fragmentos essenciais para entender as nossas.</p>
<p><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG,
em 23 de outubro de 2009)</strong></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/226569/Guerra-paix-es-e-lembran-as/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/226569/Guerra-paix-es-e-lembran-as/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-11-02T22:25:24+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Desconfiados, inseguros e condenados</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<h1><span>Desconfiados, inseguros e condenados</span></h1>
<p><strong><span>Roberto
D'arte</span></strong></p>
<p>
<span>Caminhando
para o fim da primeira década deste novo milênio, há certas
constatações negativas que são inevitáveis. Uma delas segue a mesma
linha fortalecida ao longo das três últimas décadas do
século/milênio passado: o ser humano chegou ao seu ponto máximo de
desconfiança, egoísmo e insegurança.</span></p>
<p>
<span>Por conta da
violência cotidiana, que atinge praticamente todos os aglomerados
humanos (já não há mais a desejada paz bucólica nem nos mais
longínquos recantos rurais!), ninguém está mais seguro dentro ou
fora de casa. Embora não seja novidade, a belicosidade entre nações
se torna cada vez mais sofisticada e destrutiva, tanto por conta
das armas altamente tecnológicas quanto pela disposição de muitos
humanos em serem invólucros igualmente explosivos e
letais.</span></p>
<p>
<span>Ainda que o
problema fique, muitas vezes, restrito aos países diretamente
envolvidos em conflitos regionais, o mundo todo já sofre as
consequências desse veneno chamado incerteza. Como confiar
totalmente no outro sem medo de que ele seja um possível causador
de sua ruína? Uma desconfiança como esta é como um vírus que
infecta e mina a força até levar o indivíduo aos seus
extremos.</span></p>
<p>
<span>Em casa, no
trabalho, na escola, na rua, na TV, nos jornais, em todo canto a
doença se espalha e coloca cada um na condição de
egoísta desconfiado. É claro que isto nem sempre se dá às claras e
de forma rápida. O processo de se fechar numa concha às vezes é
lento; as pessoas vão se retraindo e se escondendo até chegar ao
estágio de se armarem da forma que podem à espera do primeiro
ataque.</span></p>
<p>
<span>Os exemplos
disso estão por todos os lugares. Apesar dos oito anos que separam
a população dos Estados Unidos dos atentados de 11 de setembro de
2001, ela ainda demorará algumas décadas para se sentir novamente
segura. Os europeus caminham para também se sentir assim; o mesmo
vale para afegãos, iraquianos, israelenses e outros povos do
Oriente Médio, que, na verdade, não têm qualquer motivo para
apostar numa segurança que nunca conheceram.</span></p>
<p>
<span>Como
brasileiro, sinto-me um pouco aliviado por não estar no olho do
furacão das tais guerras santas (uma ironia que
desafia o bom senso e qualquer teoria que possa sustentar a noção
de espiritualidade autêntica). <span></span>No entanto, nosso
país vive outra guerra diária em que violência e insegurança andam
lado a lado. Assaltos, sequestros, assassinatos, corrupção, jogos
de poder  mazelas que alavancam a miséria e a espelham das
mais diversas formas.</span></p>
<p>
<span>Nesse
sentido, os povos estão em conflito permanente em todo o planeta e
vão continuar até que um dia alguma sociedade com vida inteligente
entenda de uma vez por todas que a solução para a maior parte de
seus problemas está na sua cara, em suas mãos, na sua vontade.
Enquanto isto vou me esforçando por todas as vias para me proteger
sem, no entanto, trilhar pelos caminhos do egoísmo e da
desconfiança. Acredito de verdade numa reação em cadeia, começando
pelo aquecimento da auto-estima, crescendo para o amor-próprio e
desembocando na solidariedade, na compaixão e na união nascida do
respeito mútuo. Estamos condenados a crescer, a nos iluminar
interiormente; ou a perecer de uma vez por todas.</span></p>
<p><strong><span></span><span>(publicado no
Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 02 de outubro de
2009)</span></strong></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/214231/Desconfiados-inseguros-e-condenados/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/214231/Desconfiados-inseguros-e-condenados/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-10-02T16:26:49+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Felicidade Interna Bruta</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong><span>
Felicidade Interna Bruta</span></strong></p>
<p><strong><span>
Roberto D´arte</span></strong></p>
<p><span>
</span></p>
<p>
<span>
Sem desmerecer os muitos tratados filosóficos do Ocidente sobre a
felicidade, o tema parece ganhar matizes bem mais coloridos através
da sabedoria milenar oriental. Um dos temas do momento entre
governantes e economistas do mundo todo é um conceito já bastante
conhecido do povo de um pequeno reino budista encravado nas
montanhas do Himalaia, entre a China e a Índia. Em vez de PIB
(Produto Interno Bruto), em Butão o que se mede de forma ampla é a
FIB (Felicidade Interna Bruta).</span></p>
<p>
<span>
Num planeta em que normalmente prevalecem conceitos capitalistas do
tipo tempo é dinheiro e "amigos, amigos, negócios à
parte, chega a soar ingênuo uma nação (deliberadamente
fechada ao restante do mundo) apostar na riqueza produzida por seu
povo a serviço da felicidade coletiva. É como se uma aposta de tal
magnitude ganhasse ares utópicos diante de princípios elementares
da economia de mercado, a exemplo do lucro, da livre concorrência e
do incentivo ao consumo para que a roda da fortuna nunca pare de
girar.</span></p>
<p>
<span>
Desde que li, pela primeira vez, como funciona a tal FIB naquele
reino asiático, que impõe limites ao número de turistas por ano e a
certas aquisições de cunho tecnológico, deparei-me com críticas que
giram em torno justamente das muitas restrições impostas pelo rei
Jigme Singye Wangchuck. Foi ele quem introduziu, já no início da
década de 1980, a ideia de que a felicidade do povo deveria ser o
propósito de qualquer governante.</span></p>
<p>
<span>
Tomado por tal conceito, o rei solicitou ao Centro de Estudos do
Butão que reunisse especialistas de todo o mundo a fim de se
encontrarem os chamados pontos-chave para a felicidade, a
satisfação com a vida e o bem estar da população. Após vários
estudos foram apontados nove indicadores básicos (desmembrados em
73 variáveis objetivas e subjetivas), que atualmente compõem a FIB:
bom padrão de vida econômica, boa governança, educação de
qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental,
acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem estar
psicológico.</span></p>
<p>
<span>
O incrível de tais indicadores é que são todos absolutamente
conhecidos e possíveis. Não foi descoberta qualquer poção mágica em
plantas só existentes no Himalaia que fizesse a diferença para a
felicidade do povo daquela nação. Até porque lá mesmo ainda há
muito caminho a trilhar para que sua FIB esteja nos mais altos
patamares.</span></p>
<p>
<span>
Já foi apurado em pesquisas sérias que a Felicidade Interna Bruta
aumenta proporcionalmente ao padrão econômico que possui um
determinado povo até certo ponto. Depois disto o grau de felicidade
começa a declinar, colocando em xeque a teoria de que progresso
está ligado exclusivamente às riquezas materiais acumuladas pelas
nações.</span></p>
<p>
<span>
Conhecido em Butão como ministro da Felicidade, o coordenador das
pesquisas sobre FIB daquele país  Karma Dasho Ura 
esteve em São Paulo em outubro do ano passado para participar da I
Conferência Nacional da FIB. Na oportunidade ele exemplificou o que
seria um ponto de equilíbrio no tempo gasto por um indivíduo para
produzir riquezas para o país, para si próprio, sem perder de vista
o descanso, o lazer e, consequentemente, os próprios princípios da
felicidade. Ele afirmou que seis horas de trabalho por dia seriam o
suficiente para produzirmos o necessário e ainda tornaria possível
que cada ser humano dormisse as horas de sono de que precisa, se
socializasse, pudesse se dedicar um pouco ao autoconhecimento e
praticasse atividades físicas diariamente.</span></p>
<p>
<span>
A Felicidade Interna Bruta é coerente, concreta e muito fácil de
ser posta em prática. O seu único problema é esbarrar no interesse
de uma minoria, que em todo o mundo detém os poderes político,
econômico e bélico. São os disseminadores das desigualdades de
classe e de oportunidade  as mesmas que fazem uns morarem em
mansões, enquanto outros moram em caixas de papelão debaixo de
viadutos. O princípio da FIB é que ela tem que ser equitativa para
ser real.</span></p>
<p><strong><span>
(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 25
de setembro de 2009)</span></strong></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/211063/Felicidade-Interna-Bruta/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/211063/Felicidade-Interna-Bruta/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-09-25T19:03:46+02:00</updated>		</entry></feed>