<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://alexandrehreis.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://alexandrehreis.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[Alexandre H. Reis - Visões sobre o mundo]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://alexandrehreis.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2008-04-18T20:08:08+02:00</updated>		<entry>			<title>RESPOSTA À CRÍTICA DO LIVRO VITA</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><span>Recebi um belissimo presente no inicio deste ano,
pena que somente agora pude realmente interromper minha jornada de
trabalho, respirar, e apreciar o presente. Trata-se de uma
critica do livro <em><span>Vita - breves
pensamentos sobre a vida e a morte,</span></em> que lancei no final
do ano passado, escrita pelo Lucio Emilio em seu
riquissimo blog Penetralia. O artigo e, em
verdade, um convite ao debate, com elogios dos quais no sou
merecedor, e criticas que so bem-vindas por provocar
o dialogo que move e faz renascer o espirito
filosofico.</span></p>
<p><span></span></p>
<p>
<span>No me surpreende que minha primeira
critica tenha comparado meu livro com o estilo de Nietzsche
e que tenha respirado ali um ar pro-vindo do seculo
XIX. Talvez este seja o seculo do qual mais me influencio,
com o qual mais dialogo. A provocao da clonagem do
estilo e bem humorada, bem informada, e alimenta uma boa
discusso imensamente ao Lucio por
isso. Eu diria, no entanto, que Nietzsche no e a
unica influencia na parte estrutural de meu livro.
Incluiria ai um Schopenhauer, um La Rochefoucauld, um
Pascal, um La Bruyere, talvez Heraclito e ate
mesmo o impressionante Anibal Machado. Mas, digamos, meus
escritores prediletos no escreveram apenas aforismos, nos
legando um estilo que muitas vezes se apresenta ou experimenta
outras tantas formas de expresso.</span></p>
<p>
<span></span></p>
<p><span>O estilo aforismatico no foi escolhido
devido a leitura desses grandes mestres da pena, mas sim
pelo objeto do qual se escolheu tratar. Sempre me pareceu um
contra-senso falar sobre a morte. Mas, digamos, esse problema
no me deixou em paz um minuto sequer em minha
formao cabe aqui, nem
mesmo cabe em mim, fazer uma auto-biografia, mas, digamos, esse
e um problema que sempre habitou minha casa. Talvez eu tenha
escolhido a filosofia, na insensatez da adolescencia, apenas
para lidar com o problema da morte. Talvez esta seja uma verdade
para a qual ainda no abri os olhos. E talvez a morte tenha
me conduzido ao contra-senso de no me calar diante dela,
que insistiu em bater a porta de minha casa por tres
vezes. No e o lugar nem a idade para uma
autobiografia. Quero apenas com isso dizer que o tema no
foi "escolhido" propriamente, mas talvez imposto pelas
terriveis e admiraveis Eurineas, e o aforismo
me pareceu ser o estilo mais apropriado pela recusa da linguagem
conceitual ou sistematica, uma vez que entendo que a
complexidade do tema no cabe nas roupagens de um
conceito.</span></p>
<p><span></span></p>
<p><span>Meu carissimo Lucio Emilio pode aqui
me dizer, e com razo, que essa tese e propriamente
nietzscheana, uma vez que a preocupao com o modo de
expresso esteve presente em toda a obra do filho do pastor
alemo. Nietzsche teria escolhido o aforismo, por exemplo,
em <em>Humano, demasiado humano,</em> numa tentativa de romper com
a tradio filosofica mais sistematica
e conceitual. Isso se recusarmos a tese de Eugen Fink que nos diz
que ele so escreveu aforismos por que no tinha
saude para elaborar um texto de folego, devido
as constantes crises de cefaleia causadas por sua
doeno me parece, contudo,
que a originalidade seja algo possivel ou mesmo
desejavel. O nietzscheano Heidegger nos legou um aforismo
que carrego comigo, como se este aforismo revelasse para mim uma
verdade na qual teimo em acreditar: Danken ist denken! Pensar
e agradecer! E com isso entendo que qualquer
consciencia filosofica no surge do nada,
no surge sem um dialogo com os grandes mestres e com
os amigos, que sempre proporcionam a arte de pensar. E aqui
fao um agradecimento publico ao meu grande amigo
Ramon Maia e ao brilhante (o blog Penetralia justifica o
adjetivo) Lucio Emilio. O primeiro encorajou-me ao
debate, ao aceitar publicar meu livrinho; o segundo deu-a honra do
debate.</span></p>
<p><span></span></p>
<p><span>Gostaria de fazer uma defesa do meu infortunado aforismo
144. Para tanto, cito o texto do Lucio que ja traz o
pobre fragmento:</span></p>
<p><span></span></p>
<p>
<em><span>O outro ponto problematico
foram alguns elogios a Hitler no aforisma numero
144:</span></em></p>
<p>
<em><span>Comercio exterior. A Alemanha teve
o seu Fuhrer na desastrosa figura de Hitler, que era astuto,
relativamente inteligente, mas no auto-suficiente: os
Estados Unidos souberam tirar proveito deste fato, aumentando seu
poder economico sob as mascaras de sua propaganda
anti-hitlerista e emprestando suas admiraveis maquininhas
para a contabilidade e reconhecimento dos judeus (REIS, 2007, p.
79).</span></em></p>
<p>
<em><span></span></em></p>
<p>
<em><span>Penso que Hitler foi notavel
unicamente em seu uso da razo instrumental, pois conseguiu
controlar os impulsos de sua natureza para a
destruio durante relativamente muito tempo, o tempo
de sua carreira politica: pior para a Alemanha. No fim das
contas, fez com a Europa o que fez com sua prima Geli Raubal, quem
sabe seu unico amor heterossexual: levou-a ao
suicidio. A Europa Unida deve a ele sua fraqueza, sua
dependencia em relao aos Estados
Unidos.</span></em></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<span><span></span>
Aqui podemos ver a riqueza do estilo aforismatico: ele pode
ser lido de diversas perspectivas, no apenas de uma. Por
isso tal estilo foi escolhido para se falar da vida e da morte.
O sentido se constroi pelo leitor, dizia-me
meu grande amigo e editor, Ramon Maia. E este sentido, o que
ve no aforismo 144 elogios a Hitler, foi criado pela
critica do Lucio. Vejamos se consigo contrapor a esse
olhar um outro possivel. <em>Comercio exterior</em>.
Assim se intitula o aforismo, dizendo em seguida que Hitler foi
astuto, a qualidade da raposa elogiada pelo divino
Maquiavel, relativamente inteligente, o que
no me parece propriamente elogioso e, finalmente,
no auto-suficiente, o que leva as
afirmaes seguintes no aforismo. Mas, de quais
afirmaes se trata? O aforismo apenas aponta,
parecendo ocultar alguma
informao.</span></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<span><span></span>
Sabemos hoje que, sobretudo com as afirmaes de
Edwin Black, que o Holocausto so foi possivel,
inteiramente, pela tecnologia criada por uma empresa americana, a
IBM, que criou um sistema de cartes perfurados (que
nos chamamos de Hollerith aqui no Brasil),
usados pelo nazismo no reconhecimento e contabilidade dos judeus. O
carto continha o nome, o numero da pessoa e um
carimbo. E possivel ver um destes cartes em
um museu do Holocausto, em Washington. Os cartes
possuiam de vinte a oitenta colunas em dez ou mais linhas,
que possibilitavam uma grande diversidade de
configuraes. Para que serviam estes
cartes? Para o senso racial, classificando cada
alemo,
religio, cor, local do trabalho, avos,
bisavos, etc. Enfim, o sistema desenvolvido pela IBM e
vendido aos alemes possibilitou o reconhecimento de 6
milhes de judeus, aproximadamente. Sabemos hoje que a IBM
tinha exclusividade a da produo e
comercializao quando da
maquina que fazia operar o carto. Sem esta
maquina, o numero de judeus reconhecidos no
passaria de 500 mil. <span></span></span></p>
<p>
<span><span></span>
Assim, o aforismo, de forma a deixar para o leitor a possibilidade
do sentido, provoca o olhar sob diversos angulos. Mas,
por que no se informou no livro <em>Vita</em>, o que foi
dito acima? Por aqui, meus caros, o texto assumiria um
estilo jornalistico ou denunciativo, o que no
e nem um pouco defendido por mim, em se tratando de um livro
de aforismos. Espero que com isso eu tenha esclarecido o
angulo com o qual olho o meu proprio aforismo,
convencido de que no admiro Hitler, nem mesmo pela
arquitetura (no sentido literal) criada pelo odor cadaverico
de sua vontade de dominao. O Holocausto e um
dos momentos mais incompreensiveis de nossa historia,
uma loucura coletiva para a qual ate mesmo a
inteligencia de Heidegger se manteve cego, no periodo
em que foi reitor da universidade de
Berlim.</span></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<span><span></span>
No mais, acredito no velho ditado, que diz que o advogado
que faz sua propria defesa tem por cliente um idiota.
E ca estou eu, me defendendo uma interpretao
possivel. Mas, digamos, no e pela defesa que
estou a escrever estas linhas, e sim para agradecer, embora
tardiamente, a critica ou homenagem que o Lucio
Emilio fez ao meu livro, cumprindo com um dos mais
importantes mandamentos da vida colorida pela literatura ou pela
filosofia. A critica, dizia meu velho professor e mestre
Jose Henrique Santos, no e apanagio de
inimigos, mas e, antes de tudo, um dos deveres da
amizade.</span></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<span><span></span>
O blog Penetralia:</span> <span>http://penetralia-penetralia.blogspot.com/</span></p>
<p>
<span></span></p>
<p>
<span><span></span>
A critica do Lucio:</span></p>
<p>
<span><span></span>
http://penetralia-penetralia.blogspot.com/2007/12/clone-se-si-mesmo-ou-breves-consideraes.html</span></p>
<p>
</p>
<p>
<span><span></span>
Sobre Edwin Black e as relaes entre a IBM, O
governo americano e o Holocausto,
ver</span> <span>http://www.edwinblack.com/</span></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://alexandrehreis.arteblog.com.br/57761/RESPOSTA-A-CRITICA-DO-LIVRO-VITA/</id>			<link href="http://alexandrehreis.arteblog.com.br/57761/RESPOSTA-A-CRITICA-DO-LIVRO-VITA/" />			<author>				<name>alexandrehreis</name>				<uri>http://alexandrehreis.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-04-16T01:50:48+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Sobre nossas vidas contemporâneas</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>Creio que este pequeno paragrafo do meu mestre da
o que pensar sobre as nossas vidas contemporaneas:</p>
<p></p>
<p>No mundo administrado, ate mesmo as igrejas
aprenderam a cobrar ingressos, sem os quais no se abrem as
portas das salas interiores. Na falta de utopias
disponiveis, sempre e melhor crer em algo, nem que
seja no diabo, e fechar o corpo com o exorcismo adequado; como
tambem e bom ler o horoscopo antes de sair e
precaver-se de todos os males. Chega a ser conveniente renovar a
cada semana a carga de fervor que os dizimos e os exorcismos
propiciam, para que os bens de consumo caiam sobre nossas
cabeas
alcanes
importam, parece de bom aviso evitar toda questo
inquietante 
que suscita mais duvidas do que certeza. A cada dia basta
seu cuidado.</p>
<p>SANTOS, Jose Henrique, O trabalho do negativo, ensaios
sobre a Fenomenologia do Espirito, So Paulo,
edies Loyola, 2007, pags. 21 e 22.</p>
				</div>			</content>			<id>http://alexandrehreis.arteblog.com.br/42976/Sobre-nossas-vidas-contemporaneas/</id>			<link href="http://alexandrehreis.arteblog.com.br/42976/Sobre-nossas-vidas-contemporaneas/" />			<author>				<name>alexandrehreis</name>				<uri>http://alexandrehreis.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-01-25T14:35:28+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>A ARTE DA SOLIDÃO</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p>

Ao convidar meus alunos de Filosofia e Etica a
ouvir algumas lies de Socrates,
confrontei-me com uma sabedoria que se mostra demasiado simples: o
que temos a aprender verdadeiramente com nos mesmos? O que
tenho entendido, nestes primeiros dias de setembro, e que o
retorno a si mesmo, o voltar o olhar para cada um de nos,
e tarefa penosa que revela um bocado daquilo que sempre
permanece esquecido em nosso dia-a-dia. No compreendemos
verdadeiramente quem somos se no experimentamos a
solido. E o que e mais dificil de afirmar
e a necessidade de que devemos estar a sos em meio a
uma multido que cega nossos olhos para uma interioridade
que, temo, esta desaparecendo em meio a um mundo cada vez
mais acelerado e mais convidativo para o entretenimento. Creio,
assim, que o entretenimento e o grande flagelo de nossos
tempos modernos. Com nossa inteligencia dispersa em uma
serie de problemas sociais e de prazeres coletivos, acabamos
de olhos bem fechados para nos mesmos.</p>
<p>
Socrates, o velho tagarela que sempre interrogava seus
compatriotas sobre a verdade de seus conhecimentos, parece ter
deixado algumas lies imprescindiveis para a
verdadeira sabedoria: coloca-te sob suspeita! Mas, o que este
duvidar de si mesmo pode nos dar? Quem esta, hoje, dois mil
e quatrocentos anos apos a sua morte, disposto a abrir
mo de todo prazer imediato, de todos os convites que o
mundo moderno tem a nos ofertar, para se voltar para si mesmo e
buscar, a partir de si, um conhecimento que seja ao mesmo tempo
simples e revelador?</p>
<p>
O nosso mundo parece ter transformado a arte em
entretenimento: a arte ja na
revelao do espirito, e sim o seu mais fugaz
passa-tempo. A musica, que educada o espirito para o
sentimento sublime, e hoje um barulho que agita o corpo, e
torna a alma ainda mais estranha a si mesma. Nossa
educao tem se tornado um treinamento que promete
uma profisso, nada mais. Neste sentido, penso estarmos
muito ocupados para compreender realmente o que Socrates
propunha: o conhecimento de si mesmo e a suprema tarefa
capaz de libertar o homem de suas amarras sociais, capaz de
liberta-lo da prises
sociais, esta falsa noo de verdade que tem se
tornado a grande mentira das sociedades de massa. Rir de si mesmo,
assim compreendo toda grande sabedoria. Mas o riso, insisto, este
no se levar a serio, nos da, primeiramente, a
grande angustia que pode nos despertar para o pensamento. O
riso nos da, para alem deste primeiro momento
angustiante de se descobrir um ser vazio, toda possibilidade de
alegria. E preciso, assim, inicialmente convidar-se a si
mesmo para o debate, para a reviso dos proprios
valores que guiam nossas aes, e, num segundo
momento, quando se descobre a fragilidade de nosso proprio
ser, enfrentar o mundo e suas mentiras para, no final, descobrir a
verdadeira arte de se estar no mundo, a sublime e divina arte de
sorrir!</p>
<p>

Socrates, se levado a serio, deixara cada um
de nos confuso e em estado de perplexidade, e e
ai que se da o inicio de uma aventura que
poucos hoje em dia se dispem a buscar: a aventura do
pensamento, a arte de pensar.</p>
				</div>			</content>			<id>http://alexandrehreis.arteblog.com.br/22198/A-ARTE-DA-SOLIDAO/</id>			<link href="http://alexandrehreis.arteblog.com.br/22198/A-ARTE-DA-SOLIDAO/" />			<author>				<name>alexandrehreis</name>				<uri>http://alexandrehreis.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2007-09-02T22:19:25+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>ÉLIDA, A DAMA DO MAR</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p></p>
<p><span>Sempre acreditei
que a vida seria impossivel sem a arte, sem uma
criao de sentido que a envolva e a distancie de sua
banalidade e mediocridade dadas. A vida so e
possivel se for reinventada longe de tudo que e
natural, imediato e cansativo.</span></p>
<p><span>
Viver sem a arte e, assim, simplesmente viver. Felicitou-me
muito que meu domingo tenha sido investido de um ar vindo do
seculo XIX, frio, chuvoso que nos descansa do tropicalismo.
</span></p>
<p><span>Hoje reli pela
terceira vez <em>A dama do mar</em>, uma belissima
pe autor mais encenado na
Europa do seculo XIX. Essa pea parece-me um drama em
que todas as falas possuem um duplo sentido. A impresso que
tenho e que existe sempre um duplo sentido: no me
parece um drama realista, mas a mascara que acoberta a
experimentao. Voltarei a isso. Depois de <em>A casa
de bonecas,</em> Nora foi celebrada como a salvadora da sociedade,
dando a Ibsen um lugar garantido na cabeceira das feministas.
Haveria alguma ingenuidade nisso? Mas, poderiamos perguntar
com o proprio Ibsen, o que aconteceria se Nora, ao
inves do grande e sagrado sacrificio (ela e um
personagem nietzscheano, um <em>espirito livre</em>, um
espirito de afirmao) ficasse em seu lar? A
resposta veio em <em>Os espectros</em>, em que encontramos a
loucura como resultado da submisso ao marido e ao casamento
ja falido. Ibsen acreditava no compromisso que o
individuo tinha com a verdade e com a sociedade. Eis a
tarefa de auto-realizao. Eis, inclusive, a mais
importante proposio filosofica, a
unica que realmente vale a pena mencionar sempre:
<em>conhea-te a ti mesmo.</em></span></p>
<p><span> </span></p>
<p><span>A
composio de <em>A dama do mar</em> agrada-me pela
leveza, no apenas no pensamento e na
descrio das imagens e das cenas, mas na
composio de cada frase. Fiquei feliz ao reler e,
como das outras vezes, lembrei-me da poetiza russa, na verdade mais
alem do que russa, Lou-Andreas Salome. Lou
e talvez a grande heroina da virada para o
seculo XX. Nietzsche escreveu a ela: "trago comigo algumas
coisas que ne para isso
procuro a terra mais bela e mais fecunda". A paixo de
Nietzsche experimentara o poder misterioso da mulher: "tive
de silenciar porque falar de voce me teria derrubado cada
vez". A relao entre os dois e uma
pagina importante para compreender foras poderosas.
Ela escreveu: "Em alguma profundeza oculta de nossa natureza,
estamos inteiramente distanciados um do outro. Na sua natureza,
como numa velha fortaleza, Nietzsche tem muitos calabouos
escuros e poro
percebidos num encontro superficial, mas que podem conter o mais
pessoal dele. Estranho, recentemente me ocorreu, com subita
intensidade, que alguma vez poderemos ate nos defrontar como
inimigos." Os dois se distanciaro definitivamente. Parece
que o impacto da separao marcara um caminho
(deliberado?) de solido. Nietzsche tornar-se-a um
ermito. Ela demonstrou-se mais forte do que ele, mais
livre, mais leve, mais independente. Ele vagara
solitario pelo mundo: sobretudo pelas cidades italianas. Ela
tornar-se-a o que ele vislumbrou em seu pensamento: um
<em>espirito livre</em>.</span></p>
<p><span></span></p>
<p><span>O que mais me
chamou a ateno de
que havia uma necessidade de independencia para afirmar a sua
escolha livre. Renunciar ao casamento, pedir o divorcio para
realmente escolher livremente. Eis a grandeza de Elida. Pouco
importa o que ela escolhera: o misterioso estrangeiro, que
atrai e apavora, que seduz pela proximidade, pela distancia,
pela ameae a quebra da banalidade, ou a
singela descoberta de que a amor pode se dar pela
tranquilidade, pela descoberta da simplicidade que revela um
sentimento que, longe da grandeza poetica, pode ser
verdadeiro na banalidade do dia-a-dia. Pouco importa tudo isso. O
que importa, o que devemos aprender com a dama do mar, e que
o desejo deve ser afirmado a cada dia. A independencia
e a unica possibilidade de afirmao do
desejo.</span></p>
<p><span></span></p>
<p><span>Teria Elida
renunciado ao seu desejo? A afirmao de que a
liberdade e imprescindivel para a escolha, isso me
pareceu a mais dificil de todas as afirmaes.
Lou-Andreas Salome representa a possibilidade de
mudano representa a mesma coisa? Ou
estaria a mudano do
estrangeiro? Elida descobre, ao meu ver, que a grande
mudanos com o
passado, com o sublime que a ameaa no presente. Ela nunca
mais sera a mesma: se se esconde um retorno a
civilizao em sua escolha, parece-me uma
afirmao pode nos
deixar cegos para o outro ponto de vista: Elida descobriu a
simplicidade do amor, no do
grandioso, do sublime, mas como a novidade possivel da
afirmao de seu destino. Ela aceitou a sua vida, e
isso e a grande mudana que a tornara uma
grande mulher. Acredito, assim, que conseguimos ver coisas
diferentes e importantes em nossas leituras. A
negao do
desejo? Numa palavra eu diria, a independencia de
espirito. E tudo.</span></p>
<p><span>Alexandre.</span></p>
<p></p>
				</div>			</content>			<id>http://alexandrehreis.arteblog.com.br/21645/ELIDA-A-DAMA-DO-MAR/</id>			<link href="http://alexandrehreis.arteblog.com.br/21645/ELIDA-A-DAMA-DO-MAR/" />			<author>				<name>alexandrehreis</name>				<uri>http://alexandrehreis.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2007-08-30T22:06:28+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>VITA - breves pensamentos sobre a vida e a morte</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong><span>
Deixo disponibilizado
oado em
outubro, demorou, mas ficou pronto! Espero que o Prefacio
cumpra a sua funo e motive a
leitura...</span></strong></p>
<p><strong><span>
um abrao a todos.</span></strong><strong><span>
</span></strong><strong><span>
</span></strong></p>
<p><strong><span>
REIS, Alexandre H.</span></strong> <strong><em><span>
Vita - breves pensamentos sobre a vida e a
morte</span></em></strong><strong><span>
, Belo Horizonte, Mundo de Cetim, 2007.</span></strong><span></span></p>
<p></p>
<p><span>
Prefacio</span></p>
<p><span>
I</span><span></span></p>
<p><span>

As palavras que caem em suas mo
frutos da impertinencia. Somente assim posso conceber o que
e apresentado aqui. A seriedade com a qual se abre esse
pequeno volume, quando se expem temas de suma
importancia, sem com isso garantir, talvez, a capacidade do
autor em digerir refeio lauta,
no parece ser a seriedade dos homens que fazem da filosofia
uma profisso. O leitor sisudo pode aqui se queixar da falta
de academicismo ou da proximidade excessiva entre as
asseres e o proprio gosto do autor, e
certamente no sera encontrado aqui mais do que pode
comportar um aforismo. A seriedade do aforismo esta em
aceitar o riso, em aceitar a possibilidade de se contradizer e de
rir de si mesmo. No lhe apresento, portanto, meu caro
amigo, um tratado sobre a vida e a morte, mas sentenas nas
quais elas se tornam objeto de uma profunda reflexo:
no se assuste, no entanto, se muitas vezes tais
reflexes encontrarem o sentido de profundidade na
propria superficie. E que o tema aqui tratado
no permite um longo discurso: se algum dia se disse uma
palavra verdadeira sobre a vida ou sobre a morte, tal palavra feriu
um principio elementar: tais verdades, ao serem ditas,
tornam-se mentiras, isso porque a linguagem no e o
lugar da verdade, mas sim das simulaes e das
representao
e, por excelencia, uma atriz
talentosa.</span></p>
<p><span><span>
</span>
Oproposito desse opusculo, repito, e
impertinente. E assim o e porque no se deve falar
sobre a morte ou sobre a vida. Vive-se e morre-se. Mas a
pratica do filosofo e, muitas vezes, pensar o
absurdo. E suponho que a morte seja mesmo uma dessas mulheres
dificeis, que no caem nos gracejos do galanteador. O
homem contemporaneo, dotado de uma racionalidade instrumental
capaz de por o proprio planeta a seu servio,
ja no e mais capaz de seduzir a morte, de
atrai-la para sua sabedoria de vida, para seu
saber-viver-bem: faltam-lhe elogios e gracejos capazes de
conquista-la. A morte, ignora o homem de nossos tempos,
so tem olhos para a vida, e os homens tem gastado um
bocado de suas energias pensando em como satisfazer sua vontade de
poder. O animal racional, bipede implume, e um
escravo de seus desejos. A morte, digo isso apenas em voz baixa,
e o veneno dos desejos. E e esse veneno que proponho
oferecer ao pensamento, pois pensar e, para o
filosofo, a lenha que move sua vida. O veneno, no entanto,
se convertera em agua. A morte, que a primeira
vista pode significar o carvo do pensamento, torna-se
abrasiva quando tomada por ele, que exige sempre que seu objeto
preste contas a razo e ao exercicio da
razo.</span></p>
<p><span>
</span> <span>Pensar e sempre um exercicio que exige
um tratamento da morte. <em>So deixamos de pensar na
morte</em>, dizia mesmo Marcel Conche, <em>quando deixamos de
pensar</em>. E pensar a morte e pensar o no-objeto,
pensar o obscuro, quando a luminosidade da razo vai se
acasalando com as trevas...</span><span></span></p>
<p></p>
<p><span>
II</span></p>
<p><span></span> <span>
</span>
As presentes paginas <span>
<span></span></span> <span>
que um espirito insolente exigiu extrusar, extraindo de si
mesmo o agradecimento a tradio</span>
<span>
<span></span></span> <span>
, pretendem justificar a liberdade que o autor tomou para si,
permitindo se distanciar de seu tempo, numa classica
impertinencia de juventude, para que pudesse enxergar o mais
humano de todos os problemas, que da a propria
condio humana o seu sentido e identidade
existenciais: a <em>morte</em> define a propria vida do
homem.</span></p>
<p><span>
</span>
O leitor que, deitado em sua cama, a fitar o teto, ja tenha
se perguntado sobre o significado da vida e que ja tenha se
estremecido diante da possibilidade da morte, talvez encontre aqui
sentenas que lhe caibam no espirito. O que significa
morrer? Quem morre? Talvez a tradio
filosofica possa apresentar algumas palavras a esse
problema, e talvez ela possa nos emprestar suas ferramentas para
criticar suas proprias respostas, suas
exposies. Pois, se me lembro bem das
lies do mestre, Jose Henrique Santos,
e sempre com o aprendizado da tradio que
aprendemos a habilidade da critica, submetendo-a ao seu
proprio tribunal.</p>
<p><span>
</span>
O contra-senso de se pronunciarem palavras quando se pede apenas o
silencio, contudo, permanece em cada linha das paginas
que se seguem. Mas o que importa realmente a coerencia?
No e, no final das contas, um imenso contra-senso
falar em contra-sensos? O silencio so refuta a si
mesmo. Foi justamente o desprendimento da lingua altiva que
levou muitos homens e mulheres a dizerem aquilo que nos era
necessario ouvir. Um barulho prenhe de significados, abala a
sensatez do silencio. Um barulho
necessario.</p>
<p>

As perguntas levantadas na horizontalidade da
impertinencia de se fitar o teto, soma-se ainda uma outra que
me parece ainda mais desafiadora: e possivel pensar o
significado da morte? Parece ser esse o proposito
impertinente do qual se falava antes. A resposta a essa pergunta
sera aqui dada positivamente, desde que se tenha claro que
esse significado no sera descoberto, mas sim
inventado, criado, elaborado pela arte de pensar. O problema aqui
pensado no e, contudo, sobre a possibilidade da
morte, mas sobre a possibilidade de se dar sentido a vida. A
vida, alias, pode mesmo morrer? Ou apenas os seres viventes
morrem? Por que o espanto sempre se faz presente na face daquele
que presencia o desaparecimento de um ser vivo como se, pela
primeira vez, ocorresse tal acontecimento no mundo? Por que a morte
e sempre familiar e, ao mesmo tempo, sempre algo estranho
para nossa consciencia? A minha morte sera sempre algo
unico e inimitavel? A morte de <em>outrem</em> nunca
e tragica e pode ser estudada do ponto de vista das
ciencias medicas, sociais, etc, e traz uma
objetividade que impede a tragedia. E ja a morte do
<em>outro</em>, do amigo, do irmo, esta
proxima: ja no e estranha: e
quase um golpe tragico que se afirma em nossa propria
consciencia.</p>
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<p><span>
III</span></p>
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Aqui se apresenta uma interrogao que se direciona
ao proprio leitor, uma interrogao que
procura abalar qualquer certeza: a vida que voce vive, meu
amigo, caminha necessariamente para a morte. A morte,
dizia Emil Cioran, e a coisa mais segura e firme que
a vida inventou ate agora. Quantas vezes paramos no
turbilho dos acontecimentos de nossas vidas modernas para
pensar seriamente sobre isso? Seria essa a mais infalivel
das certezas? Pois muito bem, se a resposta a essa pergunta for
positiva, interroguemo-la, pois assim se faz necessario.
Qual e a concepo de vida que voce
possui, meu caro leitor, e qual sua expectativa da morte? Como a
concebe? Falando mais seriamente: a vida e a morte seriam assim
to faz
brotar no quintal o aroma inconfundivel de uma flor de
laranjeira? E quantas vezes no nos surpreendemos com a vida
se desabrochando em lugares que, a no ser em nossa
esperana, suscitaria apenas o silencio mortal do
inaudivel? A vida ne, muitas vezes,
o alimento colhido nas prateleiras geladas da morte? E qual
e o alimento da morte?</span> <span>
Convoco voce, amigo leitor, a pensar o significado da vida
, e a pensar o significado da morte. Quem morre? E
possivel a vida morrer? Ou a morte seria, em nosso caso,
apenas de um corpo e de uma consciencia individuais? E
possivel exercitar tais pensamentos?</span><span></span></p>
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IV</span><span></span></p>
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o apresenta nenhuma
teoria consistente, ou mesmo uma tese abissal sobre o problema da
morte. Neste livro se acha, no entanto, um <em>subsolo</em>, um
caminho que talvez tenha sido interrompido em nossos tempos, e por
isso mesmo tenha se deslocado para debaixo de nossos pes,
como o lenol freatico no qual a agua se
acomoda tas ainda
se preenchem de um suspiro que nos anima, mesmo que nossos olhos
percebam o quo cega e nossa inteligencia
pratica para as questes mais importantes da vida
sobre a terra.</span> <span>
No quero lhe convencer, meu paciente amigo, de nenhuma
verdade, de nenhuma audaciosa busca de sentido, pois o caminho para
a verdade, o caminho que leva a um preenchimento desse vazio que
nossa epoca nos presenteou, so pode ser percorrido na
companhia de si mesmo</span> <span>
<span></span></span> <span>
, como aquela imagem vinda do seculo XIX, em que o
<em>andarilho e sua sombra</em> rumavam unicamente na companhia de
bons e leves pensamentos. Ainda sera necessario
redescobrir o sentido do conselho delfico, o sentido daquele
caminho que so pode ser percorrido na solido, quando
se e capaz de elevaes que encontram a
verdadeira linguagem do mundo, a verdadeira linguagem que
repetidamente silencia a propria
gramatica.</span></p>
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Muitas vezes deparei com pensamentos sobre o problema da morte que
me pareciam, era essa minha opinio, descabidos e
artificiais, outros, no entanto, pareciam ter saido de mim
mesmo, tal era minha identificao para com eles. Em
muitos pensadores da tradio, a morte se apresenta
como um pensamento vivo, como a luz que ilumina o proprio
pensar, como se aquela velha afirmao de
Plato, que afirma ser o inicio da filosofia o
<em>deixar admirar-se</em>, pudesse ser agora refutada e, ao
inves, devessemos afirmar que a filosofia se principia
com o perturbar-se. Mas, no final das contas, nossa maior
admirae
definitivamente a angustia de no compreender
o que poderia ser claro para nos. A admirao,
no fundo, e um tipo de perturbao, mas um
tipo passional e menos parcial, na medida em que nos projetamos
mais ao objeto admirado do que a nos mesmos, ao passo que a
perturbao, no sentido de uma perplexidade, e
o afastamento do objeto em direo a um <em>si
mesmo.</em></span></p>
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V</span><span></span></p>
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Estes <em>breves pensamentos sobre a vida e a morte</em>,
coletados mais em minha experiencia de pensar do que em
minhas pobres vivencias, se e que e
possivel fazer tal separao, nada mais
so do que uma perplexidade diante da morte, diante da
consciencia do limite, e da impossibilidade de se exprimir,
em linguagem adequada, o que poderia haver para alem desse
limite, o que ja se configuraria como objeto da
Religio. A experiencia mais importante, buscada por
um Tolstoi ou por um Wittgenstein, e que a
tradio revela terem vivido um Joacob Boehme ou um
San Juan de la Cruz, dificilmente pode ser comunicada. Kant
demonstrara no seculo XVIII os limites da razo, ou,
ao menos, os limites do conhecimento racional, excluindo da
ciencia as perguntas mais importantes. Pois, no final das
contas, no de
Tolstoi, <em>o que devo fazer de minha vida?</em>, a mais
importante das interrogaes? O que buscaram todos
esses homens acima citados seno uma experiencia que
lhes pudesse responder a essa dificil
questo?</span></p>
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A apresentao de meus pensamentos sobre a vida e a
morte segue a linguagem do aforismo. Sendo assim, meu caro leitor,
no apresento aqui conceitos que captem a essencia de
meus problemas. Nador de redes que
aqui escreve. As redes, se as lano para sentir
por entre seus nos e losangos a textura da agua,
no para capturar o peixe. O aforismo sempre olha de
perspectiva, e sempre expresso da <em>doxa</em>, da
opinio, que recusa a seriedade do conceito, a linguagem
profissional, academica, cientifica.</span>
<span>
O subsolo que sustenta a superficie de meus pensamentos
e, em verdade, uma suspeita. Uma perplexidade diante da
banalidade da vida no seculo XXI. E esse o meu
desespero. A morte diaria, anunciada e presente em nossos
lares, que invade a cada instante nossos olhos, parece ter perdido
seu sentido-ritual. O proprio tempo, condio
necessaria a morte, tornou-se tempo de ponteiro. O
proprio homem ja no tem mais
consciencia de sua humanidade. Deus, que sustentou a cultura
do Ocidente nos ultimos milenios, parece ter sido
interrompido pelo barulho das maquinas de nossa
revoluo industrial. E isso ja ha
alguns seculos. No seria agora o Homem, com sua
tecnica e dominio digital, a vitima mais
recente dos tempos modernos? A necessidade de olhar para
tras, para nossa historia, e para adiante, para
alem de nos mesmos, no deve ser novamente
objeto de nossos pensamentos? Paremos por um minuto,
esquees de nosso dia-a-dia,
de nossa vida aprisionada em seu tempo, para convocarmos ao
combate, ainda que brevemente, esses pensamentos sobre a vida e a
morte. Pois, ao final, no pensar a propria morte
e sempre o verdadeiro significado de se estar
morto.</span><span>
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<em><span>
Belo Horizonte, outono de
2007.</span></span></em></p>
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VEJA AS
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SEGUINTES</span></em></p>
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