<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://dentrodarte.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[DENTROD´ARTE]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2009-07-03T15:35:29+02:00</updated>		<entry>			<title>O samba autêntico de Aline Calixto</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>
<strong><span>
O samba autêntico de Aline Calixto</span></strong></p>
<p>
<strong><span>
Roberto D´arte</span></strong></p>
<p>
</p>
<p>
<span>
Mesmo sendo um assumido fã do rock e do folk  enquanto
trilha sonora mais presente ao longo da minha vida, tenho profunda
admiração pelos ritmos-base da autêntica Música Popular Brasileira.
O samba é um deles!</span></p>
<p>
<span>
Tive o privilégio de ouvir na infância os melhores nomes desse
estilo musical, que, a meu ver, foi relegado a segundo plano nas
duas últimas décadas, desde que a indústria fonográfica, as rádios
e os programas de auditório da TV elegeram como uma de suas
prioridades o chamado pagode romântico. Aos 9, 10
anos, na década de 1970, esperava com ansiedade que as rádios (e o
Som da Cidade, na minha Boa Nova-BA) tocassem os
sucessos de Clara Nunes, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, João
Nogueira, Beth Carvalho, Alcione, Roberto Ribeiro... Sem falar
naqueles que não eram necessariamente sambistas, mas que sempre
tinham ótimos sambas em seus discos, como Chico Buarque, Caetano
Veloso, Toquinho e Vinícius, Elis Regina, João Bosco, Gonzaguinha,
Simone. Infelizmente, a Velha Guarda (Cartola, Ataulfo Alves,
Pixinguinha, Candeia, Monarco, Nelson Sargento, entre outros) só
vim conhecer melhor bem mais tarde, já na fase adulta.</span></p>
<p>
<span>
A década de 90 e o início deste novo milênio não foram frutíferos
para o samba autêntico. Mais uma vez precisei contar com nomes da
MPB de estilos variados, a exemplo de Marisa Monte e Maria Rita,
para ouvir regravações e novas composições do samba que contagia,
que emociona. Lá pelos idos de 2003, em Viçosa-MG, tive o prazer de
conhecer um nome da novíssima geração que compõe e canta com a alma
de sambista. Estou me referindo a Aline Calixto, que lançou seu
primeiro CD no dia 25 de junho último (com prévia em Viçosa, um dia
antes, numa animada roda de samba no Bar Leão).</span></p>
<p>
<span>
O disco, que leva seu nome, é bom do início ao fim! Já ouvi muitas
pessoas que a viram no palco tecerem comparações com Clara Nunes.
Sei que os artistas não gostam deste tipo de paralelo, pois é como
se tirasse a sua autenticidade, mas conheço Aline o bastante para
saber que ela é super fã da grande sambista mineira e se sente
lisonjeada com a justa comparação. Sua energia no palco, o
repertório e mesmo a voz são uma espécie de resgate do
furacão Clara Nunes, que nos deixou muito cedo, no
auge de uma carreira brilhante.</span></p>
<p>
<span>
Embora já esteja há algum tempo na estrada (tendo faturado,
inclusive, alguns festivais), a carioca de nascimento e mineira de
criação Aline Calixto só agora começa a ter o destaque que merece.
Em maio ela marcou presença com muita personalidade no programa Som
Brasil, da Globo, em homenagem a Martinho da Vila. O sucesso de
seus shows em casas noturnas do Rio e de Belo Horizonte no ano
passado despertaram a atenção da Warner Music, que apostou no seu
primeiro disco.</span></p>
<p>
<span>
Das treze canções do CD, três têm a assinatura de Aline
(Cara de Jiló, parceria com Juliano Buteco, O
Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, com Makely Ka, e
Você ou Eu, com Mestre Jonas). Para os que quiserem
encontrar os traços claranuneanos, recomendo ouvir
Oxossi (de Roque Ferreira), Rainha das
Águas (de Douglas Couto e Rodrigo Santiago) e Tudo
que Sou (de Toninho Geraes e Toninho Nascimento). A pitada
Velha Guarda pode ser conferida nas ótimas
Retrato da Desilusão (de Mauro Diniz e Monarco) e
O Teu Amor Sou Eu (de Rogê e Arlindo Cruz). As demais
faixas são tão boas quanto as que mencionei. Na verdade, eu teria
dificuldade em dizer qual a melhor candidata a carro-chefe como
música de trabalho.</span></p>
<p>
<span>
A área de Geografia perdeu uma grande professora e pesquisadora (a
conheci de perto enquanto colega no ofício de lecionar). Aline, que
se formou na UFV (Universidade Federal de Viçosa) e alavancou seu
trabalho como cantora e compositora em Viçosa, fez a escolha certa
ao abraçar a música. Tomara que o Brasil e o mundo reconheçam isto
muito em breve!</span></p>
<p>
<span>
(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 3
de julho de 2009)</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/174753/O-samba-aut-ntico-de-Aline-Calixto/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/174753/O-samba-aut-ntico-de-Aline-Calixto/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-07-03T15:35:21+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>O pior dos animais</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>Thor e Bial são seres especiais, bem
superiores a muitos humanos</strong></p>
<p></p>
<p><strong><span>
O pior dos animais</span></strong></p>
<p><strong><span>
Roberto D´arte</span></strong></p>
<p><strong><span>
</span></strong></p>
<p>
<span>
Quanto mais conheço o homem mais eu gosto do meu cão.
Esta frase, extraída da música O homem e o cão, de
autoria do compositor mineiro Ataulfo Alves, em parceria com Arthur
Vargas Jr., resume bem a sensação que sempre tenho diante das
centenas de notícias diárias envolvendo a brutalidade
humana.</span></p>
<p>
<span>
Com mais de 6 bilhões de exemplares espalhados pelos quatro cantos
do planeta, o ser humano é o único predador que mata e destrói ao
bel prazer ou por pura perversidade. Leitores assíduos da National
Geographic ou aficionados pelo Discovery Channel, talvez
inconformados com uma afirmação tão sem embasamento científico,
podem até apontar exemplos de outros animais que façam o mesmo. No
entanto, é difícil para qualquer um negar que estamos no topo da
cadeia predatória de todas as espécies animais e vegetais,
desencadeando, inclusive, um processo perigoso de
autodestruição.</span></p>
<p>
<span>
São tantos os exemplos de agressões e matanças perversas
proporcionadas pelo ser humano ao longo da sua própria evolução que
seria preciso uma vida inteira de leituras de obras sobre o tema
para alguém tomar conhecimento de tudo neste sentido. Há quinze
dias, no Tribuna Livre (jornal de Viçosa-MG em que sou redator e
articulista), um texto enviado por Neiva Aparecida Pereira Lopes
 publicado com o título Crônica da Vida Real
 aguçou a minha convicção de que, felizmente, temos também
em nossa espécie o contraponto da destruição.</span></p>
<p>
<span>
A dor que ela narra ter sentido no dia em que testemunhou, em
Viçosa, o atropelamento proposital de carneirinhos por dois
ocupantes de um carrão preto de vidro fumê me
confirmou a tese de que temos salvação. A sua estupefação diante
daquele crime foi tanta que ela sentiu necessidade de desabafar com
as pessoas que passavam pelo local, chegando ao ponto de buscar
alento em um homem que, logo depois, apresentou-se como um ladrão.
O rapaz roubou a sua bolsa, mas, diante do seu pedido para devolver
os documentos, deixou seu pertence pendurado em uma árvore um pouco
mais à frente, como chegou a prometer que faria.</span></p>
<p>
<em><span>
Ele roubou um relógio, meu celular e dois maços de cigarros.
Ele não encostou na minha carteira, que continha documentos,
cartões de crédito, de banco e 40 reais em dinheiro. Este ladrão
foi muito mais humano que aquelas pessoas do carro; ele me roubou
com dó. Ele é um pobre coitado, fruto da miséria humana, das
desigualdades sociais, que tanto conheço, mas este pode ser
recuperado; demonstrou que, apesar de ladrão, ele é
humano</span></em><span>.
Esta foi a moral da história que a leitora-cronista enviou por
e-mail ao Tribuna, pedindo para que ela fosse compartilhada com os
milhares de leitores do jornal.</span></p>
<p>
<span>
Ao longo de minha vida, desde a infância, tive o privilégio de
conviver com cães, gatos, aves e tartarugas de estimação. Posso
afirmar que tê-los por perto é ter a oportunidade de aprender muito
sobre afeição gratuita, baseada em ações e reações instintivas.
Thor e Bial  os dois gatos que eu e minha esposa criamos
 são seres tão puros e afetuosos que às vezes me sinto
incapaz de ter a mesma nobreza deles.</span></p>
<p>
<span>
Já está mais do que comprovado que um animal de estimação pode até
mesmo ajudar uma pessoa a se recuperar de enfermidades graves. O
motivo? Muito simples: eles se entregam aos seus amigos humanos com
tanta verdade, com tanto afeto que o amor resultante desta troca
age como uma espécie de remédio, de terapia. Os bichinhos não
deixam dúvidas sobre possíveis segundas intenções em suas atitudes,
tão comuns nas relações humanas.</span></p>
<p><strong><span>
</span><span>(publicado
no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 19 de junho de
2009)</span></strong></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/168990/O-pior-dos-animais/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/168990/O-pior-dos-animais/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-19T18:31:05+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Partida intempestiva</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<h1><span>
Partida intempestiva</span></h1>
<p>
<strong><span>Roberto
D'arte</span></strong></p>
<p>
<span>A morte
é sempre um momento muito difícil para qualquer um, principalmente
para nós, ocidentais, que nunca aprendemos a lidar com ela de
maneira mais serena. Por mais que esta seja a nossa única certeza,
ninguém está suficientemente preparado para encarar a partida desta
vida.</span></p>
<p>
<span>A
situação fica ainda mais complicada quando a morte chega em forma
de tragédias, como o recente acidente com o avião da Air France ou
os que envolveram a Gol e a TAM, também no Brasil. Além da dor dos
parentes dos mortos e da comoção geral, fica sempre a grande
interrogação sobre o exato momento da passagem simultânea de tantos
espíritos para o outro lado.</span></p>
<p>
<span>Apesar
de educado na religião Católica, que acredita na imortalidade da
alma e na sua partida sem volta, aterroriza-me profundamente a
simples hipótese da extrema dor sentida pelos que deixaram esta
vida de forma tão violenta. Penso que nas mortes resultantes de
acidentes aéreos ou automobilísticos cheguem do lado de lá
espíritos fragmentados, que sequer têm tempo de entender o que
aconteceu durante sua travessia.</span></p>
<p>
<span>Conforta-me
imaginar que, diante de tamanha fratura, possa haver no pós-morte
alguma espécie de pronto-socorro espiritual, onde espíritos
preparados sejam designados para acompanhar os que chegam de forma
tão abrupta. Como acredito na continuidade das jornadas
individuais, ainda que em planos diferentes, esta tese me traz
alento para lidar com o vazio que deixam os que partem.</span></p>
<p>
<span>Para
muitos talvez seja besteira ou perda de tempo pensar sobre tais
assuntos. No entanto, vida e morte seguem em fios tão tênues que o
rompimento do primeiro pode significar um trilhar sobre o segundo.
No mais, tomando como referência a tese dos que imaginam que tudo
termina aqui, pouco ou quase nada faz sentido nesta
existência.</span></p>
<p>
<span>O
filósofo grego Platão (século 4 a.C.), embora não tivesse o foco de
seu pensamento pautado em religião, defendia que o ser humano é uma
alma encarnada. Ressaltava que, antes da sua encarnação, esta alma
existia unida aos modelos primordiais, às ideias do Verdadeiro, do
Bem e do Belo. Por ter se separado deles, encarnando, sente-se
atormentada pelo desejo de voltar a suas origens.</span></p>
<p>
<span>Tanto
na visão filosófica de Platão quanto nas bases do Cristianismo e de
outras religiões, a morte é um renascimento. Passada a temporada da
experiência da encarnação (frágil e fugidia) a vida se expande num
plano mais elástico e elevado (provavelmente também mais
consistente). Neste caso, a sequência deve ser a mesma para os que
vão em consequência de doenças ou para os que morrem de forma
intempestiva.</span></p>
<p><strong><span>(publicado
no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 12 de junho de
2009)</span></strong></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/166569/Partida-intempestiva/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/166569/Partida-intempestiva/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-06-12T20:08:28+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Amor é sacrifício?</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>
<strong><span>Amor é
sacrifício?</span></strong></p>
<p>
<strong><span>Roberto
D´arte</span></strong></p>
<p>
<span></span></p>
<p><span>Há
filmes que são tão bons, que marcam tanto, que precisam ser
assistidos pelo menos uma segunda vez. Mesmo não estando na
categoria dos cinéfilos, sou aficionado pela linguagem
cinematográfica e me sinto bastante instigado diante de suas obras
mais marcantes.</span></p>
<p><span>É o
caso de As Pontes de Madison, filme de 1995, dirigido
pelo veterano ator Clint Eastwood, que também atua no papel
principal, ao lado da fantástica Meryl Streep. Mais de uma década
depois de tê-lo assistido pude revê-lo no último fim de semana,
quase com a mesma sensação de ineditismo da primeira vez.
Lembrava-me de poucas cenas (felizmente as do começo), o que fez
desta releitura um prazer em dobro.</span></p>
<p><span>A
história de amor desse drama poderia fazer dele um lugar comum, mas
não faz. Simplesmente porque nada na história é grandiloquente ou
chocante. Talvez o possível incômodo para muitos venha do fato da
personagem de Meryl Streep (Francesca Johnson)  uma
dona-de-casa absolutamente correta e devota à família  se
permitir vivenciar uma paixão avassaladora em plena meia
idade.</span></p>
<p><span>Na
verdade, o incômodo mesmo só aparece devido ao evidente caso de
traição, que vem à tona num momento da história de Francesca em que
nada mais parecia abalar a sua vidinha previsível numa propriedade
rural do condado de Madison, no estado de Iowa-EUA. A chegada do
experiente fotógrafo da National Geographic  Robert Kincaid
(vivido por Eastwood)  é um divisor de águas na vida daquela
mulher, que é obrigada a tomar, em apenas quatro dias, a decisão
mais difícil que alguém como ela poderia tomar.</span></p>
<p><span>Este
texto é um convite não apenas a quem gosta de bons filmes, mas a
todos os que se vêem diante de escolhas difíceis ao longo da vida,
principalmente em se tratando de casamento ou mesmo de namoro. Em
As Pontes de Madison a paixão intensa e fugidia
vivida por Francesca termina sendo um tapa-na-cara de
seus próprios filhos. Eles, que eram adolescentes quando tudo
aconteceu, são convidados a repensar suas próprias relações, assim
como a olhar de um jeito mais profundo para aquela que sempre viram
apenas como uma recatada rainha-do-lar.</span></p>
<p><span>Na
ficção e no mundo real há inúmeras histórias de renúncias
individuais em favor da pátria, da família e de outras instituições
sociais. Quantos não foram ou são julgados e condenados
simplesmente por buscar a própria felicidade! Quantos não morrem
amargurados ou culpados por ter escolhido os caminhos tortuosos dos
sacrifícios que os outros esperam, em vez da simples liberdade a
que todo ser humano deveria ter para deliberar sobre a própria
existência!</span></p>
<p>
<strong><span>(publicado
no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 29 de maio de
2009)</span></strong></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/161192/Amor-sacrif-cio/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/161192/Amor-sacrif-cio/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-05-29T22:04:54+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>As benesses da anticivilização</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p></p>
<p>
<strong><span>As
benesses da anticivilização</span></strong></p>
<p>
<strong><span>Roberto
D´arte</span></strong></p>
<p><span></span></p>
<p><span>Na
visão do filósofo inglês Thomaz Hobbes, o ser humano não nasce com
o instinto de sociabilidade. Por isto, sem a existência de uma
sociedade política organizada, sua tendência é lutar pela própria
sobrevivência com todas as armas. Por este prisma, o outro é sempre
um obstáculo aos interesses individuais e a discórdia, uma forma de
resolver os impasses.</span></p>
<p><span>Esse
pensador empirista nascido no século 16 conseguiu influenciar
governos e Constituições exatamente por defender o Estado como o
único meio de socializar os instintos primitivos da humanidade. Sua
frase célebre  o homem é o lobo do homem
 é até hoje debatida com grande atualidade, principalmente
porque ninguém ainda conseguiu refutá-la, por mais que haja bons
exemplos contrários.</span></p>
<p><span>Revendo
recentemente o ótimo filme A Vila, do diretor indiano
M. Night Shyamalan, é possível entender os motivos que levaram os
fundadores do vilarejo fictício a criar um mundo à parte para as
futuras gerações. O filme, de 2004, é inserido no gênero
suspense por conta de sua história central em torno
de uma lenda sobre criaturas aterradoras que vivem na floresta.
Estas são o empecilho para que os moradores cultivem o desejo de
deixar o único lugar que conhecem.</span></p>
<p><span>Longe
de quaisquer tecnologias do mundo exterior, as pessoas da vila
descrita por Shyamalan (o mesmo diretor de O Sexto
Sentido, Corpo Fechado e Sinais)
vivem em regime comunitário, numa agricultura de subsistência e sem
o dinheiro como referência. Uma tentativa de fuga da fatídica
constatação de Hobbes a partir de uma organização social
teoricamente sob controle (no caso do filme, pelo Conselho de
Ansiãos). A condição aí para não ser o lobo do outro é manter a
comunidade num certo espírito de inocência e com medo do que ela
supõe ser mais forte (as criaturas da floresta).</span></p>
<p><span>No
século 21, mesmo os vilarejos recônditos e sem qualquer tecnologia
ainda existentes em algumas partes do planeta não conseguem fugir,
por exemplo, da intromissão dos satélites das nações desenvolvidas.
Também já ficou para trás a época em que morar na zona rural era
sinônimo de tranquilidade. Além dos bandidos que invadem sítios e
fazendas para roubar, em muitos deles o cotidiano de misérias e
tragédias bate à porteira através da TV e até da
internet.</span></p>
<p><span>Trilhamos
um caminho sem volta no que diz respeito ao megacontato entre as
pessoas. Ainda que de forma virtual e à distância, nunca foi tão
fácil para o homem ser o lobo do homem. Quanto ao Estado, que
Thomaz Hobbes via como o único capaz de controlar a barbárie, há
muito se comporta como um lobo contratado para tomar conta do
galinheiro. Nesta metáfora popular cabem perfeitamente os políticos
e servidores corruptos, os administradores desonestos e burocratas,
os carreiristas sedentos por riqueza e poder.</span></p>
<p><span>Por
mais otimista que alguém seja, torna-se cada vez mais difícil negar
a afirmação feita pelo filósofo inglês há mais de três séculos. O
mesmo vale para quem tenta encontrar as possíveis veredas que ainda
possam levar à anticivilização e suas benesses. Para não ser tão
fatalista deixo para um conterrâneo  o cantor e compositor
Moraes Moreira  a árdua tarefa de apontar alguma luz no fim
do túnel. No refrão da música Pão e Poesia ele
ensina: felicidade é uma cidade pequenina, é uma casinha é
uma colina, qualquer lugar que se ilumina quando a gente quer
amar. <span></span></span></p>
<p>
 <strong><span>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 21 de maio de
2009)</span></strong></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/158162/As-benesses-da-anticiviliza-o/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/158162/As-benesses-da-anticiviliza-o/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-05-21T19:20:22+02:00</updated>		</entry></feed>