<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://artemar2007.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://artemar2007.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Artemar 2007]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://artemar2007.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2008-03-19T18:35:19+01:00</updated>		<entry>			<title>Arte-educação não é arte-embromação.</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Fao de minhas turmas verdadeiras equipes de
produo pensante e pratica. E claro
que a historia da arte possui seus encantos, mas para quem
e academico e esta querendo ouviar mais
complexidades sobre o assunto.</p>
<p>No caso de adolescentes, e complicado por algumas
razo querem estar
ali, segundo que procuram um prazer constante, nem que for dando
risadas de uma tacada de boloinhas de papel e terceiro, querem
inconscientemente serem ensinados de maneira dinamica, por
mais que sejam nivelados por provas e mais provas...</p>
<p>Bem, no meu caso e um pouco desesperador quando se fala
de Arte, o que vem a cabea deles e coisinhas fofas
pra se jogar no lixo depois ou para serem admiradas e
posteriormente jogadas fora.</p>
<p>Procuro alerta-los que toda a tecnologia esta
baseada na constante pesquisa pensante do ser humano em adequar-se
ao ambiente que vive, suas necessidades, suas buscas incessantes...
A tecnologia e filha da Arte, ainda fora das
concepes atuais de arte propriamente dita e
ai e que eles se assustam! Quando falo de Leonardo da
Vinci, que desenhava toda a anatomia humana para descoberta de
articulaos, musculos e
posteriormente tentou assiduamente por em
pratica todas as suas ideias como parafusos,
helices e outras engenhocas, baseado no que o homem utiliza
sempre. Enfim...tudo que temos hoje, tiramos da natureza, tudo!</p>
<p>E com esse principio basico que vivencio,
estudo e busco sempre toda forma de construir uma ponte entre a
Arte, tecnologia, ciencia, fisica, matematica,
literatura e outras disciplinas que podem ser exploradas de formas
muito dinamicas e que por meio desses experimentos e
construes, os alunos possam visualizar melhor o
"osso" das produes e processos...Como? Posto aqui
alguns projetos que apliquei em sala de aula e que foram bem
recebidos. E claro que nem tudo so flores, da
muito trabalho, as vezes a direo escolar
pode no concordar, mas procuro adequar a essa ou aquela
escola, para que assim a Arte possua um papel fundamental para a
vivencia desses adolescentes, que esto muito plugados
na velocidade das informaes, mas muitas vezes
no sabem como processa-las de forma mais fragmentada
ou questiona-lasatraves de outros
angulos.</p>
<p></p>
<p>Profa. Marcia Tomobe.</p>
				</div>			</content>			<id>http://artemar2007.arteblog.com.br/52870/Arte-educacao-nao-e-arte-embromacao/</id>			<link href="http://artemar2007.arteblog.com.br/52870/Arte-educacao-nao-e-arte-embromacao/" />			<author>				<name>artemar2007</name>				<uri>http://artemar2007.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-03-19T18:34:25+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Visite mais blogs afins! http://artemar2007.blogspot.com   http://cienciaseartes.blogspot.com</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>http://artemar2007.blogspot.com</p>
<p>
nciaseartes.blogspot.com/2008/03/clique-nos-link://cienciaseartes.blogspot.com</p>
				</div>			</content>			<id>http://artemar2007.arteblog.com.br/52867/Visite-mais-blogs-afins-http-artemar2007-blogspot-com-http-cienciaseartes-blogspot-com/</id>			<link href="http://artemar2007.arteblog.com.br/52867/Visite-mais-blogs-afins-http-artemar2007-blogspot-com-http-cienciaseartes-blogspot-com/" />			<author>				<name>artemar2007</name>				<uri>http://artemar2007.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-03-19T17:44:05+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>A Chegada do Vídeo no Brasil</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				








<div>
<strong><span><span></span> A CHEGADA DO VDEO NO
BRASIL<span></span></span></strong>
<span>O vdeo chegou relativamente cedo ao Brasil
e muito rapidamente se tornou um dos principais meios de
expresses que despontaram nesta segunda
metade do sculo.</span></div>




<span><span></span>
<span>
no final da ds anos
apamento comercial no exterior, os primeiros
modelos portaram a aparecer no
Brasil. Esse equipamento havia sido colocado no mercado pela
indnica japonesa para uso privado nas
empresas, com vistas ao treinamento de funcionrios, mas nada
pncias, as
expectativas industriais fossem superadas. A simples
disponibilidade desse equipamento abriu espao para o
surgimento daquilo que Ren Berger (1977: 206-221) chamou de
microteleviso radical, produzida e
difundida em circuito fechado, independente dos modelos
econo broadcasting
convencional.<span></span>
<span></span>
<strong>Primeira gerao: os pioneiros</strong> Os
relatos referentes ncias com
vrios. De
concreto, sabemos que o primeiro brasileiro a mostrar publicamente
obras de vnio Dias, mas
isso aconteceu no contexto italiano, onde ele vivia. Entre os
crdeo, encarado
como um meio para a expresstica, surge
oficialmente no Brasil em 1974 (cf. Zanini, 1997: 239), quando uma
primeira gerao de artistas, convidada para participar
de uma mostra de vdeo-arte na cidade norte-americana de
Filadlfia (cf. Delehanty, 1975), realizou aqui os primeiros
video tapes, parte dos quais sobrevive at hoje. Embora o
convite tivesse sido extensivo a artistas brasileiros em geral, na
poca apenas os cariocas conseguiram viabilizar a
produo de
Jom Tob Azulay, que acabara de trazer um equipamento portapack dos
Estados Unidos e o colocou o de alguns
artistas do Rio de Janeiro (Snia Andrade, Fernando
Cocchiarale, Anna Bella Geiger e Ivens Machado). A esse grupo
somou-se ainda Antnio Dias, que produziu com os meios que
conseguiu levantar em Milo. Logo a seguir, outros artistas
vieram engrossar a primeira gerao de realizadores:
Paulo Herkenhoff, Letriam Danowski,
todos ainda ligados ao contexto carioca. Em So Paulo, os
primeiros trabalhos comeam a aparecer em 1976, quando o
MAC-USP, dirigido por um entusiasta da vdeo-arte (Walter
Zanini), adquire um equipamento portapack e o disponibiliza aos
artistas da cidade. Regina Silveira, Julio Plaza, Carmela Gross,
Donato Ferrari, Gabriel Borba, Marcelo Nitsche e Gasto de
Magalho os primeiros a experimentar essa nova
tecnologia em S preciso considerar
tamb Roberto Aguilar, que trouxe
do Japo
se podia ainda classificar tais autores como videomakers, no
sentido em que hoje empregamos esse termo. Eles eram, na sua
maioria, artistas plsticos preocupados com a busca de novos
suportes para a produo. Como se sabe, a partir de
meados da dcada de 60, muitos artistas tentaram romper com os
esquemas estgicos da pintura de
cavalete, buscando materiais mais dinmicos para dar forma
sticas. Alguns sairam para as ruas
e produziram intervenes na paisagem urbana. Outros
passaram a utilizar o prprio corpo como suporte
artstico e converteram suas obras em performances no
espablico. Outros ainda procuraram mesclar os meios
e relativizar as fronteiras entre as artes, produzindo objetos e
espetes e os
happenings. E houve tambm aqueles que foram buscar materiais
para experiticas inovadoras nas tecnologias
geradoras de imagens industriais, como  o caso da fotografia,
do cinema e sobretudo do vlio
Oiticica introduziu a idssima do quase-cinema
(cf. Canongia, 1981), para designar um campo de experincias
transgressivas dentro do universo das mdias ou das imagens e
sons produzidos tecnicamente. Num certo sentido, 
impossdeo-arte fora desse
movimento de expanssticas ou de
reapropria
havia antes acumulado experincias no terreno do
o de diapositivos) e do cinema
de 16 mm ou Super-8 (Antnio Dias, Barrio, Iole de Freitas,
Lygia Pape, Rubens Gerchman, Agrippino de Paula, Arthur Omar,
Antprio Oiticica). Na verdade, o
vdeo foi uma tecnologia particularmente privilegiada nesse
movimento, em decorrncia do seu baixo custo de
produncia em
relao ou de
sonorizao (que funcionavam como centros de
vigilpoca da ditadura
militar) e sobretudo pelas caracterbeis e
anamnica, mais adequadas a um
tratamento pldeo-arte nasce, portanto, como
um fentico inicialmente circunscrito ao
universo das artes plo de
exibio se restringia ao circuito sofisticado dos museus
e galerias de arte (as es foram os
trabalhos de Rita Moreira e Norma Bahia, mais afinados com o
documentm circunscritos
ao ambiente nova-iorquino). Naturalmente, essa  uma
caracterdeo-arte brasileira, mas
nncia universal, uma vez que em outros
paria pode ter sido completamente diferente.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a v nasceu
estreitamente ligada sica de vanguarda (Paik e outros
pioneiros eram originalmente compositores) e tamb
danm de, desde
os prim ter conseguido encontrar um
espapria
televiso (cf. Machado, 1988). De qualquer maneira, toda a
primeira geradeo
era constitu consagrados no
universo das artes plsticas ou em processo de
consagranio Dias,
Anna Bella Geiger, Jos Roberto Aguilar, Ivens Machado,
Letnia Andrade, Regina Silveira,
Jlio Plaza, Paulo Herkenhoff, Regina Vater, Fernando
Cocchiarale, Mary Dritschel, riam
Danowski, Paulo Bruscky e tantos outros. O vdeo nasceu,
portanto, integrado ao projeto de expanso das artes
plsticas, como um meio entre outros, mas no processo criativo
do artista ele nunca chegou a ser encarado com exclusividade.
cil compreender os trabalhos de
vo se
buscava ainda explorar possibilidades de linguagem prprias do
v
preciso considerar que, naquela poca, os recursos
tecnolgicos de que dispunham os artistas brasileiros para
trabalhar com vnimos. Entre outras coisas,
no: editava-se
diretamente na co ou com
lmina de barbear posteriormente, ou ainda concebia-se o
trabalho num nuo, tomado em tempo real,
para que no.
Enquanto autores como Paik ou Emshwiller, nos Estados Unidos,
trabalhavam como artistas residentes em laboratrios
eletrrias ou
de redes po, com a ajuda de
engenheiros e especialistas em tecnologia, no Brasil, os pioneiros
do vo com um conjunto de
co
so
da tecnologia e quando novas geraes, mais comprometidas
com a exploranica,
entrassem em cena. A maioria dos trabalhos produzidos por essa
primeira geradeo consistia
fundamentalmente no registro do gesto performtico do artista.
O dispositivo bdeo brasileiro
consistia, portanto, quase que exclusivamente no confronto da
ctulo de exemplo, num dos
trabalhos mais perturbadores do perodo, a artista
Letcia Parente bordou as palavras "Made in Brazil" sobre a
prmera num
big close up. Num certo sentido, a experincia dos pioneiros
brasileiros faz eco com uma certa ala do vdeo norte-americano
do mesmo perodo, representada por gente como Vito Acconci,
Joan Jonas, Peter Campus etc., cuja obra consistiu - como observou
na poca Rosalind Krauss (1978: 43-64) - em colocar o corpo do
artista entre duas mmera e o monitor), de
modo a produzir uma imagem instantnea, como a de um Narciso
mirando-se no espelho. Apesar da precria tecnologia, alguns
trabalhos muitos fortes foram produzidos no perodo.
Snia Andrade, por exemplo, realizou quase uma dezena de
experimentos de curta durao que podem ser
incluo. Ora
temos o rosto da artista totalmente deformado por fios de nylon,
ora ela se impes, tosando os
cabelos do corpo com uma tesoura, ora ainda ela prende a
pro
trabalhos de uma auto-violncia latente, meio real e meio
ficts dos quais Andrade discorre sobre os
tnues limites entre lucidez e loucura que caracterizam o ato
criador. Um outro aspecto do trabalho da artista  a
intervenpria
televiso, abrangendo tanto os seus aspectos estruturais
quanto ideolgicos. A <strong>Morte do Horror</strong> (1981),
por exemplo, stica
sobre o pro televisual. Nos
seus seis episssimos, que mais parecem haicais
o nos mostra, antes de
mais nada, a moldura de uma outra tela de televiso dentro da
nossa. Ao longo desses episdios, a tela vai sendo
sucessivamente esvaziada de seus conte
no uma infinidade de aparelhos receptores
colocados uns dentro dos outros, como nas contrues em
abismo da herldica (cf. Machado, 1985: 58-66). Na mesma
direcia
Parente, embora com uma perspectiva mais irnica: muitas
vezes, trata-se, na obra videogrfica desta artista, de tornar
senses
colocadas em cena, as convenes da
representanicos que
nos snica
aparece tambdeos de Anna Bella Geiger, que
chegam muitas vezes a assumir abertamente a inverso
par medida que as
implicagicas do universo das artes e do
contexto polo sendo colocadas cada vez mais
enfaticamente em discussries
<strong>Declarao em Retrato</strong> e
<strong>Passagens</strong> (ambas de 1975) at a
vo realizada para a XVI Bienal de
Sdeo Macios</strong>,
1981), a artista vem estendendo para o vncias
iniciadas antes no sticas. Seus
<strong>Mapas Elementares</strong> (1976 a 1977), por exemplo,
snicos envolvendo mapas do Brasil e da
Amrica Latina ou aberturas de telejornais, onde se explora a
plasticidade do mapa-mundi, objetos lembrando a forma do continente
latino-americano e os prprios trabalhos da artista sobre o
assunto (como as suas famosas fatias de po com falhas no
miolo imitando o mapa de Brasil). Nesses jogos de fundo conceitual,
Geiger procura discutir o modo como se formam determinados
clichgicos e explorar certas similitudes
semnticas ou formais ("antropomorfismos", no dizer da
prrico e determinados
ritmos musicais. Jos o
primeiro a trazer para a cena do vdeo toda uma
(anti)est tomava
forma, por exemplo, no cinema (Jrio
Sganzerla, Andrea Tonacci, Arthur Omar, entre outros) e no teatro
(Z Celso, Antunes Filho e o argentino Victor Garcia). Os
primeiros trabalhos de Aguilar, realizados parte no Brasil e parte
nos Estados Unidos ou Japo, seguem a linha conceitual dos
tapes cariocas, com planos longos e "performticos", editados
com corte mecnico e fita adesiva. Posteriormente, o trabalho
de Aguilar foi se tornando mais complexo e voltado para a
explorao de possibilidades instalativas. <strong>Divina
Comdia Brasileira</strong> e <strong>Sonho e Contra-sonho de
uma Cidade</strong> (ambos de 1981) so trabalhos estruturados
como concerto de vdeo-arte, em que se utilizam dois
gravadores e dois monitores sincronizados em contraponto,
"dialogando" entre si sobre o sentido da arte. Um pouco depois da
experincia paulistana do
MAC-USP, mais exatamente a partir de 1977, Roberto Sandoval,
retomando o elo com a vdeo-arte internacional, despontaria
como o primeiro vdeo-artista brasileiro a explorar imagens
inteiramente abstratas (na srie <strong>Segmentos</strong>,
produzida entre 1979 e 1981), ao mesmo tempo em que a sua escola de
arte em So Paulo (a Aster) e logo depois a sua produtora de
vlos de
aglutinao e de suporte instrumental para toda uma
geradeo-artistas paulistanos. Justamente
por dispor de recursos prprios e mais sofisticados do ponto
de vista tecnolrio de
tapes e cassetes dos mais amplos. E o fato de dispor de uma ilha de
edicnica de
montagem acelerada, com planos brevssimos cortados em ritmo
sincopado, tcnica essa que acabou por identificar o seu
estilo particular. Em <strong>Aleatrio</strong> (1982), por
exemplo, Sandoval edita em paralelo o ritual de estrangulamento de
uma galinha e a banalidade de uma cena de cabelereiro, acentuando a
ironia da associatico
da edigico</strong> (1983),
ele toma a imagem de um artista de circo fazendo
evolues com uma tira de papel colorido e desmonta os
movimentos originais atravpido, de modo a
fazer o artista desenhar no espaditas.
Desgram, toda a obra de Sandoval e de
grande parte dos outros artistas de seu crculo de
influficas enxentes
da cidade, que inundou a produtora Cockpit, onde estava depositada.
Do grupo ligado a Sandoval, quem produziu um dos trabalhos mais
originais foi Regina Silveira, autora de vdeos rigorosos como
uma equatica. <strong>Sobre a
Mo</strong> (1980), <strong>A Arte de Desenhar</strong>
(1980) e <strong>Morfas</strong> (1981) esto entre os
melhores trabalhos produzidos pelos pioneiros do vdeo
brasileiro. O  continuidade
digos convencionais de
representas
de suas obras pictcadas. Morfas
micas sobre objetos banais
da vida caseira (escova de dentes, sabonetes, pentes,
utenslios de cozinha etc.), apresentadas de tal forma que o
recorte extremamente fechado do quadro e a proximidade exagerada da
co uma fisionomia estranha, como se os
objetos formassem um bestirio sobrenatural. <strong>O
Pero</strong> Da primeira
gerao de realizadores, a maioria logo desistiu do
vsticas.
Poucos foram os que se mantiveram fiis aos seus
princo
ao longo das dcadas seguintes. Dentre aqueles que deram
continuidade ao projeto esttico dos pioneiros (simplicidade
formal, uso moderado de tecnologia, insero
"narcprio realizador na imagem,
auto-exposiblica), o nome mais importante foi,
sem da ocupa,
entretanto, uma posiria dentro da
histdeo-arte brasileira, ou melhor dito: uma
posi um artista
deslocado em relao ao movimento brasileiro da
vo Paulo (ele
cho de Porto Alegre), onde se concentravam as
produes, e realiza boa parte de sua obra
videogrfica em Chicago, para onde foi inicialmente estudar e
depois lecionar. Ademais, ele neo da segunda
geradeo brasileiro, conhecida mais
genericamente como a geradeo independente,
que tinha entre suas metas principais a conquista de espao na
televisa se
manteve fiel a sua viso e
achava, como toda a gerao dos pioneiros, que o
vo, algo
assim como uma operao de radicalidade e densidade
significante, que jamais poderia penetrar sem concesses na
tela domm do
principal circuito de difusdo pelos
independentes, o dos festivais de vdeo, que lhe parecia pouco
sticos e mais
voltado para a revelao de talentos para o mercado.
Nesse sentido, embora surgindo num perodo posterior ao da
primeira geraa foi um dos poucos a dar
continuidade o dos pioneiros ao longo de
toda a dcada de 80. Como acontecia em quase toda a obra da
primeira geradeos
de Fran quase sempre ele mesmo, seja figurando
pessoalmente como protagonista, seja se fazendo projetar num outro.
Frandeo um meio adequado para meditar e
especular sobre seus prprios conflitos interiores, sobretudo
sobre sua obsesso maior: a fatalidade da morte. Sua obra, de
cunho bastante pessoal, esteve tambm centrada numa
indagao da
homossexualidade. Talvez seja possvel dizer que
<strong>Without Fear of Vertigo</strong> (1987) ocupe um lugar
estratprio
Franrios amigos brasileiros e norte-americanos
discutem as experidio e do enfrentamento
da morte, exatamente num momento em que a AIDS comea
vagarosamente a aparecer como um flagelo, mas um flagelo restrito
(at comunidade dos homossexuais. No
final do mesmo trabalho, o artista mostra uma suposta
acareao policial de Peter Whitehall, condenado a cinco
anos de priso nos Estados Unidos por ter colaborado no
suica morreu em
1991, vtima da AIDS, depois de ter nos presenteado com um dos
testemunhos mais autprio.
Seu dio de uma Morte
Anunciada</strong> (1991), terminado alguns dias antes de sua
morte, o dos valores que
nortearam sua vida e dos quais ele jamais abriu mo, nem mesmo
nos momentos de maior agonia de sua doendeo, o
prcias com seu companheiro
Geraldo Rivello, enquanto aparecem na tela os nomes de todos os
amigos brasileiros e norte-americanos que foram vitimados pela AIDS
e a trilha sonora deixa correr uma dilacerante
interpretao de La Traviata pela soprano brasileira Bidu
Sailtima coisa que aparece no
v o texto: "Above all they had no fear of vertigo"
(Apesar de tudo, eles no tiveram nenhum medo da vertigem),
que claramente interliga Without a Preldio. Se, de um lado,
Fran continuidade, nos anos 80, ao projeto
esttico dos pioneiros, em termos de postura existencial,
radicalidade da empreitada e recusa de subordinao aos
valores do mercado, por outro lado, ele serm um
dos primeiros a romper com esse projeto no que ele tem de
indiferenes
relativas rica do meio e uma certa
concepdeo (o
vdeo como simples dispositivo de registro). De fato,
Fran um dos primeiros videastas brasileiros a se
dedicar seriamente  pesquisa dos meios expressivos do
vdeo e a apontar caminhos criativos para a
organizasticas e
aco ao meio. Essa
preocupao jamais foi marginal em sua obra, malgrado o
fato dos aspectos semo fortes e impositivos,
muitas vezes saltarem ao primeiro plano com maior nfase,
obscurecendo as inovatico.
Vejamos um exemplo eloqente. Desde as origens da
ves mais
complicadas e ainda hoje no inteiramente resolvida diz
respeito ao problema da ficnico.
Jia de que o
v um meio adequado a propostas narrativas,
afirmavel no plano
tetica efetiva do meio.
De fato, nos seus pouco menos de 40 anos de histria, a arte
do vncias narrativas
realmente dignas de ateno
demonstrava, por outro lado, que as formas narrativas (sries,
novelas) propostas para a tela pequena nunca passaram de
estilizaes de modelos dados pelo
cinema. Um dos aspectos mais ricos da obra de Rafael Frana
o de alternativas
criativas para a ficfica. Pode-se mesmo
dizer que, excetuando-se justamente os dois trabalhos acima citados
- Preldio e Without, raros exemplos de registros documentais
na obra de Frano sempre
experio de novas formas narrativas
para o vdeo, sem perder, todavia, o seu aspecto confessional
ou auto-testemunhal mais bo se espere, todavia,
encontrar nos vssicas,
 maneira de uma certa literatura ou de um certo cinema, que
nos habituaram com alguns modelos cannicos de
fico totalmente
experimentais, absolutamente elnuas,
explorando coisas como o contraste dinmico entre cortes muito
rncias inteiras
apresentadas quadro-a-quadro (como se fossem projees de
slides), faux raccords com planos seccionados em plena
durancia
de sincronia entre som e imagem, dilogos apresentados de
trs para a frente, uso de diferentes texturas de cores ou
preto e branco e assim por diante. <strong>O Silncio Profundo
das Coisas Mortas</strong> (1988), por exemplo,  uma
histo entre dois amantes
homossexuais, onde presente e passado, realidade e memria,
experio misturados de forma intrincada e
contaminados ainda pela intromisso do social, do urbano (a
cidade, o trnsito, o carnaval) na intimidade dos amantes.
<strong>Reencontro</strong> (1984) parece uma
interpretao moderna (ambientada nos duros tempos da
ditadura militar, com refercitas a
mbola de William Wilson,
clebre narrativa de Poe sobre um personagem perseguido pelo
seu alter ego e que termina se matando para fugir de si mesmo.
<strong>Getting Out</strong> (1985)  uma narrativa tensa e
claustrofbica sobre uma mulher que simula a
situacio que
se incendeia. <strong>Combat in Vain</strong> (1984) e
<strong>Fighting the Invisible Enemy</strong> (1983), por sua vez,
trabalham com uma absoro criativa do efeito zapping
(colagem ca
varredura ro), de modo a
sugerir narrativas estilhaadas, a um passo da completa
dissoluo de repensar a
ficnico, deve-se somar outro,
igualmente sistemtico, de reinterpretar os recursos
tdeo numa perspectiva autoral e inventiva.
Ao contrrio de boa parte de seus companheiros da
gerao
se deixava seduzir pelas mquinas de efeitos, cada vez mais
freqm
nrio, um
dos poucos criadores que se empenharam seriamente em pesquisar a
funcionalidade expressiva de cada um desses efeitos, em termos de
rentabilidade dramnia</strong>
(1989), por exemplo, uma adaptao livre de um texto de
Graciliano Ramos, novamente ambientada no mundo homossexual,
pode-se ver uma utilizao bastante contida e quase
minimalista de certos efeitos digitais utilizados na
televiso da imagem ou a
multiplicao de telas dentro do quadro
videogro desse
trabalho para video-wall, um dispositivo caracterizado pela
apresentao excessiva e espetacular, utilizado quase que
exclusivamente na esfera publicito, ele
consegue o que atvel: uma
utilizao intimista, concentrada e reflexiva do
video-wall, logrando, dessa forma, coloco da
narrao
tecnolodo de
transideo brasileiro, deve-se citar ainda a
intervenm
desenvolveu parte de sua obra nos Estados Unidos. Ao todo, o
trabalho de Matuck compreende pouco mais de uma dezena de
vdeos, dos quais uma parte significativa tem
inspiragica.
<strong>Emanatio-Profanatio</strong> (1977), por exemplo, trata do
sacrifcio de bezerros por um fazendeiro do estado de
Wisconsin movido por razticas, enquanto
<strong>Brahminicide</strong> (1977) mostra o processo
tecnola de porcos na cidade de Iowa. Numa
perspectiva mais politizada, Matuck fez tambm
<strong>Maurcio Prisoner</strong> (1981),
reconstrucia do lento processo de
enlouquecimento de um militante tupamaro numa priso uruguaia.
Para a realizao desse trabalho, Matuck utilizou apenas
um ator, um pequeno quarto com uma escada e os objetos comuns ali
encontrados. As imagens do mundo exterior vo se
transfigurando lentamente em projees interiores da
fantasia alucinada do prisioneiro. Ainda em 1981, Matuck fez
<strong>Ataris Vort in the Planet Megga</strong> (primeira
vers haveria ainda uma segunda, preparada para a Bienal de
So Paulo, em 1983), um enredo experimental de
ficfica, onde o autor usa fartamente os
efeitos eletrnicos a que teve acesso na Universidade de San
Diego. Esse vrie de
expericada
de 80 e comecie de
ficfica, com
explora
ento: o
vo dos anos 80, uma
nova vaga de realizadores viria reorientar a trajetria do
vdeo
independente, constitum
sados das universidades, que buscavam explorar as
possibilidades da televiso enquanto sistema expressivo e
transformar a imagem eletrnica num fato da cultura de nosso
tempo. O horizonte dessa gera agora a
televiso mais o circuito sofisticado dos museus e
galeriais de arte. Muito sintomaticamente, essa outra vaga se
opncia
ao documenttica social. Com sua entrada
barulhenta em cena, o va a sair do gueto
especializado e conquista seu primeiro pblico. Surgem os
festivais de vdeo, aparecem timidamente as primeiras salas de
exibiar
estratgias para romper o feudo das redes comerciais de
televiso ousada e criativa, que
trazia modos, permaneceu,
durante muito tempo, ausente da televiso propriamente dita.
Esta o
independente, essa produo que, paradoxalmente, se
prestava de forma perfeita  tela pequena, utilizava com
adequao o tempo televisual e usava criativamente os
recursos eletrdio. As possibilidades
criativas da televis puderam, portanto, ser
exploradas fora da televiso, em circuitos (fechados)
alternativos. Mas a marginalizadeo
independente lhe dava maior intensidade. Menos comprometido com a
centralizao de interesses e com o alto custo do capital
verifico, o
vdeo independente, produzido e difundido fora dos circuitos
oficiais, podia investir no aprofundamento da funo
cultural da televisando na
experimentao das possibilidades da linguagem
eletrncia aos graves problemas
sociais do paes
mais agudas do homem de nosso tempo. Ele podia executar, portanto,
uma funo cultural de vanguarda, no sentido produtivo do
termo: ampliar os horizontes, explorar novos caminhos, experimentar
outras possibilidades de utilizao, reverter a
relao de autoridade entre produtor e consumidor, de
modo a foro
convencional da televiso, demasiado inibida pelo peso dos
interesses que so nela colocados em jogo. Se fosse
possvel contar todos os grupos e talentos individuais que
surgiram na onda do vvel
que eles somassem por volta de uma centena. Uma vez que seria
impossncia de todos
esses grupos, vamos nos deter no exame das experincias que se
revelaram mais fmero de
seguidores. A primeira  a de um grupo estreitamente ligado
aos meios vanguardo Paulo e que
despontou, no incio dos anos 80, com propostas renovadoras de
indiscutvel impacto. Conhecido pelo nome inventivo de TVDO
(ldo pelos
videomakers Tadeu Jungle, Walter Silveira, Ney Marcondes, Paulo
Priolli e Pedro Vieira) talvez tenha sido a melhor
tradunica do
esprquico do cinema de Glauber
Rocha. TVDO vel pelas
experincias mais radicais do ponto de vista da
inveno dos recursos
expressivos do vdeo. Nesse sentido, seus trabalhos se
aproximam estreitamente de atitudes e procedimentos da
vo muitas vezes confundidos e
consumidos como tal. No entanto, a familiaridade do grupo com a
televiso e com as formas em geral da cultura de massa, a sua
resoluta deciso de operar na fronteira entre a cultura
popular e a erudita (conforme, por exemplo, Ivald Granato in
Performance/ 1984, um "vdeo de artista" trabalhado como se
fosse um espetculo circence, ou, inversamente, Caipira In/
1987, uma festa popular desconstruda e tratada como
mato erudita), bem como
tambm a sua vontade de intervir criticamente na realidade do
pas, tudo isso acaba contribuindo para tornar mais
"acessveis conquistas formais e
temo
esto. Isso
no impede, entretanto, que, vez por outra, o grupo contribua
com trabalhos limo
de recep o caso, por exemplo,
de [Rythm(o)z (1986), dirigido por Tadeu Jungle, um conjunto de
seis peo, sem qualquer
comentrio verbal, orquestradas por um rigoroso jogo de
composimicos diversos, e que
exploram emoes extremas, beirando o nojo e o espanto.
[Rythmz(o)z o da
produtividade de certos procedimentos expressivos do vdeo (e
do cinema) tais como o corte, a zoom, o plano-seqncia
ou a (des)sincronizao entre som e imagem. Em cada
segmento, apenas um recurso  utilizado, mas de uma forma
concentrada e fulminantemente adequado ao tema focalizado. A
srio sugerido pelo grupo
estdeo dirigido por Tadeu Jungle:
Non Plus Ultra (1985). O que deo? Um
pouco de tudo: a performance de uma atriz (Maria Alice Vergueiro
interpretando Brecht), a peregrinacio
diretor italiano de filmes classe B (Paulo Maia), entrevistas com
personalidades, tais como Fernando Henrique Cardoso (em
franc depoimentos
exaltados de artistas como J
fragmentos de encenao de Ubu Rei pelo grupo
Ornitorrinco; pseudo-reportagens de rua, com Tadeu Jungle criando
situa quase
v Walter Silveira,
paran e
mais gritos, galinhas, favelas, bananas, mar, Noris Lisboa
repetindo infinitamente "Desespoir!" e pentecostais falando
lnguas estranhas. Uma verdadeira salada tropical, sem
qualquer outro nexo amarrando os planos a no ser uma
noncia
radical do fragmento es
rica e de
ses intelectuais
anteriores, obsecadas pelo projeto utpico de
construo de uma "identidade nacional". Agora, o
espnico corroem tudo: as
"razes" rurais populistas e os valores urbanos "importados",
o nacionalismo tropical ufanista e o cosmopolitismo predador, o
grotesco da cultura de massa e o ranncias
eruditas. Como o vo pode mais explicar coisa
alguma, Non Plus Ultra radicaliza a experincia da
dispersdeo de
um outro tempo: o filiarcado" -- diz um dos letreiros iniciais,
numa refer derrocada do patriarcado
(ou seja, da autoridade do Pai, do Mestre ou do Guardio da
Verdade), em benefcio da prole e da multiplicidade infinita
de alternativas (cf. Machado, 1991: 30-33). Para se avaliar
corretamente a contribuideo independente
seria necessrio identificar a natureza do olhar diferenciado
que ele lana sobre o Brasil e sobre o seu povo. Essa nova
gerao passa agora a rejeitar as
representaes totalizadoras, deixa patente nas obras as
suas prvidas e a parcialidade de sua
interveno, interroga-se sobre os limites de seu gesto
enunciador e sobre a sua capacidade de conhecer realmente o outro.
Aquele que aponta suas co se
encontra mais necessariamente numa posio privilegiada
como produtor de sentidos, n mais autorizado a
dizer toda a verdade sobre o representado, nem est apto a dar
uma coer cultura enfocada. Os
pro se encontram mais ausentes do
"texto" audiovisual, nem se escondem mais atrs das
cmeras, de modo a sugerir uma pretensa neutralidade. A
produo de sentidos e a legibilidade dos novos produtos
videogro depender agora de uma capacidade de
criar novos processos de relao entre as partes em
quest menos dizer a
verdade sobre o outro, revel-lo, "traduzi-lo" aos nossos
cnones de inteligibilidade, do que tentar construir uma ponte
entre as culturas, para que elas possam finalmente dialogar.
Diferentes grupos experimentaram diferentes estratgias para
obter isso. TVDO, por exemplo. Examinemos Caipira In (Local Groove)
(1987), vm alguns
realizadores de fora do grupo, como Roberto Sandoval e Cacilda
Teixeira da Costa.  primeira vista, tudo parece indicar um
desses trabalhos de preservao da cultura popular,
encomendado por alguma instituio oficial de arquivo de
imagens ou de elaboraria nacional. A
id registrar uma festa religiosa popular
que ocorre anualmente no pequeno povoado de Ss do
Paraitinga (SP). Mas o vo de
registro da cncia entre
sujeito e objeto ou entre observador e observado e apaga quase
inteiramente as vozes e os enunciados daqueles sobre quem fala.
Efeitos eletrdio corroem as imagens tomadas
in loco pelas cmeras, a montagem desintegra qualquer
coer
mesmo os sons gravados diretamente por ocasio da festa
so reste
sengios. Na verdade, Caipira In
rica
do que uma reflexncia entre duas culturas
irreconciliveis, ou mais exatamente, uma
demonstrao da nossa impossibilidade de vivenciar a
experincia do outro enquanto tal. A "leitura" se revela uma
versveis. Os realizadores
interferem, se mostram ostensivamente como uma presena
deformante: ao focalizar a cultura do outro, eles no se
negam, nprios
valores e  sua cultura, nem se deixam dissolver naquela
outra. Nenhuma pretenso de objetividade esconde o fato de que
o sujeito da representao, ao se defrontar com a festa
alheia, traz consigo o seu prprio mundo, o seu passado e as
suas referncias culturais, a partir das quais e com o filtro
das quais ele aborda o outro. Caipira In , na verdade, o
relato dessa distncia dela, o
questionamento mesmo da insero do analista numa
realidade que ndeo de
desconstrudeo em
que a interveno do sujeito enunciador se torna
cro
imaginar uma estratgia que permita estender uma ponte entre
duas culturas? Um outro grupo de realizadores vai tentar obter uma
resposta a essa quest numa
direo bastante diferente de TVDO. Esse outro grupo
o foi
varicleo central era
constitudo basicamente por Marcelo Machado, Fernando
Meirelles, Renato Barbieri, Paulo Morelli e Marcelo Tas). O que vai
buscar o Olhar no radical,
mas uma "negociao", uma troca, a possibilidade talvez
de um dicio de polifonia que permita
restituir a multiplicidade de vozes. Agora, aquele que representa
visa inscrever o seu trabalho dentro de um processo de
comunica apenas uma dentre as muitas
vozes em conflito. Assim, o Olhar Eletrnico vai buscar, em
seus trabalhos mais conseqentes, quebrar qualquer
relao de saber ou de autoridade que possa existir entre
o realizador e o sujeito enfocado, evitando sobrepor s
imagens deste ltimo um pretenso discurso da verdade e criando
dispositivos para que o enfocado possa responder ele prprio,
com autonomia, es do primeiro. Trata-se,
fundamentalmente, de inverter o esquema viciado das reportagens das
redes comerciais, que reduzem toda a diversidade ideolgica,
cultural, lingtnica e religiosa do povo
que habita o pas a um discurso integrador e normalizador, o
discurso da instituio televisual. Devolver a palavra ao
povo, deixar que o enfocado se coloque livremente, fazer com que as
to se tornem transparentes aos
protagonistas -- tais spios
norteadores do trabalho do Olhar, que podem ser identificados, por
exemplo, em Do Outro Lado de Sua Casa (1986). Nessa obra exemplar,
os realizadores enfocam o universo cotidiano de um grupo de
mendigos que vivem mais ou menos  margem da sociedade.
N aqui, entretanto, mais nada daquele sentimento de
comiserao ou de culpa que marca uma certa maneira
cristes
humildes. Pelo contrdeo
evolui, os indigentes comeprio
discurso e a colocar com autonomia a singularidade de sua
viso de mundo. Um dos mendigos, inclusive, acaba por assumir
a pro do trabalho e, de microfone em
punho, passa ele mesmo a dirigir as entrevistas com seus
pareceiros. Aqui, numa virada perturbadora, o objeto da
investigameras e se
torna tambo, impedindo
qualquer abordagem humilhante para os enfocados (cf. Machado, 1993:
253-274). O Olhar nm, das
inovaes formais. Tal como TVDO, foi um dos grupos que
mais ajudaram a sacudir o bolor da mnica,
experimentando solues arrojadas e jamais antes
encontradas na rotina televisual. O Olhar comeou realizando
vs ou quatro minutos de
durao, nos quais experimentava uma linguagem de extrema
concentrao e explorava de forma inventiva aquilo que os
americanos chamam de machine-gun cut (corte-metralhadora). Na
verdade, a tcnica da montagem acelerada, com planos bastante
breves e cortados em ritmos sincopados, havia sido introduzida no
Brasil por um pioneiro da v o que
fez o Olhar foi dar-lhe conseqncia como forma
potica. Assim aconteceu, por exemplo, em Tempos (1982), um
pisca-pisca eletrnico com imagens "pirateadas" da
televis ou
tambm em Marli Normal (1983), o dia-a-dia de uma
escriturssimos
em ritmos alternados, por muitos considerado o melhor trabalho do
Olhar. Numa outra linha de experimentao, o Olhar buscou
tambo que nos
ss dos aparatos de
codificao) e
pelos canais de difuslia
(1982), um pequeno experimento realizado por Fernando Meirelles. As
imagens que preenchem esse estranho "documento as
paisagens estereotipadas da cidade de onde emana o arbtrio
poldeo foi realizado em
plena ditadura militar): clicho
postal de palcios e catedrais, com seus
vitrais coloridos e seus jardins babilnicos. Nada haveria de
especial nesse trabalho e ele poderia mesmo ser tomado como uma
"vistica da cidade" (como foi anunciado num
cato
estivesse arruinada por contnuos rompimentos, vazios
estruturais que quebram a continuidade das cenas, deixando a tela
branca vrias vezes e durante muitos segundos. Esses
"buracos", essas lacunas abalam a coerncia figurativa das
imagens, essas imagens que, num outro contexto, poderiam parecer
to perenes e familiares, e isso causa uma certa
irritao a
sensa errada com esse
vo bastasse, os hinos
patriticos que preenchem a trilha sonora e que constituem uma
espm
fragmentados e desarticulados, como se fossem feitos de um tecido
esgardos por alguma estranha
espcie de predador (cf. Machado, 1984: 34-42).
<strong>Terceira geradeo de
criao de
videomakers brasileiros no representa propriamente uma virada
radical de estilo, forma e conteo
deo. Na
verdade, essa nova gerao, que desponta publicamente nos
anos 90, tira proveito de toda a experincia acumulada, faz a
ses e parte para um
trabalho mais maduro, de solidificao das conquistas
anteriores. A maioria dos representantes dessa nova
geradeo independente. Muitos
tomaram parte do movimento e integraram grupos no perodo,
preferindo optar, a partir dos 90, por um trabalho mais pessoal,
mais autoral, menos militante ou socialmente engajado, retomando
portanto certas diretrizes da gerao dos pioneiros.
Percebe-se tambo um certo
afrouxamento das preocupao
em temnculo mais
direto com a produfica internacional.
Alguns realizadores (como  o caso de Sandra Kogut) passam a
produzir fora do Brasil, para poder ter acesso a maiores recursos
financeiros e tecnolgicos, enquanto outros (como Eder Santos)
utilizam indistintamente materiais gravados no Brasil e fora dele.
Nomes como Sandra Kogut e Eder Santos acabam por se consagrar
internacionalmente, enquanto outros, como Lucilla Meirelles, Walter
Silveira e Arnaldo Antunes, malgrado menos conhecidos no exterior,
resultam bastante respeitados no panorama cultural brasileiro. O
nico compromisso que une todos os representantes desta
o de
formas expressivas especdeo e a
explorasticos afinados com a
sensibilidade de homens e mulheres deste final de sculo. Eder
Santos talvez seja o mais conhecido e difundido dos atuais
realizadores brasileiros de vdeo. Esse fato chega a ser
surpreendente, porque talvez no exista atualmente no Brasil
uma obra cil e desafiadora do que a
de Santos. Na verdade, pode-se caracterizar os vdeos desse
realizador mineiro como as experincias mais radicais e mais
isentas de concesso
videogrfica brasileira. Tanto no que diz respeito aos temas
abordados, quanto aos recursos estilsticos invocados, a obra
de Santos  de uma originalidade a toda prova e desafia
continuamente os nossos modelos convencionais de leitura. Dentre as
razes principais da dificuldade, podemos citar o fato de tais
obras serem constitudos,
interferrbios do aparato
tam mesmo os limites da
visualizao. Em muitas de suas
video-instalaes, Santos faz projetar imagens de
vdeo sobre paredes texturadas e rugosas, ou ainda sobre dunas
de areia ou cho irregular, de modo a perturbar a
inteligibilidade das imagens ou corromper a sua coerncia
figurativa. Na video-instalao The Desert in My Mind
(1992), por exemplo, os espectadores deviam caminhar sobre as
imagens, com toda a carga semntica desmistificadora que pode
existir no ato de pisar nas imagens. No satisfeito com isso,
Santos introduz ainda manchas de luz pulsantes sobre a
superfdos visuais simulando os
arranhsticos dos velhos filmes
cinematogrficos, compromete a estabilidade da imagem
atravncias sobre o sinal de controle
vertical ou atravmera "tremida", que lembra
os exercnuos dos amadores. Embora tudo isso
seja, na verdade, resultado de processamento da imagem em
sofisticadas m na
tela npticos que
normalmente se obts vezes, Santos
reprocessa inmeras vezes uma mesma imagem para que, ao longo
das sucessivas gerapias, o sinal
figurativo original obtido pela cmera entre em processo de
degenera que, pelo menos nos casos
limo ser
ps obras em que
essa postura existencial esto Vou
o (1990), Essa Coisa
Nervosa (1991) e Enredando a la Gente (1995) - uma
interfercnico
(wipes sucessivas e muito rpidas, simulando perda constante
do sincronismo vertical dos frames) faz com que as imagens oscilem
o tempo todo diante do olhar do espectador, tornando difcil -

em Poscatidevenum (1993), espetdia concebido
em conjunto com o msico Paulo Santos (do grupo Uakti) e para
o qual Santos concebeu as imagens projetadas e um vdeo de
documenta que se pode dizer isso de um
vdeo de Eder Santos), a imagem se reduz a puros grafismos
nervosos, riscos e manchas destitudos de qualquer homologia
com formas conhecidas do mundo visvel. Nesse trabalho, como
tambes mais recentes,
Santos opera como um Pollock da era eletrnica, fazendo uma
arte em que a imagem  mais um gesto iconizado do que o
vel em termos de
verossimilhano
tficas e
cinematogrmicas) produz
uma desconcertante variasticas,
no lugar da convencional e reconfortante homogeneidade da imagem
industrial a que estamos habituados. O resultado disso tudo 
o envolvimento do espectador numa situao de desconforto
visual e de dispepsia espectorial que ser fundamental para o
seu enfrentamento da temtica proposta. Compreende-se bem essa
fo ao
deos justamente a
perda de vitalidade das imagens, sua reduo a
clicho e, nessa
investida contra a atual degenerao das imagens, ele se
mostra implacvel como poucos. A trivialidade da vida
cotidiana, o comportamento estereotipado, o turismo de massa e a
futilidade dos carto materiais de que o
realizador lano para construir contra eles, mas a
partir deles, uma reflexvel sobre a
civiliza um antigo
vdeo de Santos que pode ser considerado o estopim dessa
atitude, digamos assim, desconstrutiva em relao aos
clichs do mundo das imagens: trata-se de A Europa em Cinco
Minutos (1986). A hist instrutiva.
Eder Santos foi procurado em sua produtora de vdeo, a
Emvdeo, por um senhor que queria transferir seus antigos
rolos de filmes Super-8 para vdeo. O contato com esse
material foi um choque to grande para Santos, que ele decidiu
fazer um vdeo a partir do material registrado em super-8,
vo cessa de repercurtir continuamente em
sua obra. Ocorre que o material trazido para transferncia era
constiturie de registros (editados
caticamente, sem qualquer ordem) de viagens de turismo, onde
no se via outra coisa que monumentos e logradouros
tes postais, tratados com uma leviandade e
uma superficialidade assustadores. Um "narrador" bombstico
comentava ligeiramente as imagens com uma sabedoria digna de
programas de audito
ficassem montonos", o superoitista amador realizava
movimentos vertiginosos, fazendo com que as paisagens
estereotipadas passassem como foguetes diante da cmera na
msito de Eder
Santos, de uma homogeneidade ou de uma unidade discursiva, h
em sua obra uma tendvoca de contrapor-se
ar fogo contra
um certo tratamento de superfcie que predomina na atual vaga
do udio-visual e de praticar, ao mesmo tempo, uma
esp citada
acima, v-se o tempo todo ecos d'A Europa em cinco Minutos:
fragmentos de cartes postais, lampejos de paisagens visitas
por olhos profanos, pedaos inarticulados de discursos. Ao
mesmo tempo, os depoimentos (n
exatamente; eles esto fora de qualquer contexto) apontam
insistentemente para as entrevistas da televiso e do
jornalismo cotidiano. Alio
esteja explicitamente nomeada nas obras, ela vida
o alvo principal da investida desses v
com a televiso e seu fluxo de imagens na maior parte das
vezes prom na
televismpeto, retomar uma
certa energia primordial, sufocada pelo trfico de lixo
comercial. Em Enredando a la Gente (caso tpico de
"cinevdeo", filme que utiliza fartamente recursos
eletrncia
metafes controladas pelas
imagens", que se deixam invadir por elas, contaminar-se por elas,
mobilizar-se por elas, como as religies lograram concretizar
ato
contrba (1993) mostra o ideal
que Santos busca incansavelmente: recuperar a energia primordial
das artes visuais, restabelecer o sentido e a fora das
imagens, que se teriam perdido no atual oceano de imagens
industriais. Inspirado remotamente num filme antigo e
mitolrio
Peixoto), Janas origens do
udio-visual, na tentativa de retomar valores que a
civilizao olvidou (cf. Machado, 1997b: 94-97). Outra
 a perspectiva do trabalho de Sandra Kogut, que parece
concentrar e exprimir as tendncias mais decisivamente
inovadoras da arte do vdeo, ao mesmo tempo em que radicaliza
o processo iniciado por Nam June Paik de eletrificao da
imagem e de desintegrao de toda e qualquer unidade ou
homogeneidade discursiva. A tltipla
que marca esse trabalho, em que texto, vozes, rudos e imagens
simultneas se combinam e se entrechocam para compor um tecido
de rara complexidade, constitui a prncia
estrutural daquilo que modernamente ns convecionamos chamar
de uma esto, do excesso (a
mo num
mm da instabilidade
(ausncia quase absoluta de qualquer integridade estrutural ou
de qualquer sistematizatica ou
estilvel reduzir a uma palavra o
projeto est pressuposto na obra
videogrfica de Sandra Kogut, podemos dizer que se trata de
uma procura sem trguas dessa multiplicidade que exprime o
modo de conhecimento do homem contempor
visto e representado como uma trama de relaes de uma
complexidade inextric
marcado pela presennea de elementos os mais
heterogneos e tudo isso ocorre num movimento vertiginoso, que
torna mutantes e escorregadios todos os eventos, todos os
contextos, todas as operaes. Veja-se o exemplo da
so e
processamento digital permitem jogar para dentro do quadro
televisual uma quantidade quase infinita de imagens (mais
exatamente, fragmentos de imagens), faz-las combinarem-se em
arranjos inesperados, para, logo em seguida, repensar e questionar
esses arranjos, redefinindo-os em novas combinaes. A
tcnica mais utilizada consiste em abrir "janelas" dentro do
quadro para nelas invocar novas imagens, de modo a tornar a tela um				</div>			</content>			<id>http://artemar2007.arteblog.com.br/37650/A-Chegada-do-Video-no-Brasil/</id>			<link href="http://artemar2007.arteblog.com.br/37650/A-Chegada-do-Video-no-Brasil/" />			<author>				<name>artemar2007</name>				<uri>http://artemar2007.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2007-12-19T22:24:03+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>PROV.PROJ19 016</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">								</div>			</content>			<id>http://artemar2007.arteblog.com.br/37645/PROV-PROJ19-016/</id>			<link href="http://artemar2007.arteblog.com.br/37645/PROV-PROJ19-016/" />			<author>				<name>artemar2007</name>				<uri>http://artemar2007.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2007-12-19T22:07:55+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Autores do Teatro Brasileiro</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				















<strong><span>NELSON
RODRIGUES</span></strong><span>Nelson
Rodrigues (1912-1980) modernizou o palco brasileiro com a autoria
da pea <em>Vestido de Noiva</em>, estreada em 1943. A
montagem do diretor polons Ziembinski e a cenografia do
pintor Santa Rosa foram fundamentais, tambm, para o processo
de modernizao.</span><span>Os trs
planos do texto - realidade, memo -
privilegiaram o subconsciente da herona, novidade num teatro
que ainda se movimentava na psicologia tradicional. A <em>Mulher
Sem Pecado</em> (1941), que lan estava
prestes a romper a censura do consciente. Se <em>Vestido de
Noiva</em> o exterior da mente da
protagonista, o mon 6</em> (1951)
incorpora o mundo exterior ao desempenho da herona, que
encarna em cena as personagens de seu convo ainda
exemplos de pem
Honesta</em> (1957) e <em>Anti-Nelson Rodrigues</em> (1973), mais
aparentadas objetivamente  biografia do
dramaturgo</span><span>s duas
primeiras obras psicolgicas sucedeu a fase que se poderia
denominar mtica, porque privilegia o inconsciente coletivo,
os arqutipos, os mitos ancestrais. Figuram nela
<em>o do
incesto num n <em>Anjo Negro</em> (1946),
abertura da ferida racial; <em>Senhora dos Afogados</em> (1947),
transposisquilo e
de <em>O Luto Assenta a Electra</em>, de O'Neill; e
<em>Dorotdia do pecado contra o
amor, transmitida por ves
femininas.</span><span>Esgotada a
incursxito popular
dos contos-cr...</em>,
publicados diariamente na imprensa, Nelson Rodrigues procedeu a uma
sticas,
ainda que as fronteiras das vrias fases nunca se mostrassem
muito nticos.
Surgiram, assim, as tragdias cariocas, bloco mais numeroso e
compacto da dramaturgia rodriguiana, formado por <em>A
Falecida</em> (1953), <em>Perdoa-me por me Trares</em>
(1957), <em>Os Sete Gatinhos</em> (1958), <em>Boca de Ouro</em>
(1959), <em>O Beijo no Asfalto</em> (1961), <em>Otto Lara
Resende</em> ou <em>Bonitinha, mas Ordinria</em> (1962),
<em>Toda Nudez Ser Castigada</em> (1965) e <em>A
Serpente</em> (1978).</span><span>Nas
tragdias cariocas fundem-se, em geral, a realidade,
freq Zona Norte do Rio, e o mundo
interior das personagens, com suas fantasias nutridas de mitos. O
prosasmo das vidas truncadas, maltratadas por um cotidiano
infeliz, se resgata pela presena sempre vigorosa da
transcendncia, dando ao destino humano um sentido
superior.</span><span></span><strong>
<span>DIAS
GOMES</span></strong><span>Na
seqcada de
cinqticos
ou, em
1960, no Teatro Brasileiro de Comde
So Paulo, <em>O Pagador de Promessas</em>, que tem como pano
de fundo o problema do sincretismo religioso. Z-do-Burro faz
uma promessa a Iansan e pretende pag-la no interior de uma
igreja de Santa B
sinlica. Mas o padre, movido por
intolergio,
provocando uma tragdia.<span>Para a
cria pareceu a
revela que Dias
Gomes, aos 15 anos, com <em>A Comdia dos Moralistas</em>,
jo Nacional de
Teatro, e, em 1943, assinou contrato de exclusividade com
Proco o maior ator
brasileiro. Dos cinco textos que escreveu naquele ano, o dramaturgo
teve trpio.</span><span>A partir de
<em>O Pagador</em>, que recebeu em 1962 a Palma de Ouro do Festival
de Cannes, na versfica, Dias Gomes
construiu uma das mais slidas e continuadas carreiras
dramattulos expressivos
so dos
Beatos</em>, <em>O Bem Amado</em>, <em>O Bero do
Herrito</em>, <em>Vargas - Dr.
Getria</em> (em parceria
com Ferreira Gullar) e <em>Amor em Campo Minado</em>.
<em>Campees do Mundo</em>, que estreou em 1980, teve uma
importrica fundamental: foi a primeira
petica brasileira,
desde o golpe militar de 1964 at a abertura de 1979, com
inteira liberdade, sem precisar recorrer a metforas e
aluses para iludir a Censura.</span><span>Em <em>Meu
Reino por um Cavalo</em>, estreada em 1989, Dias Gomes se desnuda
corajosamente, problematizando a crise da maturidade. So
numerosas, tambm, as telenovelas que ele escreveu, com grande
aceitao popular.</span><span></span><strong>
<span>ODUVALDO
VIANNA FILHO</span></strong><span> font-family: Verdana">
Em apenas 38 anos de vida, Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) deixou
obra considerlidas da moderna
dramaturgia brasileira. Desde a estria, em 1959, no Teatro
de Arena de So Paulo ajudando a consolidar a linha de
prestgio ao autor nacional, com <em>Chapetuba Futebol
Clube</em>, estritos: a sensibilidade,
a delicadeza, a finura psicollogo de bom
ngica na
anlise dos problemas sociais.</span><span>Por meio da
figura do anti-heri, ele pinta sucessivos conflitos
existenciais, em que impiedosa engrenagem acaba por sufocar o
indivmeno ocorre em <em>Corpo a Corpo</em> e
<em>A Longa Noite de Cristal</em>, bem como em <em>Moo em
Estado de So na Luva</em>, vindas a
po</em>,
assiste-se  dolorosa passagem do idealismo da juventude para
o realismo da maturidade, com seu squito de
frustrarios.
Biografia simb do intelectual, mas de
parcela pondervel dos profissionais
liberais.</span><span>J
<em>Mo na Luva</em> trata do relacionamento de um casal,
longe do amor piegas, inconsciente, alienado. A histria
sentimental inscreve-se, porm, no macrocosmo da vida
pblica dos protagonistas - sobretudo os problemas do homem
como jornalista, a luta para nes
de uma empresa desejosa de majorar as tarifas, a coerncia
profissional etc.</span><em><span>Papa
Highirte</span></em> <span>e <em>Rasga
Corao</em>, as duas obras-primas legadas por Vianinha,
foram premiadas em concursos promovidos pelo ento
Servio Nacional de Teatro e logo receberam o veto da Censura,
levantado depois da abertura poltica. <em>Papa Highirte</em>
fixa o ocaso de um ditador latino-americano, s voltas, no
exes e os fantasmas do passado. Por
mais que ele se veja como um homem bom, sua ao ou
omisstimas. E o texto se
constri em torno do ajuste de contas fatal, quando ele
cogitava do regresso ao seu Pas</span><em><span>Rasga
Corao</span></em><span>, cujo fim o
dramaturgo ditou no leito de morte, como um testamento espiritual,
realiza um painel social do Brasil nas quatro dcadas
anteriores, adotando a perspectiva de um militante annimo da
esquerda. Desfilam nos episa de
construs justo, ideal sempre frustrado
pelos sucessivos golpes da direita. E o conjunto se engrandece pela
majestosa arquitetura do texto.</span><span></span><strong>
<span>ARIANO
SUASSUNA</span></strong><span>Estreado no
Recife em 1956, o <em>Auto da Compadecida</em> viajou para o Rio de
Janeiro, consagrando Ariano Suassuna (n. 1927), de imediato, como
um dos mais importantes dramaturgos brasileiros. A obra continha um
achado que fundia duas tradi
nacionalidade: o teatro religioso medieval, que nutriu Gil Vicente,
fundador do palco portugu
de Anchieta, que inaugurou a cena brasileira; e o populrio
nordestino, de riqueza incomparvel nas personagens e
situaes.</span><span>Acreditava o
dramaturgo paraibano que se vivia, entpoca
elisabetana - "estamos num tempo semelhante ao que produziu
Molire, Gil Vicente, Shakespeare etc." Com verve
admirneo ao elaborado, o popular
ao erudito, a linguagem comum ao estilo terso, o regional ao
universal. A religiosidade autntica de <em>A Compadecida</em>
alimenta-se do melhor sentido que possa ter a palavra
misericncia voltada contra o
preconceito, ao criar um Cristo negro.</span><em><span>O Arco
Desolado</span></em> <span>baseou-se na
mesma lenda de <em>A Vida n de la
Barca. O <em>Auto de Joo da Cruz</em> dramatiza uma aventura
faustiana. E <em>O Santo e a Porca</em>, verso brasileira do
tema do avarento, inspira-se na <em>Aulularia (Comdia da
Panela)</em>, de Plauto, e no <em>L'Avare</em>, de Molire,
tornando-se uma moralidade ao sabor do Nordeste.</span><span>A Pena e a
Lei talvez seja a obra mais ambiciosa de Suassuna, na medida em que
ntese de contos populares e de exigente
inspirao erudita, <em>Commedia dell'Arte</em> e auto
sacramental, stira de costumes e arguta mensagem
teolo de
alcance geno para
regisica - enfim uma
verdadeira smula do teatro.</span><span>De volta
agora ao palco, depois de longo intervalo romanesco, Ariano
Suassuna tem muito a oferecer, ainda,  arte
brasileira.</span><span></span><strong>
<span>AUGUSTO
BOAL</span></strong><span>Augusto Boal
(n. 1931) tem expressiva obra de dramaturgo alm de ser
conhecido internacionalmente, com tradues em mais de
vinte lnguas, de suas teorias acerca do Teatro do
Oprimido.</span><span>Depois de
cursar dramaturgia, nos Estados Unidos, com John Gassner, Boal
passou a dirigir no Teatro de Arena de So Paulo onde
houve a estra
<em>Revolurica do Sul</em>, protagonizada
pelo homem do povo Jostima de todas as
exploraes da classe dominante. Com verve
extraordinpico, a farsa deslavada
e o quase riso circense, as situaam poder
corrosivo incomum.</span><span>Desferido o
golpe militar de 1964, Boal, de parceria com Gianfrancesco
Guarnieri, que inaugurou com <em>Eles No Usam Black-tie</em>
a linha nacionalista do Arena, lanou <em>Arena Conta
Zumbi</em> e mais tarde <em>Arena Conta Tiradentes</em>, utilizando
dois herricos, sacrificados na luta pela
liberdade, como meto do momento.
Outro texto representativo de Boal  Murro em Ponta de Faca,
dramatizalio, que se seguiu
 tortura.</span><span>Vrios
livros do conta do Teatro do Oprimido, assinalando-se os mais
recentes <em>Stop: C'est Magique</em> e <em>O Arco-ris do
Desejo (Mtodo Boal de Teatro e Terapia)</em>. A melhor
definio para ele "seria a de que se trata do teatro das
classes oprimidas e de todos os oprimidos, mesmo no interior dessas
classes". As t-lo compreendem o
teatro invisvel, o teatro-imagem e o teatro-foro, e visam a
transformar o espectador em protagonista da ao
dramo,
ajudar o espectador a preparar aes reais que o conduzam
o".</span><span>Em
<em>Teatro Legislativo</em>, livro no qual o dramaturgo e
ensancia como vereador do Rio
de Janeiro, encerrada em 1996, o espectador convertido em ator
busca um novo esto se transforma em
legislador</span><strong><span>O TEATRO DE
ARENA</span></strong><strong><span> font-family: Verdana">
A principal caracterstica do Teatro de Arena, fundado em
S Renato -
egresso, como outros, da Escola de Arte Dramtica -, foi a de
nacionalizar o palco brasileiro, a partir da estria de
<em>Eles No Usam Black-tie</em>, de Gianfrancesco Guarnieri,
em 1958.</span><span>No
inrica do Sul a
utilizar a cena circular envolvida pelo pblico, visava
sobretudo culo, adotando as mesmas
premissas estticas do Teatro Brasileiro de
Comrio.
Sem a necessidade de cenrios, atuando em locais improvisados,
o grupo podia abolir muitas despesas.<span>Mesmo assim,
tendo inaugurado em 1955 a sala da rua Theodoro Bayma, o Arena, em
difo financeira, preferiu fechar as
portas com uma perio do
Teatro Paulista do Estudante, ao qual se uniu para formar-se o
Elenco Estvel: Gianfrancesco Guarnieri. <em>Black-tie</em>
n se constituiu um grande sucesso de mais de um ano
em cartaz, como iniciou a linha de prestgio da dramaturgia
brasileira, continuada por <em>Chapetuba Futebol Clube</em>, de
Oduvaldo Vianna Filho <em>Revoluo na
Amrica do Sul</em>, de Augusto Boal e outros textos,
aprovados no Seminrio de Dramaturgia que ali se
criou.</span><span>O Arena, com
a colaborao de Augusto Boal, conhecedor das
experincias do Actors'Studio, nos Estados Unidos, empenhou-se
tambm na procura de um estilo brasileiro de
encenao e de desempenho. A seguir, promoveu a
nacionalizassicos. Veio depois a fase dos
musicais, expressa por Arena Conta Zumbi</span> e
<em>Arena Conta Tiradentes</em>, de Guarnieri e Boal. Com o Sistema
Curinga, apico de
Brecht.<span>A
represso violenta da ditadura, principalmente com o Ato
Institucional n 5, de 1968, ainda permitiu a Augusto Boal
fazer a experincia do <em>Teatro Jornal</em>, primeiro passo
de seu Teatro do Oprimido, que se desenvolveu no exterior nas
formas do Teatro Invisvel e do Teatro-Foro. Mas seu
ex afastados outros valores do grupo,
interrompeu a grande trajetria do Teatro de
Arena.</span><strong><span></span></strong>







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