<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA["Um país é feito de homens e de livros" MONTEIRO LOBATO]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2010-03-15T14:54:23+01:00</updated>		<entry>			<title>VACA NOVA</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Maníaca por filmes, hoje comecei a
recordar de um dos meus filmes preferidos, <em>Alguém como
você,</em> claro que ele não chega nem perto da minha preferida
Bridget, mas é um dos filmes de que mais gosto.</p>
<p>Neste filme a protagonista vive uma
desilusão amorosa e começa a estudar a teoria da vaca nova, para
encontrar uma justificativa. A Teoria da Vaca Nova nasceu de um
coração partido. Surgiu a partir da analogia entre o comportamento
masculino e um estudo sobre as preferências do acasalamento dos
bois. Primeiro davam ao boi uma vaca. Acasalavam. No dia seguinte,
davam a mesma vaca ao boi. O boi já não estava interessado. Queria
uma Vaca Nova e esta já estava "pra lá" de velha. Para tentar
enganar o boi, os cientistas recorreram a um truque: besuntaram a
Vaca Velha com o cheiro da Vaca Nova. Mas o boi não era bobo -
sabia que aquela era a Vaca Velha. A partir daí, o boi só se
interessaria por uma Vaca Nova - nasce um ciclo.</p>
<p>Isso me faz pensar, por que somos
boas em tantas coisas e não conseguimos satisfazer totalmente os
homens? Por que conseguimos ficar com alguém e dar exclusividade
sem ser pedida, isso por que quando estamos com alguém de quem
estamos curtindo mesmo, não temos vontade de ficar com outro. Por
que mesmo sendo amiga da pessoa, sendo legal, se dando tão bem com
os amigos dela, fazendo de tudo para agradar, sendo quem sabe até
mesmo perfeita, não conseguimos que eles nos valorizem
totalmente.</p>
<p>O que é preciso para que apenas nós
bastemos para eles?</p>
				</div>			</content>			<id>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/264891/VACA-NOVA/</id>			<link href="http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/264891/VACA-NOVA/" />			<author>				<name>aneliseespindolaescritora</name>				<uri>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2010-03-15T14:53:20+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>A CHUVA</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Coisa estranha é essa ligação que
temos com a chuva. a capacidade que ela tem de modificar nossas
sensações é algo sem explicação científica, mas mais do que
comprovado. Naqueles dias de desânimo, sensações ruins e tristezas,
olho para o céu na expectativa de que as núvens cheguem carregadas
da minha fórmula mágica, ingetando diretamente em minha veia a
disposição de que necessito.</p>
<p>Quando os primeiros pingos da chuva
batem em mim, sinto um forte arrepio e é como se um processo
revitalizante se iniciasse. A chuva que desce me lava o corpo e a
alma, purifica minha mente, carrega as más vibrações para
longe.</p>
<p>Mas esse vazio que sinto, nem mesmo
a chuva é capaz de levar embora. O que me faz lembrar de um conto
da Clarice Lispector, <em>Tanta Mansidão,</em> e desejar um dia
estar pronta para finalmente descobrir o verdadeiro sentido desse
conto.</p>
<p><em>Pois a hora escura, talvez a
mais escura, em pleno dia, precedeu essa coisa que não quero sequer
tentar definir é uma luz tranqüila dentro de mim, e a ela chamariam
de alegria, alegria mansa. Estou um pouco desnorteada</em> <em>como
se um coração me tivesse sido tirado, e em lugar dele estivesse
agora á súbita ausência, uma ausência quase palpável do que era
antes um órgão banhado da escuridão da dor. Não estou sentindo
nada. Mas é o contrário de um torpor. É um modo mais leve e mais
silencioso de existir.</em></p>
<p><em>Mas estou também inquieta. Eu
estava organizada para me consolar de angústia e da dor.Mas como é
que me arrumo com essa simples e tranqüila alegria. É que não estou
habituada a não precisar do meu próprio consolo. A palavra consolo
aconteceu sem eu sentir, e eu não notei, e quando fui procurá-la,
ele já havia se transformado em carne e espírito, já não existia
mais como pensamento.</em></p>
<p><em>Vou então à janela, está
chovendo muito. Por hábito estou procurando na chuva o que em outro
momento me servia de consolo. Mas não tenho a dor a consolar. Ah,
eu sei, Estou agora procurando na chuva uma alegria tão grande que
se torne aguda, e que me ponha em contato com uma agudez que se
pareça a agudez da dor. Mas é inútil a procura. estou à janela e só
acontece isso: vejo com olhos benéficos a chuva, e a chuva me vê de
acordo comigo. Estamos ocupadas ambas em fluir. Quanto durará esse
meu estado? Perbebo que, com esta pergunta, estou apalpando meu
pulso para sentir onde estará o latejar dolorido de antes. E vejo
que não há o latejar da dor.</em></p>
<p><em>Apenas isso: chove e
estou vendo a chuva. Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e
eu chegássemos a esse ponto de trigo. A chuva cai não porque está
precisando de mim, e eu olho a chuva não porque preciso dela. Mas
nós estamos tão juntas como a água da chuva está ligada à chuva. E
eu não estou agradecendo nada. A chuva também não agradece nada.
Não sou uma coisa que agradece ter se transformado em outra. Sou
uma mulher, sou uma pessoa, sou uma atenção, sou um corpo olhando
pela janela. Assim como a chuva não é grata por não ser pedra. Ela
é uma chuva. Talvez seja isso ao que se poderia chamar de estar
vivo. Não mais que isto, mas isto: vivo. e apenas vivo de uma
alegria mansa.</em></p>
<p>Vejo com olhos benéficos a chuva, e
a chuva me vê de acordo comigo. Queria eu conseguir desvendar seus
mistérios. Enquanto isso, sigo com meus temores, aguardando que ela
chegue repentina, capaz de mudar meu dia.</p>
				</div>			</content>			<id>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/264050/A-CHUVA/</id>			<link href="http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/264050/A-CHUVA/" />			<author>				<name>aneliseespindolaescritora</name>				<uri>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2010-03-15T14:53:47+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>AMORES ETERNOS</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span><span></span> Ah! Quantas vezes
ouço as pessoas dizerem esse é o amor da minha vida, vamos
ficar juntos para sempre, e quantas vezes esses amores
eternos duram semanas, meses e raramente anos. Mas então me
questiono, existiria realmente o tal grande amor, amor verdadeiro
ou simplismente amor?</span></p>
<p><span><span></span> Amor é o que sinto
por meus pais, irmãos, amigos, é o carinho que sentimos, a vontade
de estar perto, de compartilhar momentos. Quando vejo casais
fazendo juras de amor é inevitável não pensar até quando isso irá
durar. Então, ao término dos relacionamentos, aqueles que afirmavam
amar para o resto da vida, amar mais do que os amigos amavam,
muitas vezes amar mais do que os próprios pais, esses somem, em
algumas situações sem deixar rastros, em outras quebrando os pratos
e deixando ódio e decepção sulficiente para o resto da
vida.</span></p>
<p><span><span></span> O amor dos pais é
divisível, podemos amar quantos amigos tivermos, a eles devemos
lealdade e não fidelidade, então por que somos hipócritas ao
acreditar que é possível permanecer fiel a alguém pelo resto de
nossas vidas? Como evitar sentir desejo por outra
pessoa?</span></p>
<p><span><span></span> Quem sabe em algum
momento da minha vida eu vá acreditar na veracidade dos
relacionamentos, mas a cada dia que passa pareço estar mais
distante. Para mim a felicidade é poder estudar o que mais amo e no
que mais acredito, é ter alguém que satisfaça meus desejos, poder
estar sempre com meus amigos e principalmente jamais me desviar dos
meus objetivos.</span></p>
<p><span><span></span> E o amor? Esse eu
divido com todos aqueles em que confio, aqueles em que posso ver
sinceridade nos olhos e que sei que amanhã não irão me deixar para
trás dizendo que não dá mais certo.</span></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/257355/AMORES-ETERNOS/</id>			<link href="http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/257355/AMORES-ETERNOS/" />			<author>				<name>aneliseespindolaescritora</name>				<uri>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2010-03-15T14:54:23+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>2° LUGAR EM CONCURSO LITERÁRIO</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Peço desculpa por estar um pouco
afastada do blog.</p>
<p>Bom, para atualizar estou trazendo
um conto que inscrevi em um concurso literário do meu curso de
letras do Unilasalle.</p>
<p>Acima estou recebendo a premiação
de segundo lugar.</p>
<p></p>
<p></p>
<p>Caso queiram ler os outros textos
vencedores e ver mais algumas fotos do evento, aqui vai o
linck:</p>
<p>
http://www.unilasalle.edu.br/canoas/pagina.php?id=2059</p>
<p></p>
<div>A furna
encantada</div>
<p>
 Dizem os antigos que, há muito tempo atrás, andava
Bento Emelino a galopar seu crioulo em meio às terras do Jarau.
Isso era mania do gaudério, sentir o vento atropelar sua fronte,
donde provava a si mesmo a liberdade de se guiar um cavalo e seus
arreios por entre os campos da estância. Quando ficava solito com
seu animal, tinha certeza de que era livre.
 Pois bem, antes mesmo
de Emelino nascer, contavam histórias a respeito de tais terras,
coisa de gente do campo, mania de se juntar frente a uma fogueira
ou no galpão e contar causos ouvidos por outros, donde se
espalhavam de gente em gente, cada vez ganhando mais
mistério. Era Emelino homem de prosear com todos, portanto, também
já havia conhecido o causo que hei de retratar ao meu caro ginete
que está a me acompanhar nesta curta prosa.
 "Eu sei uma, não é
aquela do monstro Labatut? Todas as noites percorre as cidades,
para saciar a fome, porque ele vive eternamente esfaimado. Anda
descalço, os pés são redondos, as mãos cumpridas, os cabelos longos
e assanhados, corpo cabeludo, só tem um olho na testa e os dentes
são como as presas do elefante.
 Ele gosta muito mais
de guris, porque são menos duros que os velhos! Ao sair da lua,
entra pelas ruas num trote, pairando às portas para ouvir quem fala
alto e devorar."
 Para com isso, piá, o
que dizes é lenda do Ceará, coisa que inventada pra botar medo em
piá atrevido.
 ... Foi Maria quem contou à
sobrinha de sua comadre, o acontecido com o rapaz que vira de
relance algumas vezes, passando a cavalo pelos campos. A sobrinha,
ao chegar em casa, teve de comentar o causo com o esposo e mais
alguns peões que o acompanhavam no churrasco, um desses, quando
participava de uma prosa com gente da campanha em volta da fogueira
citou o tal acontecido, mas aí já não se sabia de onde havia
começado, o que se sabia é que esta história ainda tinha muito o
que rodar.
 Nesse digo não digo
hei de começar. Era fato dito por todos como real que há muito
tempo um sacristão, no Povo de Santo Tomé, ao ir beber água
deparou-se com a própria Teiniaguá, também conhecida por muitos
como princesa moura.
 "Água! Então essa não
é aquela história de um tal boto que, ao anoitecer, virava
homem pra enrabichar e emprenhar as gurias?"
 Boto? O que lhe digo é
lenda do rincão, se existiu tal boto foi lá pros lados do Amazonas.
Sedutor e fecundador, conta-se que o boto sente o odor feminino a
grandes distâncias, virando as canoas em que viajam as prendas.
Isso sempre à noite, e para evitar o bichano, deve-se esfregar alho
na canoa, nos portos e nos lugares que ele goste de parar.
 Voltando à Teiniaguá,
diziam essa ter parte com o Diabo. O sacristão, ao se enrabichar
pela bichana acabou condenado, sendo salvo por sua chinoca.
Procuraram um lugar afastado onde os dois enamorados pudessem viver
em paz. Assim, foram parar no Cerro do Jarau, no Quaraí, onde
descobriram uma caverna muito funda e comprida. E lá foram morar,
os dois.
 "Caverna! Conheço uma
história com caverna. Ou era gruta? A guria chorava de amor e de
tantas lágrimas criava uma fonte."
 Gruta dos amores, não,
não é este o causo. Essa tal gruta é coisa da Ilha de Paquetá. No
Cerro do Jarau era uma furna, uma caverna na rocha.
 Emelino soubera o que
acontecera com Blau Nunes, o gaúcho que atravessara o pampa
rio-grandense vivendo a terra gaudéria em prosa, sobre as sete
provas que realizara e o presente ganho. Mas era tranquilo como
capincho em taipa de açude e parado que nem água de poço. Foi-se
embora desbravar os pampas, lá pela região do cerro.
 A La pucha
tchê! O que se sucedeu, então, foi que Emelino encontrou com a tal
moura, não se sabe bem se a mesma, ou quem sabe outra, mas o fato
mesmo é que o gaudério que, desde piazito, pensava que era feio e
rejeitado, depois de ajudar a Teiniaguá, foi surpreendido por uma
oferta, a bichana realizaria seu pedido.
 Então foi que Emelino
não pensou duas vezes, desembuchou de vez que queria ser guapo,
cuiúdo, macanudo e fazer sucesso com as raparigas. Teiniaguá mais
do que na hora lançou nele seu poder. Lá se foi Emelino nos
trinques desfrutar seu presente. Se em cavalo dado não se olha os
dentes, quem dirá em pelagem nova e sucesso garantido. Tinha lá
seus dezessete anos ainda, mas desde então, fez sucesso com as
chinocas. Todas comentavam sua formosura e ninguém questionava de
onde saíra.
 Manuela o conhecia de
piazito, assustou-se com a mudança, isso era visto e lamentou não
ter se antecipado. Acontece que, na infância, Emelino gostava da
tal Manuella, mas sendo ela mais velha, não tencionava gostar dele,
só que Emelino sempre foi buenacho e baita prosador, disso Manuella
sempre gostou. No entanto muito judiou do coitado, enquanto piá.
Deus não mata mas castiga e, antes que Manuela se desse por
conta, estava enamorada dele, entretanto Emelino já havia tropeçado
na moura e se transformado. Nada manuella podia fazer para provar
que não era a beleza do gaudério que a deixou interessada, nada
para ele provaria que, mesmo sem a transformação, ela pudesse
sentir um cambicho por ele. Nem ela mesma podia ter esta
certeza.
 O vivente era um tanto
xucro e não se domava muito fácil, se envolveu um pouco com
Manuella, mas nada que o prendesse. Sempre rodeado de chinocas,
todas guapas a xereteá-lo, era bagual e a pobre tinha mais que se
contentar que, mesmo com tantas, ele ainda lhe mantinha algum
apreço. Mas a rapariga não se conformava, desde piazito, ele
admirava sua formosura, nada era mais justo do que pertencer ao
gaúcho.
 - Se na furna, Emelino
encontrou ajuda, por supuesto, irei achar.
 Enfezada com a
Teiniaguá, montou em seu cavalo, cravou-lhe a espora e troteou para
o lado do Cerro do Jarau, seguindo a trilha que muitas patas de
cavalo já haviam seguido há gerações. Tentando ir ao encontro do
auxílio que tencionava receber. procurando também ela fazer um
acordo com a bichana. "Fostes das moças a mais corajosa, prenda
formosa que em minha furna adentra. Minha história terás de ouvir,
para em seguida meu coração te abrir. Vejo em ti o que jamais
encontrei. Buscas amparo e eu te darei."
 Foi Rosália quem
contou à prima de seu esposo, o acontecido com a guria que vira de
relance, algumas vezes, passando a cavalo pelos campos. A prima, ao
chegar em casa, teve de comentar o causo com o esposo, que, no dia
seguinte, contou aos peões.
 Dizia a história que
Manuella fora vista adentrando a furna do Cerro do jarau, cerro
cheio de histórias e mistérios. o que procurava, não se sabe, mas
manuella era moça formosa que jamais havia namorado, quem sabe, a
busca que fazia era pelo socorro da princesa moura, tentando
arranjar marido. No interior, as prendas não se importam com outra
coisa a não ser o casamento. Mas se era esse o seu pedido ninguém
sabe, o que se sabe é que depois que saiu de lá, percorreu o rincão
a galope, solita, a la cria, sem jamais criar raízes em nenhuma
estância. O que ouvi dizer é que depois que voltou muitos haviam
sentido sua falta. Parece que por fim se casou, ou não? Já não
recordo detalhes. O que sei é que dizem que a furna é
encantada...

<span>Anelise
Espíndola</span></p>
				</div>			</content>			<id>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/236020/2-LUGAR-EM-CONCURSO-LITER-RIO/</id>			<link href="http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/236020/2-LUGAR-EM-CONCURSO-LITER-RIO/" />			<author>				<name>aneliseespindolaescritora</name>				<uri>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-12-03T15:00:03+01:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>ROTINA</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>
Todos os dias
meu celular desperta às seis horas da manhã, todos os dias
eu acordo e reajusto para às seis e meia, todos os dias ele
desperta às
seis e meia e eu troco para às seis e quarenta. Todos os dias pulo
da
cama às seis e quarenta ligo a chapinha e coloco meu uniforme,
primeiro
a calça, depois a blusa e o casaco. Vestida, começo o ritual
da
maquiagem, primeiro o lápis marrom na sobrancelha (que a cada dia
está
perdendo mais fios), passo o panqueique e em seguida um pouco de
blush,
delineador e lápis nos olhos. Por fim, arrumo o cabelo e saio às
sete e
vinte e oito de casa. Quando bato o cadeado do portão enxergo o
ônibus
integração passando na esquina. Chego na esquina e dobro para ir
em
direção à parada, dou uma olhada na minha imagem refletida em um
vidro
de caixa de luz, consigo avistar o velho senhor esperando o mesmo
ônibus
que eu com o mesmo blusão azul escuro todos os dias (ufa, isso
quer
dizer que não perdi o ônibus). No ônibus, sento o mais próximo
possível
da moça que desce quatro paradas após eu subir, assim garantindo
que
metade do caminho poderei ir sentada. Desço e encaro mais um dia
no
trabalho como todos os outros.</p>
<p>
Em alguns
dias tenho aula, em outros não, mas os dias transcorrem
aparentemente iguais. Hoje minha irmã me dá a notícia de que a
prima de
dezessete anos está grávida de gêmeos, paro um instante e penso,
tantos
amigos, tantos parentes, casando, tendo filhos, se mudando, parece
que
tudo muda na vida de todos e para mim é como se o tempo não
passasse. À
noite deito, como todos os dias vou ler, leio até o sono chegar,
coloco
o despertador para às seis horas da manhã com intenção de levantar
e
quem sabe poder tomar um banho. Todos os dias o celular desperta às
seis
horas da manhã...</p>
				</div>			</content>			<id>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/211162/ROTINA/</id>			<link href="http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br/211162/ROTINA/" />			<author>				<name>aneliseespindolaescritora</name>				<uri>http://aneliseespindolaescritora.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2009-10-09T15:14:29+02:00</updated>		</entry></feed>